Igreja

Williamsongate: a imprudência foi de Lombardi, afirma Card. Hoyos

Tínhamos [site Secretummeummihi]  anteriormente antecipado que o secretário de imprensa  da Presidência da Colômbia estava prestes a publicar um livro-entrevista com o Cardeal Darío Castrillón, que se chama De frente e sem medo, diálogos com o Cardeal Darío Castrillón.
 
Pois bem, chegou a data em que se lança oficialmente o livro, e em tal marco o Card. Castrillón concedeu hoje uma entrevista ao diário colombiano de maior circulação, El Tiempo. Nela se lhe pergunta acerca do williamsongate, e sem reparos o Card. Castrillón afirma que se houve alguma imprudência, foi por parte do Diretor do Secretaria de Imprensa da Santa Sé, P. Federico Lombardi, em uma entrevista concedida em 05 de fevereiro ao diário francés La Croix. Na mesma entrevista a El Tiempo, o Card. Castrillón afirma que “Se alguém tinha que saber isso era o Cardeal que se encarregaga da vida dos Bispos, o Cardeal Re”. Como se recordará do Card. Re também se contou em certo momento (não periódico Italia Oggi) que ele tinha feito comentários desairosos sobre o Card. Castrillón.
 
EL TIEMPO: Qual foi seu papel na mediação com os lefebvrianos aos quais foi-lhes levantada a excomunhão?
 
Card. Darío Castrillón: Tinha que fazer os diálogos, porém não significa que era eu sozinho quem estava dialogando com (Bernard) Fellay (chefe da Fraternidade Sacerdotal São Pío X dos lefebvrianos). Tive sempre em torno de mim todo o grupo necessário dentro da Santa Sé para cada um dos pasos. Quando falávamos das excomunhões não foi um diálogo de Castrillón com Fellay..., não, não, não. Eu não negociei com ninguém. Foi a Comissão de Cardenais, incluido Ratzinger (o Papa Bento XVI), porque disto começamos a falar quando ele não era Papa. Não houve um só ato que não se fizesse colegialmente.
 
EL TIEMPO: Como souberam das palavras de Williamson nas quais ele nega o Holocausto?
 
Card. Darío Castrillón: Quando houve uma reação grande do mundo judeu e dos Bispos das áreas mais sensíveis (Alemanha, Suíça e Áustria), oficialmente nos inteiramos. Chegou uma comunicação no dia 5 de Fevereiro a nossas mãos. Porém aos lefebvrianos não os excomungaram por motivos de doutrina, senão porque tinham sido ordenados sem permissão.
 
EL TIEMPO: Houve um 'puxão de orelhas' quando o porta-voz do Papa, Federico Lombardi, disse que V. Eminência tinha que saber o que havia dito Williamson?
 
Card. Darío Castrillón: Ele não disse exatamente isso e se o disse é um absurdo, uma idiotice, porque não se tratava de estudar a vida desses Bispos. A única coisa que se tinha de saber é que ele foi ordenado por (Marcel) Lefebvre sem permissão.
 
EL TIEMPO: Para levantar a excomunhão não era preciso que Williamson se retratasse?
 
Card. Darío Castrillón: Ninguém ia pedir-lhe retratação porque o Santo Padre nem  nós sabíamos o que ele  havia dito.
 
EL TIEMPO: Se o tivessem sabido,  teriam pedido sua retratação antes de levantar a excomunhão?
 
Card. Darío Castrillón: Eu penso que não, porque é um problema histórico, não moral. Por prudência o Santo Padre teria podido dizer que esperasem um momento. Parece-me que houve uma imprudência do porta-voz da Santa Sé na declaração que ele deu ao 'La Croix', porque não há por que entrar em juízos sobre pessoas nem dizer que um Cardeal tem que saber algo que não tem motivo para saber. Se alguém tinha que saber isso era o Cardeal que se encarregaga da vida dos Bispos, o Cardeal Re.
 
El TIEMPO: Está V. Eminência consciente do que o porta-voz disse?
 
Card. Darío Castrillón: Francamente não me interessou. Ele me escreveu uma carta pedindo-me desculpas. Temos sido muito bons amigos.
 
[Tradução: Montfort. Texto original em espanhol em Secretummeummihi]

    Para citar este texto:
"Williamsongate: a imprudência foi de Lombardi, afirma Card. Hoyos"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/williamsongate/
Online, 29/04/2017 às 06:22:10h