Igreja

Vitória da Missa de sempre! Vitória de Bento XVI!
Orlando Fedeli

 
Foi noticiado que no terceiro domingo do Advento, em Dezembro passado, o Cardeal Arcebispo de Paris, Presidente da Conferência Episcopal Francesa, e um dos mais duros inimigos da Missa de sempre, afinal se dobrou ante a autoridade do Papa Bento XVI: o Cardeal Vingt-Trois celebrou a Missa de sempre, em Notre Dame de Paris.

Esse fato é muito significativo. Bento XVI venceu a resistência que os modernistas franceses lhe opunham e, mais do que ao Papa, por razões teológicas, a resistência que eles opunham à Missa de sempre.

Durante décadas, depois do Vaticano II e da instauração da Missa nova de Paulo VI -- sem ter sido abrogada a Missa de sempre — o episcopado modernista usou a desculpa do latim para se opor à Missa católica. Diziam os modernistas que fora necessário mudar língua litúrgica da Missa para o vernáculo, porque o povo náo entendia a Missa rezada em latim.

Após o Motu Proprio
Summorum Pontificum, o episcopado francês – e em sua esteira, o episcopado brasileiro — se levantou barulhentamente contra a Missa de sempre. Depois, na França pelo menos, os Bispos modernistas começaram a confessar que a razão de sua ferrenha oposição à Missa de sempre não era, de fato, o latim, mas a teologia das duas Missas, que -- afirmavam agora – fundamentavam-se em duas teologias diferentes e incompatíveis uma com a outra.

A Missa foi instituída por Cristo como  perpetuação e renovação do sacrifício do Calvário. Nela, Cristo sacerdote e Vítima, se oferece a Deus Pai para pagar os pecados dos homens.

A Nova Missa de Monsenhor Bugnini, fundamentava-se na teologia protestante luterana que considera que todos os homens já estão salvos.

A Missa Nova, como a ceia protestante, é uma comemoração da salvação universal. Ela é uma festa e não um sacrifício propiciatório, palavra que desapareceu do decreto que instituiu a Missa nova, e mesmo dos textos litúrgicos da Missa.

Na Missa de sempre, Cristo, a quem o sacerdote empresta sua voz, pois atua “in persona Christi”, se dirige a Deus Pai. Por isso, o Padre se volta para a cruz, para o sacrário, e não para o povo. Na Missa antiga, o Padre só se volta para o povo quando, em nome de Deus, ensina o povo, ou quando lhe concede, em nome de Deus, a bênção,a paz e lhe manifesta o desejo que viva na graça santificante.

Na Missa Nova, o padre se volta para o povo. Para o homem. A Missa nova, fruto do Vaticano II, é tão antropocêntrica como ele. Na teologia da Missa nova se considera que Deus está presente na comunidade e não na hóstia consagrada. Daí, quando o padre diz: “O Senhor esteja convosco”,  a resposta oficial “Et cum spiritu tuo” ter sido absurdamente traduzida como “Ele está no meio de nós”.

Claro que a maior parte dos padres, que geralmente receberam formação “macarrônica” nos seminários brasileiros, não compreende o que essa frase quer dizer. Eles desconhecem tanto a teologia católica com também a teologia cabalista de Martin Buber e a Fenomenologia, que inspiraram essa tradução estapafúrdia. Porque não é uma tradução. É uma substituição absurda.

Quem inventou essa “tradução” queria significar o que apenas alguns iniciados sabiam.

Para Martin Buber, quando há um diálogo entre um Eu e um Tu, entre os dois se forma um EU superior – um EU “transcendental”, “intersubjetivo” diz Husserl --, um Eu que é A “Presença”, como dizia o cabalista Martin Buber. A misteriosa “Presença” da qual falava continuamente Monsenhor Giussani, o fundador do movimento Comunhão e Libertação, mas sem nunca explicar claramente o que era essa  “Presença”.

A “Presença” seria a Sheckhinah, a última emanação do Ein Sof, a Divindade cabalista, a Sofia dos sistemas gnósticos, a emanação divina que caiu no mundo e que estaria presente e aprisonada em todas as coisas.

Daí, quando o padre dialoga com o povo, na Missa nova, a “Presença” divina, a Sheckhinah ficaria presente na comunidade. Por isso, os padres moderninhos dão tanta importância em criar um espírito coletivo naquilo que, depois do Vaticano II, se chamou de comunidade. A com- unidade.

Cristo, então, não estaria realmente presente na hóstia consagrada, e sim na assembléia do povo, da qual o sacerdote seria apenas um presidente, um coordenador mais ou menos mágico.

A Missa precisaria ser dita em vernáculo, na língua do povo, porque o povo seria o verdadeiro sacerdote, e a “Presen;ca” da verdadeira divindade estaria no povo.

Só assim—pela existência de um teologia oculta -- se compreende porque os Cardeais e Bispos, guiados e iniciados pelos teólogos modernistas, se oponham com tanta pertinácia às decisões do Papa Bento XVI.

Só a existëncia de uma outra doutrina, não católica, na cabeça do clero modernista, explica porque esse clero
recusa traduzir o “pro multis” como “por muitos”, teimando pertinazmente em traduzir o “pro multis” como “por todos”. O que evidentemente é uma tradução absurda

Mas, se o clero modernista crê que todos os homens já estão salvos, então o “Multis” tem que ser traduzido como sendo por “Todos”.      

E se todos já estão salvos, porque em todos está presente a divindade—a Schekhinah cabalista--, então todos podem comungar. Ninguém precisa se confessar, porque todo mundo já está perdoado e já está salvo, porque todos são a Divindade. Daí, a mais completa desobediência ao Papa que ordenou recolocar os confessionãrios nas Igrejas.
 
Depois de muita resistência, o Cardeal Vingt-Trois, inimigo figadal da Missa de sempre e da Fraternidade São Pio X, como também do IBP, capitulou: rezou a Missa de sempre.

É só um começo?
Não.

É um princípio.

E quem cede num princípio, perdeu a batalha.
O Papa venceu.
A Missa de sempre venceu
A Fraternidade venceu. O IBP venceu. A Fraternidade de São Pedro venceu.
Graças a Deus!
A Igreja venceu.

Isso não significa que a guerra teológica terminou. Não significa que, desde agora, o Cardeal Vingt-Trois e seus seguidores entregaram completamente as armas. Ele foi derrotado numa batalha decisiva. O Papa conseguiu dobrar a ponta da espada do Cardeal que liderava, na França, a oposição ao Motu Proprio Summorum Pontificum e à Missa de sempre. Veremos se o Cardeal De Paris vai entregar definitivamente a vitória ao Papa Bento XVI.

Em todo o caso, o exemplo de capitulação dele vai trazer consequências sérias. Muitos padres começarão a retornar à Missa de sempre. Pelo menos na França isso acontecerá logo. E, mais ainda, se o Papa completar essa vitória com outra: a anulação da injusta e vazia excomunháo de Dom Lefebvre e Dom Mayer, esses dois heróicos confessores da Fé. Essa anulação significará não só um ato de justiça, mas ainda mais será a afirmação de que é lícito, justo e correto lutar contra os erros do Vaticano II e da Missa nova.

Rezemos para que esse ato de justiça aconteça o quanto antes.
Rezemos pelo Papa Bento XVI.
           
E quando os Cardeais brasileiros imitarão o Cardeal Vingt-Trois?
Quando a CNBB obedecerá ao Papa?

São Paulo , 7 de Janeiro de 2009.
Orlando Fedeli

    Para citar este texto:
"Vitória da Missa de sempre! Vitória de Bento XVI!"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/vitoria-missa-sempre/
Online, 25/11/2017 às 01:37:43h