Igreja

Concílio Vaticano II: Descemos a montanha?
Gederson Faria

Que vos parece? Um homem possui cem ovelhas: uma delas se desgarra. Não deixa ele as noventa e nove na montanha, para ir buscar aquela que se desgarrou?

E se a encontra, sente mais júbilo do que pelas noventa e nove que não se desgarraram. Assim é a vontade de vosso Pai celeste, que não se perca um só destes pequeninos (Mt 18, 12-14)
 
Angustiantes essas palavras de Cristo nos tempos atuais. Principalmente porque revela na plenitude a impiedade do Concílio Vaticano II. Nele João XXIII e Paulo VI, consideraram as necessidades do homem, o homem moderno, e não das próprias ovelhas, católicas, das quais eram pastores. O Concílio propôs o diálogo com os lobos da heresia, dizendo que era para a Igreja sair em busca das ovelhas perdidas, quando deveria mostrar às ovelhas perdidas que estavam perdidas, mostrando-lhes que estavam no mau camunho e que isto representaria um grave risco para as mesmas.
 
No entanto, ele se omitiu, não condenou os erros de nosso tempo e assim como um mau médico, esperava curar o enfermo sem dizer-lhe qual a sua enfermidade sem poder assim contar com a sua cooperação. Assim, no Concílio Vaticano II, as ovelhas perdidas não foram conduzidas à montanha, mas as ovelhas sadias foram conduzidas aos caminhos de perdição em que se encontram os lobos. É absurdo levar as ovelhas que se "buscava salvar" aos lobos que as querem devorar.. O mau pastor mistura as ovelhas sadias e doentes, dizer que o Espírito Santo queria isso é um tanto quanto complicado, pois ele é um bom pastor!
 
A suma impiedade foi feita no Concílio, os Pastores ao invés de manterem as suas ovelhas na montanha, desceram com todo rebanho para buscar os lobos a pretexto de buscar as ovelhas  perdidas. O resultado disso, é que o rebanho esta se perdendo, pois as ovelhas pensam não ser mais ovelhas, porque os Pastores, após o Concílio falam para Pastores e não mais para ovelhas. Isso se deduz, por exemplo, das palavras que ouvimos, como:
"O Concílio Vaticano II deve ser interpretado a luz da tradição"
 
À luz da tradição um Concílio DEVE SER interpretado apenas pelo Magistério, mas se o Magistério mesmo diz que nós devemos interpretá-lo À luz da tradição, ele se omite de realizar aquilo pelo qual existe, ou seja, interpretar o Concílio. A mesma luz nos diz que um Concílio tem a tradição evidente em si mesmo, se ele não possui essa evidência da tradição em si, este Concílio não pode ser considerado Católico. Conosco está Pio XII, que diz:
 
"E o divino Redentor não confiou a interpretação autêntica desse depósito a cada um dos fiéis, nem mesmo aos teólogos, mas exclusivamente ao magistério da Igreja. " Humani Generis (MUITO BEM!!!)
 
Caríssimos, o atual Magistério quer que interpretemos o Concílio a luz da tradição. Mas à luz da tradição compete a ele interpretar os textos do Concílio, que se tivessem em si mesmo a luz da tradição, não se prestariam a interpretação, de fiéis, de teólogos, mas tão somente pelo Magistério.
 
"O Concílio Vaticano II deve ser interpretado pelo Magistério, como foram os anteriores".
 
Ora, é de se desconfiar que o Magistério delegue-nos o seu próprio ofício. Pergunto: Por que?
 
Porque estamos perdendo a noção de nossa condição de ovelhas e estamos nos emancipando como "Pastores" sem nenhum preparo para essa emancipação. Justamente por isso observa-se tanta desordem e confusão na Igreja de nosso tempo. Fiéis que não obedecem a Padres, estes que não obedecem aos Bispos e estes por sua vez que não obedecem ao Papa. É um relativismo jamais visto nesses dois mil anos de Igreja. 
 
Voltemos um pouco na história, nenhum dos Concílios Ecumênicos anteriores ao Vaticano II, propôs à Igreja que dialogasse com seus inimigos, mas tão somente que  ensinasse a verdade a eles, e que eles estavam errados. Assim, por quase 2 Milênios, o rebanho foi mantido na montanha, para no Século XX, depois de quase 2000 anos de Igreja nos proporem descermos da montanha. Muitos de nós descemos e todos que desceram não têm mais nenhuma consciência de ser ovelha, pensa se pastor, mas está tão perdido quanto as ovelhas que o Concílio pretendia salvar.
 
Um Concílio Ecumênico é feito para a Igreja, por isso encerra-se na verdade, pois os Pastores tem responsabilidades sobre as ovelhas e prestaram contas a Cristo. No entanto a verdade proposta pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, é que deveríamos dialogar com nosso tempo, com hereges, ímpios, profanos, etc, colocando em risco a nossa própria salvação, um Concílio feito para o mundo, não para a Igreja. Quanta impiedade fazer do meio dos Concílios anteriores um fim para toda Igreja!  
 
Querem que desçamos a montanha para ir em busca das ovelhas perdidas, mas são eles os Pastores, e nós somos as ovelhas. Haverá testemunho mais eloqüente de negação da tradição do que este troca de dever entre pastores e ovelhas?  
 
Existe sim, antigamente, Roma falava para encerrar a questão, no Concílio Vaticano II, ele fala para abrir a questão, para que nós encerremos e estabeleçamos uma nova Igreja, na qual, onde o "Povo de DEUS fala, encerra-se a questão." Existem vários testemunhos práticos deste desejo, os abusos litúrgicos são um deles. Neles os "abusados" apenas acatam a decisão do "Povo de DEUS" contra as autoridades constituídas por DEUS, isto é, o Magistério.
 
Querem que desçamos à montanha!
Para nos tornamos semelhantes às ovelhas perdidas que tem autoridade sobre os seus Pastores!
 
Querem que desçamos a montanha!
Para que encerremos o Concílio Vaticano II, naquilo que ele se propôs, destruir a Igreja!
 
Querem que desçamos a montanha!
Para que não sejamos mais ovelhas!
 
Não desçamos!
 
Não desçamos!
 
Não desçamos!

    Para citar este texto:
"Concílio Vaticano II: Descemos a montanha?"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/vii_montanha/
Online, 25/06/2017 às 14:22:27h