Igreja

Trovão anuncia tempestade
Orlando Fedeli

Monsenhor Albert Malcolm Ranjith Patabendje Don, mui digno Secretário da Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos, entrevistado exclusivamente pelo site ‘Petrus’, em 5 de Novembro de 2007, fez declarações tonitroantes contra Cardeais e Bispos que estão resistindo ao Papa Bento XVI, porque não querem obdecer ao Motu proprio Summorum Pontificum, que liberou a todos os padres do mundo a celebração da Missa Tridentina.
 
Essa desobediência sistemática a um Motu Proprio papal é, na verdade, uma desobediência que raia pelo cisma. Se não há cisma oficial, há sim um cisma silencioso, como o disse João Paulo II. Essa resistência absurda a um decreto papal  mostra bem o mal da colegialidade, semente democratizante plantada pelos modernistas do Vaticano II, no trigal católico, por meio da Lumen Gentium.
 
Em todos os continentes, há Cardeais e Bispos que simplesmente se recusam a acatar o Motu Prorio com as mais variadas escusas.
 
No Brasil, muitos Bispos ficaram em silêncio. Nem anunciaram o Motu Proprio. Nem declararam que iam colocá-lo em prática. Outros claramente se lhe opuseram sob as mais variadas excusas.
 
Vários Bispos começaram a dar desculpas –-como se obedecessem a palavras de ordem vindas de não se sabe onde–- e que estão sendo cada vez mais largamente repetidas. A mais comum é que só permitiriam a Missa para fiéis que soubessem latim.
 
Ora, o povinho simples entende a Missa Nova  em português?
 
E certos padres? Entendem eles o que é realmente a Missa?
 
Quantos não encontrei que não souberam me dizer o que a Missa é! Conheci quem não sabia o que significa a fórmula litúrgica “o senhor esteja convosco”...
 
Outro não sabia o que é a redenção e nem o que é a graça santificante. Tal é a formação filosófica e teológica ministarda nos novos seminários.
 
Esses Bispos deveriam começar a exigir uma formação teológica e litúrgica mais séria em seus seminários.
 
E os sermões que se ouvem, e dos quais tenho notícia, mostram eles, que muitos Padres sabem português?
 
E como esses Bispos exigentes de conhecimento do latim permitem Missas com o "blá blá  blá" carismático que nem Padre Jonas Abib entende?
 
Quantos padres saberiam explicar o que é o Verbo?
 
Quantos Padres entendem o que significa a expressão “Filho Unigênito”? O que entendem eles, quando proclamam “Santo, Santo Santo é o Senhor do Universo (em vez de Senhor dos Exércitos)?
 
E esses Bispos entendem bem por que se recusam a obedecer ao Papa, que lhes ordenou dizer na fórmula da Consagração do Cálice “por muitos” e não por todos”, visto que “pro multis” quer dizer “por muitos” e não “por todos”?
 
Se entendem português, por que não acatam a ordem do Papa, que lhes ordenou que digam  exatamente as palavras pronunciadas pelo próprio Cristo, isto é, “por muitos”?.
 
E a ordem para recolocar os confessionários nas Igrejas, — e com grade —, quando esses Bispos que entendem português vão aplicar?
 
 O que se nota é uma vontade de resistir ao Papa. Uma vontade de desobedecer suas ordens. Uma vontade de sabotar o pontificado de Bento XVI. E são esses Bispos do cisma silencioso — silencioso? — que mais exigem obediência ao palavrório, inextinguível, vazio e modernista, emitido em seus manifestos indigestos.
 
São os desobedientes ao Papa que mais clamam que se lhes obedeça.
 
Sabe-se que o Papa Bento XVI está para emitir novo decreto chamando os Bispos à obediência ao Motu Proprio, sem tergiversações sabotadoras. Sem rodeios e sem engaças cismatizantes.
 
Dizem que esse dcumento está para sair...
 
Como se diz já que o Papa está redigindo de prórpio punho a reforma da Missa Nova de Paulo VI. Dizem que essa Missa terá que ser de costas para o povo, sem palmas, sem danças, em latim — imaginem a revolta — e com canto gregoriano.
 
Isto é a Missa com os abusos intoleráveis deve acabar.
 
Ite Missa Nova abusiva est...
 
Aí é que esses Bispos vão gritar. Haverá então um Cisma clamoroso? É de se temer que sim. Há de se pedir a Deus que não.
 
Monsenhor Rabjith começou a anunciar o teor do novo documento do Papa, obrigando os Bispos a acatar o Motu Proprio.  Na Holanda, Monsenhor Ranjith declarou:
 
"O Motu Proprio Summorum Pontificum sobre a Liturgia Latina de 7 de julho de 2007 é o fruto de uma profunda reflexão do nosso Papa sobre a missão da Igreja. Não cabe a nós, que vestimos a púrpura e o vermelho eclesiástico, colocar isso em questão, sermos desobedientes e esvaziarmos o Motu Proprio por nossas próprias pequenas e mínimas regras. Mesmo se elas fossem feitas por uma conferência de bispos. Os próprios Bispos não têm esse direito. O que o Santo Padre diz tem de ser obedecido na Igreja. Se nós não seguirmos esse princípio, nós permitiremos, nós mesmos, sermos usados como instrumentos do Demônio, e ninguém mais. Isso vai levar a discórdia à Igreja e diminuir sua missão. Nós não temos tempo a perder com isso. Mais, nós nos comportamos como o imperador Nero, ocupando-se com seu violino enquanto Roma pega fogo. As igrejas estão esvaziando, não existem vocações, os seminários estão vazios. Padres ficando velhos e velhos, e jovens padres são escassos" (Arcebispo Ranjith sobre os bispos que resistem a Summorum Pontificum: "instrumentos do Demônio".
http://wdtprs.com/blog/2007/10/archp-ranjith-on-bishops-who-resist-summorum-pontificum-instruments-of-the-devil/ pelo Padre John Zuhlsdorf. Cfr íntegar desse documento mais abaixo).
 
Chamar os Bispos desobedientes, ou recalcitrantes,  de  “instrumentos do Demônio” não é pouco. (E eu não tenho nada com isso).
 
Foi Monsenhor Ranjith quem o disse. E disse bem, pois desobedecer acintosamente ao Papa é um desafio que não provém do céu.
 
Agora, no dia 5 de Novembro próximo passado, Monsenhor Ranjith voltou à carga, ainda mais violentamente.  Não conheço declaração mais terrível do que essa, nos últimos 70 anos.
 
Eis algumas das frases tonitruantes do firmíssimo Monsenhor Secretário da Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos:
 
"Houve reações positivas e, inútil  negar, críticas e oposições também de  parte de teólogos, liturgistas, sacerdotes, Bispos e até de Cardeais. Francamente, não compreendo estas formas de afastamento e por que não? de rebelião contra o Papa. Convido a todos, particularmente os Pastores, a obedecer ao  Papa, que é o sucessor de  Pedro. Os bispos, em especial,  juraram fidelidade ao Pontífice: sejam coerentes e fiéis ao seu compromisso".
 
Isso que é falar claro, sem papas na língua, mas com o Papa no coração e nos lábios.
 
Como essa linguagem está longe do “clericalês” em voga desde o Vaticano II...
 
Monsenhor Ranjith fala até de pecado nessas absurdas resistências ao Papa:
 
"Como o sr. sabe, em algumas Dioceses foram publicados documentos interpretativos que visam inexplicavelmente  limitar o Motu Proprio do Papa. Por trás destas ações se escondem, por um lado, preconceitos do tipo ideológico e, por outro lado,  o orgulho, um dos pecados mais graves. Repito: convido a todos a obedecer ao  Papa. Se o Santo Padre julgou como seu dever  promulgar o Motu Proprio, é porque ele teve os seus motivos com os quais eu concordo plenamente".
 
E Monsenhor Ranjith —que Deus o proteja!— condena os abusos existentes por toda a parte na Missa Nova, dizendo:
“Não entendo, portanto, celebrações eucarísticas transformadas em espetáculo com danças, músicas ou aplausos, como muito freqüentemente  ocorre com o Novus Ordo".
 
E disse ainda mais Mosenhor Ranjith:
 
“Sou contra danças e aplausos no decorrer das missas, que não são um circo nem um estádio. Em relação às homilias, estas devem se referir, como salientou o Papa, exclusivamente ao aspecto catequético, evitando sociologismos e falatórios inúteis. Por exemplo, é comum sacerdotes tocarem na política porque não prepararam bem a homilia que, pelo contrário, deve ser escrupolosamente estudada. Uma homilia excessivamente longa é sinônimo de pouca preparação: o tempo ideal de uma pregação deve ser de 10 minutos, no máximo 15” .
 
Concluindo, Monsenhor Ranjith defendeu o latim e convidou Cardeais e Bispos a obedeceren deixando de lado orgulho e preconceitos:
 
 “Quanto ao latim, gostaria de salientar que nunca foi abolido, e é mais uma garantia da universalidade da Igreja. Mas eu repito: convido aos sacerdotes, Bispos e Cardeais à obediência, deixando de lado todo o tipo de orgulho tipo ou preconceito".
 
Jamais vimos um pronunciamento tão claro e tao firme, provindo de Roma, em nossa vida. Isso é que é estilo decisivo. Que Monsenhor Ranjith nunca poderia ter utilizado sem permissão do Papa.
 
Bento XVI está decidido a manter a liberdade para a Missa de sempre, que nunca foi abolida.
 
Resta saber se os Bispos eivados de Modernismo, que durante praticamente durante 40 anos proibiram ilegitimamnete a celebração da Missa de sempre, se eles acatarão a ordem do Papa Bento XVI , ou se caminharão para o cisma explícito.
 
Será que o Terceiro Segredo de Fátima não previu nada disso?
 
Duvido que não.
 
Deus inspire e santifique nossos Bispos.
 
Deus guarde o Papa.
 
Deus faça triunfar a Santa Igreja!
 
Por meio de Maria.
 
São Paulo, 9 de Novembro de 2007
 

    Para citar este texto:
"Trovão anuncia tempestade"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/trovao_anuncia_tempostade/
Online, 24/03/2017 às 21:01:44h