Igreja

Teologia e Secularização - importante documento do Episcopado Espanhol
Orlando Fedeli

O Episcopado espanhol divulgou importante documento doutrinário condenando linhas teológicas heterodoxas nascidas do Vaticano II, e que têm se insubordinado contra as diretivas e ensinamentos papais desde os tempos de João Paulo II. Essa insubordinação tem crescido sob o impulso das medidas comunistas e imorais do governo socialista de Zapatero, e pela grande aversão manifestada por certos teólogos abertamente contrários à doutrina e à política do Papa Bento XVI.
 Foi tal a satisfação da Santa Sé com o documento do Episcopado espanhol que o Cardeal Levada, da Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, manifestou seu júbilo, declarando que a Santa Sé ia promover a tradução desse documento episcopal nas principais línguas do Ocidente.
O documento, evidentemente, segue as diretrizes magisteriais e políticas do Papa reinante, opondo-se ao chamado “espírito do Concílio” e à política anticristã e antifamiliar do governo Zapatero, com o qual a Igreja está em conflito muito sério.
Em que pese algumas poucas frases defendendo supostos bons frutos do Vaticano II – do qual só se conhece a auto demolição da Igreja em meio à fumaça de satanás – e uma ou outra infeliz citação da Lumen Gentium, especialmente a do famigerado e errado “subsistit” – o documento têm passagens excelentes que citaremos.
Publicaremos a íntegra do documento, quando a Santa Sé editar a tradução dele em português. 
 
1- CRISE DA FÉ E SECULARIZAÇÃO
 
Logo de início, o Episcopado apresenta o principal problema da Igreja: a secularização do clero pela perda da Fé:

Junto a estes sinais luminosos de esperança [provindos do Concílio Vaticano II, Sic!], constatamos com viva preocupação sombras que obscurecem a Verdade. Nós, Bispos, temos recordado em várias ocasiões que a questão principal que a Igreja deve enfrentar na Espanha é sua secularização interna[8]. Na origem da secularização está a perda da fé e de sua inteligência, na qual, sem dúvida, desempenham um papel importante algumas propostas teológicas deficientes relacionadas com a confissão da fé cristológica. Trata-se de interpretações reducionistas que não acolhem o Mistério revelado em sua integridade. Os aspectos da crise podem resumir-se em quatro: concepção racionalista da fé e da Revelação[9]; humanismo imanentista aplicado a Jesus Cristo; interpretação meramente sociológica da Igreja, e subjetivismo-relativismo secular na moral católica”
.
 
Esses quatro aspectos da crise da Fé são exatamente quatro pontos fundamentais do Modernismo aos quais o Concílio Vaticano II deu um ambíguo acolhimento, que os teólogos das novidades, depois, explicitaram em teses cada vez mais ousadas:
 
1) - Concepção racionalista da Fé e da revelação: que o Papa São Pio X, na Pascendi, colocou como a raiz do modernismo e da qual se encontram nítidos traços nos textos conciliares.
 
2) - Humanismo imanentista aplicado a Jesus Cristo: Ora, Paulo VI declarou que o Vaticano II procurou deliberadamente ser antropocêntrico, E São Pio X acusou o Modernismo de fazer uma distinção absurda e herética entre o Cristo da Fé e o Cristo histórico. E do Concílio renasceu triunfante essa humanização de Cristo como homem revolucionário, alimentando a famigerada Teologia da Libertação.
 
3) - Interpretação meramente sociológica da Igreja: concepção resultante do imanentismo do Modernismo, que, fazendo de Deus a alma do mundo, torna a Igreja uma mera entidade política naturalista sem fins transcendentes. E foi a que ficaram reduzidas as paróquias mais ou menos por toda a parte; clubes beneficientes à la Rorary Club, fazendo filantropia, e tendo alguns atos mistos de religião e show para diversão.
 
4) - Subjetivismo-relativismo secular na moral católica: após o Vaticano II, e com base em seus textos, ensinou-se por toda a parte o ecumenismo. Todas as religiões seriam capazes de salvar. O relativismo e o indiferentismo são filhos do ecumenismo modernista. E se a verdade religiosa é relativa, a moral também o será. Acabou-se entre os católicos a idéia de pecado. Aposentou-se o diabo, fechou-se o inferno, e sumiram os confessionários. Todos comungavam. Ninguém mais se confessava. Até pecadores públicos recebiam a comunhão como se vivessem em estado de graça. Foi isto que abriu as portas aos Zapateros, Morales, Lulas e quejandos, a apoiarem a tirania do relativismo moral patrocinando o aborto, a eutanásia, o casamento gay, e outros horrores a pretexto de tolerância democrática.

            Foi essa a herança que Bento XVI recebeu do Concílio Vaticano II.
 
2 – A única verdadeira revelação é a de Cristo

10. A doutrina católica sustenta que
a Revelação não pode ser equiparada às, chamadas por alguns, “revelações” de outras religiões. Tal equiparação não leva em conta que «a verdade íntima sobre Deus e sobre a salvação humana se nos manifesta pela Revelação em Cristo, que é, a um mesmo tempo, mediador e plenitude de toda a Revelação» [22]. Jesus Cristo, o Filho eterno do Pai feito homem no seio puríssimo da Virgem María por obra e graça do Espírito Santo, é a Palavra definitiva de Deus à Humanidade. Em Cristo «se dá plena e completa Revelação do Mistério salvífico de Deus» [23]. Pretender que asrevelaçõesde outras religiões sejam equivalentes ou complementares à Revelação de Jesus Cristo significa negar a própria verdade da Encarnação e da Salvação, pois Ele é «aquele que por seu amor sem medida se fez o que nós somos para fazermos perfeitos com a perfeição dEle» [24]
 
3 - A Fé deve ser íntegra, senão não há mais Fé

Viver conforme a fé requer professar de maneira completa e íntegra a mensagem de Jesus Cristo, já que uma “seleção” de diversos aspectos de seu ensinamento, aceitar uns e repudiar outros
[32], não correspondería à Revelação do Pai, mas sim “à carne e ao sangue” (cf. Mt 16, 17), porque teus pensamentos não são os de Deus mas os dos homens (Mc 8, 33). É de vital importância manter íntegro o depósito da fé, tal como Cristo o confiou à Igreja para sua custódia. Assim foi afirmado desde o inicio da Igreja[33]. Da negação de um aspecto da Profissão de fé, se passa à perda total da mesma, pois ao selecionar uns aspectos e repudiar a outros, não se atende já ao testemunho de Deus, mas a razões humanas[34]. A vida inteira do cristão fica comprometida, quando se altera a Profissão da fé [35]”.

Grande verdade que o Pós-Concílio fez esquecer, e que o seguidores do Vaticano II detestam, exatamente porque foi o este concílio que colocou em segundo plano a fé, e em primeiro lugar o serviço do Homem como declarou Paulo VI, no discurso de encerramento.
4 - As falsas religiões não são reveladas e não são vias salvação.
 
Ao negar que todas as religiões sejam “reveladas’, o Episcopado espanhol adota uma posição completamente contrária a do Vaticano II. Para evitar uma acusação de abandomno do Vaticano II, o Episcopado espanhol cita então uma passagem do Concílio no qual se declara que a Igreja reconhece o que “há de verdadeiro e de santo nas religiões não cristãs”:

Por isso, é errôneo entender a Revelação como o desenvolvimento imanente da religiosidade dos povos, e considerar que todas as religiões são ‘reveladas’, conforme o grau alcançado em sua história, e, nesse mesmo sentido, que são verdadeiras e salvíficas.
A Igreja reconhece o que, por disposição de Deus, há de verdadeiro e de santo nas religiões não cristãs[19]. Reconhece, ademais, que «tudo o que o Espírito atua nos homens e na história dos povos, assim como nas culturas e religiões, tem un papel de preparação evangélica»[20], pois sua fonte última é Deus. Daí, que seja legítimo sustentar que, mediante os elementos de verdade e santidade que existem nas outras religiões,o Espírito Santo realiza a salvação nos não cristãos; isto não significa, todavia, que essas religiões sejam consideradas «em quanto tais, como vias de salvação, porque ademais nas ondas há lacunas, insuficiencias e erros acerca das verdades fundamentais sobre Deus, o homem e o mundo».

É nítida a contradição entre os textos do Vaticano II e aquilo que defende, hoje, corretamente, o Episcopado espanhol. Claro que os teólogos da linha radical – os seguidores do “espírito do Concílio” – clamarão contra essa contradição dos Bispos espanhóis.
A letra do Vaticano II dá base para o que dizem e defendem os teólogos do “espírito do Concílio”.
Não há como escapar: ou se defende a Fé como sempre foi, condenando o relativismo e o ecumenismo, ou, defendendo-se a letra do Vaticano II , se propicia a brecha doutrinária para as interpretações do “espírito do Vaticano II”, que sua letra ambígua insinua.

5- As falsas religiões não são complementares do Catolicismo

Graças a Deus o Episcopado espanhol afirma em seguida:

A doutrina católica sustenta que a Revelação não pode ser equiparada às, chamadas por alguns, “revelações” de outras religiões. Tal equiparação não leva em conta que «a verdade íntima sobre Deus e acerca da salvação humana se nos manifiesta pela Revelação em Cristo, que é a um só tempo mediador e plenitude de toda a Revelação» [22].
Jesus Cristo, o Filho eterno do Pai feito homem no seio puríssimo da Virgem María por obra e graça do Espírito Santo, é a Palavra definitiva de Deus à Humanidade. Em Cristo «se dá a plena e completa Revelação do Mistério salvífico de Deus»[23]. Pretender que as “revelacões” de outras religiões são equivalentes ou complementares da Revelação de Jesus Cristo significa negar a própria verdade da Encarnação e da Salvação, pois Ele é «o que por seu amor sem medida se fez o que nós somos para fazer-nos perfeitos com a perfeição dEle mesmo[24]

A defesa dessas verdades externadas por Santo Irineu condena o ecumenismo do Vaticano II. Será preciso fazer acrobacias “teológicas“ para harmonizar isso com o ecumenismo do Concílio. É impossivel conciliar Santo Irineu e o herege Rahner.
Veja-se como o Vaticano II tem um tom completamente oposto ao que diz, agora, o Episcopado espanhol:

Por meio de religiões diversas procuram os homens uma resposta aos profundos enigmas para a condição humana, que tanto ontem como hoje, afligem intimamente os espíritos dos homens, quais sejam, que é o homem, qual o sentido e fim de nossa vida, que é o bem e o que é o pecado, qual a origem dos sofrimentos e qual a sua finalidade, qual o caminho para obter a verdadeira felicidade, que é a morte, o julgamento e retribuição após a morte e, finalmente, que é aquele supremo e inefável mistério que envolve nossa existência, donde nos originamos, e para o qual caminhamos” (Concílio Vaticano II, Declaração Nostra Aetate, N0  1).

Estas perguntas são feitas pelo Vaticano II como se não se soubesse que Cristo é O CAMINHO. Como se fosse possível encontrar em outras religiões as respostas que Jesus Cristo nos deu. Como se houvesse outras revelações cabíveis e que pudessem ser postas ao lado da revelação de Cristo. O conteúdo e o tom do documento do episcopado espanhol é oposto ao do Vaticano II, embora certamente se queira negar isso.
O episcopado espanhol, sem romper ainda formalmente com o texto do Vaticano II, chega até a colocar entre aspas a palavra “revelações” quando elas são das outras religiões que não a Católica:

“10.
A doutrina católica sustenta que a Revelação não pode ser equiparada às chamadas por alguns “revelações” de outras religiões. Tal equiparação não leva em conta que «a verdade íntima sobre Deus e sobre a salvação humana se nos manifiesta pela Revelação em Cristo, que é ao mesmo tempo mediador e plenitude de toda a Revelação” [22]

6 - Condenação da idéia de que outras religiões completam o Catolicismo

“Algumas propostas teológicas afirmam que Jesus Cristo é Deus e homem verdadeiro, porém pensam que, devido à limitação da natureza humana de Jesus, a Revelação de Deus nEle não se pode considerar completa e definitiva. Haverá, portanto, que considerá-la em relação a outras possíveis “revelacões” de Deus expressadas nos guías religiosos da Humanidade e nos fundadores das religiões do mundo. Quando se considera, de maneira errônea, que Jesus Cristo não é a plenitude da Revelação de Deus, se situam a par dEle outros líderes religiosos[96]. Daqui se seguirá a idéia, igualmente errônea, e que semeia insegurança e dúvida, que as religiões do mundo, enquanto tais, são vías de salvação complementarias ao Cristianismo[97].

7- CONDENAÇÃO DO CONCEITO MODERNISTA DE REVELAÇÃO
 
“c) A inteligência e A Linguagem da Fé”
“14. A Revelação de Deus ao Povo eleito, com o qual estabeleceu a Aliança, não é redutível à experiência religiosa subjetiva; de igual forma, a Revelação definitiva em Cristo se realizou «com fatos e palavras intrínsecamente conexos entre si»[36]. Conseqüentemente, não se pode admitir que a linguagem sobre Deus seja algo meramente «simbólico, estruturalmente poético, imaginativo e figurativo, que expressaría e produziria uma experiência determinada de Deus»[37], porém não nos comunicaria quem é Deus. É necessário manter que a fé se expressa mediante afirmações que empregam uma linguagem verdadeira, não meramente aproximativa, por mais que seja analógica [38].  Não faltaram os que semearam a dúvida em relação à Revelação e a inteligência da fé. Certamente se reconhece que Deus se revelou ao homem, porém a este se lhe nega a capacidade concreta de acolher a Revelação. Invoca-se a desproporção que existe entre o Deus que se revela e o homem destinatário da Revelação. Afirma-se que, dado o caráter contingente, finito e limitado do ser humano, somente poderá acolher a Palavra de Deus de forma fragmentária, parcial e limitada. A pretensão de uma Revelação divina, que se considerara definitiva e plena, entraria em conflito com a mesma condição histórica do ser humano[39]. E ainda que a Revelação pudesse ser acolhida – se diz – não poderá, entretanto, expressar-se em proposições concretas, que devam ser tidas por verdadeiras. Se isto é assim, a Revelação cristã deve colocar-se a par das ‘revelações’ em outras religiões, ou, inclusive, na própria ordem da Criação. É certo que a linguagem humana é limitada e parcial [40], porém não se deve esquecer que as palavras e as obras de Jesus, ainda que sendo limitadas em quanto realidades humanas, têm como fonte a Pessoa divina do Verbo encarnado, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e por isso possuem caráter definitivo e pleno. “A verdade sobre Deus não é abolida ou reduzida por ser dita em linguagem humana. Ela, em troca, continua sendo única, plena e completa porque quem fala e atua é o Filho de Deus encarnado” [41].

Texto extraordinário que condena toda a doutrina modernista da revelação, assim como a evolução do dogma!
Para o Modernismo, a revelação não seria de verdades que Deus nos teria comunicado e que o homem deveria aceitar em seu intelecto. Para a heresia do Modernismo, Deus seria imanente ao mundo e ao homem, e a revelação seria um sentimento interior ao qual o homem acederia de modo vago, por meio de uma experiência mística pessoal, por meio de um “encontro” com Deus no interior do homem. A religião seria um sentimento da própria substância divina no homem, e essa experiência reveladora seria inefável, isto é, que seria impossível ao homem expressá-la por meio de palavras.
Em conseqüência, para o Modernismo, nenhum credo de verdades seria verdadeiro. Nenhuma religião possuiria a verdade. Os dogmas seriam formulações imperfeitas do sentimento inefável, e suas fórmulas poderiam e deveriam mudar com o tempo e com o evoluir filosófico. Por isso o Vaticano II pretendeu adaptar a religião ao pensamento moderno. O que fora condenado por São Pio X.
Ficará impossível conciliar esta posição do Episcopado espanhol com os textos conciliares. As duas vertentes do Vaticano II – a do “espírito” e a da “letra” se condenam mutuamente.
Como isso lembra o sonho de Dom Bosco da batalha no mar, no qual ele vê um Concílio trazer a luta para dentro da Igreja, e, depois, quando um Papa começa a trazer o navio da Igreja de volta para coluna da Hóstia (da Missa) e de Nossa Senhora, os inimigos da Fé se entre destroem.
Sem querer afirmar a realização de nenhuma profecia, que só se confirma com fatos, entretanto, como isso parece com o que estamos vendo acontecer, em nossos dias!

8 – Condenação da negação modernista da capacidade de conhecimento do homem

O Modernismo, filho do Kantismo, negava a capacidade do homem de conhecer a realidade, e, portanto, ser-lhe-ia também impossível conhecer a verdade revelada por Deus. O Modernismo, como toda a Filosofia moderna, negava a Criteriologia tomista, católica. O homem seria incapaz de conhecer a realidade e a verdade.
Todo o Concílio Vaticano II está encharcado desse pensamento moderno, para o qual o Concílio quis se abrir.
Agora, nos vem o episcopado espanhol dizendo o oposto:

15.
O conhecimento da fé tem seu ponto de partida no testemunho pessoal de Deus que se revela. A fé nos vem pelo ouvido, pela escuta da Palavra de Deus (cf. Rm 10, 14-17). Ora pois, a mesma fé que acolhe a verdade revelada (auditus fidei) suscita o desejo de crescer em sua inteligência (intellectus fidei). A fé, com efeito, busca inteligência[42]. A verdade revelada, ainda que transcendendo a razão humana, está em harmonia com ela. A razão, por estar ordenada à verdade, com a luz da fé, pode penetrar o significado da Revelação. Contrariamente à opinião de algumas correntes filosóficas muito difundidas entre nós, devemos reconhecer a capacidade que possui a razão humana para alcançar a verdade, como também sua capacidade metafísica de conhecer a Deus a partir da criação [43]

9 - Condenação do Subjetivismo Religioso Modernista, Pai do Relativismo e do Indiferentismo

9
. Resulta incompatível com a fé da Igreja considerar a Revelação, conforme sustentam alguns autores, como uma mera percepção subjetiva pela qual “se se dá conta” do Deus que habita em nós e procura se manifestar a nós. Ainda quando empregam uma linguagem que parece próxima à eclesial, eles se afastam, entretanto, do sentir da Igreja[16. Santo Irineu]. É necessário reafirmar que a Revelação supõe uma novidade [17 Santo Irineu], porque faz parte do desígnio de Deus que «se dignou redimir-nos e quiz fazer-nos Filhos seus»[18]. Por isso, é errôneo entender a Revelação como o desenvolvimento imanente da religiosidade dos povos e considerar que todas as religiões são “reveladas”, conforme o grau alcançado em sua história, e, nesse mesmo sentido, verdadeiras e salvíficas. A Igreja reconhece o que, por disposição de Deus, há de verdadeiro e de santo nas religiões não cristãs [19 Optatam]. Reconhece, ademais, que «tudo o que o Espírito atua nos homens e na historia dos povos, assim como nas culturas e religiões, tem um papel de preparação evangélica» [20], pois sua fonte última é Deus. Daí que seja legítimo sustentar que, mediante os elementos de verdade e de santidade que se contém nas outras religiões, o Espírito Santo fará a salvação nos não cristãos; isto não significa, entretanto, que essas religiões sejam consideradas «enquanto tais, como vias de salvação, porque ademais nelas há lacunas, insuficiências e erros acerca das verdades fundamentais sobre Deus, o homem e o mundo»[21].

Os textos em vermelho são inspirados ou são citações dos documentos do Vaticano II e estão em flagrante contradição com os textos em letra azul do documento do Espiscopado espanhol, que reafirma:
1 - A revelação é objetiva e não subjetiva;
2 - A revelação não vem do interior do homem por uma presença imanente de Deus no homem, como dizia o Modernismo;
3 - A revelação não provém do desenvolvimento imanente da religiosidade dos povos;
4 - Não há verdadeiras revelações nas religiões falsas;
5 - As falsas religiões não são meios de salvação.
6 - Deve-se tomar cuidado com os hereges, porque eles procuram usar uma linguagem próxima à eclesial, para mais facilmente enganar os incautos.
 
10- Contra o método histórico-crítico modernista
 

“25.
Entretanto, nem sempre se mantiveram de maneira completa os elementos essenciais da fé da Igreja sobre a Pessoa e a mensagem de Jesus Cristo. Colocações metodológicas equivocadas levaram a alterar a fé e a linguagem em que esta fé se expressa. Em muitas ocasiões se abusou do método histórico-crítico sem advertir seus limites, e se chegou a considerar que a pré existência da Pessoa divina de Cristo era uma mera deformação filosófica do dado bíblico”

11 - Atuais Erros Cristológicos Modernistas; Cristo histórico e Cristo da Fé


“28.
Na raíz destas apresentações se encontra com freqüência uma ruptura entre a historicidade de Jesus e a Profissão de Fé da Igreja: se consideram escassos os dados históricos dos evangelistas sobre Jesus Cristo[91]. Os Evangelhos são estudados exclusivamente como testemunhos de fé em Jesus, que não diriam nada ou muito pouco sobre Jesus mesmo, e que necessitam portanto ser reinterpretados; ademais, nesta interpretação se prescinde e marginliza a Tradição da Igreja. Este modo de proceder leva a conseqüências difícilmente compatíveis com a fé, como sejam:
1) esvaziar de conteúdo ontológico a filiação divina de Jesus;
2) negar que nos Evangelhos se afirme a pré existência do Filho;
e, 3)  considerar que Jesus não viveu sua paixão e sua morte como entrega redentora, senão como fracasso. Estes erros são fonte de grave confusão, levando a não poucos cristãos a concluir equivocadamente que os ensinamentos da Igreja sobre Jesus Cristo não se apóiam na Sagrada Escritura ou que devem ser radicalmente reinterpretados”.

12 - A Fé julga a Cultura e não o contrário e nem se deve submeter a Fé a cultura dominante
Contra o aggiornamento

‘“É necessário levar em conta «a filosofia ou a sabedoria dos povos»
[46], porém o intercâmbio fecundo entre as culturas não deve levar ao relativismo nem à negação do «valor universal do patrimônio filosófico assumido pela Igreja»[47]. A filosofía permite discernir entre as meras opiniões e a verdade objetiva. A cultura nunca pode ser critério absoluto de julgamento em relação com a Revelação de Deus. É a fé a que julga a cultura e é Evangelho que conduz as culturas à verdade plena[48]. Analogamente, nem toda reflexão filosófica é compatível com a Revelação[49], nem tampouco é válido assumir acriticamente os princípios da cultura imperante para tornar atual a sempre nova mensagem evangélico[50]”.
 
13 - Condenação da Teologia da Libertação

“Analogamente, entendeu-se a missão de Cristo como algo meramente terreno, quando não político-revolucionário, de modo que se negou sua vontade de morrer na Cruz pelos homens. A Igreja reiterou que o mesmo Cristo aceitou e assumiu livremente sua Paixão e Morte para a salvação da Humanidade
[82].
27. Constatamos com dor que em alguns escritos de cristologia não se mostrou essa continuidade, dando pé a apresentações incompletas, quando não deformadas, do Mistério de Cristo. Em algumas cristologias percebemos as seguintes lacunas:
1) uma incorreta metodología teológica, porquanto se pretende ler a Sagrada Escritura à margem da Tradição eclesial e com critérios unicamente histórico-críticos, sem explicitar seus pressupostos nem advertir de seus limites;
2) suspeita de que a humanidade de Jesus Cristo se vê ameaçada se se afirma sua divinidade[88];
3) ruptura entre o “Jesus histórico” e o “Cristo da fé”, como se este último fosse o resultado de distintas experiências da figura de Jesus desde os Apóstolos até nossos días;
4) negação do caráter real, histórico e transcendente da Resurreição de Cristo[89], reduzindo-a a mera experiência subjetiva dos apóstolos[90];
 5) obscurecimento de noções fundamentais da Profissão de fé no Mistério de Cristo: entre outras, sua pré existência, filiação divina, consciência de Si, de sua Morte e missão redentora, Ressurreição, Ascensão e Glorificação”. 

14 - Condenação do Cristo Revolucionário da Teologia da Libertação

Cristo é considerado predominantemente desde o ponto de vista da ética e da praxis transformadora da sociedade: Ele seria simplesmente o homem do povo que toma partido pelos oprimidos e marginalizados à serviço da liberdadee [101].

15 - Condenação do Cristo Libertador

O Cristianismo e a Igreja aparecem como separáveis. Conforme os escritos de alguns autores, não esteve na intenção de Jesus Cristo o estabelecer nem a Igreja, nem sequer uma religião, senão antes a libertação da Religão e dos poderes constituidos. Conscientes da gravidade destas afirmações e do dano que causam no povo fiel e simples, não podemos deixar de repetir com as palavras da Carta aos Hebreus: Ontem como hoje, Jesus Cristo é o mesmo e o será sempre. Não vos deixeis seduzir por doutrinas diversas e estranhas. Melhor é fortalecer o coração com a graça que com alimentos que nada aproveitaram aos que seguiram esse 
caminho (Hb 13, 8-9).

16 - Contra os Abusos na Missa e nas Confissões

“À luz destes ensinamentos se compreende o grave prejuízo que trazem, para o Povo de Deus, os abusos no campo da celebração
litúrgica, especialmente nos sacramentos da Eucaristía e da Penitência”.


17 - Construção de Igreja paralela

“50.
Através destas manifestações se oferece uma concepção deformada da Igreja, conforme a qual existiria uma confrontação contínua e irreconciliável entre a ‘hierarquia’ e o ‘povo’. A hierarquia, identificada com os Bispos, se apresenta com traços muito negativos: fonte de ‘imposições’, de ‘condenações’ e de ‘exclusões’. Face a ela, o ‘povo’, identificado com estes grupos, se apresenta com os traços contrários: ‘libertado’, ‘plural’ e ‘aberto’. Esta forma de apresentar a Igreja leva consigo o expresso convite a ‘romper com a hierarquia’ e a ‘construir’, na prática, uma ‘Igreja paralela’. Para eles, a atividade da Igreja não consiste principalmente no anúncio da pessoa de Jesus Cristo e na comunhão dos homens com Deus, que se realiza mediante a conversão de vida e a fé no Redentor, senão na libertação de estruturas opressoras e na luta pela integração de coletivos marginalizados, desde uma perspectiva preementemente imanentista”

18 - Condenação da oposição de uma Igreja Carismática a Igreja Institucional

Fala-se em ‘modelos de Igreja’ que estariam presentes no Novo Testamento: face à Igreja das origens, caracterizada por ser ‘discipular e carismática’, livre de ataduras, teria nascido depois a igreja ‘institucional e hierárquica’. O modelo de Igreja ‘hierárquico, legal e piramidal’, surgido tardiamente, se distanciaria das afirmações neotestamentárias, caracterizadas por acentuar na comunidade e na pluralidade de carismas e ministérios, assim como na fraternidade cristã, toda ela sacerdotal e consagrada. Este modo de apresentar a Igreja não tem apoio real na Sagrada Escritura nem na Tradição eclesial e desfigura gravemente o designio de Deus sobre o Corpo de Cristo, que é a Igreja, levando os fiéis a atitudes de enfrentamento dialético, conforme os quais a riqueza de carismas e ministérios suscitados pelo Espírito Santo já não sejam vistos em favor do bem comum(cf.1 Cor 12, 4-12), senão como expressão de soluções humanas que respondem mais às lutas de poder que à vontade positiva do Senhor[133].
 
19 - Condenação do erro que equipara o sacerdócio dos fiéis ao do Padre

44.
De maneira semelhante há quem negue a distinção entre o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial, cuja diferença «é essencial e não só de grau»[134]. Quem assim raciocina pretende partir de que no Novo Testamento não se consideram os ministros como ‘pessoas sagradas’, para concluir que esta ‘sacralização’ do ministério, ou de un grupo dentro da Igreja, teria sido um ‘acréscimo histórico posterior’.

20 - Confusão entre ministros ordenados e ministros leigos prejudica vocações sacerdotais

“45.
A falta de clareza a respeito do ministério ordenado na Igreja não foi alheia à crise vocacional dos últimos anos. Em alguns casos parece, inclusive, que há o desejo de provocar um ‘deserto vocacional’ para assim lograr que se produzam mudanças na estrutura interna da Igreja”.

21 - É verdade infalível: a mulher não pode ser sacerdote

“É preciso recordar as determinações magisteriais acerca do homem como único sujeito válido da ordem sacramental, porque tal foi a vontade de Cristo ao instituir o sacerdócio[135]. Alguns pretenderam injustificadamente que essa vontade não consta da Escritura, o que não corresponde à interpretação autêntica da Palavra de Deus escrita e transmitida[136]. A doutrina sobre a ordenação sacerdotal reservada aos homens deve ser mantida de forma definitiva, pois «foi proposta infalívelmente pelo Magistério ordinário e universal»[137]
 
22 - Condenação da “luta de classes” na Igreja: a Hierarquia e o Povo de Deus não são polos opostos dialéticos

“47.
Supõe um reducionismo eclesiológico conceber a Vida consagrada como uma ‘instância crítica’ dentro da Igreja. Do sentire cum Ecclesia se passa, na prática, ao agere contra Ecclesiam quando se vive a comunhão hierárquica dialeticamente, enfrentando a ‘Igreja oficial ou hierárquica’ com a ‘Igreja povo de Deus’.

23 - Condenação do Relativismo Moral

“O resultado é um relativismo radical[148], conforme o qual qualquer opinião em temas morais sería igualmente válida. Cada qual tem ‘suas verdades’ e o mais que podemos aspirar na ordem ética é a uns ‘mínimos consensos’, cuja validade não poderá ir além do presente atual e dentro de determinadas circunstâncias. A raíz mais profunda da crise moral que afeta gravemente a muitos cristãos é a ruptura que existe entre a fé e a vida[149],”
 “A consciência, portanto, não é uma fonte autônoma e exclusiva para decidir o que é bom ou o que é mau; pelo contrário, nela está profundamente gravado um princípio de obediência à norma objetiva, que fundamenta e condiciona a congruência de suas decisões com os preceitos e proibições nos quais se baseia o comportamento humano»[168]. Nesse sentido, o Magistério advertiu sobre as lacunas e deficiências de algumas propostas morais como a ‘opção fundamental’ [169], o ‘proporcionalismo e conseqüêncialismo[170], ou a chamada ‘moral de atitudes[171]. Também é necessário recordar que para que a pessoa atue conforme a sua dignidade e consciência deve ser reta e aberta à Verdade[172], isto é, deve estar «de acordo com o que é justo e bom conforme a razão e a lei de Deus»[173].

24 - Condenação das uniões homossexuais

“49.
Estes grupos, cuja nota comum é o dissenção, se manifestaram em intervenções públicas, entre outros temas e questões ético-morais, a favor das absolvições coletivas e do sacerdócio feminino, e tergiversaram o sentido verdadeiro do matrimônio ao propor e praticar a ‘bênção’ de uniões de pessoas homossexuais.

25 - Condenação dos métodos anticoncepcionais

“62. A
dignidade da vida humana exige que sua transmissão se dê no âmbito do amor conjugal, de maneira que aqueles métodos que pretendam substituir e não simplesmente ajudar a intervenção dos cnjuges na procriação, não são admissíveis[182]. Se se separa a finalidade unitiva da finalidade procriadora, se falseia a imagem do ser humano, dotado de alma e corpo, e se degradam os atos de amor verdadeiro, capazes de expressar a caridade conjugal que une os esposos. A conseqüência é que uma regulação moralmente correta da natalidade não pode recorrer a métodos contraceptivos[183].

26 - Condenação dos pecados contra a castidade

“63.
À luz destes princípios sobre a sexualidade se entende o motivo pelo qual a Igreja também considera «pecados gravemente contrários à castidade... a masturbação, a fornicação, as atividades pornográficas e as práticas homossexuais[184].

27 - Condenação do aborto e da eutanásia. A vida começa na concepção

“64. Não podemos esquecer tão pouco que a vida humana se inicia na concepção e tem seu fim na morte natural. O aborto e a eutanásia são ações gravemente desordenadas, lesivas da dignidade humana e opostas aos ensinamentos de Cristo[188]. A Igreja está consciente de que essas questões devem ser explicadas à comunidade cristã, assediada constantemente pela mentalidade hedonista própria da cultura da morte. Tão pouco podemos colocar em dúvida que, desde o momento da fecundação, existe verdadeira e genuina vida humana, distinta da dos progenitores[189]; de modo que quebrar seu desenvolvimento natural é um gravíssimo atentado contra a mesmavida
[190]. «o amor de Deus não faz diferença entre o recém concebido, ainda no seio de sua mãe, e a criança ou o jovem ou o homem maduro ou o ancião. Não faz diferença, porque em cada um deles vê a marca de sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26)»[191]. É contrário ao ensinamento da Igreja sustentar que até o aninhamento do óvulo fécundado não se possa falar de ‘vida humana’, estabelecendo, assim, uma ruptura na ordem da dignidade humana entre o embrião e o mal denominado “pré-embrião”[192]. De maneira análoga, ninguém tem poder para eliminar uma vida inocente, nem sequer quando se encontra em estado terminal[193]”.

28 - Todos os que favorecem o aborto estão excomungados.
Isso vale para os políticos, médicos, jornalistas, padres e etc.

“Os que reivindicam sua condição de cristãos atuando na ordem política e social com propostas que contradizem expressamente o ensinamento evangélico, custodiado e transmitido pela Igreja, são causa grave de escândalo e se colocam fora da comunão eclesia l[197]”.

 
São Paulo, 4 de Julho de 2.006,
Orlando Fedeli

    Para citar este texto:
"Teologia e Secularização - importante documento do Episcopado Espanhol"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/teologia_sec/
Online, 26/05/2017 às 06:17:10h