Igreja

A Santa Sé responde aos Bispos brasileiros que se opõem à Missa de Sempre
Orlando Fedeli

 
É bem conhecida a teimosa oposição de alguns Bispos brasileiros – em geral de tendências modernistas – ao Papa Bento XVI, criando obstáculos a que sacerdotes celebrem a Missa de sempre para os fiéis que a pedem.
Argumentam esses Bispos que não permitem a aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum porque - dizem - os padres e o povo não conhecem suficientemente o latim.
Se o argumento anunciado fosse válido, em muitos lugares não se poderia celebrar a Missa em português, se considerarmos o parco conhecimento do vernáculo por parte do povo e, mesmo, de certos padres.
Encontrei vários padres que não sabem o que significa a expressão: “O Senhor esteja convosco” ...
Recentemente um sacerdote se recusou a me responder essa mesma questão com a esfarrapada desculpa que só queria me ouvir e não admitia ser interrogado sobre tema, diria eu,... tão “comprometedor”...
Na verdade, a exigência de um conhecimento maior de latim é mero pretexto para dizer "não" ao que o Papa mandou.
Agora, repetindo-se as queixas dos fiéis à Santa Sé, veio uma resposta de Roma, dando inteira razão aos que pediam a Missa de sempre, em latim, e de costas para o povo.
Chegou, nestes dias, a resposta de Monsenhor Guido Pozzo, novo Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei a um jovem do interior paulista, que colocou perguntas  pertinentes e respeitosas às autoridades romanas.
Esssa resposta de Monsenhor Guido Pozzo — parece que a primeira desde que ele assumiu seu novo posto — teve enorme repercussão no mundo inteiro.
Monsenhor Pozzo, como o Cid, quis iniciar sua carreira “par um coup de maître”.
Se esse golpe inicial indicar uma tendência, os modernistas que se cuidem.
Inúmeros sites e blogs se apressaram a publicar essa carta de Mons Pozzo, pois ela indica uma retomada da ofensiva do Papa a favor da Missa de sempre.
Com essa resposta, a “muralha de fumaça” erguida pelos Bispos filo modernistas brasileiros se esvaiu como neblina em ventania. Depois dessa carta do novo Secretáro da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, ficará quase impossível aos Bispos proibirem padres de celebrar a Missa de sempre.
Claro, sempre esses Bispos terão o poder de ameaçar seus sacerdotes de transferência para uma paróquia suburbana onde Judas vendeu suas botas. Mas sempre isso poderá trazer conflitos desagradáveis.
E depois, que fará Roma?
E as promoções episcopais? Ficarão comprometidas?
 
Eis então a carta que o jovem Carlos Eduardo Monteiro enviou à Ecclesia Dei:
 
Piracicaba, 29 de abril de 2009
 
À Comissão Pontifícia Ecclesia Dei
 
Presidente: Eminentíssimo Reverendíssimo Cardeal Darìo Castrillòn Hoyos
Vice-Presidente: Reverendíssimo Monsenhor Camille Perl
 
Em muitas Dioceses no Brasil os fiéis têm pedido aos respectivos Bispos a Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano. No entanto, os Bispos não têm concedido permissão para que algum padre possa celebrar a Missa Tridentina a pedido dos fiéis. E quando se é permitida, faz-se restrição para que apenas os fiéis que saibam o Latim fluentemente possam assistí-la.
 
Em virtude destes fatos, peço alguns esclarecimentos sobre a aplicação do Motu Proprio "Summorum Pontificum".
 
1- Após ter entrado em vigor o Motu Proprio "Summorum Pontificum", é necessária a permissão do Bispo Diocesano para que algum padre possa celebrar a Missa Gregoriana?
 
2- Os fiéis devem dominar a língua latina para poderem assistir a Missa Gregoriana? Ou bastaria apenas um folheto do missal em formato bilíngüe (Latim - Português) para que os fiéis possam assistí-la?
 
3- Um grupo pequeno de fiéis (por exemplo: 8 pessoas), embora seja estável, é insuficiente para que seja celebrada a Missa na Forma Extraordinária?
 
4- O Bispo Diocesano deve cooperar para que o pedido de Missa Gregoriana feito por um grupo estável de fiéis seja realizado?
 
5- Os fiéis que não fazem parte do grupo estável poderão assistir a Missa Gregoriana?
 
6- Poderão ser realizados matrimônios na Forma Extraordinária do Rito Romano?
 
7- Com a publicação do Motu Proprio "Summorum Pontificum", o Papa Bento XVI deseja que a Missa Gregoriana seja amplamente ofertada nas Dioceses?
 
8- O Santo Padre deseja que o ensino do Latim volte a fazer parte do currículo dos seminários para que os futuros padres possam celebrar Missas na língua latina?
 
9- Os Bispos Diocesanos devem seguir as orientações da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei sobre a aplicação do Motu Proprio "Summorum Pontificum" mesmo que o Núncio Apostólico no Brasil possa, hipoteticamente, emitir opinião contrária?
 
Despeço-me pedindo a benção de Vossa Eminência Reverendíssima Cardeal Darìo Castrillòn Hoyos e de Vossa Reverendíssima Monsenhor Camille Perl.
 
Em Cristo,
 
 Carlos Eduardo Monteiro
 
 
*****
 
 
Como se vê, foram perguntas bem feitas e bem claras.
 
A essa carta respondeu, agora, o Secretário da Ecclesia Dei, Monsenhor Guido Pozzo, com o seguinte documento:
 
Pontifícia Comissão Ecclesia Dei
 
              Vaticano, 18 de julho de 2009
 
Ilmo. sr. Monteiro,
N97/ 09
 
     Às questões de sua missiva de 29 de Abril p,p. responde-se, no teor do Motu Proprio “Summorum Pontificum”, quanto segue:
 
1- O documento pontifício não prevê uma permissão especial do Bispo diocesano para que algum sacerdote celebre a santa Missa na forma extraordinária (art 2);
 
2- Os fiéis não são obrigados a ter vastos conhecimentos da língua latina, bastando um missal bilíngüe ou qualquer folheto;
 
3 - O número de fiéis do grupo estável depende muito das circunstâncias locais, as quais mostrarão se um sacerdote possa ou queira, apesar de seus encargos pessoais, se ocupar de um grupo relativamente pequeno;
 
4 - O Bispo diocesano deve estar de acordo com as diretivas do documento pontifício (art, 5, par.1 e CIC c.392). Outra coisa é verificar a efetiva praticabilidade de acordo com o que prevê o Motu Proprio;
 
5 - Os fiéis que não fazem parte do “grupo estável” podem, evidentemente, participar da santa Missa na forma extraordinária;
 
6 - Os matrimônios segundo a forma extraordinária são possíveis de acordo com o pároco (art.9 par. 1);
 
7 - Quanto à aplicação ampla do documento pontifício numa diocese, basta seguir as indicações do mesmo documento;
 
8 - Quanto ao ensino do latim nos seminários, conferir a regra sempre válida do atual Código de Direito Canônico: Can. 249: Institutionis sacerdotalis Ratione provideatur ut alumni non tantum accurate linguam patriam edoceuntur, sed etiam linguam latinam bene calleant necnon congruam habeant cognitionem alienarum linguarum, quarum scientia ad eorum formationem aut ad ministerium pastorale exercendum necessaria velantilis videatur;
 
     Em todas as questões ulteriores, sempre se citará o documento pontifício, sendo o Santo Padre a suprema autoridade eclesiástica, a quem por instituição divina, somos ligados por amor, respeito e obediência.
 
     Queira aceitar, sr. Monteiro, os meus protestos de viva estima e consideração no Senhor.
 
                                      Mons. Guido Pozzo
                                             Secretário.
 
Pontificia Commissione “Ecclesia Dei” – oo120 – Città del Vaticano
Tel 06 698. 85213  Fax 06.698. 83412
 
 *****
 
     Esta carta, de si, deveria:
1) Incentivar e levar muitos sacerdotes a ter coragem de celebrar a Missa de sempre, sem mais temer perseguições por parte dos Bispos;
2) Encerrar toda resistência dos Bispos às ordens e claros desejos do Papa e da Santa Sé.
 
Praza a Deus que assim seja.
 
Porém, uma resistência tão irrazoável e tão contrária à doutrina católica, e tão oposta à obediência ao Papa, como se viu até agora, faz temer que seja a manifestação de algo muito mais profundo: uma doutrina má, que leva muitos a querer destruir o que a Santa Igreja sempre foi.
Que Deus Nosso Senhor ilumine os Bispos brasileiros, levando-os do equívoco à obediência, ou do erro à verdade.
Rezemos por nossos Bispos e pelo Papa Bento XVI!
 
São Paulo, 29 de Julho de 2009
               Orlando Fedeli

    Para citar este texto:
"A Santa Sé responde aos Bispos brasileiros que se opõem à Missa de Sempre"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/santa-se-responde/
Online, 23/11/2017 às 20:07:47h