Igreja

Reforma da Liturgia: Não há volta atrás
National Catholic Reporter

     Quando a historia definitiva do Concílio Vaticano II for finalmente escrita além de todas as disputas sobre a verdadeira intenção do concílio, um indiscutível fato vai se destacar - que fazer uso do esboço da Constituição sobre a Sagrada Liturgia como primeiro foco do debate teve um impacto decisivo no tom e na direção que o concílio tomou em todas as deliberações subseqüentes. Embora a discussão tenha sido sobre a liturgia, o assunto real foi a eclesiologia - o entendimento da Igreja sobre si mesma.
     Ao chamar a Igreja em termos bíblicos como o peregrino povo de Deus e como o corpo de Cristo, o Concílio Vaticano II estabeleceu uma plataforma para uma mudança crucial da jurídica "sociedade perfeita" corporificada na visível Igreja monárquica de Trento. Em nenhum lugar seria isso refletido mais claramente do que no modo como a igreja rezava. O espaço protocolar do trono da Missa Tridentina, as elevações, barreiras, os paramentos brocados, estruturas e linguagem separando o clero do leigo foi entregue a uma adoração comunitária na qual todos os batizado foram chamados para uma participação plena, consciente e ativa. Um novo caminho de adoração marcou o começo do fim da eclesiologia vertical que por 500 anos tinha dado forma a cada aspecto da vida e ministérios da Igreja em torno da preeminência hierárquica e clerical. O concílio levou o mesmo imaginário bíblico e a abordagem expansiva para dentro das maiores constituições na Igreja e a Igreja para dentro do mundo moderno.  
     Para aqueles que ainda se perguntam sobre algumas destas matérias, e a quem possa interessar, o recente livro do Arcebispo Piero Marini olhando para trás sobre seus 20 anos como planejador litúrgico pessoal do papa João Paulo II e, até recentemente, de Bento XVI, vislumbra as tensões dentro do mais íntimo círculo da liderança da Igreja sobre a liturgia como uma expressão da identidade da Igreja no palco do mundo. Marini, o mais eloqüente no seu suporte às reformas do Concílio Vaticano II, manejou bem para se manter como coreógrafo chefe dos eventos nos quais João Paulo II presidiu. Aqueles eventos foram freqüentemente liturgias ricamente inculturadas, inclusivas e ecumênicas marcados pela plena participação dos leigos. João Paulo II, conhecido por seu amor ou teatro, evidentemente consentiu com Marini,e foi,no final, abençoado por um notável funeral sob a direção de Marini.      
     Se a liturgia tem caracteristicamente estado abaixo do radar para a maioria dos Católicos, os oponentes do Vaticano II sabiam desde o começo que o único modo de preservar Trento era fazer parar a reforma litúrgica. Olhar para trás nos 42 anos desde o fechamento do concílio, é ver que o progresso na reforma tem sido real, mas lento, e admitir que qualquer despertar do laicato Católico para a sua plena identidade batismal está ainda no futuro. Ao mesmo tempo, aqueles devotados em muitos níveis a um modelo pré-Vaticano II da Igreja tem trabalhado duro para derrubar muitos aspectos da reforma litúrgica. Frustrando o processo das traduções vernaculares, vincado as rubricas para a missa acentuar a autoridade sacerdotal e, mais recentemente, restaurando o rito Tridentino, estão entre os mais visíveis sinais de um recrudescimento de sucesso.
    Mas não há realmente caminho de volta. "O Vaticano II ajudou a redescobrir a idéia de sacerdócio como alguma coisa universal" Marini disse numa entrevista. "Os fiéis não receberam permissão dos padres para participar da Missa. Eles são membros de um povo sacerdotal, o que significa que eles tem o direito de participar no oferecimento do sacrifício da Missa. Isto foi uma grande descoberta, uma grande ênfase, do concílio. Nós temos que ter isso em mente, porque do contrário corremos o risco da confusão sobre a natureza da liturgia, e para esta matéria, da própria Igreja.
     
O que eles sempre souberam em Roma é importante para todos nós sabermos. A Liturgia é a visível expressão da organização de poder. Os 2500 bispos do Vaticano II, talvez se surpreendendo consigo mesmos, começaram o processo de abertura da Igreja para seus próprios membros e para o mundo. Nós todos temos que dizer em que tipo de Igreja estamos. A reforma da Igreja foi uma luta que valeu a pena empreender a mais de 40 anos atrás, e é um desafio para cada um de nós, em nosso próprio caminho e em nossas próprias comunidades de fé, deveríamos valorizar e não perder de vista do hoje. 
(tradução nossa)

    Para citar este texto:
"Reforma da Liturgia: Não há volta atrás"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/reforma_liturgia/
Online, 20/11/2017 às 21:07:09h