Igreja

Reabilitação de D.Lefebvre e de D.Mayer?
Orlando Fedeli
          Correm insistentes rumores — cada vez mais fundamentados — de que o Papa Bento XVI estaria para publicar um decreto anulando as excomunhões de Dom Lefebvre e de Dom Mayer, por terem sagrado Bispos, sem licença do Papa. Isto ocorreria na reunião com a Cúria, a ser realizada no próximo dia 13 de Fevereiro.
          Ao mesmo tempo, Bento XVI decretaria que a Missa de sempre — a chamada Missa de São Pio V — poderia ser rezada em qualquer lugar do mundo. Mais: Bento XVI criaria uma Administração Apostólica especial, mundial, para a Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
          Tudo isto é o que se diz em órgãos da imprensa européia e em fontes muito bem informadas, na Internet. O Le Figaro fala até que Monsenhor Lefèbvre está em “odeur de sainteté au Vatican”, isto é, com grande prestígio, que é o significado dessa expressão.
          Claro que esses rumores só confirmam os indícios de um acordo entre a Fraternidade São Pio X e o Vaticano.
          Em 29 de Agosto de 2005, Bento XVI recebeu Monsenhor Fellay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, em audiência muito frutuosa. O Cardeal Dom Darío Castrillón Hoyos já declarara que a Fraternidade nem era herética nem cismática, por causa de suas críticas ao Vaticano II e à Missa Nova de Paulo VI.
          Monsenhor Fellay havia colocado algumas condições para retornar à plena e oficial união com Roma:
1 - A anulação das excomunhões de Dom Lefebvre e de Dom Mayer (Coisa que Dom Fernando A. Rifan não conseguiu, quando lhe deram a mitra...).
2 - A liberação universal da Missa, qualquer padre podendo rezá-la, quando quisesse (Coisa que Dom Fernando A. Rifan não conseguiu, quando lhe deram a mitra...).
3 - A nomeação de uma pessoa de confiança da Fraternidade para a Cúria, na Congregação para o Culto Divino.
          Após a reunião com Bento XVI, em Agosto, Dom Fellay, deu repetidas entrevistas, extremamente otimistas, tendo chegado a dizer que a batalha das excomunhões e da Missa estavam ganhas, e que só restava a batalha sobre o Vaticano II.
          Por seu lado, o Papa Bento XVI demitiu Monsenhor Sorrentino – que se opunha à liberação da Missa de São Pio V – da Secretaria da Congregação para o Culto Divino, nomeando em seu lugar Dom Malcom Pranjith Pattabene Dom, amigo de Dom Fellay, e, ao que consta, 200% favorável à Missa de sempre.
          Mais ainda: em 22 de Dezembro, Bento XVI fez seu importantíssimo Discurso á Cúria, criticando o chamado “Espírito do Concílio”, respondendo fortemente ao que escrevera o Cardeal Lehman sobre esse tema, em 2.004.
          Agora, vêm os rumores da muito próxima anulação das excomunhões de Dom Lefebvre e de Dom Mayer, como também da liberação da Missa, como pedira Dom Fellay. Desse modo, fica largamente aberta a estrada para a perfeita reunião da Fraternidade Sacerdotal São Pio X com Roma.
          Deus queira que tal ocorra.
          Rezemos para que isso, de fato, aconteça o quanto antes.
          A anulação das injustas excomunhões será o reconhecimento oficial de que Dom Lefèbvre e Dom Mayer, ao contrário de hereges ou cismáticos rebeldes, foram dois heróis da Fé por recusarem os erros do Concílio Vaticano II e da Nova Missa de Paulo VI, que eles sempre acusaram de ter sabor de heresia.
          Isso será a declaração indireta de que eles tinham razão no que defendiam, e que é permitido criticar os erros do Vaticano II e da Missa Nova. Logo, que o Vaticano II não foi um Concílio infalível, pois um concílio infalível tem que ser totalmente aceito e nunca recusado.
          Caso se confirmem os rumores, se de fato Bento XVI fizer esses decretos, isto significará uma reviravolta imensa na História da Igreja. Parece então que Bento XVI estará realizando, de fato, o que Dom Bosco profetizou em seus sonhos famosos e que Nossa Senhora anunciou no Terceiro Segredo de Fátima. Bento XVI, pelo menos terá dado início ao retorno da nave da Igreja à coluna da Hóstia, de que falou Dom Bosco.
          E o que é sumamente interessante é que isso começa a ser realizado por um ex-perito do Vaticano II, um ex-amigo de Karl Rahner, de Hans Kung e de Henri de Lubac. Isto é que torna mais claro que “digitus Dei est hic”. A mão de Deus é quem move essa reviravolta.
          Rezemos pelo Papa Bento XVI. Rezemos pelo triunfo da Igreja. Rezemos para que breve, mas muito em breve, quase já, possamos proclamar:
          Christus vincit.
 
São Paulo, 3 de Fevereiro de 2.006.
Orlando Fedeli

    Para citar este texto:
"Reabilitação de D.Lefebvre e de D.Mayer?"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/reabilita_lefebvre/
Online, 25/11/2017 às 05:34:18h