Igreja

Professor da PUC respeite doutrinas da Igreja, defende Dom Bergonzini. Docentes contestam. Cardeal confirma que "PUC-SP é da Igreja"

Comentários Montfort

Notícias O Estado de São Paulo

Site da PUC-SP 

A crítica, mais do que razoável, do Bispo emérito de Guarulhos, de que os professores da PUC não devem ensinar idéias contrárias à doutrina católica, causou riso em um dos professores acusados. Já a presidente da Associação dos Docentes, considera que o ensino deles deve "servir os interesses da população" e não "estar ligado a uma religião".

Por outro lado, dias antes, em 23 de fevereiro, o Cardeal Dom Odilo Scherer organizara na PUC um encontro com seu clero e Bispos auxiliares. Respondendo a uma saudação do Reitor, o qual lembrou que a casa "é, mais do que tudo, da Igreja Católica", Dom Odilo confirmou que "de fato, a PUC-SP é da Igreja" e que os alunos que por lá passam "podem receber algo daquilo que a Igreja propõe para a vida em sociedade, para a compreensão da vida, das atividades e das relações humanas”.

Ao que tudo indica, está para começar, também para a PUC-SP, um programa de volta à ordem. Até que ponto os professores anti-católicos serão "incomodados"?

 
Leonardo Sakamoto: "Eu achei até muito divertido".

 

Professor da PUC deve respeitar doutrinas da Igreja, afirma bispo

Para d. Bergonzini, docentes a favor da descriminalização do aborto não deveriam lecionar

12 de março de 2012
Paulo Saldaña - O Estado de S.Paulo

O bispo emérito de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergonzini, de 75 anos, defendeu que professores que tenham ideias contrárias às da Igreja Católica não devem lecionar na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Para ele, docentes favoráveis à descriminalização de aborto, eutanásia, maconha e mantêm "ideologia homossexual" ou são "comunistas" deveriam procurar outra instituição.

D. Luiz é conhecido por opiniões conservadoras em relação a esses temas. Na eleição presidencial passada, foi ele quem "recomendou" a eleitores que não votassem em Dilma Rousseff (PT) porque ela seria favorável à descriminalização do aborto.

As declarações sobre os professores foram feitas no blog do bispo no dia 3. Sob o título "Graças a Deus, a PUC não é uma ‘progressista universidade comunista’!", o clérigo defende que a instituição siga os mandamentos religiosos. "Se a PUC é da Igreja Católica, deve seguir o Evangelho e a moral cristã. Não pode ter em seu corpo docente professores contrariando os ensinamentos da Igreja Católica."

Ele cobra que a direção da PUC tome "providências" para que os "princípios cristãos e o catolicismo sejam respeitados".

Liberdade. O bispo cita o jornalista e professor Leonardo Sakamoto e o acusa de propagar "a liberação do aborto". Sakamoto conta que foram os alunos que lhe mostraram as críticas. "Eu achei até muito divertido", diz ele. "Quando se defende direitos humanos, liberdade de expressão, acabamos criticados. Eu defendo que ele continue com o direito de defender sua opinião, mas essa posição mostra que ele quer evitar que o outro continue falando", completa.

Em resposta no seu blog, Sakamoto convoca o bispo para um debate sobre o tema. Segundo ele, a PUC-SP sempre respeitou suas posições e a liberdade de ele continuar a expressá-la.

A presidente da Associação dos Docentes da PUC-SP (AproPUC), Maria Beatriz Costa Abramides, ressalta que nunca houve represálias da universidade em relação a esses temas. "Sempre lutamos por uma universidade laica e plural. Temos de defender pesquisa, investigação e conhecimento voltados para os interesses da população, não ligados a uma religião.

Estudantes não são poupados pelo bispo. "Os alunos que prestam vestibular para a PUC já sabem que ela obedece aos princípios do catolicismo. (...) Eles estão obrigados a cumprir as regras", afirmou o clérigo no texto, que gerou polêmica. "Antes de servir à Igreja, a PUC tem de servir à sociedade e privilegiar os debates e a formação de cidadãos", disse o vice-presidente do Centro Acadêmico de Economia, Guilherme Bertoldi.

Procurada para comentar, a PUC informou que o reitor, Dirceu de Melo, estava fora da universidade. A reportagem não conseguiu falar com d. Luiz, que não atendeu às ligações e não respondeu ao e-mail.


    Para citar este texto:
"Professor da PUC respeite doutrinas da Igreja, defende Dom Bergonzini. Docentes contestam. Cardeal confirma que "PUC-SP é da Igreja""
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/professor-da-puc-respeite-doutrinas-da-igreja-defende-dom-bergonzini-docentes-contestam-cardeal-confirma-que-puc-sp-e-da-igreja/
Online, 26/05/2017 às 06:15:24h