Igreja

Bento XVI, a FSSPX e a revolta dos bispos modernistas
Orlando Fedeli

A crise causada pelo Vaticano II levou a religião católica a uma tal deterioração, que na Europa se fala em apostasia geral de todo o continente.
 
Provas dessa apostasia generalizada são o esvaziamento das Igrejas, a ausência cada vez maior de vocaçoes sacerdotais, a vida escandalosa de muitos padres, e, pior que tudo, a revolta explícita de muitos episcopados contra o Papa, como recentemente aconteceu com os Bispos da Áustria e da Alemanha.   
 
O recente decreto de retirada da excomunhão dos Bispos da FSSPX  assim como a nomeação de um padre não modernista como Bispo Auxiliar de Linz, na Áustria, motivaram escandalosos pronunciamnetos de Bispos contra o Papa Bento XVI, que foi moralmente apredrejado pelas decisões que tomou. O Papa teve até que publicar uma carta aos Bispos do mundo inteiro, explicando seu posicionamento — coisa jamais vista na Igreja — ante a revolta explícita do Episcopada germânico, que agiu quase como um sindicato em revolta.
 
Parcemos estar à beira de um grande cisma. 
 
As postiças Conferências Episcopais – postiças, porque não são de instituição divina e sim humana e democratizante—sabotam e minam a autoridade papal a quem querem impor sua vontade. Bento XVI está acuado pelos hereges modenistas que não lhe perdoam a orientação contrária ao chamado “espírito do Concílio” o qual promove exlicitamente uma ruptura com a fé sempre professada pela Igreja. Do Vaticano II nasceu uma nova igreja que como cipó parasita suga todas as energias da Igreja verdadera sufocando sua vida.
 
Se pelos frutos se conhece a árvore, esses frutos venenoso do Concílio  que acabamos de constatar, demonstram, para quem tem olhos para ver, a maldade da doutrina do Vaticano II .
 
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Recentemente, muitíssimo bem informado Padre Claude Barthe escreveu uma Nota muito importante  -- mas para circular apenas nos meios vaticanos -- sobre as divisões que o problema do Vaticano II tem suscitado na própria Cúria Romana. Pois agora não é mais ocultar que até na mais alta cúpula da Santa Sé chegou a divisão sobre o Concílio, causando a revolta de certos Cardeais contra o Papa.
 
A NOTA do Padre Claude Barthe – discreta e não publicada — corria apenas nos escritórios da Cúria Romana. Um  Cardeal entregou essa NOTA a um jornalista do site La Cigueña de la Torre que a publicou.
 
Nessa NOTA intitulada  A “não aceitação do Concílio” pela Fraternidade São Pio X : uma cortina de fumaça, Padre Barthe dá uma informação sumamente importante. Ele informa que, atualmente, mesmo na Cúria, há três posições face ao Vaticano II:
  1. a posição modernista que defende a ruptura com o passado da Igreja  através da hermenêutica de ruptura, seguindo o que se chamou de  “o espírito do Concílio”, que Bento XVI condenou, no Discurso à Cúria Romana, em 22 de Dezembro de 2005;
  2. a posição adotada até há pouco por Bento XVI: a da letra do Concilio que defende uma “hermenêutica de continuidade” entre o Vaticano II e a doutrina de sempre da Igreja Católica;
  3. a Linha da FSSPX que condena os erros modernistas do Vaticano II , assim como repudia suas ambigüidades.
Ora, a Nota discreta do Padre Barthe,  que agora vazou, conta que essa linha da FSSPX -- que é a de Dom Lefebvre, isto é, da minoria que lutou no Concílio--, hoje foi adotada por um grupo que o Padre Barthe chama  a “Nova Escola Romana”; aglutinada em torno do próprio Papa Bento XVI.
 
Eis o que disse a NOTA do muito bem informado Padre Claude Barthe:
“1° A questão fundamental : rechaçar ou aceitar qual Vaticano II?
Queira-se ou não, “a aceitação do Concílio” tornou-se um tema ideológico sob o qual se fizeram passar gravíssimos abusos durante 40 anos. O discurso do Papa à Cúria do 22 de Dezembro de 2005 recordou oportunamente que, desde o começo, existem duas hermenêuticas excludentes acerca do Vaticano II, uma de “ruptura”, outra de “continuidade”.  Para ser breves, a primera é aquela de Rahner e Congar, a segunda a da Nota praevia acrescentada por Paulo VI à Lumen Gentium. Os atos do pontificado atual (Summorum Pontificum, decreto do 21 de Janeiro de 2009) dão conta de uma terceira hermenêutica, a da minoría conciliar, continuada pela oposição lefevrista, transformada e revitalizada hoje em torno do Papa por uma “nova escola romana” [destaque da Montfort].
 
Isso significaria que Bento XVI teria adotado a linha da FSSPX. Daí a fúria dos modernistas contra ele.
 
Que Bento XVI, desde o início de seu Pontificado tem seguido uma linha cada vez mais próxima da FSSPX é patente. Basta enumerar algumas medidas retumbantes que eel adotou e alguns de seus discursos, para constatá-lo:
 
  1. Os discursos que o Cardeal Ratzinger fez antes de sua eleição aoa Papado;
  2. O discurso revelador que Bento XVI fez à Cúria Romana em 22 de Dezembro de 2005, condenando a leitura do Vaticano II segundo o “espirito do Concílio”;
  3. A Aula Magna de Regensburg, defendendo a hamonia entre Fé e Razão;
  4. O espetacular Motu proprio de 7 de julho de 2007, liberando a Missa de sempre, e afirmando que a Missa de sempre jamais foi abrrogada, Motu Proprio que os Bispos do mundo inteiro procuraram sabotar;
  5. A Instituição do IBP, também em 2007;
  6. O decreto levantando a excomunhão dos Bispos da FSSPX, que tanto ódio suscitou contra o Papa Bento XVI
  7. A eliminação gradual de membros modernistas aninhados na Cúria Romana;
  8. A nomeação do Padre Gerhard Wagner para Bispo Auxiliar de Linz que desencadeou a revolta aberta do Episcopado austríaco;
  9. A Carta de Bento XVI aos Bispos do Mundo inteiro (Março de 2009)  na qual o Papa demonstra a importância da FSSX e sua simpatia por ela, e mostra como ela é odiada pelos tolerantes, relativistas e ecumênicos Bispos do “espírito do Vaticano II”
 
A tudo isso deve-se acrescentar uma informação dada pelo Padre Schmidberger em sua recente nota de resposta aos Bispos austríacos que atacaram  FSSPX. Nela, disse o Superior do Distrito da Alemanha da FSSPX que, com respeito às sagrações episcopais de Écône, em 1988:  “Estas, face às consagrações feitas com resignação, jamais foram proibidas, o que foi confirmado por  Roma em discussões privadas” (Resposta do abbé Schmidberger  à tomada de posição dos Bispos alemães. Por Wallenstein (2009-03-08 18:36:02)Os Bispos alemães contra Roma (artigo kreuz.net). Quem disse isso em que negociações em Roma com a FSSPX?
 
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É nesse contexto que deve ser lida a Carta do Papa Bento XVI aos Bispos de todo o mundo, expondo suas intenções com o Decreto liberando a excomunhão dos Bispos da FSSPX, e aceitando discutir com eles as “questões em aberto” , isto é, as teses do Vaticano II que contrariam 20 séculos de doutrina católica, continuamente ensinada.
 
Nessa carta- que analisaremos oportunamente, mais a fundo, em outro artigo, Bento XVI faz algumas afirmações deveras importantes:
 
Ele afirma seu profundo e carinhoso interesse pela FSSPX, tendo em vista seu grande número de sacerdotes e religiosos, assim como a importância de seu apostolado, que não podem ser simplesmente ignorados e abandonados pela Santa Sé, pois o Papa tem o dever de confirmar seus irmãos na Fé, como Jesus ordenou explicitamente a São Pedro.
 
O Papa aponta uma curiosa e enorme contradição da sociedade moderna fundada na tolerância e no relativismo: ela precisa sempre ter um grupo sobre o qual ela descarregue uma completa condenação e intolerância. Hoje, na sociedade ecumênica e relativista que tudo tolera, o grupo que serve de bode expiatório é a FSSPX. E “basta alguém –até mesmo o Pap a- aproximar-se desse grupo maldito pelos que tudo toleram e abençoam, para ser, ele também, ainda que seja o Papa,  para ser tido também como maldito.
 
Eis o que escreveu o Papa:
Às vezes fica-se com a impressão de que a nossa sociedade tenha necessidade pelo menos de um grupo ao qual não conceda qualquer tolerância, contra o qual seja possível tranquilamente arremeter-se com aversão. E se alguém ousa aproximar-se do mesmo – do Papa, neste caso – perde também o direito à tolerância e pode de igual modo ser tratado com aversão sem temor nem decência”.(Bento XVI, Carta aos Bispos a propósito da remissão da excomunhão aos quatro Bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre, 10 de Março de 2009).
 
Voltaremos à análise dessa carta logo que possível.
 
São Paulo, 13 de Março de 2009.
Orlando Fedeli

    Para citar este texto:
"Bento XVI, a FSSPX e a revolta dos bispos modernistas"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/papa-fsspx-modernistas/
Online, 22/07/2017 às 17:44:38h