Igreja

´Ite, missa nova est!` - Padre Bux critica a Missa pós Conciliar
Orlando Fedeli

    Às vésperas da promulgação do Motu Proprio de Bento XVI, liberando a Missa de sempre, o teólogo da Casa Pontifícia, Padre Nicola Bux publica artigo fazendo pesadas críticas à liturgia pós conciliar, afirmando que  "A relação intrínseca entre Celebração eucarística e adoração após o Concílio não foi claramente compreendida".  Ora, de modo velado, ele está afirmando que, após o Vaticano II, a Liturgia fabricada por ordem de Paulo VI não compreendeu que na Missa se devia adorar a Deus. Essa é uma muito dura acusação à Missa Nova, porque, se ela não compreendeu que devia fazer adorar a Deus na Sagrada Hóstia, essa Missa nova falta com um ponto essencial da Liturgia Católica.
    A acusação é tanto mais grave quanto parte de teólogo ligado a  Bento XVI e não de um lefrebvista.
    O artigo do Padre Bux e do Padre Salvatore Vitiello apareceu no site http://www.fides.org/aree/news/newsdet.php?idnews=10010&lan=por em 29/04/07 sob o título A liturgia é essencialmente adoração.
    Lembra Padre Bux que, após o Concílio, esqueceu-se que Santo Agostinho ensinou queninguém come esta carne sem antes adorá-la; pecaríamos se não a adorássemos... a celebração eucarística…é em si mesma o maior ato de adoração da Igreja” .
    Padre Bux ataca pesadamente a "criatividade" que caracterizou a Missa Nova, criatividade que levou à anarquia litúrgica de que falava o Cardeal Ratzinger, afirmando que umaliturgia realmente católica não deixa espaço ao subjetivismo criativo, mas somente à participação adoradora, a «Theo-latria» não a «idolo-latria».
    Essas palavras deixam entrever que, segundo padre Bux, a nova liturgia pós conciliar, enquanto criativa, não era côngrua com a doutrina católica.
    Padre Bux mostra que era a adoração a Deus Pai que levava o sacerdote e o povo voltarem-se para uma mesma direção — voltados para Deus, coisa que a Missa de Paulo VI contrariou. 
    E diz, então, Padre Bux: 

Também a liturgia romana era assim, depois alguém inventou que o orientar-se ao altar, ou seja, ao Senhor, era na verdade dar as costas ao povo. Estranho que, em tantos séculos, ninguém o tivesse percebido, até 1967”

    “Alguém inventou”
que o Padre devia rezar Missa voltado para o povo, numa atitude antropocêntrica que trouxe grave prejuízo à idéia de adoração na Missa.
    Quem teria sido esse “alguém”?
    E Padre Bux aponta um dos feitos nocivos desse voltar-se o padre para o povo: 

O olhar-se no rosto de padre e fiéis deixa a liturgia (se, como se diz, esta atua por meios dos sinais) na dimensão imanente do mundo”. 

    Portanto, insinua um imanentismo que este bem de acordo com a letra do Concílio Vaticano II que diz Deus ter posto uma semente divina no homem (Cfr. Gaudium et Spes , n* 3).
    Por que, de repente, esse ataque à liturgia pós conciliar feito por pessoa tão ligada ao Papa? Por que esse ataque agora exatamente quando está para ser publicado o tão falado Motu Proprio liberador da Missa de sempre? 
    Estaria esse ataque -- tão justo e tão pesado -- dando início à crítica do próprio Vaticano à Missa Nova de Paulo VI? E, se for assim, não se poderia pensar que a frase do Cardeal Arinze prenunciando um fim próximo da Missa Nova está para acontecer? 
    O Cardeal Arinze, falando da missa nova disse: “Ite, Missa Nova est!”.
    “Deo gratias”, responde-lhe a Montfort com os fiéis católicos.
 
 

A liturgia é essencialmente adoração

VATICANO - AS PALAVRAS DA DOUTRINA por pe. Nicola Bux (Teólogo do Papa) e pe.
Salvatore Vitiello
 
http://www.fides.org/aree/news/newsdet.php?idnews=10010&lan=por 29/04/07
 
Cidade do Vaticano (Agência Fides) - A Exortação Apostólica pós-sinodal “Sacramentum caritatis” recorda que há uma relação intrínseca entre celebração eucarística e adoração, que, após o Concílio, não foi claramente compreendida. Chegou-se a objetar que o Pão eucarístico não foi dado para ser contemplado, mas consumido. Trata-se de uma contraposição sem fundamento, porque - diz o documento citando santo Agostinho - “ninguém come esta carne sem antes adorá-la; pecaríamos se não a adorássemos... a celebração eucarística…é em si mesma o maior ato de adoração da Igreja” (66).

Em verdade, os liturgistas sabem que “Na missa… alcança-se o ápice seja da ação com o qual Deus santifica o mundo em Cristo, seja do culto que os homens prestam ao Pai, adorando-O por meio de Cristo Filho de Deus no Espírito Santo” (Ordenamento geral do Missal Romano, n 16). Este texto retoma a Constituição litúrgica do Concilio Vaticano II (cfr. SC n. 10), mas sobretudo não faz outra coisa senão atuar a afirmação de Jesus: “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade” (Jo 4,23).
 
A adoração é o coração da dimensão cósmica daliturgia: resume em Cristo Jesus, como diz S. Paulo, todas as coisas do céu e da terra. A adoração é “opus Dei” segundo São Bento, o culto público, segundo a encíclica “Mediator Dei” de Pio XII, que todos os dias a Igreja com Cristo eleva ao Pai. Mas tal liturgia, na realidade, a recebemos do céu, como narra o Apocalipse, tem a sua forma típica no altar do Cordeiro imolado e adorado pelos santos. Portanto, a liturgia realmente católica não deixa espaço ao subjetivismo criativo, mas somente à participação adoradora, a «Theo-latria» não a «idolo-latria».
 
Max Thurian amava dizer que a liturgia é contemplação do mistério, que significa adoração: não é algo separado da Santa Missa e dos sacramentos, mas é a sua estrutura íntima da qual deve nascer a atitude pessoal de adoração. [nota da Montfort: certamente depois da sua conversão ao catolicismo. Ele foi um dosPastores Protestantes participantes da Comissão da Reforma Litúrgica de Mons Bugnini / Paulo VI, e depois, se converteu, foi ordenado sacerdote e criticou a Missa Nova elaborada pela mesma COMISSÃO] Nos ritos orientais, este é o pressuposto que leva os ministros a dirigirem-se sempre em direção ao altar do Senhor depois de se dirigirem ao povo nos diálogos. Também a liturgia romana era assim, depois alguém inventou queo orientar-se ao altar, ou seja, ao Senhor, era na verdade dar as costas ao povo. Estranho que, em tantos séculos, ninguém o tivesse percebido, até 1967. E não o perceberam até hoje nem mesmo os orientais, que continuam olhando em direção ao Oriente, símbolo da vinda do Senhor. E pensar que no pós-concílio muito se insistiu sobre a necessidade de restaurar a dimensão escatológica e transcendente da liturgia!

O olhar-se no rosto de padre e fiéis deixa a liturgia (se, como se diz, esta atua por meios dos sinais) na dimensão imanente do mundo. Bastaria a liturgia da Palavra a destacar a escola em que o didascalos fala aos discípulos. A liturgia do Sacrifício deve olhar ao Senhor, a começar pelo sacerdote que guia a oração dos fiéis ‘dirigido ao Senhor’, símbolo entre outras coisas da conversão dos corações, como evoca de modo figurado justamente a expressão latina “conversi ad Dominum”. Diz Isaque Sírio: “Cristo, pintor perfeito, pinta os traços de sua face de homem celeste sobre aqueles fiéis que estão orientados em direção a ele. Se alguém não o fixa de contínuo, desprezando todas as coisas a Ele contrárias, não terá em si mesmo a imagem do Senhor desenhada pela sua luz. Que a nossa face seja sempre fixo n’Ele, com fé e amor, ignorando tudo para ser somente n’Ele intento, para que no nosso íntimo se imprima a sua imagem e, assim, levando Cristo conosco, podemos alcançar a vida sem fim”. (Agência Fides 26/4/2007)

    Para citar este texto:
"´Ite, missa nova est!` - Padre Bux critica a Missa pós Conciliar"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/padre_bux/
Online, 24/09/2017 às 11:14:50h