Igreja

Destaques de uma interessante entrevista do Padre Aulagnier
Generation FAX

 
Nota da Montfort:
 
O Abbé Aulagnier é um famoso, antigo e muito próximo colaborador de Monsenhor Lefebvre. Anos depois, ele foi expulso da FSSPX e foi um dos cinco Padres fundadores do Instituto do Bom Pastor, do qual, infelizmente, parece que saiu.
 
Ele acaba de dar uma longa entrevista a Generation Fax, da qual destacamos alguns trechos.
 
 
***
 
 
I -SOBRE O LIVRO DE ARNALDO VIDIGAL XAVIER DA SILVEIRA A RESPEITO DA MISSA NOVA.
 
Padre Aulaignier: “Eu pude ler o livro de Xavier Da Silveira: «A Nova Missa de Paulo VI : que pensar dela» publicado pela difusão da Pensée Française livro misteriosamente retirado de circulação. Eu jamais soube o por quê. Entretanto, ele era famoso”.
 
Explicação da Montfort:
 
Expliquemos nós esse mistério.
 
O livro citado foi retirado e proibido de ser reimpreso e propagado por Plínio Corrêa de Oliveira.
 
Como os membros da TFP eram combatidos pelos Padres modernistas, bem numerosos no Brasil, Dr. Plínio escreveu um artigo na Folha de São Paulo, no qual ameaçava publicar esse livro contra a Missa Nova de Paulo VI, recém instituída de forma estranha, pois, sem ter sido revogada a Missa de sempre, foi instituída uma Missa Nova. O Rito Romano estranhamente passou a ter duas Missas diferentes. O que era uma novidade, cremos, jamais vista.
 
O Cardeal Arcebispo de Porto Alegre, Dom Scherer, teria escrito a Dr. Plínio, Presidente da TFP, que se punha de joelhos rogando que não publicasse essa obra.
 
Desses cardinalícios joelhos dobrados e da vontade de Plínio colocar a sua TFP acima de tudo - até acima da Missa — saiu um acordo:
 
1) A CNBB se comprometeu a jamais recusar a comunhão aos membros da TFP;
 
2) A TFP – que havia adquirido, misteriosamente, os direitos autorais desse livro – se comprometia a jamais permitir a sua publicação.
 
Desse modo, misterioso, esse livro que teria sido uma forte barreira para a introdução da Missa no Brasil, foi engavetado por Dr. Plínio, “Il Crociato del secolo XX”, segundo um bem ingênuo livro italiano.
 
Assim é que o ”Cruzado do século XX”, Plínio Corrêa de Oliveira, foi o grande colaborador dos modernistas paar introduzir sem oposição a Missa Nova protestantisante no Brasil...
 
Esse é que é o mistério.
 
Fim da explicação da Montfort. Continua a entrevista.
 
II - Padre Aulagnier e o Instituto do Bom Pastor
 
GENERATION FA8 : Por que ter fundado o Instituto do Bom Pastor ? Quais são seus meios e suas atividades ?O senhor lamenta ter participado de sua fundação ?
 
Fiquei dois anos em Vichy, na casa de amigos, de 2003 à 2005, data na qual M l’abbé de Tanouärn fundava o Centre S. Paulo em Paris. Ele pediu meus serviços, o que aceitei de bom gardo. De 1 de  Maio de 2005 até o fim do verão de  2006, acho, fiquei em Paris. Residia em Courbevoie. Nesse período, também meus confrades, os Padres Laguérie, Hery e de Tanoüarn foram afastados da FSSPX. Eles não podiam ficar longo tempo sem situação canônica. Foi então que o abbé Laguérie se pôs a escrever os estatutos do Instituto do Bom Pastor.
 
Conhecendo o Cardeal Castrillon Hoyos e certos membros de seu «staff», um encontro foi realizado na primavera de 2006. Os estatutos lhe agradaram. Voltamos a Roma em Setembro de 2006, e no dia 8 de Setembro, os estatutos foram aprovados por Roma. O Instituto era reconhecido como de direito pontifício com o uso exclusivo da missa tridentina e a possibilidade de «discutir» o Concílio. Todo o mundo estava contente. Um quadro jurídico era claramente dado permitindo a meus confrades exercerem toda a sua habilidade. Um seminário foi criado na França. O primeiro seminário «tradicional» era reconhecido por um Bispo, o Bispo de Chartes, Mons. Pansard, digamos, não pode recusá-lo. A Providência  permitiu atuar tranquilamente. Eis que há três anos ele funciona. E funciona bem. É uma boa promessa de futuro. Há também o Centro S. Paulo que não preciso apresentar, assim como uma bela paróquia pessoal em Bordeaux, a de Santo Eloi. Ordenações sacerdotais vão ser feitas em 10 de Julho com a presença do Cardeal, Prefeito da Congregação da Liturgia em Roma, o que é muito importante, sobretudo após os incidentes que se seguiram a difusão da emissão «Os Infiltrados» na TV F2, em 24 de Abril. Roma não recua diante das «agitações» nem diante dos  «agitadores revolucionários». O que é muito importante.    
 
Temos, enfim, um bom confrade na América do Sul que faz um bom trabalho [Padre Rafael Navas Ortiz]. É um verdadeiro agente recrutador de vocações. Ele envia numerosas e inteligentes vocações para Courtalain, o local do seminário.
 
É preciso destacar a fundação do Angelus. O Padre responsável por essa obra, M l’abbé Spinosa, se esforça muito bem por fazê-lo conhecido. Há todas as probabilidades que isso irá adiante. Ele vai abrir sua escola a partir de Setembro próximo. Enfim o Instituto do Bom Pastor pode “negociar» com Mons. Eric Aumonier um apostolado na extremidade da diocese na bela igrejinha de Rolleboise para «um grupo» de tradicionalistas ligados à Missa tridentina. A fé e a alegria reinam aí, e o apostolado se expande. Ele me foi confiado. Não lamento ter contribuído para a fundação do Instituto. Mas canonicamente não sou membro dele, pelo menos neste momneto. Quero permanecer no quadro de minha situação anterior: ser da diocese de Clermont posto à disposição da FSSPX. Não sou uma ventoinha. Mas meu “retorno” à FSSPX, hoje, ainda me parece bastante problemático. Isso é um grande sofrimento para mim.”
 
III-  Sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum:
 
Padre Aulagnier: “Esse Motu Proprio talvez produzirá lentamente todos os seus frutos. Talvez serão necessárias várias gerações, mas o movimento foi lançado, e ele é  inelutável. Não se voltará atrás. Quando ouço o Papa denunciar, discurso atrás de discurso, o relativismo do pensamento moderno, e afirmar contra isso que a inteligência foi feita para a verdade e que o verdadeiro – Deus é a verdade – é a única fonte do equilíbrio moral, quando ouço o Papa conclamar que se volte ao estudo do ser, que é a nobreza da razão e  fonte do realismo que só ele permite de fugir do subjetivismo e do pensamento cartesiano, assim como quando ele fez seu discurso em Ratisbona, eu me alegro.
 
Quando, nesse mesmo discurso, eu ouço o Papa dizer, na cara de todos os agnósticos presentes ou ausentes que «uma razão surda ao divino e que repele as religiões ao domínio das sub-culturas, é inapto ao diálogo das culturas», eu me alegro com isso. Não condenou ele assim todo o laicismo contemporâneo que inspira tão fortemente nossos políticos? Esse é um aspecto essencial da Modernidade. Não condenou ele também por saus palavras esta edificação da Europa cujos responsáveis recusam colocar Deus e a religião cristã, tão essencial à Europa, no coração da constituição européia? Quando vejo que todas essas idéias têm um eco tão forte na igreja ortodoxa de Moscou e que as relações estão melhorando a ponto que se ouve dizer que haverá um provável encontro, e mesmo iminente entre Bento XVI e o Patriarca de Moscou, eu me alegro. Compreendo quanto as críticas de Hans Küng contra Bento XVI são injustas e miseráveis. O próximo encontro de Roma e  Moscou mostrará quão pouco fundamento tinha a sua crítica. Ele se desonra. Quando ouço o Papa tão corajosamente condenar qualquer aborto e falar tão altamente em favor da vida desde o nascimento  até a morte natural, eu me alegro. Tudo isso me faz compreender porque o «mundo «  se desencadeia em ódio contra Bento XVI.  Como dizia recentemente um pensador:compreendo essa oposição, porque Bento XVI é talvez o único  « contestador» da «Modernidade», não do progresso material, mas do relativismo contemporâneo.
 
IV – Por que a Espanha se levanta em massa contra o aborto, e a França, país que mais defende a Missa de sempre não faz isso?
 
GENERATION FA8: De um lado, os católicos franceses são amorfos (30000 pessoas na Marcha pela Vida, mais de um milhão na Espanha), d’outro lado a  França é o mais forte bastião do tradicionalismo. Como o senhor explica isso?
 
Os espanhóis se deslocam aos milhares para a defesa da vida porque eles têm seus Bispos liderando seu movimento. Os Bispos sabem mobilizá-los. A autoridade dá o exemplo e os arrasta, encoraja. Na França, os Bispos, nessa questão, são tímidos, pouco convencidos da oportunidade de tais manifestações. Eles ficam em seu Bispado ou, hoje, organizam vigílias de oração nas suas catedrais. Mas isto não pode mover as multidões. Os leigos estão sozinhos, e mesmo divididos em mil tendências. Tudo para nos enfraquecer. Mas reparem, vocês dizem certo: «a França é o mais forte bastião do tradicionalismo» porque um Bispo  se colocou à sal frente: Mons.Lefebvre e que teve uma coragem formidável e que por muito tempo teve uma autoridade moral considerável. Ele era estimado, porque era amável. Ele soube  respeitar as autoridades intelectuais, morais  que traziam sua contribuição para construir o edifício do tradicionalismo:refiro-me sobretudo a Jean Madiran, Louis Salleron, o professor de Corte e numerosos outros padres. Ele não se isolava. Dom Lefebvre gostava cecar-se de pessoas competentes. E, ademais, esse é o papel da França, «o bastão do tradicionalismo ». A França é a filha primogênita da Igreja. Ela, como primogênita, deve dar o exemplo. O combate é doutrinário. A França ama.
 
(Tradução da Montfort).

    Para citar este texto:
"Destaques de uma interessante entrevista do Padre Aulagnier"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/padre-aulagnier/
Online, 26/03/2017 às 06:13:51h