Igreja

Os “antiacordo” não aceitariam o Édito de Milão
Eder Moreira

Eder Silva

Diante da possibilidade de um acordo cada vez mais eminente entre Roma e a FSSPX, Dom Wiliamson redobra seus inconsistentes ataques de oposição, fomentando e preparando um cisma que, pelas últimas declarações conhecidas, tornar-se-á uma fatalidade inevitável dentro da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. 

 

Acreditamos, contudo, que, dessa divisão formalizada, Deus fará um bem muito maior, recompensando a coragem e a submissão de Dom Fellay e seus verdadeiros amigos e benfeitores.

 

Um breve exame da História da Igreja revela, por diversos fatos, a ilegitimidade da “resistência sectária” ao bom acordo oferecido pelo Romano Pontífice. Para esta ocasião, decidimos expor o proceder da Igreja Católica em relação ao famoso Édito de Milão de Constantino.

 

Antes da promulgação desse Édito, os cristãos não tinham liberdade para tributar o verdadeiro culto a Deus, nem tampouco para anunciar as verdades do Evangelho, segundo a ordem de Nosso Senhor. Durante todo esse período de perseguição, os cristãos sobreviveram fielmente no interior das catacumbas.

 

Quase três séculos aprisionada pelas autoridades romanas, a verdadeira religião obteve sua liberdade somente em 313, d.C, outorgada pelo Édito de Constantino. Dessa liberdade reconhecida, a Igreja obteve copiosos frutos, dos quais a posterior conversão do império romano. 

 

Entretanto, essa liberdade não foi oferecida nos moldes tradicionais. Embora declarasse liberdade religiosa ao catolicismo, o Édito colocou a Igreja em pé de igualdade com as falsas religiões, favorecendo a profissão e divulgação de todos os credos existentes.

 

“Quando eu, Constantino Augusto, e eu, Licínio Augusto, nos reunimos felizmente em Milão e nos pusemos a discutir tudo o que importava ao proveito e utilidade públicas, entre as coisas que nos pareciam de utilidade para todos em muitos aspectos, decidimos sobretudo distribuir umas primeiras disposições em que se asseguravam o respeito e o culto à divindade, isto é, para dar, tanto aos cristãos quanto a todos em geral, livre escolha para seguir a religião que quisessem, com o fim de que tanto a nós quanto aos que vivem sob nossa autoridade nos possam ser favoráveis a divindade e os poderes celestiais que existam [...] de sorte que cada um tenha possibilidade de escolher e dar culto à divindade que queira” (apud Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica. Livro X, V, 4-8).

 

Analisando o teor deste “acordo” que garantiu liberdade aos cristãos, verifica-se que se assemelha muito aos documentos do Vaticano II sobre o ecumenismo e sobre a liberdade religiosa. O Édito de Milão não reconheceu a Igreja Católica como a única verdadeira fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Tratando-se de uma medida meramente política, o documento apenas autorizou a inserção do catolicismo na lista ecumênica do Império.

 

Apesar desse indiferentismo condenável, os cristãos saíram das catacumbas, aderindo com muita alegria ao Édito de Milão. Nenhum santo da Igreja objetou contra esse acordo, dizendo que seria traição usufruir de uma liberdade relativista, oferecida por autoridades comprometidas com os erros do politeísmo pagão.

 

Segundo as objeções dos “antiacordo”, a FSSPX não deve aceitar qualquer acordo porque Roma ainda professaria princípios modernistas e seria traição submeterem-se a autoridades que não teriam a doutrina tradicional da Igreja.

 

Pautados nessas absurdas ilações, os “antiacordistas” também teriam sido impelidos a recusar a liberdade do Édito de Milão. As objeções seriam idênticas.

 

Constantino deveria primeiro fazer uma profissão pública de fé, aceitando as verdades do catolicismo, para, somente depois, falar-se em “acordo” com o governo de Roma.

 

Como o acordo de Milão era puramente prático, oferecendo tão somente o status de “legalidade” à Igreja Católica, que passaria a gozar dos mesmos direitos concedidos às falsas religiões, aceitá-lo seria concordar com os erros do paganismo.

 

Deste modo, os inimigos de “acordos práticos”, seriam pela recusa do “traidor” Édito de Milão. E, em sinal de protesto aos romanos, teriam permanecido nas catacumbas, desprezando um acordo que não trazia em si um justo reconhecimento da verdadeira religião. 

 

Felizmente não surgiram grupos opositores ao acordo de Milão. A Igreja abraçou essa liberdade sem que se tornasse, por isso, traidora de Cristo.

 

Assim também esperamos de Dom Fellay e seus verdadeiros amigos e benfeitores. Que o Bispo Superior-Geral da FSSPX, juntamente com seus fiéis, aceitem a misericordiosa liberdade oferecida pelo Papa Bento XVI. Que a parte boa e mais importante da FSSPX aproveite o Édito de Roma, que lhes concederá a liberdade para recusar e criticar o Vaticano II e sua Nova Missa. E, plenamente unidos ao Papa reinante, o ajudem a ancorar a Santa Igreja nas duas colunas das quais ela nunca deveria ter se apartado.

 

Rezemos!

 

In Corde Jesu, semper

Eder Silva


    Para citar este texto:
"Os “antiacordo” não aceitariam o Édito de Milão"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/os-antiacordo-nao-aceitariam-o-edito-de-milao/
Online, 30/03/2017 às 07:47:15h