Igreja

O que há de comum entre o Papa Paulo VI e Eike Batista?
Alberto Zucchi

Tomei conhecimento através dos jornais do dia 30 de setembro que as empresas do chamado “Grupo X” estão à beira da falência. Seu principal proprietário e fundador, Eike Batista, até pouco tempo considerado um dos homens mais ricos do mundo, em uma gestão totalmente equivocada, uma vez que, era baseada em previsões otimistas e com conselheiros que não se dispunham a alertá-lo de seus erros, levou um enorme grupo econômico à bancarrota.

O empresário, que ainda recentemente era festejado como um visionário e um gênio do mundo dos negócios, provavelmente causará um grande prejuízo a muitas pessoas que foram iludidas pelas suas promessas.

A falência parece inevitável. Para aqueles que acreditam na boa vontade do empresário, seu erro foi se envolver em um ramo no qual ele tinha pouco conhecimento.

Também neste dia 30 de setembro, recebi de um amigo algumas frases sobre a Missa Nova pronunciadas, na véspera de sua implantação, por um respeitável membro do clero:

Em relação ao abandono do latim ele afirmou: "será certamente um grande sacrifício para aqueles que conhecem a beleza, a força e a expressiva sacralidade do latim" (...) "temos realmente razões para nos lamentarmos, razões que praticamente acarretam uma consternação pela sua perda" (...) "estamos renunciando a algo de valor incalculável".

Continuava este membro do clero afirmando que, com este abandono "ocorria um afastamento do modo de falar dos séculos cristãos [e os católicos estavam] se convertendo em intrusos profanos nos recintos literários da expressão sagrada"

E mais, sobre as alterações estabelecidas na Missa Nova:

“A mudança é algo que afeta nosso patrimônio religioso hereditário, o qual parecia trazer aos nossos lábios as orações de nossos antepassados e de nossos santos, e nos dava o conforto do sentimento de fidelidade ao nosso passado espiritual, que nós mantivemos vivo para transmiti-lo às gerações futuras".

O leitor poderá pensar que essas afirmações foram feitas por Dom Mayer, ou Dom Lefebvre. Alguns acreditarão que elas foram pronunciadas pelos Cardeais Otaviani e Bacci, autores do famoso “Breve Exame Critico” do Novus Ordus. Existiriam ainda outros candidatos a autores de tal texto, como por exemplo, alguns padres da Fraternidade São Pio X, o Padre Rifan, vejam que me referi ao padre Rifan, ou alguns dos chamados clérigos tradicionalistas.

Entretanto, quem arriscou qualquer um dos palpites acima errou. O autor destas frases é o Papa Paulo VI. O texto foi publicado no L´Osservatore Romano de 4 de dezembro 1969, p.12, e transcreve as palavras do Papa na audiência realizada na quarta-feira, 26 de novembro de 1969.

Quem poderia imaginar que algum dia o Papa Paulo VI tivesse feito afirmações, sobre a mudança da Missa, com as quais muitos tradicionalistas estariam plenamente de acordo?

Entretanto, antes que a “turma da TL” da Unisinos ou os “tradis”do falecido Fórum FECIT venham me acusar de deturpar as palavras do Papa, esclareço que a alocução Papal não é uma defesa intransigente da Missa Antiga. De fato, Paulo VI faz em suas palavras lamenta a mudança ocorrida, mas de forma alguma estava disposto a voltar no caminho que ele havia traçado. E para justificar porque as alterações eram necessárias ele afirma:

“Mas por quê? O que é mais precioso do que estes mais altos valores da nossa Igreja?

A resposta parece banal e prosaica. No entanto, é uma resposta válida: porque é humana, porque é apostólica”.

Ou seja, a Igreja abria mão de seu patrimônio e de sua história para atingir o homem e fazer apostolado.

Não é necessário dizer que a afirmação de Paulo VI não continha o caráter de infalível.

A história mostrou quanto otimista e equivocada foi a alteração realizada na Missa. Quem a executou, se esteve de boa vontade, certamente não conhecia a natureza humana, nem sabia fazer apostolado. A Igreja abriu mão do patrimônio que havia acumulado durante séculos e que seria transmitido às gerações futuras, reduzindo tudo praticamente a zero, e nada ganhou em matéria de apostolado. As igrejas se esvaziaram e os seminários quase desapareceram. Ficamos sem o patrimônio e sem as pessoas.

Entretanto, apesar da atitude equivocada de Paulo VI, a Igreja certamente vencerá mais esta crise, pois ela tem a promessa de Cristo de que que as portas do inferno não prevalecerão.  Já Eike Batista com as suas empresas X...


    Para citar este texto:
"O que há de comum entre o Papa Paulo VI e Eike Batista?"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/o-que-ha-de-comum-entre-o-papa-paulo-vi-e-eike-batista/
Online, 28/04/2017 às 14:54:07h