Igreja

Na igreja dos jesuítas de Murcia - Espanha
Miguel Mayo*

Ontem voltei a fazer uma “pesquisa” na missa. Fui à igreja de S. Domingos, dos jesuítas, em Murcia. Terminada a missa, perguntei a várias pessoas sobre o que havia falado o padre Francisco Moreno.
«Ora, ele comentou as três leituras», me respondeu vagamente uma. «Amigo, o de sempre», me respondeu uma mocinha, sacudindo os ombros.

Ninguém soube me dizer uma idéia sequer que lhes marcara. Receio que isso é a tônica geral.

Todos nos lembramos de qualquer coisa insignificante que ocorre, como por exemplo, do gol assinaldo por Raul, porém pouquíssimas vezes ouvi alguém comentar sobre como foi excelente o sermão de tal padre, ou com que idéia um sacerdote marcou os fiéis na missa.

Acho que a maior responsabilidade recai no fato do pouco cuidado que têm os padres em preparar suas homilias.
Perdoem-me os sacerdotes, aos quais tenho muita estima, e me recomendo diariamente. Mas, será que é tão complicado preparar algumas palavras que consigam tocar, ainda que levemente, a alma dos fiéis?

Será que eles não percebem que a maioria dos fiéis só ouvem falar de Deus sete minutos por semana? Não valeria a pena fazer um pequeno esforço adicional para que os paroquianos levem um pouco de calor em seus corações?

Sem dúvida alguma, muitos sacerdotes conseguem incendiar os corações dos fiéis em sua homilias, bem como por meio de sua vida exemplar. Mas, nos últimos três anos que percorro as paróquias de toda a Espanha para apresentar o “Ir à Missa”, sou obrigado a confessar que os sermões que ouvi são, em geral, fracos. Cheio de frases e expressões batidas, ditas de forma rotineira, cansativos e repetitivos.

Dizia D. Bosco que a principal arma que o diabo emprega para afastar os jovens de Deus era o tédio. Basta que um jovem fique entediado na missa para ele logo abandoná-la.
A maioria das pessoas que se afastaram da religião não foram movidas a isso por uma terível crise de fé. Simplesmente se entediaram na igreja. Basta ver como muitos das nossas igrejas não mais estão repletos aos domingos.

Será que não se deveria fazer um maior esforço para os jovens voltarem a freqüentar as igrejas?

* Artigo enviado pelo leitor, extraído do jornal "La Razón", de 24/03/2003.

    Para citar este texto:
"Na igreja dos jesuítas de Murcia - Espanha"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/murcia/
Online, 25/03/2017 às 08:43:26h