Igreja

O Manifesto da Apostasia
Orlando Fedeli

Nos tempos atuais de imensa confusão e crise doutrinária, encontram-se padres, e até mesmo Bispos, proclamando doutrinas e posicionamentos os mais disparatados, em grande parte fundamentando-se numa “leitura” da letra do Vaticano II. Até mesmo os mais fanáticos defensores do Concílio reconhecem que o mal dele foi a ambigüidade de sua letra, pois ela propicia várias leituras, e até leituras contraditórias.
 
Escrito ambiguamente de propósito, disso nasceu a crise atual. Cada um lê o Concílio a seu modo. Introduziu-se um livre exame do Concílio que tem material para todos os gostos.
 
De onde vem isso?
 
João XXIII, no discurso de abertura do Vaticano II, deu-lhe como fim expressar a doutrina da Igreja de acordo com o pensamento moderno, e procurar fazer o “aggiornamento” da Igreja, isto é, adaptá-la ao dia de hoje.
 
Desse “aggiornamento” nasceu o espírito evolucionista do Concílio que tem que se tornar novo a cada dia que passa, ficando logo ultrapassado, pois a religião de hoje, amanhã já terá se tornado obsoleta.
 
O Concílio é como jornal de ontem...
 
Por sua vez, a expressão da doutrina católica de acordo com o pensamento moderno —coisa que fora condenada no 800  erro do Syllabus— levou a adotar a linguagem da Fenomenologia, filosofia de origem kantiana. Ora, para essa Filosofia, um texto admite todas as leituras e interpretações que se quiser. Segundo a Fenomenologia —e a hermenêutica moderna de Gadamer, que dela derivou—, nem mesmo o autor de um texto tem certeza do sentido mais profundo de seus escritos, que poderiam sofrer uma leitura que iria além do entendimento do próprio autor. Daí, as múltiplas leituras do Vaticano II. Daí, a crença de que, em matéria de Fé e de revelação, cada religião teria a sua “leitura” do texto revelado. Nenhuma igreja poderia pretender ter a “interpretação” verdadeira da revelação. Cada religião teria uma visão própria dela, uma “leitura” particular da revelação, mas nenhuma religião seria possuidora da verdade, e seria do diálogo inter religioso que nasceria uma mera aproximação da verdade, sem jamais alcançá-la. Disso nasceu o ecumenismo do Vaticano II, uma das maiores causa da crise atual: o relativismo religioso e criteriológico.
 
Ainda agora, se anuncia que Bento XVI convocou um Sínodo para 2008, a fim a de “reler” a Constituição Dei Verbum do Vaticano II, mas segundo uma clave —ou leitura— “pastoral”. 
 
Esse Sínodo acontecerá no Vatican de 5 a 26 de Outubro de 2008, e terá por tema: « A Palavra de Deus na vida e a missão da Igreja ». Bento XVI insistiu sobre a importância desse tema, após o Sínodo de 2005 sobre a Eucaristia.
Eis como a Agência Zenit anunciou esse Sínodo:

«Evidentemente, explica Monsenhor Eterovic, o Santo Padre é o presidente do Sínodo, mas no Sínodo se exprime a comunhão afetiva e efetiva de toda a ordem episcopal. Há uma longa tradição segundo a qual, antes de escolher um tema de reflexão sinodal, o Santo Padre, pelo secretariado geral do Sínodo dos Bispos, pede a opinião do episcopado do mundo sobre os temas de grande a atualidade. Desta vez, a escolha não foi difícil, porque a grande maioria do episcopado indicou a importância da Palavra de Deus e o Santo Padre ficou contente, pois, em acolher  esse desejo partilhado pelo episcopado mundial, porque se sente a necessidade de relero grande documento do Vatican II, Dei Verbum, em clave pastoral ». (Quarta feira, 27 de Novembro de 2007, Agência ZENIT.org .Sublinhado nosso).
 
Que significa “reler” um documento do Vaticano II em “clave pastoral”, se não que há outros modos de leitura possíveis?
 
Um documento que pode ser lido de vários modos —em várias claves— é um ato magisterial?
 
Pode um texto magisterial de várias leituras possíveis ser infalível? 
 
Evidentemente que não. Magistério e ambigüidade, ou polisemia, se excluem mutuamente.
 
E que significa “pastoral”? Esse termo também bem ambíguo.
 
Sobre a ambigüidade do termo “pastoral”, há um depoimento insuspeito de um perito do Vaticano II, o famoso teólogo René Laurentin que escreveu o seguinte:
 
"Elucidar o papel do sucessor de Pedro na ordem da certeza e da verdade, eis um problema ‘pastoral’...
[“Nota: Não é aqui o lugar para discutir a palavra ‘pastoral’ que foi o título-programa de nossa contribuição: ‘Reflexão pastoral’. Mantemo-nos distantes com relação às ambigüidades desta palavra. Ela foi, no Concílio, uma espécie de cavalo de Tróia.Os líderes das duas tendências, majoritária e minoritária, fizeram de conta que a pastoral era um domínio adequadamente distinto da doutrina. Assim, osprimeiros fizeram passar, sob a cobertura desta palavra inocente, toda uma renovação teológica, infelizmente muito mal ajustada a um sistema doutrinal que em aparência permanecia intacto. Estamos longe, ainda hoje, de sair desta ambigüidade inerente aos textos do Vaticano II.Toda teologia é pastoral; e toda pastoral autêntica é teológica]” (Nota de pé de página no artigo de René Laurentin "O Fundamento de Pedro na Incerteza Atual"  in Concilium – Revista Internacional de Teologia, n. 83, 1973/3: Dogma, p. 354. Os destaques são meus).
 
Então, a palavra pastoral foi o Cavalo de Tróia do Vaticano II, isto é, o cavalo da traição, da infiltração de doutrinas más. E essa é a opinião de um teólogo insuspeito de tradicionalismo!
Mas a palavra “pastoral” é apenas um dos termos ambíguos do Vaticano II. Há muitos outros.
O Cavalo de Tróia do Concílio foi a sua ambigüidade proposital.
 
O conhecido vaticanista Sandro Magister, publicou um artigo no qual apresenta a analise do Arcebispo Agostino Marchetto, a respeito das várias leituras do Vaticano II:
 
Sábado, dia 10 de Novembro, o jornal do Papa [o Osservatore Romano] -, (...), publicou as conclusões de um dos relatores e admiradores de Romano Amerio, o Arcebispo Agostino Marchetto, sob o título: "Para uma correta interpretação do Concilio Vaticano II".(Osservatore Romano, Agostino Marchetto, Leituras Hermenêuticas do Concílio Ecumênico Vaticano II).
 
Nesse artigo, Monsenhor Marchetto cita o trabalho de um especialista em leituras do Vaticano II, o qual, depois, foi feito Cardeal. Trata-se do Professor L. Scheffczyk, cujo livro ficou muito autorizado, pois contou com uma apresentação do próprio Cardeal Ratzinger, hoje, Papa Bento XVI.
Escreveu Monsenhor Marchetto:
 
“(...) recordamos aqui, inicialmente, o livro do pranteado Prof. L. Scheffczyk (feito depois Cardeal) sob o título "A Igreja. Aspetos da Crise Pós Conciliar e Correta Interpretação do Vaticano II" (Jaca Book, Como, 1998, com apresentação de Joseph Ratzinger), no qual se augura uma recuperação do sentido "católico" da realidade da Igreja, depois da crise pós conciliar, a tal respeito. O autor colocou o dedo na chaga da hodierna hermenêutica, com estas precisas palavras: "Cada intérprete ou cada grupo [no texto do Vaticano II] - colhe apenas aquilo que corresponde a seus preconceitos".
 
Nada mais verdadeiro. Criou-se um livre exame do Concílio, causado pela ambigüidade de seu texto, e pela doutrina Fenomenológica que inspirou sua linguagem anfibológica. Não se sabe objetivamente o que ensinou esse Concílio pastoral. Daí, toda a confusão, pois cada um colhe, na letra do Vaticano II, aquilo que lhe interessa.
 
Como exemplo dessa livre interpretação do Vaticano II, publicamos abaixo, um manifesto ligado à Teologia da Libertação, escrito pelo Padre José Maria Vigil, na Adista, http://www.sedos.org/spanish/vigil_3.htm, intitulado Traços da Espiritualidade Missionária desde a América Latina, que analisaremos a seguir.
 
Não é preciso dizer que Padre Vigil, como defensor da Teologia da Libertação tem o apoio do semi-frei Betto, do ex frei Boff, e dos Bispos marxistas da CNBB, que apóiam a Teologia da Libertação.
 
*****
 
Antes de tudo, convém salientar que, também Padre Vigil afirma que a Espiritualidade Missionária desde a América Latina tem, como não poderia deixar de ser, uma visão teológica do mundo, própria dela:
 
Toda espiritualidade, toda vivência cristã, está inserida conscientemente ou não – em uma cosmovisão teológica, em uma estrutura de pensamiento, em uma determinada «leitura» do cristianismo”.
 
Depois, ele garante que essa cosmovisão teológica herética, que ele apresenta, se fundamenta no Vaticano II:
 
“E nos últimos 40 anos – por obra e graça do estímulo do Vaticano II, certamente – AL [América Latina] pronunciou sua palavra, recuperou sua identidade tornou transparente seu espírito, em uma nova espiritualidade missionária na AL. Dessa EML [Espiritualidade Missionária Latino –americana]  dos últimos 40 anos é doa que queremos falar”.
 
Explica Padre Vigil que essa nova Espiritualidade Missionária Latino Americana, baseada no Vaticano II, é uma leitura histórico-escatológica que visa a instituição do Reino de Cristo, como redenção histórico-política, para instaurar a utopia. Claro que esse “Reino” é a utopia comunista pregada pelo marxismo-castrista.
 
A leitura histórico-escatológica concebe a realidade fundamentalmente como história de salvação. «Deus tem um sonho [vi] , Ele o pôs em marcha com a criação, e o propôs aos homens como Utopía e como tarefa. A Missão do ser humano é realizar essa Utopía (o «Reino», em palavras de Jesus) neste mundo. A escatología e a encarnação não são duas direções opostas: não se trata de fugir para o céu, mas sim de construi-lo na terra. A história da salvação não é uma teoría, mas sim a salvação da história, da única história (não há duas, uma sagrada e outra profana). [EML]”.
Esquece-se Padre Vigil, que, como disse Kart Popper, “toda tentativa de criar o céu na terra instaurou um inferno”. O Gulag e Auschwitz são provas disso.
 
Essa Espiritualidade Latino Americana não tem por missão ensinar a verdade, nem anunciar o Evangelho, nem visa salvar as almas, nem quer implantar a Igreja Católica entre povos pagãos. Ela só visa a instituição de uma sociedade socialista:
 
A Missão que tem na mente e no coração a EML, não é, antes de tudo, como o foi durante tantos séculos, uma «comunicação da verdade», proclamação da noticia, anúncio do Evangelho, (…) nem tãopouco é a Missão motivada pelo «zelo da salvação das almas» dos pagãos, (…); nem é a Missão urgida pela «implantação da Igreja», única mediação capaz de fazer os povos serem participantes da graça de Deus por meio de seus sacramentos”.
A apostasia da Fé católica fica assim explícitada no manifesto do Padre Vigil. 
 
A EML recusa fazer o que a Igreja sempre fez, por ordem expressa de Cristo.
 
Diálogo e ecumenismo seriam as condições absolutamente necessárias para a implantação da utopia a religiosa de Padre Vigil. Ora, diálogo e ecumenismo são condições impostas pela Fenomenologia e pelo Vaticano II.
 
A Missão construída sobre um paradigma ou uma leitura histórica do cristianismo é entendida como um «viver e lutar pela Causa de Jesus», um generoso e denodado esforço por colaborar com Deus na realização de seu projeto de salvação da Humanidade e do mundo. A aproximação e o diálogo com outros povos e com outras religiões está inserido nesse mesmo objetivo de alcance histórico, dentro da larga marcha dos povos em direção à utopia do sonho de Deus”.
Padre Vigil não esconde suas teses modernistas, sem dizer, porém, que elas sejam a repetição das teses excomungadas de Alfred Loisy, como a idéia de Reino – um reino terrestre -- no lugar de Igreja distinto da Igreja, assim como a distinção entre o Jesus histórico e o Jesus da Fé, condenada por São Pio X, na encíclica Pascendi:
O Reino de Deus é o centro absoluto da pregação de Jesus, não só sua ipssísima verba, senão también a ipssísima Intentio Iesu. Cento e vinte duas vezes aparece o Reino no Evangelho, 90 delas na boca de Jesus: a freqüência mais alta, a muita distância da siguinte. O Jesús histórico é antes de tudo o profeta do Reino”. 
 E Padre Vigil se atreve a dizer que essa concepção modernista do Reino —reino estabelecido na terra e distinto da Igreja Católica--- foi assumida e aprovada por Paulo VI, na Evangelium Nuntiandi:
“O mais alto magistério oficial assumiu, pouco depois do Concilio Vaticano II, o reinocentrismo. «Sómente o Reino é absoluto, tudo o mais é relativo»[1[ix] Evangelii Nuntiandi, 8.
Padre Vigil inclui nesse “tudo o mais” a própria Igreja que é o reino de Deus entre nós, pois, segundo Padre Vigil, foi depois do Vaticano II – e com base nele-- que se teria superado o Eclesiocentrismo pelo Reino centrismo. Para Padre Vigil ter a Igreja Católica como centro de tudo seria uma heresia secreta, a heresia do Eclesiocentrismo:
 
“O reinocentrismo é a mudança teológica mais profunda que se deu no cristianismo nos últimos tempos. É a superação do eclesiocentrismo, a «cripto heresia» mais difundida e institucionalmente apoiada”.
A Igreja Católica deveria servir a implantação desse Reino Utópico, --socialista e ecumênico--, como se fosse o Reino de Cristo na Terra:
A grande Missão do cristianismo (…) é a acolhida e a construção do Reino de Deus na História. Esse é o ponto central, o absoluto, aquilo a cujo serviço está todo o demais, inclusive a própria Igreja”. 
 
O objetivo da Espiritualidade Latino Americana não é converter as almas ao catolicismo, mas sim, como defende a Telogia da Libertação, implantar o socialismo castro-petista, identificado com o Reino de Deus na Terra:
 
“O objetivo da Missão não são as «conversões» para a Igreja, senão a acolhida e a construção do Reino.
Para Padre Vigil, seguindo Boff, que a luta pelo “Reino” exige que a Igreja faça a opção preferencial pelos pobres. Optar pelos pobres ou recusar essa opão é o que dividiu os católicos, depois do Vaticano II:
 
“Diz Leonardo Boff que a opção pelos pobres é a opção mais grave que a Igreja tomou depois da Reforma Protestante. Um divisor de águas. Duas vertentes, duas maneiras de olhar o mundo, de situar-se ante a história, e de ler o cristianismo”.
Essa opção teria uma fundamentação na própria essência divina, sendo assim de necessidade ontológico-divina:
 
“Não é que Deus faça uma opção «facultativa» (que pudesse não ter feito), ou «voluntarista» (caprichosa, arbitrária, pelos pobres Porém que podeira ter sido pelos ricos), ou «acidental» (sem conexão essencial com seu próprio ser, que elegeu aos pobres por uma «preferência» por simpatía ou por misericordia), mas sim uma opção que emana de seu mesmo ser, que não podía deixar de fazer, e que não poderia ser de nenhuma outra maneira. Teológicamente, Deus, que é Amor, também «é» opção pela Justiça, e portanto pelos injustiçados [xiii] , e contra os injustos”. 
Por isso, diz Padre Vigil, em seu manifesto de apostasia:
 
As missões «latino-americanas» não são neutras, nem imparciais, nem «estrictamente religiosas», nem «alheias ao político», nem sómente cuidadoras das «almas»… senão que estão junto aos pobres, aliadas com eles, porque é desde o lugar social dos pobres desde onde únicamente pode ser construído o Reino de Deus”.
O ecumenismo é essencial a essa “espiritualidade” apóstata.
 
Macro ecumenismo é o nome que na América Latina se deu à teologia das religiões ou à sua espiritualidade correspondente. (…) Como é sabido, o Concilio Vaticano II supôs o abandono oficial e definitivo da postura exclusivista e a entronização oficial do inclusivismo na Igreja católica. Pela mesma época, uma mudança semelhante foi realizada pelas Igrejas protestantes. Por sua parte o pluralismo apenas apareceu no horizonte; isso sim, cativante e muito disposto a entrar em sua batalha”.(O sublinhado destacado é meu).
 
A Igreja Católica, através do ecumenismo do Vaticano II teria renunciado a seu exclusivismo como Igreja fora da qual não há salvação. Ela teria deixado de excluir as demais religiões, incluindo-as no plano de salvação de Deus.O que significaria uma verdadeira apostasia
Padre Vigil salienta que essa Espiritualidade Latino Americana nasceu nos últimos 40 anos. O que é um modo velado de dizer que nasceu do Vaticano II. E mostra como esse ecumenismo da “Espiritualidade Latino Americana” teve em vista dois elementos especialmente: o indío e o comunista, ---o “ateu revolucionário”--- não repelindo a religião indígena, e nem o marxismo:
 
“Se dizíamos, a principio, que estávamos nos referindo à EML dos últimos 40 anos, teríamos que dizer que, nesse ponto, tanto a espiritualidade como a teologia latino-americanas não têm posições fixas, senão que estão em processo, em movimento. Creio que honestamente se pode reconhecer que a posição do primeiro «macro ecumenismo» latino-americano foi a posição mais aberta – na Igreja católica ao menos — dentro do inclusivismo reinante, sem deixar de ser realmente inclusivismo. A teología e a espiritualidade latino-americanas se distinguiram por sua abertura e seu diálogo e seu reconhecimento das religiões indígenas do continente, por uma parte, e para com os militantes não crentes, por outra. O «ateu revolucionário» foi um interlocutor privilegiado da teología da liberação, por exemplo” (O destaque é meu).
 
Padre Vigil explica que a falta de produção teológica atual dos membros da Teologia da Libertação se deve “à situação atual”, isto é, por causa do Papa Bento XVI, que é contra a Teologia da Libertação:
 
Apesar do silêncio reinante e a falta de produção teológica — muito explicável pela situação eclesiástica atual-, já não há teólogo ou teóloga que não estejam desafiados pelo tema do pluralismo religioso, que é já, sem discussão, o novo paradigma com o qual toda a teologia e a espiritualidade se vêm na necessidade de confrontar-se. É todo o Continente o que está começando a despertar para esta nova dimensão[xvi]
 
Da condenação do pluralismo religioso de Pio IX, de Leão XIII, de São Pio X e dos demais Papas, se passou --desde 40 anos--, à defesa do pluralismo religioso em si mesmo, sempre condenado pela Igreja, mas visto agora como um valor positivo, graças aos textos do Vaticano II. Padre Vigil admite então que Vaticano II mudou a doutrina milenar da Igreja:
 
Por sua parte, a EML se está abrindo, em primeiro lugar, para a valorização positiva da pluralidade religiosa. Essa seria a mudança principal, o grande avanço: de uma valorização milenariamente negativa da pluralidade religiosa (a pluralidade de religiões era tida como uma não complementação do plano de Deus, à espera de ser sub curada pela «conversão» dos pagãos à religião verdadeira) estamos passando para uma valorização positiva (se passa a afirmar que a pluralidade de religiões foi e é querida por Deus, e que não obedece a seu designio essa expectativa que nos temos auto imposto de acabar com a pluralidade pela extensão e imposição de nossa religião sobre todas as demais).(Destaques meus).
 
Padre Vigil dá de barato que o cristianismo “evoluiu”, tornou-se pluralista em matéria religiosa, a ponto de não pensarmos mais que o catolicismo é a religião verdadeira. Padre Vigil proclama que se perdeu a Fé… Há 40 anos…. Depois do Vaticano II, e de seu ecumenismo relativista:
 
Como é sabido, o Concilio Vaticano II supôs o abandono oficial e definitivo da postura exclusivista e a entronização oficial do inclusivismo na Igreja católica”. 
Para esse “teólogo” da Libertação, a causa da apostasia atual—que ele festeja--foi o Vaticano II com seu ecumenismo, que gerou o indiferentismo religioso ao admitir que pode haver salvação em qualquer religião. A Igreja Católica não seria a religião verdadeira
Com sua evolução para um pensamento cada vez mais inclinado ao pluralismo, o cristianismo está passando pela crise de aceitar a plausibilidade da hipótese de que talvez não sejamos os eleitos, o povo de Deus, «a» religião verdadeira, os messianicamente chamados a salvar o mundo… ou que, ao menos, não o sejamos como sempre o havíamos entendido”.
A Missão latino Americana crê que pode haver salvação em qualquer religião, negando o dogma de que “Fora da Igreja não há salvação” proclamado infalivelmente pelo IV Concílio de Latrão. 
 
Para ele, a Missão Latino Americana…
 
Não é uma Missão que crê chegar a lugares desprovidos de salvação (lugares que estariam numa espécie de «vazio soteriológico»). Não pensa que o povo a que acompanha, ou com o qual dialoga, tenha sido abandonado por Deus, nem que seus membros estejam em um estatuto de salvação «gravemente deficitário». Não crê que ela seja a depositária da salvação, frente às religiões dos outros povos. Não pensa que ela representa «o povo de Deus». Não cifra seu êxito nas conversões que eventualmente se pudessem dar (nem se sentiria humilhada, se entre seus membros se desse alguma conversão à religião que antes chamávamos «missionada». Uma Missão que não se sente chamada apenas a dar, mas também a receber. Não quer dialogar só para ensinar, mas também para aprender. Uma nova espiritualidade missionária, certamente”.(Os destaques são meus).
 
Essas missões com história documentada podem exibir em muitos casos os testemunhos de missionários nos quais, quem sabe há apenas 50 o 60 anos, dominava ainda a convicção de que as religiões indígenas eram diabólicas, ou meras superstições, em todo o caso, algo a combater e a erradicar… A «conversão dos missionários» foi, nesse ponto, realmente radical. Não deixa de haver hoje quem considera que nas outras religiões não há fé, mas só simplesmente «crenças»… Porém, em geral, hoje os missionários não só valorizam altamente a religião do povo a que estão acompanhando, senão que se interessam por conhecê-la e até em vivê-la, e cada vez mais é mais freqüente o caso de «dupla pertencença» religiosa, sem conflito”.
Dizendo isso, Padre Vigil defende explicitamente a apostasia.
 
Contou-me um médico de Roraima, que, nos últimos trinta anos, as missões ditas católicas nesse estado não teriam realizado um Batizado sequer. Mas que alguns padres adotaram a religião selvícola, passando a viver como os índios da região.
 
Padre Vigil, escapa para explicações brumosas para evitar se confessar expessamente um relativista
Paul Knitter, «os cristãos estão aprendendo que para que algo seja verdadeiro não é preciso que seja absoçuto [xvii] , e que uma cosa é o relativismo em seu sentido negativo de ceticismo ou indiferentismo, e outra é a relatividade, que, por contraposição ao absolutismo, nos faz realistas, moderados e respeitosos para com a realidade. Para evitar um suposto relativismo, não podemos deixar-nos levar ao absolutismo, mas temos que mantener-nos serenos na aceitação da relatividade”.
O que move os novos missionários não é o zelo pela salvação das alamas. Não os preocupa o céu ou o inferno, mas apenas a instalação do comunismo por meio da Revolução marxista:
 
O missionário de espírito latino-americano não sente aquela lacerante angústia dos missionários clássicos, devorados pelo zelo da salvação das almas, e desesperados pelo espetáculo dos milhões de almas que diariamente viam cair no inferno”.
Padre Vigil confessa que não é o zelo apostólico de um São Francisco Xavier que move os novos “missionários” marxistas e castristas:
Francisco Xavier foi às Índias Orientais movido por seu convencimento – comumn em sua época – de que quem não conhecia a Jesus Cristo não alcançava a salvação plena [xxi]”.
Padre Vigil confessa rotundamente que foi o Vaticano II que mudou a doutrina da Igreja sobre a salvação:
“Quando o Concílio Vaticano II começou a pensar o contrário disso, houve missionários que entraram em crise: «se esses povos podem salvar-se sem necessidade da Igreja, que sentido tem a Missão?». Teve-se que encontrar uma nova resposta para o sentido da Missão, que já não era que «a Missão é a única via de salvação para os povos pagãos», mas que a Missão continua tendo sentido, ainda que não seja o sentido de que sem ela não há salvação para os pagãos. Ainda que todos os povos tenham contato direto com Deus em sua própria religião, sempre terá sentido «sair» para as outras religiões para estabelecer um diálogo religioso para, nele, «dar e receber». 
Por isso, a nova “missão” comunista, renega e combate o que fizeram os missionários católicos no passado, convertendo e civilizando os selvícolas.
 
a Missão latino-americana tem muito presentes os pecados originais em que foi concebida neste Continente, e evita com toda a sua alma cair neles de novo. Trata-se de uma espiritualidade criticamente escarmentada – no sentido positivo da palavra – penitencialmente arrependida, e eficazmente convertida”.
Depois de tantos séculos em que a Igreja tratou de «civilizar», de «aculturar», de «amansar», «reduzir» os indígenas, a nova Missão adota há tempos na AL as atitudes contrárias: aceitação e estudo e respeito pela cultura indígena, promoção da mesma… Exatamente o contrário do que se fez durante séculos. A maioría das missões com historia documentada podem testemunhar uma autêntica conversão, nesse ponto”. (Destaque meu).
 
A EML não se honra em lutar pela Cristandade. Não luta por ela. Antes pelo contrário, se renega a Cristandade, e se proclama trabalhar pela Humanidade. Servir o Homem, como disse Paulo VI no encerramento do Vaticano II:
 
“Não se fazem colocações triunfalistas, nem se pretende voltar a situações de cristandade. 
“A Missão é «Missão pelo Reino», e o misionário o é também. A Missão não é principalmente um centro institucional, nem o missionário é um funcionário. Um e outro são, a seu modo, militantes utópicos, pela Causa de Jesus, que é a Causa de Deus e a Causa da Humanidade”.
A auto intitulada “Missão latino-americana”, em nome do Vaticano II, escandalosa e escancaradamente renega o passado católico:
“A Missão latino-americana, comprometida com o Reino, «para que todos tenham vida en abundância» (Jn 10,10), e desimpedida de todos esses presupostos teológicos precedentes, é filha también do espírito amplamente ecumênico do Concílio Vaticano II, que nos convidava a que «gostosos, colaboremos com quem busca idênticos fins”.
 
(…) 
 
É de ontem que os missionários não desprezem a religião alheia. De ontem é que a valorizem, que a estudem e sobretudo que a vivam. É de ontem que tomamos consciência de que toda formulação em relação ao absoluto de Deus é relativa. É de ontem – o quiçá seja mais bem de amanhã – que o missionário vá sem a segurança avassaladora de quem se sabe na posse da única verdade, da única salvação e a mediação do único mediador”.
Padre Vigil afirma que os novos missionários são indiferentistas e relativistas em matéria de religião, e que já não está seguro de que a única salvação está na Igreja e nem que haja um único Redentor: Nosso Jesus Cristo.
 
A EML renega Cristo como nosso único Redentor.
 
Padre Vigil e a Espiritualidade Latino Americana são apóstatas. Padre Vigil e a Teologia da Libertação renegaram a Jesus Cristo. E fizeram isso alegando o ecumenismo do Vaticano II, que os levou ao relativismo e ao indiferentismo. Exatamente como os Papas pré conciliares haviam dito: a liberdade religiosa conduz ao indiferentismo, ao relativismo e à apostasia. É o que vemos acontecer hoje, em nome da “pastoralidade” instituída pelo Vaticano II.
 
São Paulo, 29 de Novembro de 2007
 
 
DOCUMENTO
 
Traços da Espiritualidade Missionária desde a América Latina
(http://www.sedos.org/spanish/vigil_3.htm )
 
José Maria Vigil
 
            Falamos de “espiritualidade” como espírito, força, vontade, sentido que move, paixão que impulsiona e arrasta(1). Falamos de espiritualidade “missionária”, não no sentido amplo de evangelizadora ou apostólica, nem sequer no sentido mais concreto de crítica profética (em contraposição à estabelecida ou de cristandade (II), mas no sentido específico de ad gentes, direcionada a não cristãos. E dizemos de espiritualidade missionária “desde a América Latina”, não tanto como desde um Continente físico concreto—ainda que também nesse sentido- mas mais como desde um Continente utópico, um lugar que não está em nenhum local, porém que habita mentes e corações, que orienta vontades e lutas, e se constitui em uma geografia espiritual e uma mística geográfica. Sim, América Latina, o Continente que mais sinais de identidade (III) emite, que tem patrimônio e marca próprios no mundo “missionário”(ad gentes, enquanto não digamos outra coisa), por mais que não sejam percebidos por muitos – por muitíssimos—a América latina seja toda ela católica, com somente uma porção de cristãos de outras confissões. A missão ad gentes existe na AL, acontece, está aí, principalmente junto ao mundo indígena, e fez nos últimos 40 anos um percurso de maturação que lhe é característico.
 
            Dessa “característica latino-americana» da espiritualidade missionária é de que vou tratar. Porque na América Latina, como em todas as partes, há de tudo. Porém, muito daquilo que aquí existe não é «latino-americano». Ainda que aconteça aqui e viva aqui, vem de outra parte, depende de outro lugar, e se move com referências estrangeiras. Aqui também, «nem todos os que estão, são, nem estão todos os que são». Não possuem espírito latino-americano todas as missões físicamente situadas no Continente, nem deixa de ter muita espiritualidade missionária «de espírito latino-americano» fora do mesmo. 
Essa característica latino-americano da espiritualidade missionária de nossas latitudes, esta «espiritualidade missionária latino-americana» (EML), é recente, não é de sempre. A espiritualidade missionária que aconteceu em nosso Continente, durante séculos, foi, como em toda parte, importada da Europa. Durante quatro séculos e meio AL não pronunciou sua palavra. Entretanto no Concílio Vaticano II falaram as Igrejas do primeiro mundo, diante do quórum silencioso das Igrejas do Terceiro Mundo – e concretamente as latino-americanas[vii][iv]. Porém os tempos iam mudar, e nos últimos 40 anos – por obra e graça do estímulo do Vaticano II, certamente – AL pronunciou sua palavra, recuperou sua identidade tornou transparente seu espírito, em uma nova espiritualidade missionária na AL. Dessa EML dos últimos 40 anos é doa que queremos falar.
Fa-lo-emos, abordando primeiro os grandes fundamentos ou eixos que articulam, como sua estructura teológica a EML. Logo nos referiremos mais descritivamente aos traços ou atitudes nos quais esses fundamentos se manifestam na vivência espiritual e práxica.
I. Fundamentos teológicos da EML
• Leitura histórico-escatológica da realidade
É importante captar isso. Toda espiritualidade, toda vivência cristã, está inserida – conscientemente ou não – em uma cosmovisão teológica, em uma estrutura de pensamiento, em uma determinada «leitura» do cristianismo. Para um especialista, basta um texto, um fragmento de uma pregação, uma resposta d catecismo, ou uma oração da religiosidade popular… para poder captar o paradigma teológico a que pertencem.
Paradigmas teológicos ou tipos de leituras do cristianismo há muitas, Porém, podemos sintetizá-las e enumerá-las brevemente[viii][v]:
a) A leitura doutrinal-teórica do cristianismo: essa é antes de tudo uma Verdade  revelada, que deve ser acolhida com fé, com adesão intelectual e sem desvios não ortodoxos. É a Verdadee que salva ao ser humano, verdadee que deve ser difundida e propagada missionariamente.
b) A leitura moralista concebe a religião como uma prova moral que Deus colocou para os homens, que se disputa entre o bem e o mal, entre o pecado e a graça, e nos leva a um prêmio ou castigo eterno em função de nosso comportamento premortal.
c) A leitura ontológico-metafísica coloca a salvação em um plano separado, meta-físico, mediado sacramentalmente. A salvação é sobrenatural e está presente na vida da graça. A salvação vem ao ser humano pela participação nesse outro plano ou mundo verdadeeiro, de cujas chaves a Igreja é a depositária.
d) A leitura histórico-escatológica concebe a realidade fundamentalmente como história de salvação. «Deus tem um sonho»[ix][vi], Ele o pôs em marcha com a criação, e o propôs aos homens como Utopía e como tarefa. A Missão do ser humano é realizar essa Utopía (o «Reino», em palavras de Jesus ) neste mundo. A escatología e a encarnação não são duas direções opostas: não se trata de fugir para o céu, mas sim de construi-lo na terra. A história da salvação não é uma teoría, mas sim a salvação da história, da única história (não há duas, uma sagrada e outra profana). [EML]
Sobre cada um desses fundamentos se constróem espiritualidades bem diversas. A EML está claramente fundamentada na quarta dessas leituras que tratamos de distinguir [x][vii]. A Missão que tem na mente e no coração a EML, não é, antes de tudo, como o foi durante tantos séculos, uma «comunicação da verdade», proclamação da noticia, anúncio do Evangelho, como é a Missão contemplada no primeiro modoo; nem tãopouco é a Missão motivada pelo «zelo da salvação das almas» dos pagãos, que estaríam em grave perigo de condenação, d segundo modoo; nem é a Missão urgida pela «implantação da Igreja», única mediação capaz de fazer os povos serem participantes da graça de Deus por meio de seus sacramentos, do terceiro mundo.
A Missão que anima a EML é uma Missão que quer inserir-se na “própria Missão de Deus», que tem um sonho sobre a Humanidade e já o colocou em marcha. A Missão construída sobre um paradigma ou uma leitura histórica do cristianismo é entendida como um «viver e lutar pela Causa de Jesus », um generoso e denodado esforço por colaborar com Deus na realização de seu projeto de salvação da Humanidade e do mundo. A aproximação e o diálogo com outros povos e com outras religiões está inserido nesse mesmo objetivo de alcance histórico, dentro da larga marcha dos povos em direção à utopía do sonho de Deus.
Desde essa leitura do cristianismo está incluida a praxis da fé que se esforça por transformar a realidade, o sentido integral (não dualista) da realidade, a valorização da realidade histórica e de seu significado salvífico. Um intento pois muito encarnado, muito histórico e, ao mesmo tempo, muito escatologizante (transformador da história em direção a seu futuro) caracteriza a EML.
• Reinocentrismo
    O reinocentrismo nasceu nas universidades do primer mundo, dado a luz por suas próprias evidencias exegéticas. Como espiritualidade e como teologia viva, o reinocentrismo adquiriu carta de cidadania na teología e na espiritualidade latino-americanas, e foi sem dúvida a contribuição principal que elas fizeram para o mundo e para a Igreja universal. Não é necessário recordar o que hoje é pacíficamente possuído em todo o cristianismo moderno. O Reino de Deus é o centro absoluto da pregação de Jesus, não só su ipssísima verba, senão también a ipssísima Intentio Iesu. Cento e vinte duas vezes aparece o Reino no Evangelio, 90 delas na boca de Jesus: la frecuencia más alta, a mucha distancia da siguiente. O Jesus    histórico é antes de tudo o profeta do Reino, uma vida e uma mensagem absolutamente centrada no Reino. Se trata de uma visião de Jesus  muito distinta da que se da en outras leituras do cristianismo [xi][viii]. O mais alto magistério oficial assumiu, pouco depois do Concilio Vaticano II, o reinocentrismo. «Sómente o Reino é absoluto, tudo o mais é relativo»[1][xii][ix]           Evangelii Nuntiandi, 8.
  É algo muito conhecido, ainda que não seja algo plenamente assimilado.
O reinocentrismo é a mudança teológica mais profunda que se deu no cristianismo nos últimos tempos. É a superação do eclesiocentrismo, a «cripto heresia» mais difundida e institucionalmente apoiada. E não é uma mudança acidental ou cosmética, um simples jogo de palavras ou um malabarismo conceitual; é uma alternativa radical. Muitas das afirmações, valorizações, implicações, supostas… próprias do eclesiocentrismo, são ajuizadas, deslocadas e até condenadas à luz do reinocentrismo. A teología e a espiritualidade latino-americanas – também a espiritualidade missionária – são esencial e indubitavelmente reinocêntricas.
Combinando a leitura histórico-escatológica do cristianismo com o reinocentrismo, a grande Missão do cristianismo (da qual a ação missionária é somente uma parte) é a acolhida e a construção do Reino de Deus na História. Esse é o ponto central, o absoluto, aquilo a cujo serviço está todo o demais, inclusive a própria Igreja.
Uma Missão alimentada por essa EML é uma «Missão pelo Reino». Não tem seu objetivo último na implantação da Igreja, como colocava, por exemplo, a famosa escola misionológica belga[xiii][x]da primera metade do século XX.
A EML pensa e sente e vive e olha para a Igreja como Igreja «a serviço do Reino». A Igreja – e, nela, a Missão missionária – tem que gastar sua vida na construção do Reino, e esse Reino tem que ser seu máximo empenho, ainda que nisso se arrisque a vida (ou seu prestigio, ou sua paz externa ou interna).
Extraindo conclusões concretas: o objetivo da Missão não são as «conversões» para a Igreja, senão a acolhida e a construção do Reino. Claro que não se excluem as conversões, Porém não são elas o ponto de mira, a justificação única. Conheço equipes pastorais de Missão nesta linha que no diálogo com suas hierarquias se encontran periódicamente com a dificuldade; afinal o Bispo acaba sempre preguntando: «muito bem, Porém quantos batismos se conseguiram fazer?». No paradigma clássico, a Missão era – de fato – proselitismo[xiv][xi]. Desde o cruzamento das duas citadas leituras ou paradigmas, a Missão tem outro objetivo.
• Opção pelos pobres
Diz Leonardo Boff que a opção pelos pobres é a opção mais grave que a Igreja tomou depois da Reforma Protestante. Um divisor de águas. Duas vertentes, duas maneiras de olhar o mundo, de situar-se ante a história, e de ler o cristianismo. Porém não uma opção como algo adventício, como uma «novidade» que se tivesse  que se justificar, senão como o redescobrimento do mais velho, do que está precisamente no mais original do Deus bíblico, que se revelou a sí mismo na experiência religiosa dos «hapirús», aquela revolução agrário-camponesa do século XIII a.C. que se rebelaram contra o Deus do Faraó, Deus do Império e da opressão. O Deus de «Isra-El»[xv][xii]foi o Deus dos hapirús, tã oprimidos que nem sequer estavam incluidos na sociedade das Cidades-Estado do Canaã de então. A carta de apresentação com que o Deus bíblico se apresentou em sua entrada na história foi, nem mais nem menos que sua opção pela justiça e pela fraternidade, porque essa é a verdadeira sustância bíblico-teológica da opção pelos pobres. Porque não é que Deus faça uma opção «facultativa» (que pudesse não ter feito), ou «voluntarista» (caprichosa, arbitrária, pelos pobres Porém que podeira ter sido pelos ricos), ou «acidental» (sem conexão essencial com seu próprio ser, que elegeu aos pobres por uma «preferência» por simpatía ou por misericordia), mas sim uma opção que emana de seu mesmo ser, que não podía deixar de fazer, e que não poderia ser de nenhuma outra maneira. Teológicamente, Deus, que é Amor, também «é» opção pela Justiça, e portanto pelos injustiçados[xvi][xiii], e contra os injustos.
Como dissemos, essa opção não é uma virtude lateral, um anexo, nem sequer uma coisa importante Porém não central. Mais que de un elemento, se trata de uma dimensão, que se enraiza na própria essência do cristianismo e que o cruza transversalmente. Está radicada no próprio centro da natureza do Deus bíblico e, lógicamente, como não podía ser menos, no mismo centro da mensagem de Jesus . Uma das maiores marcas de gloria da teologia e da espiritualidade latino americana é que elas foram as que colocaram essa opção no cume da atenção da Igreja universal, e não só nem principalmente com suas reflexões teológicas, senão com sua espiritualidade, sua praxis histórica e seu abundante sange martirial.
A EML está transida de opção pelos pobres, com tudo o que isso implica. A Missão animada e vivida desde a EML recebe desta as mesmas características. É uma Missão na qual os pobres não são «objeto de amor»[xvii][xiv]preferencial, senão que são o principal «sujeto histórico» com o qual se dialoga e ao qual se dirigem as referências. A Missão animada pela EML nunca vai de braço dado com o Estado, nem com o poder, nem com o capital, nem com o latifundista… Entende que por esse caminho a atividad missionária se incapacita inevitavelmente para «levar a boa nova aos pobres». As missões «latino-americanas» não são neutras, nem imparciais, nem «estrictamente religiosas», nem «alheias ao político», nem sómente cuidadoras das «almas»… senão que estão junto aos pobres, aliadas com eles, porque é desde o lugar social dos pobres desde onde únicamente pode ser construído o Reino de Deus. A opção pelos pobres é uma «marca registrada» latino americana cujo influjo se ha extendido mucho más allá de los límites geográficos do Continente.
• Macroecumenismo e abertura ao pluralismo
Macro ecumenismo é o nome que na América Latina se deu à teología das religiões ou à sua espiritualidade correspondente. A nivel teológico não foi desenvolvido (como não o foram todas os ramos da teología latino-americana da libertação), Porém a nivel de espiritualidade chegou certamente a ser expresado[xviii][xv].
Como é sabido, o Concilio Vaticano II supôs o abandono oficial e definitivo da postura exclusivista e a entronização oficial do inclusivismo na Igreja católica. Pela mesma época, uma mudança semelhante foi realizada pelas Igrejas protestantes. Por sua parte o pluralismo apenas apareceu no horizonte; isso sim, cativante e muito disposto a entrar em sua batalha.
Se dizíamos, a principio, que estávamos nos referindo à EML dos últimos 40 anos, tenríamos que dizer que nesse ponto tanto a espiritualidade como a teologia latino-americanas não têm posições fixas, senão que estão em processo, em movimento. Creio que honestamente se pode reconhecer que a posição do primeiro «macro ecumenismo» latino-americano foi a posição mais aberta – na Igreja católica ao menos — dentro do inclusivismo reinante, sem deixar de ser realmente inclusivismo. A teología e a espiritualidade latino-americanas se distinguiram por sua abertura e seu diálogo e seu reconhecimento das religiões indígenas do continente, por uma parte, e para com os militantes não crentes, por outra. O «ateu revolucionário» foi um interlocutor privilegiado da teología da libertação, por exemplo. No fundo, não se chegou à superação teórica do inclusivismo nessa relação de interlocução, Porém, sim, a uma superação prática. Como digo, provavelmente estivemos naqueles anos no «inclusivismo mais aberto» dos que se deram nesse tempo, no cristianismo.
Porém, digo que estamos en movimento. Assim como nos elementos anteriormente expostos, podemos dizer que estamos em posições já maduras, estáveis e pacíficamente possuídas, neste tema não; estamos em movimento, e em movimento acelerado. Apesar do silêncio reinante e a falta de produção teológica — muito explicável pela situação eclesiástica atual-, já não há teólogo ou teóloga que não estejam desafiados pelo tema do pluralismo religioso, que é já, sem discussão, o novo paradigma com o qual toda a teologia e a espiritualidade se vêm na necessidade de confrontar-se. É todo o Continente o que está começando a despertar para esta nova dimensião[xix][xvi].
Por sua parte, a EML se está abrindo, em primeiro lugar, para a valorização positiva da pluralidade religiosa. Essa seria a mudança principal, o grande avanço: de uma valorização milenariamente negativa da pluralidade religiosa (a pluralidade de religiões era tida como uma não complementação do plano de Deus, à espera de ser sub curada pela «conversão» dos pagãos à religião verdadeira) estamos passando para uma valorização positiva (se passa a afirmar que a pluralidade de religiões foi e é querida por Deus, e que não obedece a seu designio essa expectativa que nos temos auto imposto de acabar com a pluralidade pela extensão e imposição de nossa religião sobre todas as demais).
O segundo grande passo, conseqüência em parte do primeiro, é o convencimento progressivo de que «não há eleitos privilegiados». Isso pode parecer muito duro, como o é para o menino ou a menina a crise de «destronamento» pela qual passa quando le chega seu primeiro irmãozinho ou irmãzinha. Com sua evolução para um pensamento cada vez mais inclinado ao pluralismo, o cristianismo está passando pela crise de aceitar a plausibilidade da hipótese de que talvez não sejamos os eleitos, o povo de Deus, «a» religião verdadeira, os messianicamente chamados a salvar o mundo… ou que, ao menos, não o sejamos como sempre o havíamos entendido.
Os guardiães da ortodoxia faz tempo que puseram em guarda contra o relativismo que segundo eles levaria à aceitação da pluralidade religiosa como desejada por Deus; o sentido missionário do cristianismo perdería sua base e sua motivação… Porém, como diz Paul Knitter, «os cristãos estão aprendendo que para que algo seja verdadeiro não é preciso que seja absoçuto »[xx][xvii], e que uma cosa é o relativismo em seu sentido negativo de ceticismo ou indiferentismo, e outra é a relatividade, que, por contraposição ao absolutismo, nos faz realistas, moderados e respeitosos para com a realidade. Para evitar um suposto relativismo, não podemos deixar-nos levar ao absolutismo, mas temos que mantener-nos serenos na aceitação da relatividade. O tema é muito amplo e não é éste o lugar para aprofundá-lo [xxi][xviii].
Uma Missão impulsionada por esta EML, ainda que não seja muito diferente da Missão clássica latino-americana, é inspirada por linhas de força que agora se confirmaram frente ás intituições das décadas passadas. Não é uma Missão que crê chegar a lugares desprovidos de salvação (lugares que estariam numa espécie de «vazio soteriológico»). Não pensa que o povo a que acompanha, ou com o qual dialoga, tenha sido abandonado por Deus, nem que seus membros estejam em um estatuto de salvação «gravemente deficitário». Não crê que ela seja a depositária da salvação, frente às religiões dos outros povos. Não pensa que ela representa «o povo de Deus». Não cifra seu êxito nas conversões que eventualmente se pudessem dar (nem se sentiria humilhada, se entre seus membros se desse alguma conversão à religião que antes chamávamos «missionada». Uma Missão que não se sente chamada apenas a dar, mas também a receber. Não quer dialogar só para ensinar, mas também para aprender. Uma nova espiritualidade missionária, certamente.
Ainda que sem espaço suficiente para poder justificar o que temos dito[xxii][xix], eis aqui os fundamentos teológicos maiores da espiritualidade missionária desde a América Latina. Completemos isto com uma descrição mais pedestre dos traços de espiritualidade que tais fundamentos produzem.
 II. Traços ou atitudes da EML
• Atitude contemplativa
A fé nos dá uma visão contemplativa da realidade. E esta fe tamizada por la EML da uma visião contemplativa muito especial. O missionário de «espírito latino-americano» tem capacidade para «ver», para discernir a marcha ascendente do Reino na história, na única história (sagrada e profana, sem dualismos), desde os pobres como sujeitos prediletos, em uma ascensão paralela e convergente dos povos, das religiões, dos movimentos sociais… todos sob a ação do Espírito. Esse misionário não se sente angustiado nem superado pela magnitude da obra da conversão dos povos, mas, contempla com gozo a ação insondável e incontenível do Espírito, que antes e à margem da cheegada da Missão, atúa nos povos, os impele, os conduz, e os inspira. É capaz de contemplar a presença de Deus nos processos sociais, nas lutas dos pobres, inclusive em seus retrocessos, nos esforços de tantos militantes generosos, inclusive ainda quando se manifestam como distantes de um Deus confessado, ou de uma Igreja, ou de uma religião reconhecidas.
• Otimismo soteriológico
O missionário de espírito latino-americano não sente aquela lacerante angústia dos missionários clássicos, devorados pelo zelo da salvação das almas, e desesperados pelo espetáculo dos milhões de almas que diariamente viam cair no inferno. Durante séculos ou milênios, a situação não pode ser mais pessimista. Todavía, no Congreso sobre Missões de Chicago em 1960 (protestante) se dava por suposto que «nos 15 anos transcorridos depois da segunda guerra mundial mais de mil milhões de pessoas passaram à eternidade, e mais da metade delas foram ao fogo eterno sem ter escutado o nome de Jesus Cristo»[xxiii][xx]... Francisco Xavier foi às Índias Orientais movido por seu convencimento – comum em sua época – de que quem não conhecia a Jesus Cristo não alcançava a salvação plena[xxiv][xxi]. E o jansenista Saint-Cyran, gritava em uma espécie de entusiasmo e horror sagrados: «Não cai nem uma só gota de graça sobre os pagãos»[xxv][xxii]. Quando o Concílio Vaticano II começou a pensar o contrário disso, houve missionários que entraram em crise: «se esses povos poden salvar-se sem necessidade da Igreja, que sentido tem a Missão?». Teve-se que encontrar uma nova resposta para o sentido da Missão, que já não era que «a Missão é a única via de salvação para os povos pagãos», mas que a Missão continua tendo sentido, ainda que não seja o sentido de que sem ela não há salvação para os pagãos. Ainda que todos os povos tenham contato direto com Deus em sua própria religião, sempre terá sentido «sair» para as outras religiões para estabelecer um diálogo religioso para, nele, «dar e receber».
• Atitude penitencial
Herdeira da postura crítica da espiritualidade libertadora, a Missão latino-americana é também crítica de seu propio passado. Com vários séculos de evangelização missionária atrás de si, de braço dado com o Patronato Régio, do Estado colonial depois[xxvi][xxiii], dos poderes locais sempre, do latifundio e do capital, a Missão latino-americana tem muito presentes os pecados originais em que foi concebida neste Continente, e evita com toda a sua alma cair neles de novo. Trata-se de uma espiritualidade criticamente escarmentada – no sentido positivo da palavra – penitencialmente arrependida, e eficazmente convertida. Não se fazem colocações triunfalistas, nem se pretende voltar a situações de cristandade.
• Desapego institucional
A Missão é «Missão pelo Reino», e o misionário o é também. A Missão não é principalmente um centro institucional, nem o missionário é um funcionário. Um e outro são, a seu modo, militantes utópicos, pela Causa de Jesus, que é a Causa de Deus e a Causa da Humanidade. Não tem interesses própios, nem instititucionais. Seu interesse máximo, seu absoluto é o Reino, não suas mediações. Sua paixão maior é fazer que reine o amor de Deus em tudo, e que todas as mediações e instituições se rendam inteiramente a seu reinado, e se coloquem completamente a seu serviço. Por isso, nem uma, nem outra são eclesiocêntricas, nem procedem com outros intereses que não sejam o bem do outro a que nos dirigimos.
• Atitude positiva de colaboração
A Missão latino-americana, comprometida com o Reino, «para que todos tenham vida en abundância» (Jn 10,10), e desimpedida de todos esses presupostos teológicos precedentes, é filha también do espírito amplamente ecumênico do Concílio Vaticano II, que nos convidava a que «gostosos, colaboremos com quem busca idênticos fins»[xxvii][xxiv], assim como do espírito dAquele que já dijsse antes: «quem não está contra nós, está com nós» (Mc 9,40). O chauvinismo, o espírito de competição e de rivalidade, as pretensões de protagonismo ou de exclusividade… não são próprias da Missão latino-americana.
• Inculturação
Há missões em algumas partes que estão «por cima do mundo», à margem da localização em que se encontram, como obedecendo a um patrão «universal» (com freqüência «europeu» na realidade). Na Ásia o problema é que as missões são o corpo de uma «Igreja na Asia» Porém não «da Ásia». A Missão latino-americana em geral reivindica seu carácter autóctone ou encarnado, tem em conta a situação do Continente e do mundo, e, conforme a metodología típica latino-americana, «parte sempre da realidade, para só depois «julgar e agir». A IV Conferencia do CELAM introduziu oficialmente no magistério eclesiástico latino-americano o tema da inculturação. Depois de tantos séculos em que a Igreja tratou de «civilizar», de «aculturar», de «amansar», «reduzir» os indígenas, a nova Missão adota há tempos na AL as atitudes contrárias: aceitação e estudo e respeito pela cultura indígena, promoção da mesma… Exatamente o contrário do que se fez durante séculos. A maioría das missões com historia documentada podem testemunhar uma autêntica conversão, nesse ponto.
• Valorização da religião do povo acompanhado
Essas missões com história documentada podem exibir em muitos casos os testemunhos de missionários nos quais, quiçá há apenas 50 o 60 anos, dominava ainda a convicção de que as religiões indígenas eram diabólicas, ou meras superstições, em todo o caso, algo a combater e a erradicar… A «converssão dos missionários» foi, nesse ponto, realmente radical. Não deixa de haver hoje quem considera que nas outras religiões não há fé, mas só simplesmente «crenças»… Porém, em geral, hoje os missionários não só valorizam altamente a religião do povo a que estão acompanhando, senão que se interessam por conhecê-la e até me vivê-la, e cada vez mais é mais freqüente o caso de «dupla pertencença» religiosa, sem conflito. O diálogo de religiões não é um diálogo externo de representantes oficiais das religiões, seno que é o diálogo que as próprias religiões entabulam no coração de cada crente [xxviii][xxv], começando pelos próprios missionários...
• Humildade
A humildade, como virtude ascética é muito velha, Porém como atitude presente na atividade missionária é muito recente, apenas de ontem. É de ontem que os missionários não desprezem a religião alheia. De ontem é que a valorizem, que a estudem e sobretudo que a vivam. É de ontem que tomamos consciência de que toda formulação em relação ao absoluto de Deus é relativa. É de ontem – o quiçá seja mais bem de amanhã – que o missionário vá sem a segurança avassaladora de quem se sabe na posse da única verdade, da única salvação e a mediação do único mediador. Depois de tantos séculos na atitude contrária, esta cura de humildade não pode ser saudada senão com a maior esperança
Evidentemente, não poucos destes traços de espiritualidade missionária desde AL serão comuns à espiritualidade missionária de outras latitudes. Porém em conjunto são, certamente, sinais de identidade da espiritualidade missionária deste Continente, para bem de outras Igrejas, do cristianismo e do Mundo.

 

 
 


[i][vi]      Declaracião final da «Assembléia do Povo de Deus», Quito 1992. O texto pode ser visto na Agenda Latino-americana dos anos 1993 e 2003 (pág. 192).
[ii][ix]     Evangelii Nuntiandi, 8.
 
[iii][xiii]Em outros lugares sustentou que a opção não é – expressando-o teologicamente – pelos pobres, senão pelos injustiçados.
[iv][xvi]A Agenda Latino-americana’2003 dedicou o ano ao tema do diálogo e do pluralismo religiosos.
[v][xvii]Paul KNITTER, No Other Name?, Orbis, New York 1992, 219.
[vi][xxi]Apesar da opinião contrária de F.A. SULLIVAN, ¿Hay salvação fuera de la Iglesia?, Desclée, Bilbao 1999, pág 104.
[vii][iv]   A espiritualidade missionária que reflete a Declaracião Ad Gentes é bastante tradicional-européia.
[viii][v]   Desenvolvi esse ponto mais amplamente em “Mudança de Paradigma na Teologia daLlibertação?, «Christus», 701(agosto 1997)7-15, México; RELaT n. 177, em http://servicioskoinonia.org/relat/177.htm
[ix][vi]    Declaracião final da «Assembléia do Povo de Deus», Quito 1992. O texto pode ser visto na Agenda Latino-americana dos anos 1993 e 2003 (pág. 192).
[x][vii]    Sua separação é apenas metodológica; na realidade não se costumam dar em estado puro. Poder-se-ía fazer referência ao modo eclesiástico-institucional, ao eclesiocêntrico, e ao modo cristomonista ou cristocéntrico…
[xi][viii]Por exemplo, o Cristo Pantócrator, o Cristo rei universal, o divino Redentor ofendido pelos pecados do mundo, o mestre religioso, o Juiz universal, o Cristo eucarístico, o divino prisioneiro do sacrário…
[xii][ix]   Evangelii Nuntiandi, 8.
 
[xiii][x]   De Lovaina, do P. Pierre Charles, escola que foi chamada de a «plantação» da Igreja.
[xiv][xi] A palavra não tem sentido negativo de per sí, senão apenas em alguma de suas acepções.
[xv][xii] Nome teofórico, que significa «Deus lutará junto conosco», com os pobres.
[xvi][xiii]Em outros lugares sustentou que a opção não é – expressando-o teologicamente – pelos pobres, senão pelos injustiçados.
[xvii][xiv]Vimos de uma tradição secular, na qual a Igreja quis muito aos pobres, porém como «objetos» (os «pobres-objeto»), não como «sujeitos». Enquanto sujeitos históricos, a Igreja institucional tem uma debilidade inveterada pela burguesía e pelas classes dominantes em geral.
[xviii][xv]           O citado livro Espiritualidad de la liberacião de CASALDÁLIGA-VIGIL, publicado na maior parte dos países latino-americanos (livro que se propunha não apresentar uma teoría ou uma espiritualidade dos autores, senão recolher, o mais fielmente possível, a espiritualidade que se vivía no Continente), há um capítulo intitulado Macroecumenismo. O termo fez fortuma e veio a expressar a peculiar atitude frente ao pluralismo religioso adotada pela espiritualidade latino-americana.
[xix][xvi]A Agenda Latino-americana’2003 dedicou o ano ao tema do diálogo e do pluralismo religiosos.
[xx][xvii]Paul KNITTER, No Other Name?, Orbis, New York 1992, 219.
[xxi][xviii]Recomendamos o «Curso de teología do pluralismo religioso» que os Servicios Koinonía põem em linha, en http://servicioskoinonia.org/teologiapopular
[xxii][xix]Pode consultar-se o recém publicado livro de ASETT (Asociacião Ecuménica de Teólogos y Teólogas do Tercer Mundo), Por los muitos caminos de Deus. Desafíos do pluralismo religioso a la teología de la liberacião, Verbo Divino, Quito 2003, Prólogo de Pedro Casaldáliga.
[xxiii][xx]           Messages Doivered at the Congress on World Mission, Chicago 1960, ed. By J.O.Percy, p. 9.
[xxiv][xxi]Apesar da opinião contrária de F.A. SULLIVAN, ¿Hay salvação fuera de la Iglesia?, Desclée, Bilbao 1999, pág 104.
[xxv][xxii]Citado por Ángel SANTOS, Teología sistemática de la misión, Verbo Divino, Estella 1991, 255.
[xxvi][xxiii]Quando se dizía aos missionários que tinham que fazer simultáneamente «Igreja e Pátria» (da Metrópole).
[xxvii][xxiv]Gaudium et Spes 43, 93, 16, 92, 57, 90, 77, 78; AG 12; AA 14.
[xxviii][xxv]R. PANIKKAR fala do «intradiálogo». The Intrareligious Dialogue, New York, 1978; Il diálogo intrareligioso, Citadola Editrice, Assisi 1988, 2001.
 
Ref.: Texto e pedido de publicação do autor. Maio 2004.

    Para citar este texto:
"O Manifesto da Apostasia"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/manifesto_apostasia/
Online, 18/08/2017 às 20:57:51h