Igreja

Bento XVI e o levantamento das excomunhões: por que tanta ambiguidade?
Olivier Figueras

 
[Monde & Vie] Entrevista com Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X
 
Entrevista concedida a Olivier Figueras - Monde & Vie,  n. 806 – 31 de janeiro de 2009, página 17
 
Imagina-se que o Superior Geral da Fraternidade São Pio X esteja sobrecarregado neste momento. Durante a breve entrevista que pode nos conceder, durante sua passagem por Paris, seu telefone não parava de tocar. Mas ele revela aqui o essencial do que é preciso saber para compreender qual será a seqüência dos acontecimentos. Uma reintegração plena e inteira da FSSPX na hierarquia romana parece agora ao alcance da mão.
 
Vossa Excelência esperava esse levantamento da excomunhão?
 
Eu o esperava desde 2005, desde a primeira carta de pedido de levantamento da excomunhão que eu tinha endereçado, a pedido mesmo de Roma. Porque é claro que Roma não pediria essa carta para recusar o levantamento da excomunhão. Quanto ao momento em que isso se passou, eu não esperava. Nestes últimos meses, após a questão do ultimato, mesmo depois que ela foi absorvida [em Roma], nós sentíamos uma certa frieza. Depois eu escrevi a carta de 15 de novembro, que é mencionada no decreto e na minha carta aos fiéis...
 
Esse decreto é um sinal da boa vontade do Papa?
 
Eu o atribuo em primeiro lugar à Nossa Senhora. Eis um sinal manifesto, com uma resposta quase imediata. Eu tinha acabado de me decidir ir à Roma para levar o resultado do ramalhete de rosários que nós tínhamos lançado em Lourdes, com esta intenção explícita, quando recebi um chamado de Roma, convidando-me a aparecer.
 
A alegria que Vossa Excelência sente hoje é temperada pelo que falta do caminho a percorrer?
 
É muito cedo ainda para dizer. Acaba de se passar um acontecimento de enorme importância, pelo qual nós estamos verdadeiramente reconhecidos, mas é muito difícil avaliá-lo no momento. Não vemos ainda todas as implicações. Há ainda muito trabalho, mas nós temos realmente uma grande esperança de uma restauração da Igreja.
 
A partir de quando houve essa mudança em suas relações com Roma?
 
A partir da chegada do Papa atual. Eu invoquei inicialmente a Santíssima Virgem, mas, no plano humano, é preciso não ter medo de atribuir a Bento XVI o que acaba de se passar. É o começo de alguma coisa, que já começou com o Motu Proprio. Eu penso que o Papa estima o trabalho que nós fazemos.
 
Nessa história, esse movimento, alguns achavam que Vossa Excelência andava devagar demais. Acha hoje que outros, particularmente dentro da Fraternidade São Pio X, possam considerar que Vossa Excelência anda depressa demais?
 
Não posso excluir totalmente, mais se houver separações, elas serão extremamente mínimas.
 
 
Pensa Vossa Excelência que a situação vai se compor primeiramente em um plano prático?
 
Até aqui nossa linha de conduta foi de esclarecer primeiramente os problemas doutrinais – mesmo se não se trata de resolver absolutamente tudo, mas de obter um esclarecimento suficiente – senão estamos arriscando fazer as coisas pela metade. Ou fazer com que isso acabe mal.
 
E pensa Vossa Excelência que, além de Roma, seus contatos vão se intensificar?
 
É essa a finalidade, como eu expliquei em Roma, dizendo que a situação como nós a propomos é certamente provisória, mas ela é pacificadora e permitirá, lentamente, nos aproximarmos de todas as almas de boa vontade. Isso se fará, portanto, gradualmente. E isso dependerá também das reações do outro lado. Mas, não há a priori, o único a priori é o da Verdade e da Caridade.
 
[Tradução: Montfort. Texto original em francês do site Eucharistie Miséricordieuse ]
 

    Para citar este texto:
"Bento XVI e o levantamento das excomunhões: por que tanta ambiguidade?"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/levantamento-excomunhao-ambiguidade/
Online, 22/07/2017 às 17:48:04h