Igreja

Sermões heréticos de mestres de fábulas ou De como ensinam heresias aos padres
Orlando Fedeli

< "Virá tempo em que não suportarão a sã doutrina,
mas multiplicarão, para si, mestres segundo os seus desejos,
movidos pelo prurido de ouvir, afastarão os ouvidos da verdade
e os aplicarão às fábulas"
(São Paulo, II Epist.a Tim. IV, 3-4).

Introdução

Uma boa senhora me procurou, pedindo-me ajuda, corrigindo-lhe um texto que preparara para uma palestra que ela daria, em sua paróquia - ela dizia em "sua comunidade"...

Perguntando-lhe eu, em que livros ela se baseara, ela me entregou um volume intitulado Homilias Especiais, obra de Vários Autores (Editorial Perpétuo Socorro, Porto, Portugal, 1976).

A senhora era uma professora de boa intenção. O texto era um desastre. O livro, um abismo de heresias.

No "Quadro de Autores", desse poço sem fundo de absurdos doutrinários, cavado por "vários autores", apareciam os seguintes nomes: Agostinho Sanches, Alcindo Costa, Américo Martins Veiga, Antônio Gomes Dias, Gregório Martins Alexandre, João Augusto Antunes Vaz, João Manso Martins, José Palos Fernandes, José Pedrosa Cardoso, Leonel de Oliveira, Manuel Bernardo dos Santos, Manuel Lopes da Silva, Manuel Peixoto, Manuel Ribeiro da Rocha, Pedro Lopes Quinteiro, Silvério da Silva.

Nenhum desses nomes era precedido do título "Padre". Mas, desconfio, pela natureza do tema homilias de que todos, ou muitos deles, sejam sacerdotes. Como desconfio que, além de omitir o seu título, se forem realmente padres, desconfio que eles também não usem batina nunca.

Essa minha desconfiança provém de que, após o Vaticano II, muitos sacerdotes começaram a não permitir que se lhes beijasse a mão, ao se lhes pedir a bênção. Quando se lhes pedia, ou se lhes pede a bênção, eles forçam a mão para baixo, como se tivessem vergonha de terem a mão consagrada beijada, como se essa mão sacerdotal não tivesse tido a honra de segurar Deus, na Hóstia consagrada...

Uma segunda moda, que pegou como se tivesse sido dada uma ordem, foi a de ocultar o quanto possível o título de padre, como se ele fosse vergonhoso.

Terceira moda foi a de jamais usar batina. Começaram a usar o chamado "clergyman", que logo foi substituído por paletó, que foi trocado por camisas esportivas, e, hoje, alguns deles, infelizmente, se vestem como hippies. E todos querem parecer jovens e joviais. Até Bispos adotaram essa terceira moda. É o que se pode ver em qualquer foto de reunião da CNBB.

Essas modas envergonhadas da condição sacerdotal demonstram uma obnubilação da compreensão do que é ser sacerdote. E quem não sabe claramente o que é, não pode defender firmemente o que tem.

Em todo caso, quanto mais "envergonhado" é o padre, quanto mais ele é ... digamos, "tímido"-- eu ia dizer capitulante -- ele é diante do mundo, quanto mais igualitário ele quer parecer, tanto mais ele é cioso de que se acate a sua opinião, ainda que estapafúrdia, ou até mesmo herética, como se fosse dogma. Em nome da pastoralidade do Vaticano II. Em nome da tolerância e do diálogo. Já se viu maior intolerância do que a dos seguidores da tolerantíssima pastoral renovada e dialogante?

Do livro que citamos, os autores não deixaram claro se são sacerdotes ou não. Mas, por querer ensinar sermões a Padres, supõe-se que eles também o sejam.

E o livro é um escândalo. Um poço de heresias, um abismo de erros contra a Fé. Vendido em livrarias católicas.

Ora, tendo em vista o baixo nível de ensino dado nos seminários atualmente, compreende-se que muitos sacerdotes, não sabendo o que dizer em seus sermões, além de comentar política e fazer piadinhas sem graça, se socorram de obras que os ensinem a dizer alguma coisa. Daí a Editorial Perpétuo Socorro apresentar uma coleção especializada de "Obras de Pregação", intitulada "Antenas de Deus".

Se é verdade que pelo dedo se conhece o gigante, uma coleção que inclui um livro desse porte, temo que se pudesse julgá-la e chamá-la de a "Língua da Serpente", ou então "Coleção Chifres do Herege", em vez de Antenas de Deus, tantas heresias se acham lá dentro, pelo menos nesse volume.

Mas não culpemos a coleção por um de seus volumes. Não nos precipitemos, correndo o risco de fazer um juízo ... um tanto temerário.

Ou será que temerário é aceitar o título "Antenas de Deus"?

Como o livro emprega uma linguagem modernosa, usando e abusando de vocábulos em moda, os que o lerem vão engolir as heresias envolvidas no aparato terminológico de uma pseudo erudição filosófica e teológica. Palavras como "partilha", "comunidade", "amor"-- amor, como é de praxe em sermão moderno, em profusão e aos jorros --- "vivência", "existencial", "caminhada", "caminho", "caminhando", "diálogo", "espírito comunitário", "opção", "mistério" (na Igreja Nova, tudo virou "mistério"), "serviço", "justiça social", e, é claro, nunca podendo faltar a famosa e conhecida trilogia mais ou menos secreta: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade".

E será que tanto "amor" e tanta "liberdade, igualdade, e fraternidade" não pressagiam a próxima chegada da guilhotina ou, pelo menos, do Paredón?

Misturando-se todas essas palavras, pode-se fazer qualquer sermão dominical.

Desse livro, faremos uma crítica apenas de dois ou três pontos principais e mais danosos para a Fé.

 

I - Igreja e Unidade

No Credo, nós católicos recitamos que cremos na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.

E aprendemos no Catecismo que a Igreja é una por ter uma só Fé indefectível, um só supremo Pastor — o Papa, sucessor de Pedro e vigário de Cristo , hoje João Paulo II — um só Batismo. A Igreja é o Corpo Místico de Cristo, e, por isso, é indivisível. Quem quer que se separe desse corpo já não tem mais vida, e está morto.

No livro que temos em foco, o autor do capítulo que trata da unidade da Igreja previne que "a unidade da Igreja nada tem a ver com a magia mitológica do número um" (Op. cit. p. 221).

Depois, ele previne ainda que "a unidade da Igreja não exclui toda espécie de pluralidade" (op. cit.p. 222).

Ele se revolta contra a "divisão da Igreja", hoje, como se a Igreja indefectivelmente una em sua natureza, fosse capaz de perder, e como se, de fato, ela tivesse perdido a unidade própria de sua natureza. Para esse livro herético, a Igreja atualmente perdeu a unidade, porque os cristãos estão divididos.

Diz ele:

"Por vontade e mandato de Cristo, a Igreja deve ser una e incontestavelmente una" (op. cit p. 220).

Ora, a unidade não é um mandamento de Cristo, ou um regulamento que a Igreja poderia violar. A Igreja foi feita, por Cristo, una em sua natureza. Assim como a natureza humana possui corpo e alma racional, e o homem não pode mudar isso, a Igreja, por sua natureza é UNA, e ela não pode deixar de ser una.

Pergunta o livro que analisamos:

"Então como foi possível que o único povo de Deus chegasse um dia a dividir-se numa detestável multidão de pequenos povos, que se roubam mutuamente toda espécie de crédito, em guerra aberta ou subterrânea, em rivalidade declarada ou secreta? Como foi possível que o Corpo de Cristo se tenha decomposto em tantos membros sem comunhão? Como se explica que o templo do Espírito santo, tão admiravelmente formado e unido, se tenha desfeito numa multidão de templozinhos e capelinhas, de relações cortadas uns com os outros? (cfr. Decreto sobre o Ecumenismo, 1) (op. cit. p. 220).

Esse parágrafo implicitamente nega que a Igreja seja una, pois considera que ela, em concreto, hoje, perdeu a unidade.

Como quem escreve isso pode então continuar a rezar o Credo afirmando Creio na Igreja UNA?

Esse parágrafo contém, pelo menos implicitamente, um grave erro contra a Fé.

O autor considera que a primeira coisa a fazer para acabar com o mal da divisão atual da Igreja é ter a consciência de que, hoje, a Igreja perdeu a unidade, e que é preciso conseguí-la de novo:

"Por isso, o primeiro passo para eliminar esta falta é a consciência do próprio pecado e o pedido de perdão a Deus e aos irmãos, como rezamos no Pai Nosso" (op cit. p. 229).

"Para conseguir a união é preciso partir da consciência e gravidade da divisão e da confissão mutua da falta comum" (op. cit. p. 229).

Esse erro foi possível por ter se passado da noção de Igreja como Corpo Místico de Cristo, para a noção de Igreja como Povo de Deus.

Com efeito, o Corpo de Cristo não pode mais ser dividido. Quem se separa dele morre. Os sarmentos separados da vide só servem para serem queimados, pois estão mortos. É o que diz o próprio Cristo no Evangelho: "Eu sou a verdadeira vide, vós sois os sarmentos. O que permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora como a vara: secará, enfeixá-lo-ão, lançá-lo-ão no fogo e arderá." (Jo. XV, 5-6).

É o que acontece com todo herege. É o que aconteceu com Lutero, Calvino e com todos os seus sequazes". Aderindo à heresia, o herege separa-se da Igreja. Separa-se da verdadeira vide que é Cristo e a Igreja! Morre! Fica seco, e só serve para ser lançado ao fogo eterno, se não se arrepender.

Com a noção de Igreja como Povo de Deus — que, como observa o Cardeal Ratzinger, é uma noção mais histórica, sociológica e vetero testamentária é possível separar indivíduos sem que eles deixem de ser membros de sue povo. O indivíduo separado de seu povo continua membro dele. Em conseqüência, se a Igreja é o Povo de Deus, é possível algumas pessoas se separarem desse povo e continuarem membros dele. Um povo pode ser dividido sem morrer. Um corpo não pode ser dividido sem que a parte separada morra. O que se separa da vide, morre. As expressões do Novo Testamento para conceituar a Igreja são de coisas vivas: "vide", "Corpo de Cristo", e jamais "Povo".

Escreveu o Cardeal Ratzinger:

"Existe aqui o perigo de se abandonar o Novo Testamento para se voltar ao Antigo. Com efeito, para a Escritura, "Povo de Deus" é Israel em seu relacionamento de oração e de fidelidade com o Senhor. Mas, limitar-se unicamente a essa expressão para definir a Igreja significa não indicar plenamente a concepção que delatem o Novo testamento. Para este, na verdade, "povo de Deus" refere-se sempre ao elemento vetero testamentário da Igreja, à sua continuidade de Israel. Mas a Igreja recebe sua conotação neo testamentária mais evidente no conceito de "Corpo de Cristo" (Cardeal Joseph Ratzinger, A Fé em Crise? E.P.U., São Paulo, 1985, p. 30).

A nova conceituação de Igreja como Povo de Deus, adotada pelo Vaticano II Concílio Pastoral e não dogmático abriu caminho para esse erro.

Por isso, o autor desconhecido do capítulo do livro que enfocamos diz:

"Na Teologia, um só Deus, um só Senhor, uma só esperança, uma só fé -- mas diversidade de teologias, de sistemas, de estilos de pensamento, de escolas, de tradições, de universidades, de teólogos; por isso diversidade de Igrejas." (op. cit. pp. 22-223. O sublinhado é nosso).

Quer dizer, na teoria, Igreja Una. Na prática, Babel.

E note-se que o autor afirma que a Igreja Una é formada por diversas igrejas.

É claro que pressurosamente os amigos de toda heresia tentarão explicar que o autor chamou de igrejas as dioceses...

Veremos se esses pressurosos apressadinhos têm razão nesta alegação inocentadora...

E o autor explica que "nem todas as diferenças são um atentado à unidade" (Op. cit. p. 223).

Para ele, seriam condenáveis apenas aquelas que "se tenham como exclusivas" (Op. cit.P. 223).

A única coisa que deve ser excomungada é... a excomunhão. A pastoralidade do Vaticano II, a ninguém quis excomungar. Nem mesmo aos comunistas e à URSS. O Concilio Vaticano II obedeceu ao Pacto de Metz assinado pelo Cardeal Tisserand em nome do Papa João XXIII, e por Nikodin, em nome da URSS comunista. Ninguém pode ser excomungado. A não ser os "excomungantes". Para quem pensa como os autores desse livro, a única Igreja "excomungável" é a Igreja Católica Apostólica Romana, aquela que sempre excomungou os hereges e as heresias.

É o que o autor do capítulo sobre o "Pecado de Divisão", afirma, nesse livro:

"As Igrejas que se excluem na fé, na liturgia, na disciplina, não podem ser ramos dum mesmo tronco". ( Op.cit. p. 227).

E dai, ele conclui que agora, de fato, não existe uma única Igreja de Cristo: "existirá uma única Igreja de Cristo quando pudermos rezar juntos, ouvir juntos a palavra de Deus, juntos confessar a fé e sentar-nos juntos à mesma mesa. Só então confessaremos, não muitos Senhores, mas um só Senhor, não muitos deuses, mas um só Deus." (op. cit. p. 22. O sublinhado é nosso).

É evidente que para esse padre autor desse artigo, a Igreja de Cristo, hoje, não existe. O que o torna herético.

E quantos outros sacerdotes, mal instruídos por essas "Homilias Especiais" irão semear a cizânia no meio do povo!

Por isso ele diz também: "Encontramo-nos hoje empenhados num trabalho sem precedentes, para conseguirmos a unidade no interior da Igreja de Cristo (...) Apesar dos esforços, não é possível negar, porém, a existência duma pluralidade de Igrejas" (Op. Cit., p. 226. O negrito e sublinhado são nossos).

Só se trabalha para conseguir o que não se tem.

Se há uma pluralidade de Igrejas, não existe, concretamente, a Igreja una.

Então, como é que esse padre reza ainda o Credo, afirmando: "Creio na Igreja Una"?

É evidente que, para ele, a Igreja de Cristo não é simplesmente a Igreja Católica Apostólica Romana.. Esse autor não é mais católico, e seu livro é herético.

Depois de afirmar tais erros escandalosos, o autor procura fazer uma resenha das explicações, ou justificações, -- que ele chama de escapatórias -- da divisão da Igreja. Ele enumera as cinco seguintes:

 

1a) A existência de uma "Igreja Invisível indivisa" (p. 227).

E pergunta:

"Mas será possível dividir a única Igreja numa Igreja visível e noutra invisível e ideal? A verdadeira Igreja consta, ao mesmo tempo, de ambas" (p. 227).

Repare-se que o autor não nega que acredita na existência de uma "Igreja Invisível ideal". Ele afirma que a Igreja concreta é também a Igreja invisível.

 

2a) A divisão da Igreja seria fato normal, "querido por Deus", que faria a reunificação da Igreja, no fim dos tempos.

 

3a) As três grandes religiões cristãs (catolicismo, ortodoxia e reformados) seriam como "os três ou quatro ramos principais duma única árvore. Existe muito de verdade nesta afirmação, contanto que as diversas Igrejas permaneçam em comunhão. As Igrejas que se excluem na fé, na liturgia, na disciplina, não podem ser ramos dum mesmo tronco". existirá uma única Igreja de Cristo quando pudermos rezar juntos, ouvir juntos a palavra de Deus, juntos confessar a fé e sentar-nos juntos à mesma mesa. Só então confessaremos, não muitos Senhores, mas um só Senhor, não muitos deuses, mas um só Deus." (Op. cit. p. 22. O sublinhado é nosso).

Já citamos este texto, mas ele é tão escandaloso, que julgamos ser útil repetí-lo, para deixar bem claro o pensamento herético de seu autor.

 

4a) "Explicar a divisão de tal modo que uma única Igreja se identifique pura e simplesmente com a Igreja de Cristo, e tudo nas outras seja erro e heresia".

Esta era a explicação e o dogma da Igreja Católica Apostólica Romana em todos os séculos, explicação que o autor chama agora de "escapatória".

E contra a posição da Igreja de sempre o autor ousa perguntar:

"Mas poderá esta Igreja fazer justiça às outras Igrejas cristãs, nas quais é preciso reconhecer muitos elementos verdadeiros, entre os quais o baptismo, que insere no corpo de Cristo" (p. 228).

E, depois dessa ousadia, a mentira (ou a confissão de heresia?):

"A Igreja Católica, que sempre se proclamou como a única Igreja de Cristo, reviu, no Concílio [Vaticano II] a sua atitude frente às outras Igrejas cristãs".

"E onde antigamente só conhecia hereges e cismáticos, hoje encontra "irmãos separados"; enquanto outrora, fora da Igreja, só reconhecia cristãos isolados, hoje reconhece comunidades eclesiais; enquanto antes dizia: a Igreja Católica é a Igreja de Cristo, hoje afirma que ela subsiste na Igreja Católica. E assim quer reconhecer que nas outras Comunidades cristãs também há verdadeiros elementos da Igreja de Cristo." (p. 228. O negrito e o sublinhado são nossos, para deixar bem evidente a heresia do autor).

Para o autor desse capítulo, a Igreja Católica mudou.

Não somos nós que o dizemos, é ele quem diz que o Concílio Vaticano II adotou uma doutrina diferente daquela que era, -- e é -- a doutrina católica.

Portanto, se antes a Igreja estava certa, agora ela teria errado. Se ela está certa agora, antes estava errada, porque, como ele mesmo diz, "não é possível que uma coisa aqui seja erro e além seja verdade, aqui dogma, além heresia" (p. 227).

Antes do Vaticano II todos acreditavam no dogma de que "Fora da Igreja não há salvação". Agora, depois do Vaticano II, se diz que se acredita que "Fora da Igreja, mesmo defendendo coincidentemente a heresia, há salvação".

(Ver no site Montfort a explicação das condições em que seria possível a salvação de alguém que não pertence ao corpo da Igreja, mas que pertence apenas à alma da Igreja - www.montfort.org.br/veritas/batismodedesejo.html ).

Quando a Igreja Católica teria errado? Errava ela quando afirmava, infalivelmente, durante XX séculos, o mesmo dogma, ou erraria agora, quando esses fabricadores de homilias plantam, na cabeça dos padres e do povo, a heresia contrária?

Graças a Deus, a Declaração Dominus Jesus, aprovada pelo Papa João Paulo II,  já respondeu ao sofisma do famoso "Subsistit". E reafirmou o dogma de sempre:

"A IGREJA DE CRISTO É A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA ".

Prossegue o herético autor desse lamentável capítulo desse lamentável livro de "Homilias Especiais", especialmente heréticas, afirmando que a culpa da divisão da Igreja, deve ser atribuída a todos.

"É praticamente impossível atribuir todas as culpas a uma só Igreja" (p. 228).

É incrível como certas pessoas estão sempre prontos a culpar a Igreja por erros, no passado, a recusar os dogmas proclamados infalivelmente pelos Concílios Ecumênicos, aprovados ex cathedra, e, ao mesmo tempo, jamais são capazes de admitir qualquer erro delas, hoje. Estão prontos a condenar tudo o que foi ensinado no passado, mas uivam de ódio se se diz que o Concílio Vaticano II pode ter errado, porque não foi dogmático, mas meramente pastoral.

Negam, sem qualquer cerimônia, todos os dogmas proclamados pela Igreja, no passado, afirmando que são ensinamentos que já não valem mais, pois estariam superados pelo tempo. E se esquecem que o Vaticano II e o seu famoso "aggiornamento" , a cada dia que passa, vai ficando cada vez mais... "desaggiornato".

Uma religião que precisa "aggiornarsi" -- [mudar, atualizar-se todo dia] -- como declarou João XXIII, é uma religião que todo dia se desatualiza.

Fica parecendo página da Internet, que todo dia tem que ser atualizada.

Mas está escrito que as palavras de Cristo não passarão:

"Passarão os céus e a terra, mas as minhas palavras não passarão" (Marc. XIII 31; Luc. XXI , 33).

Que recomenda, então, esse livro absurdo que a Igreja faça para recuperar a sua unidade perdida?

Recomenda ele:

1o) "Reconhecer a realidade eclesial comum" (p. 230).

Que significa isso senão reconhecer que todas as confissões religiosas cristãs formam uma única Igreja?

E esse reconhecimento de "uma realidade eclesial comum" a todas as religiões que se dizem cristãs é herético.

2o) "Pedir ao Pai que conceda a união" (p. 230) e ..."dialogar" (cfr p. 230).

Portanto, a Igreja já não é una. O que é, de novo, herético.

E a Igreja já não seria docente, mas dialogante. O que além de uma heresia é uma gagueira.

Cristo não disse a seus Apóstolos: "Ide e dialogai", mas sim "Ide e ensinai".

3o) "Realizar na própria Igreja o que com os outros já se tem em comum" (p. 231).

Mas previne o autor: "Além disso, a unificação só é possível através de um processo que não volta ao passado" (p. 231).

Entendido? A Igreja que não pretenda restabelecer a unidade que existiu na Idade Média. Haveria que aceitar Lutero, Calvino, Jansenio, Lammenais, Loisy, Zundel, Bouyer, Rahner, De Lubac, Teilhard de Chardin, etc., e todos os outros heresiarcas, com todas as heresias que o inferno vomitou pela boca deles.

E que tolice é "Realizar na própria Igreja o que com os outros já se tem em comum"? Se já se tem em comum não é preciso realizar. Já existe realmente.

4o) "A verdade não pode ser sacrificada, mas torna-se necessário reencontrá-la" (p. 231).

Mas que lindo, não? Reencontrar a verdade...

Mas só se reencontra o que se perdeu. O que esse padre herege escreveu é que Igreja Católica perdeu a verdade. E isso é herético, pois a Igreja é infalível e indefectível.

E o autor explicita o seu Modernismo escrevendo:

"Mas isso não significa repetir a verdade sempre da mesma maneira. Em cada época, a verdade exige que a reconquistemos de novo. Não é possível transmitir verdades como se fossem tijolos. A verdade não é pedra, mas espírito. Nem os dogmas nem as fórmulas [dogmáticas] são peças petrificadas que se arrumam no armazém das coisas da fé. Também elas estão submetidas às situações históricas e é preciso arrancá-las à concha de que o tempo as revestiu, para as colocar numa nova perspectiva mais totalizante que, por sua vez, é também inacabada. Dum modo geral, é preciso arrancar as fórmulas da fé, que são resultado da polêmica contra as heresias e diques contra certos erros, aos limites, à parcialidade e ao cunho polêmico de que se revestiram na sua época".

"Nesta medida, nada existe que não seja sujeito a reforma" (pp. 231-232. O sublinhado e o negrito são nossos).

Nem o heresiarca modernista Loisy, nem o Modernista Tyrrel, ambos excomungados por São Pio X, e ambos apóstatas, diriam diferente.

5o) "A norma para a reunificação deve ser o Evangelho".

Como se a Igreja católica tivesse se esquecido ou perdido o que é ensinado no Evangelho.

Como se a Tradição também não fosse fonte da revelação.

Esse quinto meio sugerido para "refazer a unidade da Igreja" é a admissão do princípio protestante de que só a Bíblia é fonte da revelação. E isso também é herético.

Mais adiante, na exposição desse quinto item do que se deveria fazer para restabelecer a unidade da Igreja, o autor afirma:

"Não se chegará à unificação pela sujeição duma igreja a outra, mas pela transformação de todas e pela comunhão entre todas através da dádiva e acolhimento mútuos" (p. 232).

O que significa que ele considera que a Igreja Católica não pode exigir dos grupos heréticos que se submetam à Igreja Católica. Para ele, então, todas as Igrejas estão no mesmo pé, no mesmo nível, e teriam o mesmo valor.

Esse padre coloca a esposa de Cristo no mesmo nível que as "sinagogas" suscitadas pela heresia.

Concluindo esta parte, devemos dizer que toda a exposição sobre a unidade da Igreja, apresentada no livro Homilias Especiais, deve ser repudiada como doutrina herética modernista, contrária ao que sempre ensinou a Igreja Católica Apostólica Romana.

 

II - A Missa

Um segundo ponto que queremos examinar do livro Homilias Especiais é o que nele se diz da Missa.

A doutrina sobre a Missa exposta nesse livro nefasto é a doutrina modernista de Missa dos Padres Louis Bouyer e Maurice Zundel, que já analisamos no site Montfort ( www.montfort.org.br/cadernos/bouyer.html   e www.montfort.org.br/cadernos/zundel.html ).

O autor do capítulo que trata da Missa nesse famigerado livro modernista começa dizendo que:

"Somos Igreja. Povo de Deus e a Missa é uma reunião desse Povo, um encontro de toda a família de Deus na casa de família para recordar, renovar e reviver os mistérios e as verdades que estão na origem dessa família" (p. 46. O destaque é do autor. O itálico é meu).

O autor não diz o essencial e absolutamente necessário: a Missa é a renovação do sacrifício do Calvário.

Essa definição correta de Missa jamais é dita pelo autor em nenhum capítulo dos vários em que ele trata da Missa.

Mais adiante ele diz:

"Somos um Povo sacerdotal, e na missa exercemos esse nosso caráter oferecendo o universo (SIC!!!) e oferecendo-nos a nós próprios com Cristo ao pai para o Qual tudo caminha" (p. 46).

O autor já erra ao dizer, sem matiz e sem distinção, que "somos um Povo sacerdotal". Pois se é verdade que todo fiel participa do sacerdócio de Cristo pelo fato de ser batizado, é mais verdade ainda que esse sacerdócio dos fiéis é um sacerdócio por participação, que não se iguala ao sacerdócio do padre. Ainda há poucos dias, o Vaticano devolveu ao Episcopado americano a tradução feita pelos Bispos yankees do Novus Ordo Missae de João Paulo II, porque nessa tradução, no Orate Fratres, não se distinguiu o sacerdócio dos fiéis do sacerdócio do povo, pois os Bispos americanos traduziram o texto latino na forma que se reza, hoje, no Brasil e que o Vaticano não aceitou:

"Orai, ó irmãos para que o nosso sacrifício seja aceito, etc..".

Devolvendo o documento ao Episcopado americano, o Vaticano exigiu que a tradução fosse feita de acordo com o texto latino que distingue o sacrifício do sacerdote daquele que é feito pelo povo fiel:

"Orai, ó irmãos, para que o meu e o vosso sacrifício seja aceito, etc...".

O que insinua o livro Homilias Especiais é a defesa da tese falsa de que o sacerdócio dos fiéis é igual ao do padre.

Não se pode deixar passar sem espanto e sem protesto a idéia absurda de que, na Missa, oferecemos a Deus "o universo".

Na Missa, o que o sacerdote oferece a Deus, junto com os fiéis, é o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo, morto misticamente, sob as espécies de pão e de vinho, renovando o sacrifício do Calvário.

Substituir Cristo pelo universo é completamente absurdo e herético. Isso não seria Missa.

E que baboseira é essa de que tudo "caminha para o Pai"?

Os que forem condenados ao inferno se afastarão do Pai. É falso que tudo "caminha" para Deus. Os demônios e os danados não caminham para Deus, e sim para o inferno. A afirmação de que tudo caminha para o Pai é teilhardiana e expressa a heresia apocatastática, condenada pela Igreja, que afirma que todos, inclusive, o diabo, se salvarão.

Prossegue esse livro modernista, dizendo que:

"Somos uma comunidade de amor, e a Missa deve ser o sinal da amizade e da Aliança dos crentes entre si e de todos com Deus e com os outros homens; sinal desse amor e ponto de partida para mais amor e mais partilha" (p. 46. O destaque é do original).

Que romantismo barato é esse que vê na Missa o "sinal de amizade", o "sinal de amor...para mais amor e partilha".

Partilha de que? Veremos mais adiante que o que esses modernistas entendem por "partilha" é nada mais nada menos que a "comunidade de bens ", o comunismo.

Aguardem que provaremos isso, no momento mais conveniente.

Não esquecerei de prová-lo. Esses modernistas são também pró comunismo.

O que importa porém, neste momento, é demonstrar que a concepção de Missa desses modernistas não é católica, pois eles recusam dizer que a Missa é a renovação do sacrifício da Cruz, e que a Missa é um sacrifício de propiciação de Cristo que morre, de novo, misticamente de forma não cruel, na Missa, a fim de pagar os nossos pecados. Isso esses propagadores de heresia se retorcem e se contorcem para evitar dizê-lo.

Veja-se a prova na definição de Missa desse livro funesto:

"O QUE É A SANTA MISSA?

"É uma reunião de cristãos (sic!) durante a qual proclamamos a Palavra de Deus (Liturgia da Palavra) e renovamos o mistério pascal -- [Aí está a influência do modernismo do Padre Bouyer] -- de Cristo (Liturgia Eucarística) para fazer nossa a Palavra e o Mistério Pascal (Morte e Ressurreição de Jesus)" (p. 47. O itálico é do original. o sublinhado é nosso).

Repare-se que o autor se torceu, se retorceu, se contorceu, mas não escreveu que a Missa é a renovação do sacrifício da Cruz.

Ele repete a doutrina modernista do Padre Louis Bouyer (ver no site Montfort nosso trabalho sobre Bouyer e a Missa - www.montfort.org.br/cadernos/bouyer.html ).

Explicando, depois, por que os cristãos se reúnem, diz o autor:

"[A Missa] É uma reunião de cristãos, isto é de seguidores ou discípulos de Cristo que com Ele formam o Povo de Deus e têm consciência da necessidade de se juntar, particularmente ao Domingo, para proclamar e alimentar a sua fé, celebrar os principais mistérios da mesma, sentir-se mais família de Deus e dos homens à luz da fé " (p. 47. O negrito é nosso).

Poderia haver conceituação mais sentimental de Missa?

A Missa não tem nada a ver com esse desejo sentimentalóide de "se juntar" para "sentir-se mais família de Deus e dos homens".

A Missa como já dissemos, e queremos repetir, é a renovação do sacrifício e morte de Cristo no Calvário!

Depois desse conceito puramente humano e sentimental de Missa, o autor afirma, com todas as letras, que a Missa "renova a Ceia pascal de Cristo", e que, "por ser uma celebração comunitária em que comunitariamente se celebra a fé e se caminha para Deus" (Cfr. p. 47. O sublinhado é nosso).

O que se renova na Missa, dito mais propriamente, não é a Ceia, e sim a morte de Cristo no Calvário.

Ainda recentemente, em seu último livro, o Cardeal Joseph Ratzinger, tratando da consideração da Missa enquanto Ceia, escreveu:

"A esta análise da "forma do banquete" deve-se de todo modo acrescentar que a Eucaristia certamente não pode ser descrita com precisão pelo termo "refeição" ou 'banquete". O Senhor, de fato indubitavelmente instituiu a novidade do culto cristão no âmbito de um banquete pascal hebraico, mas nos ordenou de repetir essa novidade, não o banquete enquanto tal. Exatamente por isso a novidade muito depressa se libertou de seu antigo contexto e achou uma forma própria dela, que fora antecipada pelo fato de que a eucaristia reenvia à cruz e, portanto, à transformação do sacrifício do templo na liturgia racional" (Cardeal Joseph Ratzinger, Introduzione allo Spirito della Liturgia, San Paolo, Milano, 2001, p. 74. O sublinhado é meu).

Por isso, o autor diz ainda que "(...) Cristo quis ligar a Sua Páscoa a outro sacrifício, que é, ao mesmo tempo, festa familiar, refeição, celebração de Aliança, proclamação das maravilhas de Deus, memorial do que Ele fez por nós -- a Eucaristia" (Op. cit., p. 57. O negrito é nosso).

Para o autor, a Missa é tudo, menos "sacrifício de propiciação", menos renovação do sacrifício do Calvário.

E porque a Missa seria, sobretudo, "festinha familiar" nela se toca rock, cuíca, pandeiro e reco-reco. Por isso, nela se canta "parabéns a você", se aplaude, se grita, se agita, se dança, se rebola e se sacode. Só não se adora Cristo morto na Cruz por nossos pecados.

Jamais houve, na História, profanação maior. No passado, os jacobinos da Revolução Francesa e os comunistas da Revolução espanhola se compraziam em profanar a Hóstia consagrada. Agora, eles já não precisam fazer isso. O sacrilégio, hoje, são, em certas Missas, os próprios padres -- pelo menos certos padres -- que o praticam, e que incentivam seus paroquianos a praticar.

Como todos os modernistas, o autor desse capítulo, no livro que estamos estudando, faz o clássico sofisma com a palavra "presença".

O termo presença é analógico e não unívoco. Isto significa que há vários modos de estar presente.

Assim, se diz que Deus está presente em toda a parte, mas de modos diversos. Ele está presente no inferno, até, pela sua justiça, não com sua Pessoa.

Ele está presente em todo o universo, pelo seu Ser, enquanto sustenta o ser contingente de todas as criaturas, mas não está substancialmente nelas. Está presente em todas as coisas, pela ordem e sabedoria com que as fez; pelo bem que nelas colocou. Não está substancial e realmente presente nas coisas.

Está presente nas criaturas dotadas de inteligência e vontade por sua imagem, visto que Deus tem Inteligência e Vontade. Até no demônio Deus está presente por sua imagem -- não por semelhança -- pois por semelhança, Deus está presente somente nas criaturas inteligentes que não estejam em pecado, por meio da Graça santificante. É o que explica S. Boaventura.

Cristo mesmo disse que estaria presente onde dois ou mais se reunissem em seu nome, o que o torna lá presente por uma graça de assistência, sempre e em todos os lugares em que dois ou mais se reunem por causa dEle. Mas Ele não está realmente presente com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade na "assembléia" dos fiéis, como Ele está presente realmente, na Hóstia consagrada. Não se podem comparar, e muito menos se podem equiparar estas duas formas absolutamente diferentes de presença.

Cristo está presente num crucifixo por sua figura material, não real e substancialmente presente. Cristo Deus está presente na Sagrada Escritura por sua palavra e sabedoria, não está lá, real e substancialmente presente.

Mas na Hóstia consagrada, Jesus Cristo, -- Deus e Homem -- está real e substancialmente presente com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Está tão presente na Hóstia consagrada como Ele está no céu, agora, e como viveu, na Palestina, há dois mil anos atrás.

Ora, abusando do termo "presença", os modernistas, seguindo Lutero, afirmam que Cristo está tão presente na hóstia consagrada quanto na palavra da Sagrada Escritura. O que é falso!

Veja-se como esse livro de Homilias Especiais sofisma e mente quanto a noção de presença de Cristo:

"Acostumamo-nos, durante muito tempo, a identificar a presença real de Cristo no mundo com a presença própria ou característica da Eucaristia. Hoje, porém, redescobrimos aquilo que já é muito antigo, isto é, que Cristo está realmente presente na assembléia dos fiéis, no ministério sacerdotal, na pessoa dos justos, nos sacramentos, na Sua Palavra e, finalmente na Eucaristia." (op. cit., pp 61-62. O sublinhado e o negrito são nossos).

É verdade que o autor, logo em seguida, explica as diferentes formas de presença. Mas erradamente ele conclui dizendo:

"Estas diferentes maneiras ou formas de presença real de Cristo têm todas o seu modo próprio de realidade; não podemos, portanto, reservar exclusivamente à Eucaristia a presença real de Cristo" (Op. cit. , p. 52).

E diz mais: "Além disso, não podemos isolar a presença real eucarística da presença real de Cristo na comunidade e em cada fiel: a presença eucarística não é um fim em si, nem para "ficar no trono", ou no sacrário, mas um meio para Cristo viver mais intimamente na comunidade e no coração de quem O comunga" (Op. cit., p. 62).

Note-se nessa útima frase o desejo de diminuir as homenagens devocionais a Cristo eucarístico, supervalorizando a presença nos fiéis e naquilo que, hoje, se chama comunidade.

Dessa equiparação da presença real de Cristo na Hóstia consagrada e na Palavra, deriva então a idéia absurda do autor, de que é pecado chegar atrasado à Missa, perdendo as leituras da Epístola e do Evangelho:

"Por esta razão, é que hoje se diz que, para a maioria dos chamados cristãos, é mais grave faltar à primeira parte da Missa (até a apresentação das ofertas) do que à segunda." (Op. cit., p. 48).

Para o autor desse capítulo, é mais importante assistir à chamada "Liturgia da Palavra" do que a Liturgia Eucaristica, do que assistir à renovação do sacrifício do Calvário, na Missa dos fiéis. Ouvir a leitura da Epístola e do Evangelho seria mais importante do que a Consagração. Ele, como os protestantes, valoriza mais a Bíblia do que a Missa.

Curioso é que, mais tarde, ele vai dizer que se pode faltar à Missa dominical sem cometer pecado... Lógica modernista...

Esse autor é protestante. E ainda que ele seja sacerdote, ele não é mais católico.

Quando o autor vai expor os fins da Prece Eucarística, cita vários, omitindo a noção de propiciação, de sacrifício propiciatório, o que é absolutamente essencial para a reta compreensão da Missa.

E aí escreve o autor:

"Termina a Prece Eucarística com a elevação ao Pai do pão e do vinho consagardos, gesto através do qual o próprio Cristo presente sacramentalmente no meio da assembléia [Sic !!!], Se oferece a Si próprio e "por Cristo, com Cristo, e em Cristo", toda a assembléia se oferece e é oferecida ao Pai, e com ela o universo inteiro, simbolizado no pão e o vinho [Sic!!!], agora já Corpo e Sangue do Senhor. Esta é a verdadeira elevação, e este é o gesto que melhor revela o sentido da elevação do mundo [Sic!!!!] segundo os planos de Deus: o universo (simbolizado no pão e no vinho) [Sic!!!] a caminhar para o homem, o homem a caminhar para Cristo, deixando-se transformar por Ele sem, contudo, perder a sua personalidade, e todos, em Cristo, a caminhar para o Pai, até que "Deus seja tudo em todos" (Op. cit. p. 50.Os negritos e sublinhados são nossos).

Antes de tudo, nesse texto – em que fervilham erros a cada linha - deve-se destacar a heresia expressa de que, após a consagração, Cristo está presente na Assembléia. Quando, pela consagração, o pão e o vinho acabam de ser transubstanciados no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, falar da presença de Cristo na assembléia, visa claramente colocar à sombra o mistério eucarístico.

É verdade que o autor diz que o pão e o vinho são "agora já Corpo e Sangue do Senhor". Mas ele diz, e salienta, e repete, que " o universo inteiro, [é] simbolizado no pão e o vinho", que "o universo[é] (simbolizado no pão e no vinho), que ao elevar a Hóstia e o cálice com o sangue de Cristo, o sacerdote, de fato, faz "o gesto que melhor revela o sentido da elevação do mundo".

Além disso, nesse texto, claramente herético e gnóstico, fica patente que a palavra "caminhar" significa, de fato, no jargão modernista, evoluir.

Desse modo, o autor afirma que tudo evolui em direção ao homem. Este evolui para Cristo, e por Cristo, em Cristo e com Cristo, tudo evolui, — caminha para o Pai. Tudo evolui para Deus, no qual todos serão tudo, e Tudo será todos. Tudo caminha, evolui para ser a própria divindade.

Isso é pura gnose de Teilhard de Chardin. Essa Gnose é que explica o "mistério" em que a nova Liturgia é entendida e interpretada.

Poucas vezes vimos a doutrina da Gnose Modernista expressa tão claramente, como nesse livro, Homilias Especiais, escritas verdadeiramente para iniciar católicos na heresia.

Poder-se-ia dizer, com Dante

"O voi ch'avete li intelletti sani,
mirate la dottrina che s'asconde
sotto 'l velame delli versi strani"...

(Divina Commedia, Inferno, IX, 61-63):

"Versi strani"...da Nova Liturgia, e que esse livro desvenda... para certas pessoas, mais iniciadas.

 

III - Transignificação e transfinalização

O autor, cujo trabalho focalizamos, não defende a doutrina católica da Transubstanciação, isto é, da mudança de toda a substância do pão e do vinho na substância do Corpo e do Sangue de Cristo, permanecendo apenas as espécies ou acidentes do pão e do vinho, como a cor, cheiro, sabor, etc.

Diz ele:

"Transubstanciação quer dizer que a substância, isto é, a realidade profunda do pão e do vinho se transforma no corpo e no sangue de Cristo (a realidade química, física... do pão e do vinho não se altera; de contrário, não poderia ser sinal sacramental)" (Op. cit., p. 63. O itálico é do autor).

Para o leitor comum, pouco afeito ao significado do termo transubstanciação, dizer, sem explicação maior, que "a realidade química, física... do pão e do vinho não se altera", pode levar à negação, ou pelo menos à dúvida, da realidade da prença do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo, na sagrada hóstia. O texto exigiria uma explicação mais pormenorizada do que é a transubstanciação e do que são espécies e acidentes de pão e de vinho, para evitar que fé ficasse inquinada.

O autor ousa afirmar a doutrina da Transfinalização e a da Transignificação, pois escreve:

"O pão e o vinho normais -- que tem como fim alimentar -- , depois da consagração, mudam de finalidade, são retirados ao campo profano e tornam-se alimento e bebida para a vida celeste". (Op. cit., p. 63. O negrito e o sublinhado são de nossa responsabilidade).

Isso é falso. Não é só a finalidade que foi mudada no pão e no vinho consagrados. O que mudou foi a substância deles: deixaram de ser pão e vinho e, depois da consagração, se tornaram o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Jesus Cristo. Negar isto é heresia.

O autor repete ainda a doutrina da Transignificação, dizendo:

"O pão e o vinho consagrados passam a significar a presença de Cristo, adquirem um significado religioso, tornam-se sinais de Cristo, deixam de ser alimento comum para serem e significarem o alimento espiritual" (Op cit., p. 63. O negrito e sublinhado são nossos).

Isso é contrário à Fé católica. O pão e o vinho consagrados não são sinais da presença de Cristo: são o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo.

Por isso , Paulo VI escreveu:

"Não é lícito, só para aduzirmos um exemplo, exaltar a Missa chamada "comunitária", a ponto de se tirar a sua importância à Missa privada; nem insistir tanto sobre o conceito de sinal sacramental, como se o simbolismo que todos, é claro, admitimos na Sagrada Eucaristia, exprimisse, única e simplesmente, o modo da presença de Cristo neste sacramento; ou ainda discutir sobre o mistério da Transubstanciação sem mencionar a admirável conversão de toda a substância do pão no corpo e de toda a substância do vinho no sangue de Cristo, conversão de que fala o Concílio Tridentino; limitam-se apenas à transignificação e transfinalização, conforme se exprimem. Nem é lícito, por fim, propor e generalizar a opinião que afirma não estar presente Nosso Senhor Jesus Cristo nas hóstias consagradas que sobram, depois da celebração do Sacrifício da Missa.

"12. Quem não vê que, em tais opiniões ou noutras semelhantes postas a correr, sofrem não pouco a fé e o culto da divina Eucaristia?" (Paulo VI, Mysterium Fidei, no 1211-12 o sublinhado é meu).

E como conclusão indaga o autor:

"Se nós perguntarmos: O que são, afinal, esse pão e esse vinho consagrados? Já não poderemos responder: "Pão e vinho", mas sim: "Presença real de Cristo oferecida aos homens sob o sinal do pão e do vinho" (Op. cit.p. 64. O negrito e o sublinhado são nossos).

Parecia até que o autor, um momento, ia ser ortodoxo. Mas não foi. Para ele, o pão e o vinho consagrados são apenas Sinal da presença real de Cristo na Eucaristia, e não a própria Presença do Real do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo.

E porque o autor -- como o padre Zundel -- não crê na presença real de Jesus Cristo na sagrada hóstia, ele concorda com aqueles que dizem não ter cabimento guardar as hóstias consagradas no sacrário, e prestar-lhes culto de adoração:

Diz ele: "Jesus não instituiu, portanto, a Eucaristia para "ficar no trono", para "ser desagravado", nem para "ser passeado" em procissões.

"Os primeiros cristãos começaram a "reservar" algumas partículas consagradas, pensando unicamente nos cristãos doentes que, não podendo participar na celebração eucarística, desejavam receber o Senhor. Era essa e só essa a finalidade, e faziam-no da maneira mais simples e em lugares humildes, sem qualquer destaque nas igrejas ou locais de culto.

"Só pouco a pouco e à medida que a celebração eucarística deixou de ser o que sempre deveria ter sido a reserva começou a ter outro sentido; foi assim que foram surgindo as mais diversas devoções eucarísticas centralizadas, não na celebração da Ceia do Senhor, mas na reserva, dando lugar a equívocos lamentáveis" (op. cit. p. 64).

Como se vê o autor considera que a Igreja errou ao permitir o desenvolvimento do culto ao Santíssimo Sacramento, a adoração perpétua, a procissão de Corpus Christi, as Horas Santas etc.

Ora, o Concílio de Trento ensinou o contrário, pois declarou:

"Se alguém disser que no Santíssimo sacramento da Eucaristia não se deve adorar a Cristo, Filho de Deus unigênito, com culto de latria, mesmo exterior, e que, portanto, não se lhe deve venerar com peculiar celebração de festa, nem levando-O solenemente em procissão, conforme louvável e universal rito e costume da Santa Igreja, ou que não deve ser publicamente exposto para ser adorado, e que seus adoradores são idólatras, seja anátema" (Concílio de Trento, Cânones sobre o Santíssimo Sacramento da Eucaristia -- Cânon 6, Denzinger 888 O sublinhado, evidentemente, é nosso).

Por esse cânon do Concílio de Trento, esse livro Homilias Especiais está excomungado. E do mesmo modo estão excomungados todos os que aderem ao que nesse livro se ensina.

A negação da presença real de Cristo na Sagrada Hóstia necessariamente deve afrouxar a própria assistência à Missa dominical.

E é o que vai dizer o autor do capítulo sobre a Missa desse livro herético que estamos analisando. Veja-se como ele -- sob o pretexto de Amor -- solapa o preceito de assistência à Missa aos domingos e dias santos, contrariando o terceiro mandamento da Lei de Deus e o primeiro mandamento da Igreja.

"A necessidade deste preceito da Igreja, quanto à Missa dominical foi uma das coisas mais tristes na vida da Igreja (Sic !!!): esse preceito recorda-nos que os cristãos estavam a perder o sentido do domingo e que a Missa já pouco lhes dizia, sendo, por isso, necessário obrigá-los a uma coisa que deveria partir não de uma obrigação imposta, mas de uma necessidade do coração e da fé (sic!). O amor não se impõe, manifesta-se naturalmente." (Op. cit p. 66. O sublinhado é nosso. O itálico é do original).

Já se viu despautério maior posto em letra de forma? O primeiro mandamento da Igreja foi uma coisa triste, porque "O amor não se impõe, manifesta-se naturalmente."

Mas se não se pode impor o Amor por meio de um mandamento, como o autor dessa tolice explica que Deus nos impôs o amor a Ele no primeiro mandamento de sua Lei?

"Amarás a Deus sobre todas as coisas". Esse é o primeiro mandamento imposto por Deus.

Teria, então, Deus errado ao nos impor que o amássemos?

E Cristo teria errado, quando resumiu e nos impôs toda a lei em dois Mandamentos: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento e a teu próximo como a ti mesmo" (Luc. X, 27) como condição absoluta de alcançar a vida eterna?

Para que esse autor estudou Teologia tantos anos, e que Teologia estudou ele, se erra em coisas tão simples e fundamentais?

E porque ele condena o mandamento do preceito dominical, ele diz que não é pecado faltar à Missa aos domingos, mesmo que não se tenha motivo de falta.
"Cristão que, podendo, não participa na Missa dominical não peca mortalmente, mas revela que já está morto por inanição" (Op. cit. p. 73. O negrito, a caixa alta e o sublinhado são nossos. O texto revoltante é do autor).

Entretanto, ele havia considerado que seria pecado chegar atrasado à Liturgia da Palavra. Vá se entender tal lógica! Chegar atrasado seria pecado. Faltar, não.

Haveria muitas outras coisas péssimas a tratar que são ensinadas por esse livro modernista.

Mas, por hoje, não queremos concluir sem mostrar uma coisa que esse livro tem o mérito de explicitar. Todos os católicos estão saturados de ouvir a palavra "comunidade", que entrou em moda após o Vaticano II. Antes, comunidades católicas eram as ordens religiosas que, por fazerem votos de pobreza, tinham tudo em comum. Agora tudo virou comunidade. Tudo virou comunitário.

As paróquias somente são designadas por esse termo. E o vigário só se dirige à "comunidade". E o que significa, o que está por trás desse termo?

Ao livro Homílias Especiais devemos agradecer o fato de explicitar e desvelar o que o termo protestantoso "comunidade" significa realmente.

Falando do que deve ser a paróquia, eis o que se lê nesse livro péssimo:

"[A paróquia deve ser] uma comunidade de bens.

"De acordo som o texto da Segunda Leitura, a comunhão eclesial não é apenas de inteligência, pela fé; nem só de coração, pelo amor. Tal comunhão poderia ficar muito no abstrato e não passar de palavras, mais ou menos, bonitas. A comunhão eclesial é também de bens. Certamente, também aqui não é de desejar um nivelamento impessoal. Entretanto, é preciso que se chegue, de fato, a uma comunhão de bens. A Eucaristia que nos tempos apostólicos, se chamava "partilha do pão" é um grito cravado no coração do cristianismo nessa direção"( Op. Cit.p. 215. O negrito é nosso).

Como se vê, esse livro prega o comunismo de bens. O autor desse capítulo é comunista.

Entretanto, ele desvela o que significam os termos "partilha" e "Comunidade", e seus derivados: "partilhar", "repartir o pão", "comunitariamente", etc. Revela-nos o que significa e o que se quer ensinar em certos sermões, nos quais se fala obsessivamente da necessidade de "partilhar", e nos quais os pregadores têm a boca cheia da palavras como "comunidade" e "comunitário", mas têm a alma vazia de Fé na Presença real de Cristo na Eucaristia.

Tudo isso explica a adesão e o apoio, quase não disfarçado, dos modernistas ao socialismo e ao comunismo.

Lendo esse péssimo livro que semeia heresias na mente dos sacerdotes, a pretexto de lhes ensinar a fazer sermão, entendemos que o texto de São Paulo, colocado em epígrafe neste artigo, poderia ser adaptado do seguinte modo:

"Chegou o tempo em que, [até os sacerdotes] não suportando a sã doutrina, multiplicaram, para si, mestres segundo os seus desejos, movidos pelo prurido de ouvir, afastaram os ouvidos da verdade e os aplicaram às fábulas " (São Paulo, II Epístola a Tim. IV, 3-4).

Orlando Fedeli

 

PS. Era de se prever que os autores do livro Homilias Especiais fossem pessoas pertencentes ao clero. Uma ligeira pesquisa na Internet confirmou isso com relação aos seguintes autores desse livro herético:

1 - FREI ALCINDO COSTA

Ao cumprirem-se 25 anos sobre a morte de frei Alcindo Costa (nascido em Vilar do Monte, Barcelos), colaborador nesta revista durante 10 anos, a Difusora Bíblica lança a 2ª edição do livro «GÉNESIS - das lendas e mitos da Criação à fé no Deus Criador». A 1ª edição há muito que se tinha esgotado! Uma obra que se lê com muito gosto e que nos prende a atenção desde o primeiro ao último capítulo. Uma delícia! 

http://www.difusorabiblica.com/revista.htm

GÉNESIS, das lendas e mitos da Criação à Fé no Deus Criador, Alcindo Costa

Bíblia Sagrada, por Frei Alcindo Costa , Stampley Pub. São Paulo, 1974.

2 – Pe. AMÉRICO MARTINS VEIGA

Redentorista, pároco da Igreja Nossa Senhora de Fátima; (N. ª Senhora de Fátima); - NIPC 502510498; Av. Nuno Álvares Pereira, 10 A - 6000-083 Castelo Branco; Tel.: 272 329 837;

Diocese do ARCIPRESTADO DE CASTELO BRANCO, ZONA PASTORAL DE CASTELO BRANCO Vigário Episcopal: Cónego Dr. António Leonor Marques Assunção;

Livro: AMÉRICO MARTINS VEIGA: Creer hoy, VI, 3, 1. Ed. Perpetuo Socorro. Madrid

3 - PE. ANTONIO GOMES DIAS

- Boletim Liturgia: "Necessidade da Iniciação Cristã Adultos " – 1980 – Nº 18 –19 Pg. 3 -21

Pertence à DIOCESE DO PORTO (Conselho Presbiteral - http://www.diocese-porto.pt/curia/curia.ht,)- Padre António Gomes Dias; PSP da Covilhã;

4 – PE. MANOEL BERNARDES DOS SANTOS

Diocese do ARCIPRESTADO DE CASTELO BRANCO

Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco; Rua Bartolomeu da Costa - 6000-000 Castelo Branco; Tel.: 272 344 454; Fax: 272 322 185; Capelão: Pe. Manuel Bernardo dos Santos.


    Para citar este texto:
"Sermões heréticos de mestres de fábulas ou De como ensinam heresias aos padres"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/homilias/
Online, 25/11/2017 às 01:44:54h