Igreja

Golias conclama para a fundação de uma nova religião
Orlando Fedeli

 
O retorno da FSSPX ao seio da Igreja, promovido e aceito pelo Papa Bento XVI, é repelido pelo ecumenismo dos modernistas aberto a todas as religiões e à liberdade de pensamento. Para os modernistas, todas as opiniões religiosas valem. Defender o que a Igreja sempre ensinou não seria permitido. Isso comprova como a liberdade de religião pregada pelo Concílio Vaticano II é falsa.

Assim como dar  liberdade de ação a todos os vírus e bactérias num hospital – não querendo a desinfecção do hospital--, é permitir a disseminação de doenças mortais e a destruição das vidas, assim a liberdade de religião permite a ação deletéria de todas as heresias, porque, no fundo, só quer destruir a religião verdadeira: a Igreja Católica Apostólica Romana.

O site Golias, porta-voz dos Bispos modernistas, conclama para a fundação de uma nova religião contra a Igreja Católica, e em revolta contra Bento XVI. O câncer modernista do Vaticano II está em supuração goliesca à vista de todos. Só não vê quem não quer, por ser cúmplice dele. 
 
Golias dá alguns pontos dessa nova religião miserável: 
  1. Comunhão para pessoas amasiadas (“recasadas”)
  2. Amasiamento dos padres e permissão ao homossexaulaismo clerical.
  3. Aborto e eutanásia expressos de modo pouco velado e eufemístico como questões relacionadas “com o princípio e o fim da vida”.
  4. Acesso das mulheres ao sacerdócio.
  5. Papado não vitalício e democrático. Contra a monarquia eclesiástica.
  6. Contra a repressão por razões teológicas (Contra o “integrismo”, porém, repressão absoluta).
  7. Defesa dos direitos do Homem ( com maiúscula).
  8. Todos seríamos Igreja ( exceto os “párias” “integristas”).
 
Essa é a lógica dos hereges modernistas defensores do Vaticano II.
 
São Paulo, 2 de Fevereiro de 2009.
Orlando Fedeli
 

 
MANIFESTO DE GOLIAS: PELO CONCÍLIO, CONTRA O INTEGRISMO
 
Golias
 
A decisão de Bento XVI de levantar a excomunhão dos quatro Prelados ordenados por Marcel Lefebvre em 1988 se apresenta como chocante, na medida em que ela exprime a reviravolta de Roma com relação ao Vaticano II. Além do escândalo horrível suscitado pelas afirmações negacionistas de um dos quatro Bispos consagrados, que evidentemente exigiriam uma punição bem severa, falta da qual as excusas do Papa quase não serão convincentes, quanto ao fundo, é um gravíssimo erro – e não simplesmente uma falta - que acaba de ser cometida, em vários níveis principalmente no plano teológico e pastoral. Assim, nós pretendemos resistir a essa tentativa de retomar uma atitude, intransigente e reacionária no seio do catolicismo agora há quase trinta anos. Nós pretendemos igualmente abrir portas a fim de que se invente um novo cristianismo, com referência dinâmica ao patrimônio recebido da tradição evangélica.
 
A aparente vitória da ala tradicioalista parece mais o simples contra-golpe de uma pulverização do catolicismo em geral no contexto de uma crise global de civilização.
 
As restauraçõe jamais têm futuro.
 
Dito isso, ao nível da hierarquia estabelecida vaticana, e freqüentemnete  episcopal, estão dados e se multiplicam os sinais de um retorno  atrás, de uma vontade de exumar um modelo discutível, envelhecido e pouco evangélico de catolicismo, de uma nostalgia recorrente de um passado idealizado (notadamente litúrgico), de uma postura orgulhosa, altiva e infecunda face aos desafios contemporâneos de um mundo mais complexo que o imaginavam os herdeiros do Vaticano II, mas que a diabolização frenética do integrismo e do integralismo do Papa atual ignoram ainda mais, de um moralismo acuado, anacrônico, inumano e por vezes hipócrita, em particular a respeito da sexualidade.
 
O Pontificado de Joseph Ratzinger, alternando uma espécie de torpor açucarado em devoção com medidas sabiamente concebidas de correção doutrinária, que viram as costas ao espírito do Vaticano II, e quase à letra (eclesiologia revista tendo como conseqúência principalmente o congelamento do ecumenismo), ilustra uma estratégia de restauração fundada sobre uma contra-posição desastrosa entre a Igreja e o mundo.
 
A decisão do Papa de levantar a excomunhão dos Bispos lefebvristas constitue um ponto de não retorno na confiança que alguns ainda mantinham nos responsáveis da Igreja Católica. Nesse sentido, Bento XVI, cedendo às pressões dos integristas coloca doravante a Igreja Católica num caminho de divisão. Com efeito, a vontade do Papa de favorecer a unidade no seio da Igreja Católica, que em si se pode considerar legítima, apóia-se em bases de tal modo  falseadas que elas não podem senão provocar novos dilaceramentos; dilaceramentos muito maiores e escancarados que aqueles que ele quer exatamente consertar: um cisma crescente que pode ver partir na ponta dos pés um número importante de católicos que ficaram fiéis ao Vaticano II e se sentem hoje « traídos »...
 
Face a esta crise de uma gravidade extrema, Golias pensa situar-se numa perspectiva certamente crítica, mas dinâmica e inventiva. Apreciamos essa palavar de Balzac : «Eu pertenço à perpétua resistência que se chama a vida».
 
Golias entende portanto resistir e conclama à resistência, contra todas as formas de integrismo, de negacionismo e fanatismo, contra a censura da liberdade de pensar, de rezar e de amar, contra a “castração” imposta aos clérigos em nome de uma visão anacrônica que provém do Antigo Regime, e que permitem a todas as perversidades de dissimularem aí de modo impune, contra uma visão clerical da Igreja gangrenada por uma sede de poder que não tem a honestidade de se reconhecer como tal e que entretem numerosas frustrações.
 
Devemos entrar em resistência espiritual em todos os níveis: 
  • recusar, por exemplo, que seja excluída da comunhão eucarística uma pessoa que refaz legitimamente sua vida em uma nova união de amor;
  • apoiar um padre rejeitado por sua hierarquia porque ele vive com uma mulher, ou com um homem;
  • difundir as obras de teólogos censurados e maltratados,
  • denunciar as medidas repressivas,
  • abordar as temíveis questões da bioética que tocam o início e o fim da existência sem ter a pretensão de possuir uma verdade definitiva; 
  • trabalhar para exigir reformas importantes no funcionamento interno da Igreja onde os direitos do Homem são pisoteados ;
  • exigir rever o lugar subalterno reservado às mulheres por razões teológicas não fundamentadas. Da mesma forma, concernente à estrutura sacral e clerical da Igreja, com um Papa, rei  vitalício..
Este combate enraíza-se na fé em Jesus e em seu Evangelho, com o qual, estamos persuadidos, tem pouco a ver uma visão esclerosada da Tradição cristã.
 
É precisamente por apego a Cristo, à sua Igreja (que todos nós somos), a essa vida de graça e de amor, que liberta e torna mais audacioso, para a honra de um Deus desfigurado e blasfemado por aqueles que, em seu nome, se mostram intolerantes, sectários e inumanos que nós empreendemos esse combate.
 
Fevereiro de 2009
Golias
 
[Tradução: Montfort. Original site Golias]

    Para citar este texto:
"Golias conclama para a fundação de uma nova religião"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/golias-fundacao-nova-igreja/
Online, 26/09/2017 às 19:01:27h