Igreja

Frei Tiago: pobreza e obediência. Já outros...
Alberto Zucchi
Causou uma profunda perplexidade, e mesmo uma santa indignação, a expulsão de Frei Tiago de São José da diocese de Bragança Paulista, decretada por Dom Sergio Aparecido Colombo. Inicialmente estes sentimentos estavam restritos aos amigos mais próximos de Frei Tiago, como nós da Montfort. Mas, logo em seguida, eles foram contagiando muitos de Atibaia, depois muitas pessoas de diversas cidades do  Estado de São Paulo, e logo após de outros lugares do Brasil. Tenho certeza que, em breve, estes sentimentos se terão contagiado a pessoas no exterior. O apostólico Bispo, que alega desobediência por parte de Frei Tiago para justificar sua atitude, faz questão de ressaltar que este não tem direito a qualquer indenização. Temos no Bispo uma mistura de zelo hierárquico e zelo financeiro. É claro que o Bispo se dispensa de informar em que Frei Tiago foi desobediente. Seria ele desobediente ao Bispo pelo fato de rezar a Missa Gregoriana? O Bispo considera isto uma desobediência?  Nada foi esclarecido. A pena foi aplicada, mas os motivos não foram informados. Como dissemos, o zelo apostólico do Bispo se limitou a informar que Frei Tiago não tem direito a nenhum ressarcimento financeiro. De nossa parte, temos certeza que Frei Tiago não foi desobediente. Nossa certeza está fundamentada no conhecimento pessoal que temos das atitudes e da vida de Frei Tiago. Ele sempre se submeteu às autoridades. Sempre lhes prestou a obediência e o respeito que lhes eram devidos. Conhecemos Frei Tiago em tempos difíceis. Ainda era muito recente o “Motu Proprio”, que lembrou para a grande maioria do clero do mundo que a Missa de São Pio V jamais fora proibida. O antigo bispo de Bragança, dom José Maria Pinheiro, não proibia Frei Tiago de rezar a Missa Antiga e, durante algum tempo, ele a celebrou para nós em São Paulo. Mas, quando o bispo pediu a Frei Tiago que não deixasse mais o mosteiro, ele de pronto obedeceu. Mas não somos somente nós que sabemos que Frei Tiago é obediente. Dom Sérgio também o sabe, e sabe melhor do que nós. Foi por isto que ele pediu a Frei Tiago que assinasse um contrato de comodato. Sim, talvez poucos tenham conhecimento disso mas, com Dom José, a cessão das terras onde está o convento foi acertada verbalmente.  Para homens de bem, a palavra tem muito mais valor que qualquer documento escrito. Dom Sergio se apressou em apresentar a Frei Tiago um contrato que, como se diz, tem cláusulas leoninas a favor do Bispo.  Ele é datado de 9 de junho de 2010, ou seja, oito anos após Frei Tiago ter iniciado seu trabalho em Atibaia. Após ficar oito anos fazendo melhorias no terreno que pertence à diocese,  Frei Tiago assinou um contrato que não lhe dá direito a qualquer restituição, e estabelece o exíguo prazo de seis meses para sair do local, caso o bispo peça. Se Frei Tiago fosse um padre da Teologia da Libertação, poderia se declarar do “movimento sem terra e sem moral”, e pedir o usucapião do terreno. Muito provavelmente ganharia a ação nos tribunais civis. E porque Frei Tiago assinou um contrato deste tipo? Ingenuidade? Não! Frei Tiago estudou direito na Faculdade do Largo São Francisco. Ele sabia bem a que riscos estava se expondo mas, se o bispo pediu, ele consentiu. Este é o monge desobediente. É inacreditável que Dom Sérgio possa fazer uma afirmação deste tipo que, sem dúvida, é uma calúnia. Ao saber das ameaças do Bispo, Frei Tiago não aceitou o caminho da revolta. Seria fácil declarar o “estado de necessidade” e se rebelar contra o Bispo. Recorrer aos tribunais civis e permanecer indefinidamente no terreno. Não! Frei Tiago saiu à procura de outros bispos que pudessem acolher seu trabalho. Alguns até que o receberam bem, mas não querem entrar em atrito com seus colegas no episcopado. Outros, como o Bispo de São José dos Campos, que permite a Missa Antiga em uma igreja em Jacareí, dispensaram o pior tratamento a Frei Tiago. Vejamos agora a posição que vão tomar aqueles que se colocam como grandes vigilantes das autoridades eclesiásticas. Terão eles a mesma atitude de desafio que tiveram com outros bispos, que estão há muitos quilômetros de distância, ou preferirão  se manter no anonimato da internet, ocultados por pseudônimos, fazendo de conta que nada aconteceu bem perto deles. Frei Tiago continua procurando. Temos certeza que Nossa Senhora não o abandonará. Mais uma prova de sua obediência foi a Missa celebrada no último domingo. Como sempre, a igreja com muita gente. Após a Missa se forma uma grande fila para conversar com Frei Tiago, pedir conselhos, confessar, obter uma orientação.  Seria a ocasião para Frei Tiago criar um clima de revolta, pedir apoio contra o Bispo. Não, isto não aconteceu. No sermão, Frei Tiago comentou o Evangelho e a Epístola. A algumas pessoas que se queixaram Frei Tiago recomendava paciência. Dizer que Frei Tiago é desobediente contraria as evidências. Nós o sabemos, Dom Sérgio também o sabe. E quem cuidará dos fiéis que agora estão com Frei Tiago? Já correm boatos de que os Arautos do Evangelho estão “de olho” em mais uma aquisição. Seriam apenas boatos. É preocupante ver as fotos de Dom Sergio com roupas eclesiásticas dos Arautos. É preocupante ver como ele é amigo de Monsenhor João Scognamiglio, o discípulo predileto de Plínio Correa de Oliveira, o “profeta” fundador da TFP. Nós que podemos testemunhar a obediência de Frei Tiago, muito mais podemos testemunhar o caráter sectário dos Arautos do Evangelho.  Por aproximadamente dez anos freqüentamos a “finada” TFP. Temos a honra de sermos dos primeiros alunos do Professor Orlando a procurá-lo para denunciar os erros doutrinários decorrentes do culto delirante que se prestava a Plínio e a sua mãe. Ouvíamos muitas vezes, diretamente de João Clá, os maiores delírios em matéria de doutrina e de fé, contra a Igreja.  A Igreja era chamada de “estrutura”, dizia ele que Nosso Senhor não teria se encarnado se Plínio não tivesse correspondido à graça, que o sinal de vocação para o seminário era que um rapaz gostasse de crochê. Para quem não conhecia bem a João Clá, talvez tenha sido surpreendente sua transformação mas, dentro da TFP, se dizia que ele ficava vermelho quando falava a verdade. Exagero? Veja-se, por exemplo, como ele mesmo justifica sua transformação, através do que a própria TFP chamava de MANOBRA JUDITH: “O Sr. João lançou a idéia [em fevereiro de 1996] de que as TFPs pudessem ter uma situação canônica reconhecida na Igreja, o lance seria muitíssimo mais eficaz. Posteriormente, quando lançássemos a grande denúncia profética [da 4ª. Revolução que poderia desencadear a Bagarre], o Vaticano se daria conta de que nosso pedido de reconhecimento tinha sido apenas uma “trampa” [trapaça] para dar o lance, mas aí já seria tarde demais”. Eis um homem obediente para Dom Sérgio. Será que Dom Sérgio exigiu dos Arautos um contrato de comodato garantindo que tudo que eles arrecadassem seria da Diocese? Se Dom Sergio conseguisse pelo menos algo meio a meio já seria um grande negócio... No ano passado, a Editora Montfort lançou o livro “No país das maravilhas: a Gnose Burlesca da TFP e dos Arautos do Evangelho” de autoria do Professor Orlando Fedeli. O livro contém vasta documentação que comprova toda a doutrina gnóstica da TFP, seguida pelos Arautos. Será que Mosenhor João Clá teria voltado atrás? Nenhuma contestação ao livro foi feita até o presente momento. João Clá jamais voltou atrás em sua admiração “pliniesca”. Pelo contrário, basta ver suas pseudos teses academicas para perceber que a loucura continua. Veja-se, por exemplo, o que respondeu João Clá a um dos membros da banca de examinadores daquilo que ele chama de tese de doutorado: “Mas o que mais me tocou a fundo e me deu idéia a respeito da universalidade desse carisma, foi o convívio com o Professor Plinio Corrêa de Oliveira. No seu livro Revolução e Contra-Revolução, ele analisa todo o processo revolucionário ao longo da História, desde a Idade Média até os dias de hoje, chegando ao comunismo e à IV Revolução, que é o tribalismo. Foi analisando esse estudo, entre outros, e sobretudo pelo fato de poder acompanhá-lo bem de perto, ao longo de quarenta anos, que, mais tarde, me ficou patente quanto nosso carisma deveria se aplicar a tudo”. Repetindo o que algumas vezes comentou o Professor, ao escrever sobre este tipo de tolices, o grifo é meu, mas as loucuras são do João. Assim, se Dom Sergio não voltar atrás, ou se as autoridades no Vaticano não fizerem prevalecer o verdadeiro direito, talvez o pobre e “desobediente” Frei Tiago dará seu lugar ao rico e “obediente” João Clá.  Sem dúvida será uma grande injustiça. De nossa parte, temos antes de tudo confiança de que Nossa Senhora não permitirá que isto aconteça. E temos, ainda, a esperança que ela fará isto através dos canais de direito constituídos pelo Vaticano. Como dissemos, Frei Tiago optou pela obediência e não pela revolta e, por isto mesmo, seguirá os caminhos que o Direito Canônico lhe proporciona. Mas e se, por ventura, os tribunais romanos não restaurarem o direito de Frei Tiago? Então, mais do que nunca, ele será semelhante a Nosso Senhor Jesus Cristo, o inocente que assumiu todos os pecados e que, quando foi elevado na cruz, tudo atraiu para ele. Se de fato isto acontecer, o sofrimento de Frei Tiago atrairá para todos nós muitas graças, que certamente farão se aproximar mais rapidamente o dia em que o Imaculado Coração de Nossa Senhora irá triunfar como foi previsto em Fátima.

    Para citar este texto:
"Frei Tiago: pobreza e obediência. Já outros..."
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/frei-tiago-contra-o-bispo-de-braganca/
Online, 25/11/2017 às 05:34:32h