Igreja

Dom Fisichella defende a morte
Orlando Fedeli

Monsenhor Rino Fisechella, Arcebispo Presidente da Pontifícia Academia pela Vida, acaba de publicar um artigo, no Osservatore Romano, --- abaixo reproduzido ---  no qual critica o Arcebispo de Olinda e Recife por ter declarado excomungados os médicos e a mãe de uma menina em quem foi feito um duplo aborto de gêmeos.
 
O caso causou grande celeuma.
 
Uma menina de nove anos era violentada, há muito tempo, por um jovem de 23 anos que vivia com a mãe dela, mulher de 42 anos. Ainda pior, esse criminoso abusava também de outra filha de sua amásia. E esta sua segunda vítima, também menina, era doente mental.  Parece quase impossível que a mãe das meninas não soubesse do que acontecia em sua casa.
 
A menina de nove anos ficou grávida de dois gêmeos.
 
A mãe consentiu que os médicos executassem o duplo aborto dos  gêmeos gerados por incesto e estupro continuado.
 
A Arquidiocese de Olinda e Recife deu toda assistência à menina e à mãe dela, para que não fizessem o aborto. Não adiantou. O duplo aborto foi realizado. Dom José Cardoso Sobrinho, digníssimo Arcebispos de Olinda e Recife, declarou então que de acordo com o Código de Direito Canônico, estavam excomungados os médicos que realizaram o aborto e a mãe da menina, que consentira na perpretação desse crime.
 
Nada mais correto.
 
A mídia clamou aos infernos vingança contra o Arcebispo de Olinda e Recife que simplesmente declarara o que a lei da Igreja comina nesses casos.
 
Alguns Bispos da França apressaram-se a criticar Dom José Cardoso Sobrinho.
 
Foi então que saiu o artigo de Monsenhor Fisichella no Osservatore Romano, choramingando amor demagógico pela menina, e criticando o Arcebispo que declarara aplicada a lei da Igreja. Menina a quem ele dá o nome fictício de Carmen, nome típico espanhol e não português, ou brasileiro.
 
Que o Presidente da Academia Pontifícia pela Vida, nomeado para esse cargo para combater o aborto, fizesse uma velada defesa, sentimental e demagógica, do crime de aborto, e no jornal oficioso do Vaticano, é uma vergonha e um escândalo.
 
O que moveu Dom Fisichella a defender sentimentalmente o duplo aborto praticado em Recife? Sentimentalismo romântico? Covardia em defender a lei da Igreja? Vergonha de enfrentar o mundo moderno e sua mídia?
 
Quer tenha sido por sentimentalismo, quer por covardia ou por respeito humano pela mídia, o que Monsenhor Fisichella fez foi uma escandalosa e vergonhosa traição  ao Papa Bento XVI, que combate valentemente o aborto.
 
O primeiro parágrafo do artigo de Monsenhor Fisichella é dedicado, todo ele, a uma exibição oca e sentimental de “amor” pela menina ultrajada. O amor verdadeiro, -- a caridade – exige que se queira o bem por amor de Deus, e que se odeie o mal. Não há amor sem ódio, explica São Tomás. Se se ama a vida, se odeia a morte. Se se tem amor à virtude se odeia o pecado. Caso se ame a verdade, tem-se ódio da mentira. Quem ama o doce, odeia o amargo. Monsenhor Fisichella, porém, não sabe e não pratica isso, porque é seguidor do modernista Urs Von Balthasar, e não de São Tomás.
 
Ele quer mostrar um amor choroso pela menina. Diz que quer olhar fixamente os olhos dela, abraçá-la, acariciá-la com doçura, e etc. Como num filme ou novela sentimental. Mas, esse Monsenhor vaticanês não demonstra qualquer ódio ou repulsa pelo estuprador incestuoso.
 
Estranho amor sem ódio.
 
Esse primeiro parágrafo de Monsenhor Fisichella é totalmente sentimental e demagógico. Sim, demagógico. Porque esse Arcebispo que deveria combater o aborto discorre do que não sabe. E não tem nenhuma manifestação de amor sobrenatural. Nada diz sobre a alma da menina. É um texto sem elevação espiritual, como deveria ser um texto de um sacerdote. É um texto naturalista.
 
O que Monsenhor Fisichella manifesta é pura filantropia naturalista pois que afirma que se deve devolver à menina:  “um nível de humanidade do qual nós homens de Igreja deveríamos ser peritos anunciadores e mestres”.
 
Ora, o objetivo dos sacerdotes é, antes de tudo e primordialmente, salvar as almas. Peritos em proporcionar “nível de humanidade” é o que pretendem ter os membros de certas lojas.Esse não é e não pode ser o objetivo principal  dos sacerdotes de Cristo.
 
Monsenhor Fischela critica a atitude do Arcebispo de Olinda e Recife, como se este só tivesse excomungado os abortistas, por ato ou por consentimento, não tendo dado nenhuma assistência à menina vítima.
 
Ora, a Cúria de Olinda e Recife, num comunicado contra Monsenhor Fisichella,  demonstrou que foi dada a essa menina toda a caritativa assistência da Igreja.
 
Monsenhor Fisichella fala do “jovem padrasto” sem nenhuma condenação por ela abusar de duas meninas, sendo uma delas doente mental. Mas, o Arcebispo Fisichella não tem uma palavra de condenação para esse criminoso.
 
Ora, como dissemos, o amor por alguém, sendo sincero, combate o mal daquele que ama. Esse Arcebispo — Rino para os íntimos — não tem nenhuma demonstração de condenação do criminoso. Logo, seu amor pela menina é pura exibição jornalística.  E ele discorre como se não existissem tantos outros casos de violentação e profanação de inocentes...
 
Mas, se ele não tem palavras duras para com o criminoso é porque ele as reserva para o Arcebispo que condenou o aborto. Ele acusa o Arcebispo de Olinda e Recife de insensibilidade para com a menina, de pressa e falta de tino, em sua condenação do aborto.
 
Dom Fisichella tem palavras simpáticas para com os médicos que fizeram o aborto. Dom Rino diz que os médicos ajudaram a menina  “a interromper a gravidez”.
 
Como esses Monsenhores modernistas são hábeis em substituir a palavra aborto -- que indica um crime -- por um circunlóquio cheio de doçura camufladora.  O que foi feito em Recife não foi bem aborto. Foi interrupção de gravidez.
 
Puro cinismo.
 
Monsenhor Fisichella apresenta os médicos que fizeram o duplo aborto  –a interrupção de gravidez--  angustiados ao terem que tomar a decisão de fazê-lo ou não. Ele os diz sós, sem assistência em sua dolorosa escolha. Como se a Igreja jamais tenha pensado nisso, e jamais tivesse dado orientação segura para esses casos.
 
Diz Dom Fisichella que “Ninguém, de todo modo, chega a uma decisão deste tipo com desenvoltura; é injusto e ofensivo o pensar só nisso”.
 
Mas, hoje, esses médicos se riem da excomunhão, dizendo que como fazem abortos há muito tempo, sabem que já foram muitas vezes excomungados...
 
Só Monsenhor Fisichella não sabe o que pensam os médicos abortistas...
 
E  é para com eles cheio de rapapés:
O respeito devido à profissão do médico é uma regra que deve envolver a todos e não pode consentir de chegar a um juízo negativo sem primeiro ter considerado o conflito que se criou em seu íntimo. O médico carrega consigo a sua história e a sua experiência; uma escolha como aquela de ter que salvar uma vida, sabendo que coloca em sério risco uma segunda vida, jamais é vivida com facilidade””
 
Mas para com Dom José Cardoso Sobrinho, Monsenhor Fisichella não tem respeito por sua vida eclesial e nem por sua experiência e prudência.episcopal e sacerdotal.
 
Para cobrir-se da acusação de defender o aborto — a interrupção de gravidez — Monsenhor Fisichella prudentemente diz o contrário do que defende insinuadamente em todo o seu artigo:
A moral católica tem princípios dos quais ela não pode prescindir, mesmo se o quisesse. A defesa da vida humana desde a sua concepção  pertence a um destes e se justifica pela sacralidade da existência”.
 
Diz ainda:
“O aborto provocado sempre foi condenado pela lei moral como um ato intrinsecamente mau e este ensinamento permanece imutável em nossos dias  desde os primórdios da Igreja”.
 
E chega até a lembrar que “O concilio Vaticano II na Gaudium et spes - –(...) usa de modo inesperado palavras inequívocas e duríssimas contra o aborto direto”.
 
Que coisa !
Até o Vaticano II  -- de modo “inesperado”--  usou “palavras inequívocas e duríssimas contra o aborto direto”.
Quem diria!.
 
Até Monsenhor Fisichella se espanta com isso.
 
Mas inesperadamente, embora reconheça que o Código de Direito Canônico condena com excomunhão quem faz o aborto ou nele consente, Monsenhor Fischella  considera que “não havia necessidade, de tanta urgência e publicidade de declarar um fato que se realiza de modo automático”.
 
Portanto, que Dom Jose Cardoso Sobrinho não deveria ter lembrado que os médicos e a mãe da menina estavam excomungados.
 
No fundo, Monsenhor Fisichella defendeu serpentinamente o aborto, - perdão --, o que ele chama pudica e hipocritamente de “interrupção de gravidez’
 
Esse Arcebispo, Monsenhor Rino Fisichella, deveria ser Presidente da Anti Pontifícia Comissão Herodiana da Morte. Jamais da vida. O Papa deveria demiti-lo imediatamente de suas funções, por defesa velada do aborto e por exibicionismo demagógico, traidor da moral católica e do que o Papa insiste em defender, a vida, e em condenar, o aborto.
 
São Paulo, 19 de Março de 2009, festa de São José.
Orlando Fedeli
 
 
 
 
PS.
O DELÍRIO É CONTAGIANTE. AGORA JÁ TEMOS UMA TRINDADE DELIRANTE:
Dom Williamson, Monsenhor Fisichella e Padre Tanouarn
 
Havíamos apenas concluído este artigo, quando nos chegou a notícia de dois comentários do Padre Tanouarn, do IBP, apoiando Mons. Fisichella. Padre Tanouarn agora é Doutor em Filosofia. O que lhe parece garantir o direito de ser bem confuso e tortuoso no que escreve.
Philophie [moderne] oblige...
 
“Oscura, eretica e nebulosa” filosofia [moderna]...
Tanto che, per ficar lo viso a fondo,
Non vi si dircenea alcuna cosa”...
 
Já não bastava a declaração delirante de Dom Williamson—cuja culpa a mídia fez recair sobre o Papa, tivemos depois o comentário vergonhoso de Monsenhor Fisichella no Osservatore Romano. E Padre Tanouarn atribui a responsabilidade do pensamento fisichellesco ao próprio Papa Bento XVI. Pois, se Monsenhor Fisichella tem cargo no Vaticano, e escreveu no Osservatore Romano, Padre Tanouarn se apressa a concluir o pensamento fisichellesco ao próprio Papa Bento XVI.
 
Por fim, os dois comentários de Padre Tanouarn, com alusões nitschezeanas, e aderindo à tese de Monsenhor Fisichella, com afirmações absurdas, cheirando a luteranismo, como a de que “a Igreja não propõe aos homens uma moral, ela propõe a fé”, vão levar, a algum sedevacantista de plantão ante seu computador, a concluir que Bento XVI é culpado pelos delírios pseudo filosóficos modernos do Padre Tanouarn. Pois se o IBP foi feito pelo Papa Bento XVI, e o Padre Tanouarn disse, e diz, bobagens, o  responsável teria que ser Bento XVI.
 
Pobre Papa Bento XVI que seria responsável e culpado por todos os delírios e tolices que Bispos, Monsenhores e Padres da esquerda e da direita dizem por aí. Para regozijo dos “teólogos” da Internet, isto é dos desempregados que nada tendo que fazer, passam o dia consultando a web, e, depois, emitem juízos solenes e anatematismos contra o Papa.
 
E o depõe, sentando-se eles no trono de São Pedro.
 
Pensando bem, propriamente o sede vacantismo é apenas momentâneo, pois logo que depõem o Papa, os sede vacantistas se apressam a se sentar no trono pontifício.
 
Desse modo a sede nunca está vacante. OF
 
 

 
Ficando do lado da menina brasileira 
de Rino Fisichella
Arcebispo  presidente da Pontifícia Academia pela Vida
 
O debate sobre algumas questões freqüentemente se torna acirrado e as diferentes perspectivas nem sempre permitem considerar quanto a aposta em jogo seja verdadeiramente grande. É este o momento no qual deve-se olhar para o essencial e, por um momento, deixar de lado o que não toca diretamente ao problema. O caso na sua dramaticidade é simples. Há uma menina de apenas  nove anos – nós a chamaremos de Carmen - que devemos olhar fixamente nos olhos sem distrair o olhar nem por um instante, para fazer-lhe entender quanto se lhe quer bem. Carmen, em Recife, no Brasil, foi repetidamente violentada pelo seu jovem padrasto, ficou grávida de dois gemeozinhos e não terá mais uma vida fácil. A ferida é profunda porque a violência de todo gratuita a destruiu por dentro  e  dificilmente  lhe  permitirá no futuro olhar os outros com amor.
 
Carmen representa uma história da violência quotidiana e ganhou as páginas dos jornais só porque o Arcebispo de Olinda e Recife apressou-se em declarar a excomunhão para os médicos que a ajudaram a interromper a gravidez. Uma história de violência que, entretanto, teria passado despercebida, tanto se está habituado a suportar cada dia fatos de uma gravidade inigualável, se não fosse pela  gritaria e as reações suscitadas pela intervenção do Bispo. A violência contra uma mulher, já de si grave, assume uma gravidade ainda mais lamentável quando a sofrida é uma menina, com o agravante da pobreza e da degradação social em que vive. Não há linguagem correspondente para condenar tais episódios, e os sentimentos que deles derivam são freqüentemente uma mistura de raiva e de rancor que adormecem somente quando realmente é feita justiça e a pena aplicada ao delinqüente do caso tem a certeza de ser descontada.
 
Carmen devia ser defendida em primeiro lugar, abraçada, acariciada com doçura para fazê-la sentir que estávamos todos com ela; todos, sem distinção alguma. Antes de pensar na excomunhão era necessário e urgente salvaguardar a sua vida inocente e trazê-la a um nível de humanidade do qual nós homens de Igreja deveríamos ser peritos anunciadores e mestres. Assim não foi feito e, todavia, a credibilidade do nosso ensinamento se ressente disso e ele aparece aos olhos de tantos como insensível, incompreensível e privado de misericórdia. É verdade, Carmen trazia dentro de si outras vidas inocentes como a sua, ainda que frutos da violência, e elas foram supressas; isto, todavia, não basta para fazer um juízo que pesa como um cutelo.
 
No caso de Carmen encontraram-se a vida e a morte. Por causa da muito jovem idade e das condições de saúde precárias a sua vida estava em sério perigo pela gravidez em ato. Como agir nesses casos? Decisão árdua para o médico e para a própria lei moral. Escolhas como essa, ainda que com uma casuística diferente, repetem-se quotidianamente nas salas de reanimação e a consciência do médico se acha só consigo mesma no ato de ter que decidir o que seja melhor fazer.  Ninguém, de todo modo, chega a uma decisão deste tipo com desenvoltura; é injusto e ofensivo o pensar só nisso.
 
O respeito devido à profissão de médico é uma regra que deve envolver a todos e não pode consentir de chegar a um juízo negativo sem primeiro ter considerado o conflito que se criou em seu íntimo. O médico carrega consigo a sua história e a sua experiência ; uma escolha como aquela de ter que salvar uma vida, sabendo que coloca em sério risco uma segunda vida, jamais é vivida com facilidade. Certo, alguns se habituam às situações assim de modo a nem sentir mais nem emoção; nestes casos, porém, a escolha de ser médico é degradada  a somente uma profissão vivida  sem entusiasmo  e  suportada  passivamente. Fazer  de  tuoda erva um só feixe, entretanto, além de incorreto seria injusto.

Carmen recolocou um caso moral dos mais delicados; tratá-lo despachadamente não faria justiça nem à sua frágil pessoa nem a quantos se envolveram a títulos a diversos na questão. Como todo caso singular e concreto, de todo modo, ele merece ser analisado na sua peculiaridade, sem generalizações. A moral católica tem princípios dos quais ela não pode prescindir, mesmo se o quisesse. A defesa da vida humana desde a sua concepção  pertence a um destes e se justifica pela sacralidade da existência. Todo ser humano, de fato, desde o  primeiro instante traz impressa em si a imagem  do  Criador,  e  por isso estamos convencidos que lhe devem ser  reconhecidos  a  dignidade  e  os  direitos de toda pessoa,  primeiro entre todos o  da  sua  intangibilidade  e  inviolabilidade.

O aborto provocado sempre foi condenado pela lei moral como um ato intrinsecamente mau e este ensinamento permanece imutável em nossos dias  desde os primórdios da Igreja. O concilio Vaticano ii na Gaudium et spes - documento de grande abertura e sagacidade com referência ao mundo contemporâneo - usa de modo inesperado palavras inequívocas e duríssimas contra o aborto direto. A própria colaboração formal constitui uma culpa grave que, quando é realizada, leva automaticamente à exclusão da comunidade cristã. Tecnicamente, o Código de direito canônico usa a expressão latae sententiae para indicar que a excomunhão  atua no exato momento em que o fato ocorre.
 
Consideramos que não havia necessidade, de tanta urgência e publicidade de declarar um fato que se realize de modo automático. Sente-se que o que mais se necessita principalmente é neste momento o sinal de uma testemunho de proximidade com quem sofre, um ato de misericórdia que, mesmo mantendo firme o princípio, é capaz de olhar além da esfera jurídica para alcançar o que o próprio direito prevê como finalidade de sua existência:  o bem e a salvação de quantos crêem no amor do Pai e de quantos acolhem o Evangelho de Cristo como as crianças, que Jesus chamava para junto de si e apertava entre seus braços dizendo que o reino dos céus pertence a quem é como elas.
Carmen, estamos a seu lado. Partilhamos consigo o sofrimento que você teve, quereríamos fazer de tudo para restituir sua dignidade da qual você foi privada e o amor do qual você terá ainda mais necessidade. São outros os que merecem a excomunhão e o nosso perdão, não quantos permitiram que você vivesse e que lhe ajudarão a recuperar a esperança e a confiança. Não obstante a presença  do mal  e  a  maldade de muitos.
 
[Tradução e destaques: Montfort]

    Para citar este texto:
"Dom Fisichella defende a morte"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/fisichella-defende-morte/
Online, 23/04/2017 às 09:01:08h