Igreja

Não se prova a existência de Deus? Agora chegou sua vez, Padre Fábio de Melo: artigo e vídeo contra o Sr.
Orlando Fedeli

 
     Estava lendo o Profeta Isaías e me deparei com as terríveis advertências feitas por Deus contra o povo judeu por causa de sua infidelidade.
     
     “O boi conheceu o seu possuidor, e o jumento o presépio de seu dono, mas Israel não me conheceu, e meu povo não teve inteligência” (Is. I, 3).
 
     “A cítara, a lira, o pandeiro, a flauta, o vinho encontram-se nos vosso banquetes; e vós não olhais para a obra do Senhor, e nem considerais  as obras de suas mãos. Por isso é que meu povo foi levado cativo, porque não teve ciência. Os seus nobres morreram de fome e a sua multidão mirrou-se de sede” (Is. V, 12-13).
 
     Foi, então, que me enviaram um filme do Youtube em que aparecem o enfeitadinho herege modernista, Padre Fábio de Melo, com outro Padre, para lhe servir de parceiro.
 
     (O texto integral desse filmeco herético e sem nenhum valor intelectual está colocado, como documento, no fim deste artigo).
 
     Uma vergonha!
 
     Quer dizer, duas vergonhas!!
 
     Duas vergonhas exibindo heresias, ignorância e vaidades.
 
     Padre Fábio de Melo – “prudentemente” - retirou-se do combate que começara por causa de sua negação da presença real de Jesus Cristo na sagrada hóstia. Pedira ele socorro a Padre Joãozinho, mas, ele mesmo, logo desertou do debate. Agora, Padre Joãozinho também se retirou. De modo que, como no Cid, “Le combat cessa faute de combattants” (O combate cessou por falta de combatentes).
 
     Que pena!
 
     Se o combate cessou, não terminou minha denúncia das heresias desses sacerdotes.  
 
     Padre Fábio de Melo continua com seus programinhas filmados, exibindo seu ar de galã de telenovela. No filme que me enviaram — porque é evidente que não perco meu tempo assistindo mocinhos com jeito de galã de novelas - Padre Fábio de Melo exibe-se tendo por partner (É assim que se chama e se escreve isso?) um tal Padre Mário, ao que parece, especialista em Moral...
 
     Imagine-se!      
 
     O tema do filme era discutir se é possível provar, pela razão, a existência de Deus. E é claro que esses dois padres defenderam a posição modernista de que é impossível demonstrar, pela razão, que Deus existe. Para eles, Deus se experimenta. Não se prova.
 
     Não se prova filosoficamente. Prova-se como vinho: experimentando.
 
     Como vinho, não. Como picolé.
 
     Não acreditam?
 
     Verão no final deste artigo.
 
     Verão, com picolé.
 
     Um leitor de um livreco de Padre Fábio – o que se vende hoje! – escandalizou-se com a afirmação de Padre Fábio, nesse seu livro, em que ele confessou: “Não tenho nada que me prove a existência de Deus”.
 
     Padre Fábio tentou salvar sua frase escandalosa e herética, exigindo que fosse lido o resto da frase: é a fuga pelo contexto.
 
     “... Mas, mesmo assim, Ele [Deus] continua sendo o absoluto dos meus dias’”
 
     “Liiindo, né?”
 
     O absoluto.
 
     Absolutamente vazio.
     
     Veja-se o baixo nível desse diálogo de incompetentes heréticos:
 
     Padre Fabio:  “Sr. Rusvel [Nome do leitor escandalizado], se tivéssemos provas da existência de Deus, não precisaríamos ter fé... Do ponto de vista da ciência, não provamos com a      fé, mas com a vida. Por isso é que a gente tem fé”.
 
     (...) “No dia em que conseguíssemos provar a existência de Deus, Ele deixaria de ser Deus. Provar, o papel de provar é aquilo que a  ciência      comprova. A nossa fé não se prende      nisso, é muito mais. Mesmo quando não tenho a prova concreta, tenho a prova da fé.
 
     “A fé é como o amor. Amor não tem como provar, tem como experimentar. Provar é como sabor: sinto que Deus existe”. 
 
     Não é genial?
 
     “No dia em que conseguíssemos provar a existência de Deus, Ele deixaria de ser Deus”.
 
     Como Aristóteles e São Tomás provaram que Deus existe, desde então - assegura-nos Padre Fábio de Melo - Deus deixou de existir.
 
     Nesse ponto, interveio o tal Padre Mário dando a prova de sua heresia modernista:
 
     Padre Mário: “Experiência de fé é uma experiência metafísica; não precisa ter provas”.
      
     “Experiência metafísica...”
 
     Que será isso?
 
     Ora, dizer que a Fé é uma experiência foi condenado como tese da heresia modernista. Logo mais daremos os textos comprovantes disso.  
 
     Por ora, vamos nos divertir – para não chorar pela situação do clero moderninho e modernista - com os disparates desses Padres que revelam, a cada frase que dizem, sua ignorância dos termos que usam e as heresias que engoliram em seu seminário, sem refletir e sem compreender.
 
     Padre Fabio: “Existem as Cinco Vias de São Tomás para chegar ao conhecimento de Deus. Como é mesmo, Mário?”
 
     Surpreso com essa pergunta que não fora combinada, e nada sabendo das tais cinco vias, Padre Mário respondeu ingenuamente, demonstrando sua total ignorância do assunto.
 
     Padre Mario: “Padre Fabio, você disse que só faria perguntas sobre Teologia Moral...”
 
     A perguntinha metafísica estava fora do script...
 
     Padre Fábio de Melo, na ausência de conhecimentos metafísicos, recorreu, então, à sua especialidade: o amor. O amor conjugal. Especialidade teórica, claro. Não por experiência.
     
     O que é uma contradição dele. Pois se tudo se conhece só por experiência, como pode ele falar teoricamente do amor conjugal?
 
     Padre Fabio: “Chegar ao conhecimento de Deus não significa provar a existência de Deus — provar, com todo o significado da palavra no contexto da ciência...”
 
     “Como que o marido prova o amor pela esposa?”
 
     “A gente prova pela atitude. A esposa tem fé no amor que o marido tem por ela”.
 
     Aliviado, Padre Mário arrisca uma frase “metafísica”. Uma frase só, fora do combinado, caindo num panteísmo existencial grosseiro, ao usar mal o termo existência:
 
     Padre Mario: “Deus faz parte da minha existência, e eu da existência de Deus”.
 
     Profundo, né?!?
 
     Neste ponto, desse espaventoso diálogo teológico, no qual, literalmente se metem - ou se tomam - os pés pelas mãos, ou junto com as mãos,  Padre Fábio muda o rumo da conversa para tratar do problema dos milagres:
 
     Padre Fabio: “Eu nunca vi cair o maná do Céu. Você já viu, padre Mário? Não tenho nenhuma imagem da Virgem Maria que derramou lágrima. O que eu tenho é essa mão machucada, esse dedo sangrando, esse humano desconsolo da dor, deixando-me meio sem jeito de ser assim amado por Deus”.
 
     Padre Fábio, octopedal ou octomanualmente, não sei, se coloca como defensor do mais grosseiro empirismo.
 
     Padre Mário confessa, então, o fracasso de suas pesquisas miraculosas apologeticamente cinematográficas juvenis:
 
     Padre Mário: “Deus me deixou, quando eu era moço, meio decepcionado. Eu via o filme sobre O Mar Vermelho que se abria, ia para os campos, e nenhuma nuvem se abria...”
 
     Padre Fábio de Melo confessa que ele também tinha curiosidade de ver algum milagre. Mas logo volta a sua obsessão amorosa.   
 
     Padre Fábio: “Eu também era louco para ver um milagre. Querem provar que encontraram os ossos de Jesus, que encontraram o túmulo... Entretanto, Deus é como o amor: amor é experimentar”.
 
     Solta, então, uma frase “filosófica”. Uma tese ontológica. E diz uma batatada. E, pior, reafirma sua heresia modernista:
 
     “A experiência de fé é metafísica, não precisa de prova concreta. Amor não tem como provar, tem como experimentar”.
 
     Daí, Padre Fábio de Melo conta sua experiência metafísica. Experiência de fé “natural e bonita”.
 
     Tinha que ser bonita, claro.
 
     Isso não surpreende. Tudo o que Padre Fábio de Melo faz ou diz tem de ser “Natural”, “Bonito”, “Liiindo”.
 
     O que é surpreendente na “experiência de fé” de Padre Fábio de Melo é a padaria!
 
     A padaria?
 
     Que tem a ver padaria com “experiência de fé”?
 
     Lá, vou eu saber?
 
     Vamos ler o que significa essa experiência de fé metafisicamente padarialenta.
 
     Explica-nos Padre Fábio de Melo.
 
     Ouçam atentas as multidões...
 
     É uma experiência mística na padaria.
 
     Padre Fábio de Melo: “Minha experiência é muito natural. Tenho um blog Vida Comum. Gosto de fazer uma experiência natural e bonita — ir à padaria comprar pão. Provar enquanto      sabor: sinto que Deus está presente nas pequenas coisas”.  “Minha experiência de Deus é um poema. A minha experiência de Deus vem ao longo do poema. Não ficamos correndo atrás      de milagre”.
 
     Padre Fábio garante que não corre atrás do milagre: mordisca-o.
 
     Na Hóstia consagrada, Padre Fábio considera a “ausência de Deus”. Mas, no pão da padaria, provando o pão enquanto sabor... Ele sente que Deus está presente nas pequenas coisas.
 
     Quem sabe num pãozinho de queijo...
 
     Prova da existência de Deus, ele acredita que não existe. Prova de que Deus existe, para ele, só se dá experimentalmente: quando ele prova o sabor do pão da padaria.
 
     Isso porque ele é poeta. Não é profeta. E que ele é poeta, Padre Mário corre a confirmar:
 
     Padre Mário: “Você é poeta. A minha forma de experimentar é outra. Assim é com os Santos. Cada um tem uma forma de experimentar a Deus... Outro dia vi: o Fábio falou de Deus através do picolé — e eu só quero chupar o picolé. Não posso ficar só nas regras: lícito e ilícito. A Teologia Moral tem que me ajudar a fazer a experiência”.
 
     Pelo que ficamos sabendo que nem só o pão - de padaria, claro — prova experimentalmente que Deus existe. Existe também a prova do picolé. Que se vendem, também, em padarias.
 
     Mas, Padre Mário, por associação de idéias, escorrega do picolé para os problemas morais. Tratando do picolé, ele passa logo para a questão do lícito e do ilícito. Para a Teologia Moral.
 
     Do picolé!
 
     Padre Mário: “É porque Ele [Deus] me ama que Ele defende a minha vida. É respeitar e valorizar o outro... Experiência de Deus-Amor. Não é só colocar regras, proibir tudo. Deus me ama, por isso, preciso defender a vida. Ele é um Deus-Amor, que me protege, me ama, valoriza a minha dignidade. Não é assim: parece que Deus entrou e proibiu tudo”.
 
     Que aranzel! Que xarabiá!
 
     O modernismo “intelectual” de padaria, a nível de picolé, de Padre Fábio de Melo é pela experiência de Deus, recusando as provas filosóficas de sua existência. Mas o modernismo Moral de Padre Mário cheira não a pão de “padaria” católica, mas a antinomismo.
 
     Só cheira.
 
     Não diz.
 
     Porque, hoje, se quer acabar com a mentalidade de que “tudo é proibido”.
 
     Tenderia Padre Mário para o “É proibido proibir”, como proclamaram os novos “teólogos”, depois de 1968?
 
     Pelo texto, não dá para se saber.
 
     Mas, agora,  na nova era pós conciliar, o que era proibido, agora, ficou permitido. Ou vai ser.
 
     Logo mais.
 
     Advinham que proibição do Sinai se quer tornar lícita agora?
 
     Não advinham?
 
     Todas.
 
     Tudo se quer permitido, pois que se é contra o Deus que proíbe. O Deus do amor nada proíbe.
 
     Freud explica.
 
     Caminha-se, hoje, para a reinstalação do reino de Semíramis, a rainha “che a líbito  fè lícito in sua legge” (Dante, Divina Commedia, Inferno, V, 59).
 
     Para uma certa nova Teologia pós conciliar, o mundo deveria se livrar do Deus carrancudo, aquele “velho barbudo”, que nos quis impôr proibições. Certa vez, em uma palestra, o ex Frei Boff chegou a dizer:  “Eu como teólogo digo: Sou dez vezes mais ateu que você, desse deus velho, barbudo, lá em cima... Até é bom a gente se livrar dele” (Frei Leonardo Boff, Pelos Pobres contra a Pobreza, Conferência em Teófilo Ottoni, p. 54).
 
     Portanto: Fora também Aristóteles! Fora São Tomás com suas cinco vias.
 
     Viva o picolé!
 
                                    ***
 
     Estamos caminhando para o fim do filmeco. Para o fim do diálogo metafísico experimental desses dois Padres da Canção Nova. Para o fim do diálogo metafísico-picolesesco e de moral, cheirando ou beirando o antinomismo.
 
     E para o “fim do mundo”, como se dizia nas padarias, quando subia o preço do pão.
 
     E, nesse ponto, Padre Fábio de Melo, o poeta do picolé, nos diz:
 
     Padre Fábio: “A Igreja é uma só, mas tem vários discursos. Veja, somos padres, somos amigos, da mesma Congregação, com o mesmo processo formativo, e temos experiências      diferentes”. 
 
     Tudo quanto é experiência vale.
 
     Menos a da Montfort.
 
     A Montfort tem que ser excomungada. Nem que se tenha que enterrar com ela o ecumenismo e a abertura. Nesta apertura, criada pelo retrocesso de Bento XVI, na qual estamos, tem que se enterrar Montfort.
 
     Enterrem-se a Montfort e a abertura.
 
     Enterrem-se o ecumenismo e o diálogo junto com a Montfort. Com a Montfort não dá para dialogar.
 
     “Vae, Montfort!”.  
 
     [Para o clero moderno e modernista que não estudou latim, “Vae, Montfort!” significa “Maldita Montfort!”, pois ela nos estraga nosso metafísico... picolé!].
 
     E vejam como Padre Fábio dá um jeitinho para tornar lícito e modesto o lambusar-se com os elogios de seus fãs:
 
     Padre Fábio de Melo: “Minha Mãe me disse que ficou sabendo que um padre de Aracajú comentou:‘o Padre Fabio está no meio da Igreja para evangelizar as pontas’. Veja que sabedoria      nessas palavras!”
 
     Incontinenti, Padre Mário concorda:
 
     Padre Mário: “É muito sabedoria”.
 
     Padre Fábio então conclui:
 
     Padre Fábio: “Você tem o seu jeito específico. A pregação chama a pessoa que tem o mesmo enfoque. Se não fosse assim, se não houvesse partilha de experiências, bastaria um padre      só”.
 
     Pena que não haja um padre só, defendendo essas heresias. Hoje, os há muitos. Até demais.
 
     Nesse filmeco do Youtube, tivemos que agüentar dois.
 
     Dois hereges.
 
     E picolescamente ignorantes.
     
*****
 
     Vejam, agora, como o que esses pobres sacerdotes afirmaram os coloca, se não se retratarem - e desejo, e espero que se retratem — fora da Igreja, como hereges modernistas e fideístas (tradicionalistas à la Bonnety). Porque as heresias contrárias dialeticamente coincidem.
 
     Contra o fideísmo tradicionalista, que negava ser possível provar a existência de Deus, assim se pronunciou o Concílio Vaticano I – Notem o I (Primeiro) que foi infalível. Não o Vaticano II, que foi só pastoral, e não infalível, como disse o Cardeal Ratzinger, hoje, o Papa Bento XVI, gloriosamente reinante, para raiva do clero modernista:
 
     “Se alguém disser que Deus vivo e verdadeiro, criador e senhor nosso, não pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana por meio das coisas que foram      feitas, seja anátema” (Concílio Vaticano I, Cânon sobre a Fé católica. Denzinger, n0  1806).
 
     Chiii...Padre, essa excomunhão pega o senhor em cheio.
 
     “Se alguém disser que a revelação divina não pode se tornar crível por sinais externos e que, portanto, os homens devem mover-se à fé somente pela experiência interna de cada      um e pela inspiração privada, seja anátema” (Concílio Vaticano I, Cânon sobre a Fé. Denzinger, n0  1812).
 
     Chiiii… Padre. De novo, a excomunhão o atinge em pleno peito. O que o Vaticano I condenou expressamente é o que o senhor disse claramente.
 
     Bastariam esse dois cânones para comprovar a heresia desses Padres da Canção Nova. E tomara que, lendo este artigo, e considerando essas condenações do Concílio Vaticano I, esses Padres voltem atrás, e reprovem sinceramente o que escreveram. É o que espera, em Deus, a Montfort. Para o bem da alma deles.
 
     São Pio X condenou a tese modernista de que é pela experiência particular de cada um que se fundamenta a realidade do divino:
 
     “Para o modernista crente é coisa certa e verificada que  a realidade do divino existe realmente em si mesma e absolutamente não depende do crente. E se se lhes pergunta em que se      fundamenta  finalmente essa afirmação do crente, responderão: na experiência particular de cada homem. Afirmação pela qual, se é certo que se apartam dos racionalistas, por outro      lado vem a ter a opinião dos protestantes e dos pseudo místicos” (São Pio X, Pascendi, Denzinger, 2081. Os destaques são do original).
 
     O senhor entendeu, Padre Fábio?
 
     Isso não é poesia de picolé. É a excomunhão do que o senhor acredita e defende.
 
     Não há como não constatar que essas afirmações condenadas por São Pio X coincidem exatamente com as desses Padres da Canção Nova.
 
     E fazemos questão de destacar que São Pio X afirma expressamente que esses erros doutrinários são comuns aos modernistas e aos protestantes. Confirmando o que sempre temos repetido: que a RCC é de origem protestante, defende heresias protestantes, e, por isso, leva o povo ao protestantismo.
 
     No Juramento anti modernista, que todo Padre era obrigado a fazer — obrigação que Paulo VI revogou - se lê:
 
     ”E em primeiro lugar professo que Deus, princípio e fim de todas  as coisas, pode ser certamente conhecido e, portanto, também demonstrado, como a causa por seus efeitos, pela luz      natural da razão mediante as coisas que foram feitas (São Pio X , Juramento anti modernista, Denzinger, n 0 2145. Os destaques são do original).
 
     Também neste documento é patente a coincidência da heresia modernista com o que ensinaram Padres Fábio de Melo e Padre Mário no filmeco deles posto no Youtube.
 
     Também a condenação dos erros do tradicionalista Bonnety cai como martelada bem assentada na cabeça dos Padres Fábio de Melo e Padre Mário:
 
     “O raciocínio pode provar com certeza a existência de Deus, a espiritualidade da alma e a liberdade do homem. A fé é posterior à revelação, e, portanto, não se pode alegar      convenientemente para provar a existência de Deus contra o ateu, nem a espiritualidade e a liberdade da alma racional contra o seguidor do naturalismo e do fatalismo” (Decreto da      Sagrada Congregação do Index de 11 de Junho de 1855. Destaques nossos. Denzinger 1649).
 
     E, por enquanto, basta.
           
 
*****
 
 
     Dizíamos, a princípio, que no profeta Isaías, Deus reprovava a Israel que o povo escolhido não O conhecera. Que Israel não teve inteligência para conhecer a Deus, não considerando as obras criadas por Ele, para, através das obras criadas, conhecer o seu divino autor.
 
     Israel preferiu a lira, as cítaras, os pandeiros, o vinho, os banquetes, e por isso não teve mais a ciência de Deus, deixando os nobres do povo morrerem de fome, e a multidão do rebanho morrer de sede.
 
     E como essas palavras calham bem para os padres que perderam a fé!
 
     Claro que Padre Fábio de Melo, Padre Joãozinho (Estava me esquecendo dele) e Padre Mário podem nem pensar em cítara e lira. Talvez pensem em pandeiro, bateria, reco-reco e violão. No violão, certamente, pois que já vi Padre Joãozinho sobraçando um. Também não sei se tem banquetes.
 
     Mas que se banqueteiam com aplausos e gritinhos de fãs, isso é certo. E presumem ter sabedoria e medem seu valor pelo prestígio de que gozam, esquecidos de que prestígio, quem teve mais do que Cristo, ante Pilatos, foi Barrabás. Cristo carregou a cruz.
 
     E por causa da ignorância desse novo clero, os nobres morrem de fome e a multidão morre de sede.
 
     Nobres, no texto de Isaías, indica os homens mais sábios que necessitam de mais conhecimentos, isto é, de verdades mais sólidas que lhes sejam repartidas pelos sacerdotes. Porque o “alimento” mais sólido precisa ser cortado em pedaços, isto é, dividido em partes, para ser comido mais facilmente e assimilado. Assim também as verdades mais profundas devem ser divididas em partes — serem explicadas - para serem mais facilmente compreendidas. Enquanto a multidão dos homens menos elevados sorve as verdades mais simples, que podem ser engolidas mais facilmente, como os líquidos, sem precisar serem cortadas em pedaços, para serem melhor aproveitadas.
 
     Hoje, os fiéis mais competentes morrem de fome, e o povo simples morre de sede, porque os padres estão mais ocupados em assistir a novela das 8, ou o jogo do Corinthians, do que em meditar a Sagrada Escritura, ou em estudar São Tomás.
 
     É mais fácil tocar violão.
 
     Ou passar horas em Academias desenvolvendo os músculos, ou no cabeleireiro. E em colocar botox, e fazer as unhas, do que estudando metafísica. Para certos padres, o mais importante não é nem rezar Missa. O importante é fazer a maquiagem.
 
     Para ficar “liiindo”.
 
     Por isso, cabem aos novos sacerdotes, seguidores doëspírito do Concílio, o que, segundo Isaías, Deus lançou, naqueles tempos, contra os maus pastores de Israel:
 
     “Ái de vós que arrastais a iniqüidade com cordas de vaidade, e o pecado com os tirantes de um carro” (Is. V, 18).
 
     “Ái de vós, os que ao mal chamais bem, e ao bem, mal, que tomais as trevas por luz, e a luz por trevas, que tendes o amargo por doce, e o doce por amargo” (Is. V, 20).
 
     “O Senhor disse-me: Vai e dize a esse povo: Ouvi o que vos digo, e não o entendais. Vede a visão, e não a conheçais. Obceca o coração desse povo, endurece-lhe os ouvidos, fecha-lhe      os olhos, para que não suceda que veja com os seus olhos, ouça com os seus ouvidos, entenda com o seu coração, e se converta e Eu os sare”(Is. VI9-10).
 
     Praza a Deus que tal não aconteça aos sacerdotes transviados pelos erros que lhes inculcaram nos seminários modernistas. Leve Deus em conta sua ignorância e lhes tenha misericórdia.
 
     Que a Santa Virgem Maria, Rainha dos sacerdotes, alcance de Nosso Senhor Jesus Cristo, seu Divino Filho, o perdão, a sabedoria e o zelo tão necessários às almas sacerdotais.
 
     É o que roga a Montfort a Deus para esses padres.
 
                         In Corde Jesu, semper,
            São Paulo 01 de outubro de 2009
                             Orlando Fedeli
 

 
Como uma das primeiras iniciativas do projeto Legado Montfort assista no YouTube o  video da Aula 01 "AS PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS" .  Para saber mais sobre esta iniciativa, acesse BLOG LEGADO MONTFORT
 
 
 
Veja também as demais diretamente na Lista de Reprodução no Youtube (este video está dividido em 9 partes)
 

 
Trascrição do video "DEUS NÃO SE PROVA, DEUS SE EXPERIMENTA”  do Padre Fábio de Melo em  www.youtube.com/watch?v=Yf5EyxYLyUM
 
 
     “Pe. Fabio: Gostaria de comentar com vocês um e-mail de uma amiga de Frutal, que diz que está lendo o meu novo livro ‘Quando o sofrimento bate à sua porta’; diz que está amando e a cada dia fica mais admirada pelo livro.
     Ela comenta, porém, que o pai, o Sr. Rusvel — que também admira muitíssimo o Padre Fabio, que é muito inteligente, é participante ativo da Igreja, faz programa espiritual de rádio na cidade e sempre se inspira nas palavras sábias do Padre Fabio —, começou a ler e quando chegou na página 47, capítulo IV (quando o Padre Fabio diz assim: “Não tenho nada que me prove a existência de Deus”), a partir dessa frase, ele parou, não quer mais continuar, pois não concordou. Disse que não esperava uma frase dessas de quem que só tem ensinado a amar a Deus e a tudo que Ele ensina. Ele ficou muito triste, pois o Padre Fabio é admirador de toda a natureza, e de tudo isso (sic!) nos faz acreditar em Deus...
 
     Padre Fabio: Sr. Rusvel, nunca imaginei que essa frase pudesse ser agressiva ao coração das pessoas. Se o Sr. tivesse tido a paciência de ler a frase até o fim, o Sr. veria...
 
     Pe. Mário, você pode ler a frase até o fim?
 
     Pe. Mario: ‘... Mas, mesmo assim, Ele [Deus] continua sendo o absoluto dos meus dias’”.
 
     Padre Fabio: Sr. Rusvel, se tivéssemos provas da existência de Deus, não precisaríamos ter fé... Do ponto de vista da ciência, não provamos com a fé, mas com a vida. Por isso é que a gente tem fé.
     Certa vez, Joseph Hendel, um especialista em mitos, perguntou a um padre se poderia provar a existência de Deus. O padre ficou desconcertado, porque ele falava em provas empíricas. Hendel o tranqüilizou. E ele disse: ‘Padre, não se preocupe em responder. Do ponto de da ciência, não temos como provar’.
     
     Padre Fabio: No dia em que conseguíssemos provar a existência de Deus, Ele deixaria de ser Deus. Provar, o papel de provar é aquilo que a ciência comprova. A nossa fé não se prende nisso, é muito mais. Mesmo quando não tenho a prova concreta, tenho a prova da fé.
 
     A fé é como o amor. Amor não tem como provar, tem como experimentar. Provar é como sabor: sinto que Deus existe.
 
     Pe. Mario: Experiência de fé é uma experiência metafísica; não precisa ter provas”.
 
     Pe. Fabio: Existem as Cinco Vias de São Tomás para chegar ao conhecimento de Deus. Como é mesmo, Mario?
 
     Pe. Mario: Padre Fabio, você disse que só faria perguntas sobre Teologia Moral...”
 
     Pe. Fabio: Chegar ao conhecimento de Deus não significa provar a existência de Deus — provar, com todo o significado da palavra no contexto da ciência...
Como que o marido prova o amor pela esposa?
 
     A gente prova pela atitude. A esposa tem fé no amor que o marido tem por ela.
 
     Por que você gosta do azul? Não tem como provar.
     
     Pe. Mario: Deus faz parte da minha existência, e eu da existência de Deus.
 
     É como o caso da Samaritana. Aqueles que foram falar com ela disseram: ‘Viemos aqui porque ela falou, mas agora nós vimos e ouvimos’.
 
     Pe. Fabio: “Eu nunca vi cair o maná do Céu. Você já viu, padre Mario? Não tenho nenhuma imagem da Virgem Maria que derramou lágrima. O que eu tenho é essa mão machucada, esse dedo sangrando, esse humano desconsolo da dor, deixando-me meio sem jeito de ser assim amado por Deus.
 
     Pe. Mario: Deus me deixou, quando eu era moço, meio decepcionado. Eu via o filme sobre O Mar Vermelho que se abria, ia para os campos, e nenhuma nuvem se abria...
 
     Pe. Fabio: Eu também era louco para ver um milagre. Querem provar que encontraram os ossos de Jesus, que encontraram o túmulo... Entretanto, Deus é como o amor: amor é experimentar. A experiência de fé é metafísica, não precisa de prova concreta. Amor não tem como provar, tem como experimentar.
 
     Minha experiência é muito natural. Tenho um blog Vida Comum. Gosto de fazer uma experiência natural e bonita — ir à padaria comprar pão. Provar enquanto sabor: sinto que Deus está presente nas pequenas coisas.
 
     Minha experiência de Deus é um poema. A minha experiência de Deus vem ao longo do poema. Não ficamos correndo atrás de milagre.
 
     Pe. Mario: Você é poeta. A minha forma de experimentar é outra. Assim é com os Santos. Cada um tem uma forma de experimentar a Deus... Outro dia vi: o Fábio falou de Deus através do picolé — e eu só quero chupar o picolé. Não posso ficar só nas regras: lícito e ilícito. A Teologia Moral tem que me ajudar a fazer a experiência.
 
     É porque Ele me ama que Ele defende a minha vida. É respeitar e valorizar o outro... Experiência de Deus-Amor. Não é só colocar regras, proibir tudo. Deus me ama, por isso, preciso defender a vida. Ele é um Deus-Amor, que me protege, me ama, valoriza a minha dignidade. Não é assim: parece que Deus entrou e proibiu tudo.
 
     Pe. Fabio: A Igreja é uma só, mas tem vários discursos. Veja, somos padres, somos amigos, da mesma Congregação, com o mesmo processo formativo, e temos experiências diferentes. Atingimos pessoas muito esquisitas, com enfoques diferentes. É bom assim. Que bom aquele pessoal diferente está encontrando um mecanismo, um instrumento para chegar a Deus!
 
     Minha Mãe me disse que ficou sabendo que um padre de Aracaju comentou:‘o Padre Fabio está no meio da Igreja para evangelizar as pontas’. Veja que sabedoria nessas palavras!
 
     Padre Mario: É muito sabedoria.
 
     Pe. Fabio: Você tem o seu jeito específico. A pregação chama a pessoa que tem o mesmo enfoque. Se não fosse assim, se não houvesse partilha de experiências, bastaria um padre só”.
 
     Pe. Mario: A gente vê a grandeza de Deus. Você não tem como abraçar totalmente a Deus. A minha experiência pode ajudar o outro a fazer a experiência. A gente precisa prestar atenção nessa experiência bonita de Deus, que é diferente em cada um”.

    Para citar este texto:
"Não se prova a existência de Deus? Agora chegou sua vez, Padre Fábio de Melo: artigo e vídeo contra o Sr."
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/fabio-de-melo-deus/
Online, 23/06/2017 às 19:23:47h