Igreja

Segunda entrevista de D Fellay após o decreto
Jornal Libero

 
Muito contentes pelos termos dessa nova entrevista de Dom Fellay, apressamo-nos atraduzi-la para o português para os leitores do site Montfort e para que todos vejam como Dom Fellay e a Fraternidade São Pio X estão contentes com o decreto de Bento XVI.
Que se tirem as conclusões óbvias. Os destaques em letra maior são da Montfort.  E Viva Dom Fellay! E viva o papa Bento XVI!
OF.
 
 

 
27.01.09
Dom Fellay:  “O Santo Padre tinha um tom doce, verdadeiramente paternal”
 
 
Dom Fellay: "Sinto alegria e satisfação e não são os sentimentos de uma pessoa que pensa ter vencido". "Soube [ do decreto] poucos dias atrás no escritório do Cardeal Castrillón. Nos abraçamos". "Roma nos quer realmente bem". "Tudo mudou  e isso devemo-lo ao Papa". Todas estas são frases de um homem feliz ante o histórico decreto do último sábado: Monsenhor Bernard Fellay. O diário italiano “Libero” publicou domingo passado uma entrevista na qual o Superior da Fraternidade de São Pío X falou sobre do levantamento das excomunhões e da situação atual sem deixar de lado sua análise sobre a crise atual da Igreja. Oferecemos nossa tradução [A Buhardilla de Jerónimo].
 
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Monsenhor, no dia 30 de Junho de 1988, o senhor era consagrado Bispo por Monsenhor Marcel Lefebvre, junto com outros três sacerdotes da Fraternidade São Pío X. Esse ato fez de V. Excias e do Bispo brasileiro Dom Antônio de Castro Mayer os primeiros excomungados depois do Concílio Vaticano II. Hoje V. Excia é o Superior Geral da Fraternidade, o que no apressado linguajar jornalístico é definido como “o chefe dos lefevristas”. Estamos em Menzingen, Suíça, na Casa Geral. Temos sobre a mesa o decreto da Santa Sé que levanta aquelas excomunhões. Que sente, V. Excia?
 
Dom Fellay:Alegria, satisfação. Não são os sentimentos de uma pessoa que pensa ter vencido. O que a Fraternidade Sacerdotal de São Pío X fez desde sua fundação até hoje, e que continuará fazendo sempre, o fez e o fará só pelo bem da Igreja. Também as consagrações episcopais de 1988 foram realizadas com esse fim. Pelo bem da Igreja e por nossa sobrevivência. Monsenhor Lefebvre devia – repito: devia - assegurar a continuidade. Não somos mais que um pequeno bote de salvação em um mar tempestuoso. Nós sempre estivemos a serviço da Igreja e sempre o estaremos. O levantamento das excomunhões, junto ao Motu Proprio do Papa Bento XVI sobre a Missa antiga, é um sinal importante, realmente importante, para nosso pequeno bote. É por isso que falo de alegria e satisfação”.
 
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Onde e quando V.Excia soube do decreto?
 
Dom Fellay: “Soube dele poucos dias atrás em Roma, no escritório de um Cardeal, o Cardeal Castrillón Hoyos, presidente da Comissão Ecclesia Dei. Nós nos abraçamos. Em seguida, em primeiro lugar, dei graças à Virgem Maria, porque este é um presente dEla. Foi para obter sua intercessão que reunimos mais de um milhão e setecentos mil terços, rezados pelos fiéis que desejavam o levantamento das excomunhões”.
 
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Quem  trabalhou mais no Vaticano para chegar a essa solução?
 
Dom Fellay: “Seguramente o Cardeal Hoyos, que é o presidente de a Comissão encarregada das relações entre a Santa Sé e a Fraternidade de São Pío X. Porém, sobretudo, o Papa Bento XVI. Eu o compreendi desde a primeira audiência em que me encontrei com ele, pouco depois de sua eleição. Ainda quando nos repreendia, o Santo Padre tinha um tom doce, verdadeiramente paternal”.
 
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No decreto se diz que o Santo Padre confia em vosso compromisso “de não poupar esforços para aprofundar as necessárias discussões com a Autoridade da Santa Sé nos assuntos que permanecem abertos”. Qu quer dizer isso?
 
Dom Fellay: “Quer dizer que, como todos os filhos da Igreja, somos chamados a discutir aquelas questões que consideramos fundamentais para a fé e para a vida da própria Igreja. Creio que isso reconhece, ao menos, a seriedade de nossa posição crítica sobre estes últimos quarenta anos. Nós não pedimos mais que clareza. O fato de que a vontade do Santo Padre vá nessa direção é realmente de grande consolo. O importante é que se entenda que, inclusive nos momentos em que fazemos críticas severas, nós não estamos nunca contra a Igreja ou contra o papado. E como poderíamos estar contra o Papado? À miúde nos acusaram de ser “lefevristas”, porém nós não somos “lefevristas”, ainda que esse nome continue sendo para nós um título de honra: nós somos católicos. O primeiro a não ser lefevrista foi nosso fundador, Monsenhor Lefebvre. Quando isso fique claro, se comprenderá melhor nossas posições. Levará algum tempo porém creio que, pouco a pouco, ficará claro que tudo o que fazemos é obra de Igreja”.
 
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O levantamento das excomunhões é fruto de uma tratativa e de um acordo ou é um ato unilateral da Santa Sé?
 
Dom Fellay: “Nós pedimos em várias ocasiões a liberdade para a celebração da Missa antiga e o levantamento das excomunhões. Porém, o que aconteceu agora não é fruto de uma tratativa ou de um acordo. Foi um ato gratuito e unilateral que demonstra que Roma realmente nos quer bem. Um verdadeiro bem. Por muito tempo tivemos a impressão de que Roma não queria entrar no assunto. Logo depois tudo mudou e isso nós o devemos ao Papa”.
 
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Por que Bento XVI quis tanto esse ato? Deu-se conta ele da complicação em que ele se colocou com o levantamento das excomunhões?
 
Dom Fellay: “Ah sim, creio que ele está bem consciente das reações mais diversas e mais desordenadas. Ademais, em várias ocasiões, antes e depois de sua eleição papal, ele falou da crise da Igreja em termos nada ambíguos. Quando mencionei sua doçura paternal eu me referia ao fato de que nele se manifestam, juntos, a consciência dos tempos em que vivemos, a firmeza para dar-lhes remédio e a atenção para com todos seus filhos. Isto faz que as reações mais ou menos inadequadas ante seus atos podem fazê-lo sofrer porém certamente não fazem com que ele mude de parecer. E aquí está também o motivo dessa decisão”.
 
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Neste contexto, poder-se-ia sintetizar essa notícia diciendo que a Tradição já não está excomungada?
 
Dom Fellay: “Sim, ainda que se necessitará tempo antes de que isso se converta em moeda corrente dentro do mundo católico. Até hoje, em muitos ambientes temos sido considerados e tratados pior que o diabo. Tudo o que fazíamos e dizíamos era necessariamente algo mau. Não creio que a situação possa mudarr repentinamente. Porém, hoje existe um ato da Santa Sé que nos permite dizer que a Tradição não está excomungada”.
 
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E que se sente viver como excomungado?
 
Dom Fellay: “Sente-se dor pelo uso malicioso e instrumentalizado de uma marca de infâmia. A respeito de nossa situação, em troca, devo dizer que nunca nos sentimos excomungados, nunca nos sentimos cismáticos. Sempre nos  sentimos como parte da Igreja e a notícia da qual estamos falando demonstra que tínhamos razão”.
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Chegados a este ponto nos perguntamos por que essa situação se prolongou tanto. E, sobretudo, de que natureza são as questões que o documento da Santa Sé e V. Excias mesmo dizem que devem ser ainda discutidas?
 
Dom Fellay:”Eu o resumo brevemente. Num momento, dentro da Igreja vimos  que se tomava um caminho novo, segundo nós um caminho que levaria a grandes problemas. Nós não fizemos mais do que pensar, ensinar e praticar o que a Igreja havia feito sempre até aquele momento: nada mais e nada menos. Não inventamos nada. Seguimos, de fato, a Tradição. E hoje a Tradição já não está excomungada.
 
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Fonte: Jornal Libero
[ Tradução: Montfort . Texto original: italiano, traduzido ao espanhol por A BUHARDILLA DE JERÓNIMO ]  
 

    Para citar este texto:
"Segunda entrevista de D Fellay após o decreto"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/entrevista-fellay/
Online, 27/05/2017 às 03:05:22h