Igreja

Ecumenismo de Mão Única
Victor Peregrino
Há pouco, com grande sacrifício pessoal em razão da idade e das moléstias que lhe minam as forças, o Papa João Paulo II empreendeu mais uma de suas peregrinações, desta vez à Grécia e ao Oriente Médio.

Para surpresa e tristeza dos católicos, os noticiários destacaram a péssima acolhida que lhe deram os gregos "ortodoxos", dentre todos os não-católicos os mais próximos da Santa Igreja Romana, e por isso aqueles que se suporia mais aptos a reunirem-se à grei de Cristo.

O arcebispo cismático Christodoulos, imitando atitude que já se tornou praxe nas viagens papais, exigiu do Sumo Pontífice um mea culpa "pelos erros cometidos pela Igreja Católica contra os ortodoxos", como se esta fosse responsável pelos males da história. E mais uma vez Sua Santidade humildemente pediu perdão, desta vez pelo saque de Constantinopla (que, aliás, fica na Turquia) por integrantes da IV Cruzada, no remoto ano de 1204, muito embora a Igreja, já naquela época, haja excomungado os cruzados indignos, com cujos delitos nunca compactuou.

A humildade papal não gerou nenhuma retribuição por parte do prelado ortodoxo, que, a exemplo do anteriormente sucedido em análogos "pedidos de perdão", não se sentiu obrigado a escusa alguma, nem sequer por razões de reciprocidade protocolar. Certamente os ortodoxos de hoje não se sentem responsáveis - e nisso têm razão - pelas felonias e traições cometidas contra os cruzados pelos bizantinos, durante as lutas contra o inimigo comum islamita, embora exijam dos católicos contemporâneos o arrependimento pelo que nunca fizeram.

Uma das propostas do Concílio Vaticano II que mais danos tem causado à Igreja é a do ecumenismo, em razão da qual, a pretexto de "estender a mão" aos "irmãos separados" (os cristãos desobedientes ao Papa e os hereges de vários matizes) e aos não-cristãos, tantos membros do clero transigem com a própria identidade católica.

Graças ao ecumenismo, muitas vezes o Papa já se viu na situação constrangedora de pedir desculpas a protestantes, judeus e muçulmanos, e mesmo a pagãos, por pecados que estes imputam à Igreja, quando se sabe que a Igreja, Esposa Mística de Cristo, é impecável e não pode ser contaminada pelos erros pessoais de seus membros.

Esse mal compreendido gesto de caridade, no entanto, pouco ou nenhum fruto tem produzido, pois, ao que parece, a única concessão que satisfaria os adversários da Igreja seria a sua rendição incondicional.

Não se viu, até hoje, nenhum rabino pedir perdão pelo assassínio de Cristo; nem ministro protestante penitenciar-se pelas perseguições aos católicos, que produziram milhares de mártires, ou pelo roubo dos bens da Igreja nos países da "Reforma"; nem algum imã maometano desculpar-se pela total erradicação do cristianismo - em que pese a propalada "tolerância" muçulmana - no norte da África e noutras terras católicas conquistadas pelo Islã, ou mesmo pela escravização de inúmeros cristãos raptados nos litorais da Europa; nem qualquer pagão arrepender-se do massacre de tantos religiosos em países de missão.

Ou seja, os crimes, verdadeiros ou falsos, imputados a católicos, são sempre debitados a toda a Igreja; já os praticados por hereges, infiéis ou descrentes - se é que admitidos - de modo algum se comunicam às respectivas coletividades.

Quanto mais se mimetizam os cultos protestantes, no intuito de cativar os "irmãos separados", tanto mais estes se encarniçam no ódio contra a Igreja, tanto mais lhe imputam as pechas de apostasia e idolatria, tanto mais a caluniam como "a grande Babilônia". E, enquanto isso, incham-se as seitas e esvaziam-se as paróquias.

A Igreja Católica é, como diz o seu nome, a única universal, a única realmente ecumênica, porquanto aberta a todos os homens, de todas as nações, de todas as culturas e línguas, de todos os tempos. Mas, por ser também a única verdadeira, porque de origem Divina, não pode jamais transigir com a verdade.

Mãe e Mestra, não lhe é lícito jamais negar a Cristo por amor aos homens, rebaixando-se ao nível das religiões humanas; mas sim, por amor aos homens, sempre e sempre afirmar a Cristo, única Porta de salvação, com a retidão e desassombro da recente declaração "Dominus Iesus".

Só assim haverá um só rebanho e um só Pastor.


    Para citar este texto:
"Ecumenismo de Mão Única"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/ecumenismo/
Online, 26/09/2017 às 18:41:17h