Igreja

Diálogo ou magistério?
Orlando Fedeli

Após o Concílio Vaticano II, entrou na moda o “diálogo”.

Todo o mundo, na Igreja, começou a dialogar. O Papa deveria dialogar com os Bispos, sem os quais ele não poderia decidir nada: era a aplicação da Colegialidade e do diálogo intra muros... Ecclesiae. Os Bispos deveriam dialogar com os Padres, os padres deveriam dialogar com os fiéis. A Igreja deveria dialogar com o Mundo (apesar de São João ter avisado que o mundo fora posto todinho no Maligno). A Igreja devia dialogar com os hereges e com os ateus. Sobretudo a Igreja deveria dialogar com os misteriosos “Homens de Boa Vontade”... Misteriosos, sim, porque, apesar de sua “Boa Vontade”, não se lhes ousava chamar por seu nome. Nunca se ousou dizer quem eram... 

Por que será?

O mundo ficou dialogante. 

Como na Torre de Babel, todos falavam, todos dialogavam. Ninguém se entendia. Assim também, após o Vaticano II ninguém mais se entendeu, mesmo dentro da Igreja.  

Durante décadas se procurou dialogar com tudo quanto é seita e heresia Ninguém se converteu. Mas muitos se perverteram. Numerosíssimos católicos perderam a fé e passaram para as seitas. Hoje, o ecumenismo está afundando.

Querem uma prova?

Até o Cardeal Kasper — aquele que põe em dúvida a Ressurreição de Cristo – encarregado oficial de dialogar com hereges ateus, quejandos e diabolandos, declarou recentemente, no Terceiro Encontro Ecumênico Europeu, em Sibiu: 
Nada de Ecumenismo fofo", e surpreendentemente criticou o método do 'diálogo' "desenvolvido até então que consistiu em salientar os pontos convergentes" (Cardinal Kasper : "Pas d'Oecuménisme douillet" artigo de Nicolas Senèze  no  La Croix , 5 de Setembro de 2007. http://www.leforumcatholique.org/message.php?num=317897)". e
Ora, o diálogo proposto com base no Vaticano II, era exatamente esse: o de procurar os pontos “positivos” das falsas religiões, -- ospontos de união -- deixando de lado as divergências doutrinárias.

Era o diálogo dos silêncios e das omissões.

Era o diálogo das ilusões ou dos iludidos.
 
Dos iludidos?
Melhor seria dizer dos que queriam ser iludidos, com os que desejavam iludir.
 
Agora, acaba de ser divulgado um texto do padre Bux, teólogo do Papa Bento XVI, a respeito do diálogo inter religioso e da redução da missão da Igreja a fins puramente materiais. (Leia o artigo Padres Bux e Salvatore Vitiello).

Padre Bux, por ser teólogo do Papa, goza de grande autoridade. Em seu trabalho, ele faz críticas bem pesadas aos Bispos modernistas que reduzem o papel da Igreja ao de Sociedade Beneficente e Filantrópica.
Jesus quis a Igreja para que Ela fale de Deus ao mundo e para que o homem se converta e viva. Mas, em vez disso, sempre mais frequentemente nos deparamos com livros escritos por cristãos e intervenções públicas de Pastores [Bispos] que descrevem ou induzem a compreender a Igreja como fenômeno geográfico e político, a ponto de se julgar a sua eficácia conforme Ela vença ou nãoo desafio’, ou melhor, ‘os desafios’ - palavra agora preferida por leigos e eclesiásticos - colocadas a Ela naturalmente e sempre pelo mundoAssim, está-se atento a verificar que a Igreja defenda os direitos humanos e não as ditaduras, que Ela proteja os povos em extinção ao invés de se interessar de economia, e assim por diante”. (Pe. Nicola Bux e Pe. Salvatore Vitiello, PALAVRAS DA DOUTRINA : A conversão do homem a Deus é a tarefa da Igreja ).
Esta crítica cai de cheio sobre a CNBB e sobre suas muito terrenas e muito naturalistas Campanhas da Fraternidade, que fazem os Bispos do Brasil parecerem candidatos a vereador, em campanha eleitoral, e não sucessores dos Apóstolos, de tal modo eles só tratam d  problemas políticos e materiais, esquecendo-se por completo de sua missão religiosa.

A esses Bispos naturalistas, lembra  Padre Bux: não é essa a missão que Cristo deu à Igreja. Os Bispos tem que falar de Deus, da salvação eterna, de como os homens devem salvar suas almas. Deveriam falar do pecado e da conversão, não de feijão e de política, fazendo propaganda marxista para o PT.

Padre Bux mostra quanto há de naturalismo nos famosos “Planos pastorais” que confiam na ação humana, esquecendo-se de que a conversão é obra da graça de Deus.
Padre Bux critica certas expressões do dialeto episcopalês como “inculturação” e “diálogo”.

Ele mostra como a palavra “inculturação” é usada como slogan mágico e que Cristo jamais usou esse termo, e nem condicionou sua ordem aos Apóstolos para irem pregar o Evangelho a qualquer preocupação de inculturar o cristianismo aos povos e aos tempos, adaptando a verdade católica aos ambientes em que estariam. Mandou simplesmente: Ide e ensinai. Jesus jamais disse: Ide e dialogai. Ou "ide e enculturai".

O Vaticano II adaptou o Evangelho aos tempos e ao pensamento modernos e, fazendo isso, deixou de fazer o que Cristo ordenou. 

E negar que isso tenha acontecido só pode ser desonesta falsitatis...

O ponto mais importante do artigo do padre Bux, sem dúvida, é aquele em que ele ataca diretamente o famoso diálogo inter religioso, o dialogo ecumênico nascido do Vaticano II.  Eis o que diz Padre Bux:
“(...)O seu dever – [ da Igreja] não é o de entabolar uma negociação ou, como se diz hoje, um diálogo inter-religioso, mas iniciar firmemente o único diálogo que Jesus veio entabolar com homens religiosos ou um pouco menos religiosos, morais ou imorais, mas que sejam atraídos por Ele, que tenham o desejo de abrir-se a Deus e converter-se. Somente desse modo a Igreja tem os “documentos em regra” diante d’Aquele que a quis para a salvação do mundo”.

Padre Bux lançou assim uma grossa pedrada  no balão do ecumenismo ao afirmar rotundamente que o dever da Igreja não é fazer um diálogo inter religioso, mas procurar converter os homens à única Igreja de Cristo, a Igreja Católica Apostólica Romana.

São Paulo, 10 de Setembro de 2007
Orlando Fedeli

    Para citar este texto:
"Diálogo ou magistério?"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/dialogo_x_magisterio/
Online, 18/12/2017 às 05:00:44h