Igreja

Os defensores do Concílio Vaticano II contra Bento XVI
Orlando Fedeli

À medida que o Papa Bento XVI, gloriosa e valentemente reinante, deixa clara sua decisão de corrigir os erros nascidos do Concílio Vaticano II, que causaram a maior crise da história da Igreja, mais se manifestam atrevidamente os amigos do Vaticano II e inimigos do papado: modernistas, liberais, rabinos, sede vacantistas, e até o Grande Oriente de França.
Este último publicou recentemente um alerta aos maçons, contra Bento XVI, e em defesa do iluminismo, do laicismo, e... do Vaticano II.
Em que companhia estão os defensores do Vaticano II...
 
Aqui, no Brasil, “fontes murmurantes” sussurram que, em reuniões clericais, a coisa está fervendo.
Padres modernistas se mostram apavorados ante as notícias de que o Papa, logo mais, vai reformar a chamada Missa Nova, que terá que ser rezada de costas para o povo, e em latim. Um Arcebispo presente a essa reunião de eclesiásticos desesperados e revoltados, os acalmava, dizendo-lhes que isso nunca irá acontecer...
 
E se isso acontecer?
De Roma, onde há tantas fontes murmurantes, chegam-nos refrescantes rumores...
 
Caso ocorra o que esses padres demagogos e modernistas temem, eles compreendem que...”Ite, Missa Nova est”.
Terá se acabado a farra litúrgica.
 
E se acontecer?
Se acontecer, esses padres e esses Bispos aceitarão as determinações do Papa?
Ou se declararão francamente em cisma?
Porque em cisma silencioso, como disse o Papa João Paulo II eles já estão.
 
Ite...
 Ad ignem heraeticorum atque cismatycorum.
 
Agora, sai a público, no jornal El País, na Espanha, um artigo de um famoso herege modernista espanhol, Juan José Tamayo, em defesa do Vaticano II e contra Bento XVI.
É mais um lobo que uiva.
A alcatéia modernista está furiosa.
Abaixo, publicamos o artigo desse modernista inimigo de Bento XVI.
Esse artigo revela a raiva em que estão os Modernistas.
 
Viva o Papa!
 
 

 
A Igreja de Bento XVI: Caminho para o Integrismo
 
Por Juan José Tamayo
 
O pontificado de Bento XVI está escorregando perigosamente do conservadorismo ao integrismo. As constantes concessões aos movimentos tradicionalistas ancorados em Trento e contrários ao Concílio Vaticano II,  manifestam isso. Mais que uma estratégia de diálogo e aproximação para atrai-los de novo à Igreja católica, o Papa está dando mostras inequívocas de que compartilha suas colocações pré conciliares do catolicismo e que pretende legitimá-los teologicamente, sem receber nada em troca. E para isso está disposto a revisar e corrigir o Concílio Vaticano II, do qual ele mesmo foi assessor teológico.
Dois documentos recentes o demonstram. Um é o Motu Proprio que autoriza o retorno da Missa em latim, conforme o rito do Missal Romano promulgado por São Pio V, em 1570, depois do Concílio de Trento, em resposta, segundo palavras do Papa, às "deformações da liturgia, no limite do suportável".
 Esta medida foi acolhida com satisfação pela Fraternidade São Pio X -criada por Monsenhor Lefebvre-, cujo secretário geral a considera "um avanço capital na restauração da Tradição". Eu creio que o retorno ao latim na liturgia católica está em clara contradição com o Concílio Vaticano II, partidário de rever todos os ritos integralmente, se fosse necessário, para que recobrassem novo vigor, e reformar a liturgia conforme às circunstâncias e as necessidades de nosso tempo. Eu me pergunto: voltarão os seguidores de Lefebvre a introduzir no ritual tridentino a oração "pelos pérfidos judeus", que João XXIII abolira?
Entre as questões teológicas que, conforme a Fraternidade de São Pio X, devem ser abordadas, no diálogo com Bento XVI, como condição necessária para sua aproximação de Roma, encontram-se a liberdade religiosa e o ecumenismo. E, por suposto, o Concílio Vaticano II, que é, no juízo dos lefebvrianos, uma das causas fundamentais da grave crise da Igreja Católica, reconhecida pelo Cardeal Ratzinger em múltiplas ocasiões.
Pois bem, para contentar os tradicionalistas, o ecumenismo e o Vaticano II foram objeto de revisão no documento da Congregação para la Doutrina da Fé Sobre Certos Aspectos da Doutrina sobre a Igreja, que acaba de ser publicado com a aprovação do Papa. Seguindo a lógica excludente da declaração Dominus Iesus, da mesma Congregação, quando era seu presidente o atual Pontífice, e recorrendo ao esquemático gênero literário do Catecismo (perguntas-respostas), se tenta demonstrar que o Concílio Vaticano II não supôs mudança alguma na doutrina sobre a Igreja, e que a Igreja católica é a verdadeira e única Igreja de Cristo, com exclusão expressa das Igrejas orientais, porque não reconhecem a autoridade do "Bispo de Roma e Sucessor de Pedro", e das Comunidades cristãs nascidas da Reforma, as quais ele nem sequer reconhece como "Igrejas", porque não têm sucessão apostólica mediante o sacramento da Ordem.
Tais respostas desnaturalizam o espírito inclusivo do Concílio, falseiam objetivamente sua letra, e se situam nos antípodas da atitude dialogante de João XXIII e Pablo VI. Com uma atitude tão excludente como a dessa Declaração se rompem todas as pontes de comunicação do catolicismo com as demais Igrejas cristãs, e se torna impossível, na prática, o diálogo ecumênico -já de per si muito deteriorado. O que, se fosse possível, se torna ainda mais preocupante, já que tal  diálogo era uma das prioridades do pontificado de Bento XVI. A conclusão desta seqüência de atuações não pode ser mais desesperadora, pois, como afirma Raimon Panikkar, "sem diálogo, o ser humano se asfixia e as religiões se anquilosam", e, acrescento eu, os crentes podem reviver o velho espírito das guerras de religião.
Ademais, o Concílio está acima de qualquer instância de autoridade na Igreja e, é evidente, acima da interpretação distorcida que possa oferecer uma Congregação, neste caso, a da Doutrina da Fé. Mais ainda se se trata de um Concílio Ecumênico, como o Vaticano II, que reuniu todos os Bispos do mundo, contou com a presença de observadores de todas as Igrejas cristãs, e aprovou uma série de documentos obrigatórios de serem cumpridos por todos os católicos, inclusive pelo Papa. Creio que existe um amplo consenso entre os teólogos, as teólogas, e os Bispos de que o Concílio Vaticano II mudou, e mudou substancialmente, a doutrina anterior sobre a Igreja. Esta não se considera mais como sociedade perfeita, hierárquica, e desigual, por vontade divina (assim a definiram os Papas Leão XIII e Pio X, entre outros). Ela se auto compreende, antes, como mistério, Povo de Deus e comunidade de crentes, na qual todos os cristãos, do Papa aos simples crentes, são iguais pelo Batismo. Colocavam-se assim as bases para a democratização da instituição eclesiástica, que até então se estruturava de modo estamental através da oposição clérigos-leigos, hierarquía-povo, Igreja discente-Igreja docente, mais própria da Idade Média que da modernidade.
O Cardeal Suenens, um dos padres conciliares que mais impulsionaram a reforma, qualificou o Concílio de "revolução copernicana". Para o Cardeal Montini, depois Paulo VI, o Vaticano II foi um Concílio "de reformas positivas, mais que de castigos, de exortações mais que de anátemas". Para isso foi preciso vencer as resistências dos contra reformistas da Cúria e de não poucos Bispos tridentinos. Talvez João XXIII estava pensando neles quando no discurso de abertura do Concílio afirmou: "Inflamados de zelo religioso, carecem de juízo reto e de ponderação em seu modo de ver as coisas. Na situação atual da sociedade só vêem, ruínas e desastres. Andam dizendo que nossa época, comparada com as anteriores, é muito pior, se comportam como se a história, que é mestra da vida, não tivesse nada a lhes ensinar".
Antecipando-se em várias décadas ao atual clima de diálogo inter religioso e intercultural, o Vaticano II optou pelo diálogo multilateral: diálogo com a história, depois de séculos de ter vivido de costas para ela; diálogo no interior da própria comunidade católica, ameaçada de não comunicação; com as Igrejas cristãs, às quais reconhece como irmãs na diferença e dentro do respeito ao pluralismo; com a cultura moderna e em concreto com o ateísmo, a quem considera interlocutor necessário; com as religiões não cristãs, que valoriza como caminhos de salvação.
As concessões litúrgicas de Bento XVI, sua interpretação pré moderna do Concílio Vaticano II, e desvalorização das outras confissões cristãs colocam a Igreja Católica no caminho do integrismo e lhe fazem perder credibilidade. O preço a pagar pela aproximação dos integristas é seu próprio isolamento e o afastamento da sociedade.
 
João José Tamayo é Diretor da Cátedra de Teologia e Ciência das Religiões da Universidade Carlos III de Madri.
(Fonte: Diário El País, Espanha. 1 de Abril de 2008)

    Para citar este texto:
"Os defensores do Concílio Vaticano II contra Bento XVI"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/defensores_vii/
Online, 25/06/2017 às 14:26:09h