Igreja

O Concílio Vaticano II, o Cardeal Martini e o Motu Proprio de Bento XVI
Marcelo Fedeli

Prelados criticam o Motu Proprio em nome do Concílio Vaticano II
sem jamais indicar um só artigo promulgado por aquela assembléia. Por que?

     De fato, desde a publicação do primeiro ‘rumor’ referente a uma possível liberação da Missa Gregoriana, alguns prelados de diversos países -- especialmente da França -- levantaram publicamente um verdadeiro clamor contra aquela possibilidade, falando sempre genérica e vagamente “em nome do Concílio Vaticano II”. E assim continuam até hoje sem citar um só artigo ou uma só sentença dos 16 volumosos documentos promulgados por aquela magna assembléia de prelados, nem mesmo da própria Constituição Sacrosanctum Concilium, especificamente voltada à liturgia, e que preparou a posterior criação da Nova Missa de Paulo VI / Mons. Bugnini. 
     Por que?....     
     
Alguns acrescentavam que o hipotético retorno da missa de sempre colocaria “em risco tanto o Concílio Vaticano II como suas conquistas posteriores”.
     Por que?...
     Paradoxalmente, os prelados que criticavam o Papa e repeliam aquela possível liberação se auto classificavam de ‘abertos’, não só a todas as religiões, mas também aos seus cultos, cerimônias e festas religiosas, chegando muitos a introduzir ‘elementos’ de tais cultos nas ‘Novas Ceias do Senhor’ por eles celebradas. Aceitavam tudo de todos, com uma única e exclusiva exceção: a Missa de sempre, milenarmente celebrada pela Igreja até a imposição do Novo Ordo de Paulo VI!... E por anos e anos, em geral, tais prelados nunca atenderam nem mesmo ao pedido do Papa João-Paulo II para permitirem a celebração daquela Missa em suas dioceses, nem mesmo uma vez ao mês.
     Por que?...
     Por que, se aceitavam tudo e até o que não era da Igreja, e que, portanto, não era católico?...
     Ou, talvez, seria por isto mesmo?...
     E veio o Motu Próprio de Bento XVI afirmando categoricamente que a missa Gregoriana jamais fora abolida, liberando totalmente a sua celebração para “não só evitar os enganos, mas também para que a fé seja transmitida em sua integridade”, pois, “em muitos lugares, se celebrava não se atendo de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes, se consideravam como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou freqüentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável”.
 
[Notem que o Papa Bento XVI faz tal afirmação quase quarenta anos depois que os Cardeais Ottavianni e Bacci apresentaram por escrito a Paulo VI o conhecido “Estudo Crítico”, implorando ao Santo Padre que não implantasse o NOVO ORDO visto este representar “tanto em seu todo como nos detalhes, um surpreendente afastamento da teologia católica da Missa tal qual formulada na sessão 22 do Concílio de Trento”. Isto escreveram aqueles cardeais em setembro de 1969 e baseados somente no texto da Nova Missa, criado por Mons. Bugnini com a cooperação de seis pastores protestantes, e aprovado por Paulo VI].
 
     E veio – dizia eu – o Motu Próprio e com ele continuaram as mesmas críticas, embora em menor escala, mas sempre, genérica e vagamente, em nome do Concílio Vaticano II.
     Ainda, neste último domingo, o cardeal Carlo Maria Martini, emérito de Milão — e que já divergira publicamente do Papa Bento XVI em outros temas, como família, aborto e eutanásia — manifestou publicamente sua profunda aversão à liberação do rito tridentino, defendendo, em primeiro lugar, o Concílio Vaticano II, pois, este, “abriu portas e janelas para uma vida cristã mais aberta e mais humana... dando um grande passo adiante na compreensão da liturgia”. Adiantou ainda “não ter nenhuma dificuldade com o latim”,língua que ele ama muito e que “com muita amarguraa viu cair em decadência. Mas, num claro e desrespeitoso ato de rebeldia ao decreto de Bento XVI, concluiu: jamais irei celebrá-la, conforme entrevista amplamente noticiada pela imprensa.
     Afinal, se o Cardeal Martini não tem dificuldade alguma com o Latim e se se declara ainda um admirador daquela língua, por que ele faz questão de alardear em claro e alto  som pela mídia mundial que, em nome do Concílio Vaticano II, ele jamais irá celebrar naquele rito?...
     O que realmente há no cerne do Concílio Vaticano II que impele o famoso e progressista cardeal a publicamente repudiar aquele milenar rito da Santa Romana Igreja?  
     E esta questão foi respondida pelo próprio Papa Paulo VI, a priore — e graças a Deus — em seu famoso discurso de encerramento do Concílio Vaticano II, resumindo o que alguns ‘abertos’ prelados de hoje talvez não tenham a suficiente coragem de afirmar: o que há no cerne do Vaticano II contra a Missa de sempre é o “ CULTO DO HOMEM” !... Sim!... O Concílio Vaticano II, segundo Paulo VI, introduziu na igreja o “CULTO DO HOMEM”!...
     Eis a questão!...
     Eis o porquê!
     Terrível e impressionante esta confissão de Paulo VI!... E foi este antropocentrismo, o ‘CULTO DO HOMEM’, exalado do Concílio Vaticano II e confessado por Paulo VI, que orientou Mons. Bugnini a criar o Novo Ordo que representa “tanto em seu todo como nos detalhes, um surpreendente afastamento da teologia católica da Missa tal qual formulada na sessão 22 do Concílio de Trento” , no dizer dos cardeais Ottavianni e Bacci, e que “levou freqüentemente a deformações da Liturgia no limite do suportávelno dizer de Bento XVI.
     E, assim, bem antes dos atuais ‘Martinis’, ‘Dorés’, ‘'Brandolinis', Gamberinis’, 'Aviz', 'Jovianos', 'Wilks'  e demais prelados que hoje se opõem à liberação da missa tridentina em nome do Concílio Vaticano II, Paulo VI, em setembro de 1976, reconheceu que a liberação da milenar Missa da Igreja seria uma condenação do Concílio, ao dizer ao seu amigo Guitton :
 
Mas essa missa dita de São Pio V, como se a vê em Ecône, se torna o símbolo da condenação do Concílio. Ora, jamais aceitaremos, em nenhuma circunstância, que se condene o Concílio por meio de um símbolo. Se fosse acolhida essa exceção, o Concílio inteiro arriscaria de vacilar. E conseqüentemente a autoridade apostólica do Concílio”. 
 
     Por que?...
     Ele já respondera!...
     Rezemos para que, com o recente Motu Proprio de Bento XVI, volte a ressoar em todas as catedrais, igrejas e capelas do mundo o CULTO A DEUS, e só a Ele totalmente dirigido e voltado, iniciando-se com a oração: Introibo ad altare Dei !...
     E não “Entrarei até o altar do Homem”...

    Para citar este texto:
"O Concílio Vaticano II, o Cardeal Martini e o Motu Proprio de Bento XVI"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/cvii_mpbxvi/
Online, 23/10/2017 às 20:39:16h