Igreja

Três considerações relativas ao
Marcelo Fedeli


"O Concílio, na proposta de João XXIII,
rompe com a linha 'intransigente'
dos Papas, de Gregório XVI a Pio XII"

(Pe. Antoniazzi)

Após rápida leitura do “CURSO BREVE SOBRE O CONCÍLIO VATICANO II”, do Revdo. Pe. Alberto Antoniazzi, Assessor da CNBB e Secretário-geral do Projeto “Construir a Esperança”, publicado no antigo site http://catanduvadiocese.sites.uol.com.br, tomo a liberdade de apresentar, na qualidade de simples fiel católico, e com todo o respeito devido a um sacerdote, algumas considerações relativas a três de suas afirmações.

Diz o Revdo. Pe. Antoniazzi:

1 – «O Concílio, na proposta de João XXIII, rompe com a linha “intransigente” dos Papas, de Gregório XVI a Pio XII» (Cfr. “Tema nº 1: O programa do Concílio: “aggiornamento” ou inovação?”, item “2.3   – Com que método propor a verdade cristã ao mundo moderno?”).

Essa afirmação do Pe. Antoniazzi é gravíssima, pois, de forma vaga e genérica, ela induz o leitor a concluir que:

A - ou o Concílio Vaticano II, rompendo com os ensinamentos de sete Papas anteriores, inclusive com os ensinamentos do infalível Concílio Vaticano I, ensinou uma doutrina nova e diferente da doutrina católica de sempre, ou

B - que os ensinamentos intransigentes dos Pontificados anteriores ao Vaticano II, e de sete Papas (“de Gregório XVI a Pio XII”) — incluindo um Concílio Dogmático (Vaticano I) — não devem mais ser considerados como válidos e integrantes do Depositum Fidei, rompidos que foram pelo Pastoral “Concílio (Vaticano II), na proposta de João XXIII”.

Em outras palavras, pode-se concluir, implicitamente, que a Igreja, nos Pontificados anteriores ao Vaticano II, de 1831 a 1958 (127 anos!...), abandonou a via estabelecida por Cristo, deixando, portanto, de ser UNAM ET SANCTAM; que a Igreja errou naquele período, e que, graças ao Concílio, na proposta de João XXIII”, rompendo com o Pontificado de sete Papas, ela foi salva, retomando o rumo que Nosso Senhor indicara. (E, aqui, surge outra questão: se o Pontificado anterior, de sete Papas, errou, o que nos garante que o Pontificado dos dois Papas do Pastoral Concílio Vaticano II acertou?... E, como rezar o CREDO?...)

Com essa afirmação do Pe. Antoniazzi pode-se concluir ainda queo Concílio, na proposta de João XXIII”, é o grande marco divisor da Igreja: a préconciliar, retrógrada ou “intransigente”, com que o Vaticano II rompeu, e a pós conciliar, atualizada, moderna, transigente, por ele inaugurada. Dessa forma, o Revdo. Pe. Antoniazzi confirma que o Pastoral Concílio Vaticano II, na proposta de João XXIII”, cujo objetivo era de nada e a ninguém condenar, acabou condenando, única e exclusivamente, a Igreja préconciliar, a Igreja de 1962 anos!

Disse que tal afirmação é gravíssima porque, conforme estabeleceu o Concílio II de Nicéa (787):

“Os padres do Concílio concordaram que um concílio ecumênico para ser tal (...) devem professar uma doutrina coerente com os concílios ecumênicos precedentes e, enfim, devem ver as suas decisões com as recebidas das igrejas”.

(Cfr. G. Alberigo, Introduzione a Decisione dei Concili Ecumenici – R. Galligani, Torino, UTET, 1978, p. 34; tradução e negrito nossos.  O autor, G. Alberigo é citado pelo Pe. Antoniazzi no seu “Curso Breve...”).

Ou ainda, como ensina S. Vicente de Lerino:

“Na Igreja Católica é preciso ter o maior cuidado possível para se manter aquilo que foi ensinado em todos os lugares, sempre e por todos” (Il Commonitorio, trad. it., Edizioni Paoline, Alba 1968, pp. 61-64).

Caso contrário, ou seja, qualquer ruptura de um concílio, que faz parte do ensinamento extraordinário, com a doutrina anterior expressa em todos os concílios, como também pelo magistério ordinário,  pode tornar aquele concílio inválido.

Curioso que, de um tempo para cá, exaltadores do Pastoral Concílio Vaticano II, Concílio este mais dos “peritos” do que dos bispos (cfr. The Rhine Flows into the Tiber, do Pe. Ralph M. Wiltgen, SVD), abandonando a antiga “defesa” de que o “Vaticano II seguiu a Tradição da Igreja”, também passaram a confessar a mesma tese do rompimento  apresentada pelo Pe. Antoniazzi.  Assim, por exemplo, dentre outros, tanto Jean Guitton, considerado o maior filósofo católico do século XX,  amigo íntimo de Paulo VI, e presente naquele Concílio, como mais recentemente o teólogo Pe. Roger Haight, SJ, declararam, em suma, que o Vaticano II rompeu especificamente com os ensinamentos de S. Pio X, quanto à condenação da heresia do Modernismo no início do século passado, introduzindo-a “no método e na doutrina da Igreja”:

"Quando eu releio os documentos relativos ao modernismo tal como foi definido por São Pio X, e os comparo aos documentos do Concílio Vaticano II, não posso deixar de ficar desconcertado. Porque aquilo que foi condenado como uma heresia em 1906  foi proclamado como sendo e devendo ser, de agora em diante, a doutrina e o método da Igreja. Dito de outra forma, os modernistas de 1906 me aparecem como precursores. Meus mestres dele faziam parte. Meus pais mo ensinaram. Como Pio X pôde repelir aqueles que hoje me aparecem como precursores?" (cfr.  Portrait du Père Lagrange, Jean Guitton, Éditions Robert Laffont, Paris, 1992, p. 55-56. Tradução e negrito meus).

Afirma o Pe. R. Haigh:

“(...) posições modernistas declaradas inaceitáveis pela Igreja no início do século XX, foram mais tarde aprovadas no Concílio Vaticano II”, conforme o antigo site (http://www.vidimusdominum.org/frame.asp?lingua=IT&readart=1&idarticolo=6353).

O Revdo. Pe. Antoniazzi concorda com as afirmações acima relativas à aprovação de teses Modernistas, condenadas por S. Pio X,  pelo Concílio Vaticano II?

A mesma conclusão de rompimento com o Magistério anterior, tem o teólogo e exegeta luterano Oscar Cullmann, também amigo de Paulo VI, que declarou sobre aquele Pastoral Concílio Vaticano II:

“As esperanças dos Protestantes relativas ao Vaticano II não só foram totalmente atendidas, mas também as próprias conclusões do Concílio ultrapassaram de muito do que se julgava possível”  (cfr. The Fourth Session, Xavier Rynne, Herder & Herder, London, 1966, p.256. A tradução é minha).

Porém, o Revdo. Pe. Antoniazzi, na sua afirmação, complementa o verbo “romper com a vaga expressão linha “intransigente” dos Papas, de Gregório XVI a Pio XII.

O que exatamente significa para o Revdo. Pe. Antoniazzi, o termo “intransigente” ?

Conforme o “Dicionário Universal da Língua Portuguesa”, a palavra “intransigente” significa: “que não transige” , ou seja, “que não concilia”, “que não faz concessão ou acordo em prejuízo de alguma posição”, etc.

Assim, pergunto ao Revdo. Pe. Antoniazzi, seguindo sua linha de pensamento:

Em que, concretamente, “O Concílio Vaticano II, na proposta de João XXIII”, transigiu com o que os “Papas, de Gregório XVI a Pio XII”, não transigiram e que condenaram?

Uma resposta clara e objetiva do Revdo. Pe. Antoniazzi, fundamentada em documentos, poderá dirimir muitas dúvidas que sua afirmação, genérica e vaga, causa aos fiéis.

[En passant: “O Concílio Vaticano II, na proposta de João XXIII”, teria também rompido com a linha ‘intansigente’  da Constituição Apostólica “Veterum Sapientiae” de João XXIII, promulgada em fevereiro de 1962, oito meses antes da abertura daquele Pastoral Concílio? ...].

2 – “A diminuição ou o esquecimento da Palavra era o principal motivo de protesto de Lutero e Calvino, ou seja, dos “reformadores” ou “protestantes” (séc. XVI).

(Cfr. “Tema nº 2: As fontes da renovação da Igreja – I) A Revelação, item 1. Antecedentes).

Também essa afirmação do Revdo. Pe. Antoniazzi me surpreendeu, pois ele espera justificar a revolta e a reforma de Lutero e de Calvino, como motivadas principalmente na diminuição ou o esquecimento da Palavrapela Igreja Católica. Dessa forma, a Reforma Protestante é apresentada pelo Revdo. sacerdote, como conseqüência de uma falha, ou de um erro da Igreja, caracterizado, segundo ele, pelo abandono das Sagradas Escrituras, que Lutero e Calvino se propuseram a corrigir.

Assim, seguindo o “espírito ecumenico pós conciliar”, o Revdo. Pe. Antoniazzi procura apresentar os herejes, cismáticos e condenados pela Igreja “intransigente” do passado, de forma atrativa e simpática, até justificando, implicitamente,  suas atitudes contra  a mesma Igreja de que ele é sacerdote. E esta,  por sua vez, também implicitamente, passa a ser vista pelos leitores, carregando o peso da culpa pela “diminuição ou esquecimento da Palavra”, como se isso fosse verdade.

Esse ecumenico espírito pós conciliar”  segue sempre uma ‘linha intransigente” em relação à Igreja anterior ao Concílio Vaticano II, e sempre “transigente” aos hereges e cismáticos de todas as épocas.

 

Mas, teria sido exatamente esse  “o principal motivo de protesto de Lutero e Calvino” que os levou à separação da Igreja Católica, não mais reconhecendo no Papa o “doce Vigário de Cristo”, o que tem “as chaves do reino dos Céus”, e na Igreja, a Mater et Magistra” , fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, conforme a “Palavra”?

Se assim ocorreu, então foi Lutero quem “se esqueceu” da ‘Palavra” de Nosso Senhor Jesus Cristo  a S. Pedro :

“E Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos Céus; e tudo o que ligares sobre a Terra será ligado também  nos Céus; e tudo o que desligares sobre a Terra será desligado também nos Céus”. (Mt. 18, 19. “Palavra da Salvação”).

E quantas outras referências específicas a S. Pedro se encontram na “Palavra” , revelando o seu primado, que Lutero  e Calvino se esqueceram!...não é verdade Pe. Antoniazzi?

E que fez, Lutero, com a “Palavra”? ... Como o senhor bem sabe, Revdo. Pe. Antoniazzi, naquele tempo, amputou -a de certos livros e trechos para que ninguém mais deles se lembrassem;, e lançou-a na babel do livre arbítrio.

Será que as afirmações blasfemas de Lutero sobre Deus, sobre Nosso Senhor Jesus Cristo, sobre o Santo Sacrifício da Missa e sobre a Igreja, foram motivadas pela “diminuição ou o esquecimento da Palavra” pela Igreja católica, como afirma o Revdo. Pe. Antoniazzi?

Por exemplo, sobre Deus, assim afirmou o ‘piedoso’ Lutero:

"Certamente Deus é grande e poderoso, e bom e misericordioso, e tudo quanto se pode imaginar nesse sentido, mas é estúpido" (Funk Brentano, Martim Lutero, Casa Editora Vecchi - 1956 - R.J.- Propos de Tables - no. 963, ed. De Weimar, I , 487. O negrito é meu).

Sobre Nosso Senhor Jesus Cristo, o reverente’ Lutero ousou dizer (e é com profunda dor na alma que transcrevo):

"Pensais, sem dúvida, que o beberrão Cristo, tendo bebido demais na última Ceia, aturdiu os discípulos com vã tagarelice?" (Funk Brentano, Martim Lutero; Casa Editora Vecchi - 1956 - pg. 135. O negrito é meu).

"Cristo cometeu adultério pela primeira vez, com a mulher da fonte, de que nos fala S. João. Não se murmurava em torno dele: «Que fêz, então com ela?». Depois com Madalena, depois com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer" (Funk Brentano, Martim Lutero, Casa Editora Vecchi - 1956 - R.J.- Propos de Tables - no. 1472, ed. De Weimar II.107).

Sobre o Santo Sacrifício da Missa, assim dizia profeticamente o ‘litúrgicista’ Lutero:

Quando a missa for revirada, acho que nós teremos revirado o papado! Porque é sobre a missa, como sobre uma rocha, que o papado se apóia totalmente, com seus mosteiros, seus bispados, seus colégios, seus altares, seus ministérios e sua doutrina...Tudo isto desabará quando desabar sua missa sacrílega e abominável"   (Cfr. Père Barrielle, Avant de mourir, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi - Daniel Raffard de Brienne - 1983 - http://amdg.free.fr/lexorand.htm).

Ou sobre o Canon:

“Este abominável cânon, que é uma coletânea de lacunas lodosas; ... fez-se, da Missa, um sacrifício; acrescentaram-se os ofertórios. A Missa não é um sacrifício ou a ação de um sacrificador. Olhemo-la como sacramento ou como testamento. Chamemo-la de benção, eucaristia, ou mesa do Senhor, ou Ceia do Senhor ou Memória do Senhor" (Luther, Sermon du 1er dimanche de l'Avent, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi, Daniel Raffard de Brienne - 1983).

Quanto à Igreja católica, assim dizia o ‘transigente’ Lutero:

"Se nós condenamos os ladrões à forca, os assaltantes ao cadafalso, os hereges à fogueira, por que não recorremos, com todas as nossas armas, contra esses doutores da perdição, esses cardeais, esses papas, toda essa seqüela da Sodoma romana, que não para de corromper a Igreja de Deus? Por que não lavamos nossas mãos no seu sangue?" (Hartmann Grisar, Martin Luther - La vie et son oeuvre - 2ª ed. - Ed. P . Lethielleuz - Paris -1931).

Teria Lutero dito tudo isso (dito e feito muito mais) motivado principalmente  pela “diminuição ou esquecimento da Palavra” pela Igreja, como afirmou o Pe. Antoniazzi?

E que dizer do outro reformador, Calvino, o teórico da predestinação, também citado pelo Revdo. Pe. Antoniazzi, como “reformador”, cujo “principal motivo”  da revolta, foi a diminuição e o esquecimento da Palavra” pela Igreja católica?

Para não alongar, só uma sua citação de Calvino sobre a Igreja e a Sagrada Escritura, ou “a Palavra”, como prefere dizer padre Antoniazzi:

"Ninguém ignora que aparência de religião professavam há muito tempo e ainda hoje professam o Papa e todo o colégio de cardeais. O primeiro ponto capital da arcana teologia que entre eles domina é que Deus não existe; o segundo é que, quanto se lê e ensina acerca de Cristo não passa de mentira e impostura; o terceiro, que quanto diz a Escritura acerca da vida eterna e da ressureição final, são meras fábulas e isto é coisa conhecidíssima de quantos conhecem Roma" (Calvino, Inst. de la Relig. chrét., 1. 4, c. 7, n. 27;  citado pelo Padre Leonel Franca, A Igreja, a reforma e a civilização, 6a. ed. Ed. Agir, 1952. Pág. 201).

Curioso não encontrar nas citações acima dos dois Reformadores Protestantes, nenhuma palavra sobre a diminuição e o esquecimento da Palavra” por parte da Igreja, conforme afirma o Pe. Antoniazzi, mas só blasfêmias inomináveis a Deus e a Nosso Senhor, e ofensas à Missa, à Igreja, e ao Clero.

O que o senhor diria, Revdo. Pe. Antoniazzi, de alguém que empregasse as mesmas palavras acima de Lutero e de Calvino, referindo-se a Buda, a Maomé, ao Dalai Lama, ou a qualquer dirigente de inúmeras “confissões” ou “tradições” religiosas?...

O que o senhor diria de alguém que se referisse às seitas protestantes, aos seus pastores e à sua Ceia, com as mesmas palavras acima, empregadas por Lutero e Calvino à  Igreja católica, ao Clero e ao Santo Sacrifício da Missa?

Assim, também essa afirmação do Pe. Antoniazzi  requer uma sua explicação aos leitores perplexos.

3 – “Também as encíclicas papais e os documentos dos Sínodos depois do Concílio são muito ricos em referências bíblicas” (Idem, item “2. A obra do Concílio”).

Essa afirmação do Revdo. Pe. Antoniazzi, também me deixou curioso, pois jamais ouvira tal ‘estatística’ e, confesso, nunca me dispus a comparar, tanto “nas encíclicas como nos documentos dos Sínodos”, pré e pós conciliares, quais os mais “ricos em referências bíblicas”.

Assim, fui verificar nas encíclicas (mais acessíveis que os “documentos dos Sínodos”), quão real era aquela afirmação do Revdo. Pe. Antoniazzi. Percorri algumas, publicadas desde o papa Gregório XVI a Paulo VI. Como critério, bem superficial, resolvi compará-las por tema e pela quantidade de parágrafos contidos, obtendo o seguinte resultado, quanto as citações da Sagrada Escritura:

3.1 – Tema: doutrina social da Igreja

Papa Leão XIII (1878 – 1903)

Encíclica Rerum Novarum (1891)
Itens : .............................................. 36
Citações da
Palavra”..........................28

Papa Pio XI (1922 – 1939)
Encíclica Quadregésimo Ano (1931)
Itens : .............................................. 150
Citações da
Palavra”......................... 24

Fonte: Site do Vaticano (www.vatican.va)

Papa João XXIII (1958 – 1963)

Encíclica Mater et Magistra (1961)
Itens: ........................................... 262
Citações da “Palavra”..................... 24

Encíclica Pacem in terris (1963)
Itens: ...........................................
171
Citações da “Palavra”..................... 12

Papa Paulo VI (1963 – 1978)

Encíclica Populorum Progressio (1967)
Itens: ........................................... 87
Citações da “Palavra”..................... 14

3.2 - Tema: Igreja

Papa Pio XII (1939 – 1958)

Encíclica Mystici Corporis Christi (1943)
Itens : .............................................. 108
Citações da
Palavra”..........................163

Fonte: Site do Vaticano (www.vatican.va)

Papa Paulo VI (1963 – 1978)

Encíclica Ecclesiam suam (1964)
Itens: ........................................... 68
Citações da “Palavra”..................... 62

3.3 – Tema: Liturgia

Papa Pio XII (1939 – 1958)

Encíclica Mediator Dei (1947)
Itens : .............................................. 194
Citações da
Palavra”..........................86

Fonte: Site do Vaticano (www.vatican.va)

Papa Paulo VI (1963 – 1978)

Encíclica Misterium Fidei * (1965)
Itens: ........................................... 78
Citações da “Palavra”..................... 30

*Aliás, encíclica bem esquecida nestes “nossos tempos”.

Não julgo necessário ampliar a pesquisa para outros temas, entre os “Papas da linha “intransigente”, de Gregório XVI a PIO XII”, com os do Concílio Vaticano II.

Comparando-se os casos acima, a proporção de citações das Sagradas Escrituras dos Papas intransigentes”, é proporcionalmente mais rica do que as citações dos dois transigentes Papas do Pastoral Concílio Vaticano II, contrariando a afirmação do Pe. Antoniazzi. Portanto, seria também salutar se o Pe. Antoniazzi nos informasse sobre a veracidade e seriedade da sua afirmação, ou se, talvez, tenha sido fruto mais do seu entusiasmo conciliar.

As três afirmações do Revdo. Pe. Alberto Antoniazzi, acima indicadas, não deixam de revelar o quanto os “transigentes” exaltadores do Concílio Vaticano II são “intransigentes” somente com a Igreja Católica préconciliar. Em nome da unidade, da “fraternidade” e da “solidariedade” pós conciliar, tudo aceitam e a tudo incensam, de todas as “confissões religiosas”, excluindo, intransigentemente, apenas a Igreja Católica dos Papas, de Gregório XVI a Pio XII”, Igreja esta que, segundo eles, cometeu o terrível e gravíssimo pecado da “intransigência” aos valores do mundo, pecado de lesa “humanidade” !...

Agradecendo antecipadamente a atenção e a transigência do Revdo. Pe. Antoniazzi às questões aqui apresentadas para o prosseguimento de proveitoso diálogo, me recomendo às suas orações.

Marcelo Fedeli
Outubro de 2003


Nota:

Após a publicação deste artigo recebemos o seguinte email:

De: Ricardo de Barros
Enviada em: 23 de Novembro de 2003
Local: Belo Horizonte - MG

Caro Senhor Marcelo Fedeli,

Infelizmente, Pe. Antoniazzi não poderá responder, pois, pelo que sei, seu estado de saúde é terminal (câncer já em metástase), e ele até foi levado para a Itália, seu país natal, para poder morrer e ser enterrado lá.
Saudações,
Ricardo de Barros

O autor do artigo, sr. Marcelo Fedeli, responde:

Caro Sr. Ricardo de Barros, salve Maria!

Lastimo profundamente a grave situação de saúde do Revdo. Pe. Alberto Antoniazzi, que o senhor acaba de me informar, prometendo minhas orações, para sua pronta recuperação, ou para que Deus lhe conceda as graças necessárias para suportar com paciência e espírito de sacrifício, essa pesada cruz que todos devemos carregar um dia.

Embora lastimando, agradeço a gentileza de me transmitir essa triste informação.
In corde Iesu semper
Marcelo Fedeli


    Para citar este texto:
"Três considerações relativas ao"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/curso_vaticano2/
Online, 27/05/2017 às 03:12:22h