Igreja

Covil de Adúlteros e Ladrões
Pierre de Craon


É bem conhecida a passagem do Evangelho em que Cristo expulsa, a chicotadas, os vendilhões do Templo, dizendo-lhes: "Minha casa será chamada uma casa de oração e vós fizestes dela um covil de ladrões" (Mt XXI, 13).

Se Cristo repetisse, hoje, o seu gesto - e como isto seria necessário! - os Bispos da Nova Igreja rasgariam seus clergymans e seus jeans clamando: "Radical". E condenariam o Divino Mestre porque suas chicotadas não se coadunam com o ecumenismo conciliar nem com o espírito de Medellin. E teriam toda razão, pois a intolerância do chicote de Cristo não pode ser conciliada com a mentalidade e com a doutrina da Nova Igreja, que faz da casa de Deus casa de tolerância. É uma Nova Igreja a que está aí, carcomendo e destruindo a Igreja Católica através dos documentos episcopais, dos sermões e folhetos de Missa. São lobos vestidos de pastores.

Um desses lobos escreve no folheto "O Domingo" e assina Padre Ivo Storniolo. Sua coluna intitula-se "Mandamentos, hoje". Porque, para ele, a lei de Deus não é sempre a mesma. Pode até ser invertida completamente: o que era proibido, agora tornou-se permitido. Como os antinomistas antigos que falavam da santidade do pecado, esse sacerdote diz que "Deus inverte nossas perspectivas", e assim "Deus abençoa e legitima o roubo feito pelo pobre" (Cfr. O DOMINGO, artigo "Roubo? ou justiça?, 23/07/89, no 35, pág. 4).

Eis pois a Nova Igreja transformada num covil de ladrões, cujo Deus abençoa o roubo.

Entretanto, é preciso convir, o Pe. Storniolo não é um mero defensor de ladrões. Isso não. Ele tem argumentos para defender sua tese larapial. Ele tem uma filosofia. Não é um gatunólogo. É um marxista. Ele não quer um simples assalto. Deseja a abolição da propriedade. Para o teólogo domingueiro, o lucro "é roubo puro, mas disfarçado, legalizado". E, para ilustrar suas teses estapafúrdias, ele dá esse escandaloso exemplo: "Uma prostituta cuja especialidade é proteger trombadinhas perseguidos pela polícia diz a eles depois que passa o perigo: "Vá, meu filho, vá. E que Deus o abençoe". Pergunta então o disparatado Pe. Storniolo: "Será que Deus abençoa essa atitude? Creio que sim".

Não é apenas o roubo que o Pe. Storniolo aprova. O adultério e o amor livre não estariam longe da bênção de Deus, enquanto o matrimônio teria aspectos negativos.

Num artigo, esse destruidor da moral escreveu: "Dizem (sic!) que a castidade é uma das grandes virtudes. O sexto mandamento teve grande influência nisso. Mas nunca explicam direito o que é castidade. É fazer ou não fazer sexo, ou "fazer amor", como se diz? Tormentos, dúvidas, escrúpulos. Pode ou não pode? Vale ou não vale a pena? ‘Tudo vale a pena, se a alma não é pequena’, diz Fernando Pessoa" (O DOMINGO, artigo "O que é castidade?", 2/ 7/ 89, no 32, pág. 4).

E contorcendo inteiramente o pensamento de Santo Agostinho, ao citá-lo de modo incompleto e num contexto malicioso, diz esse arauto da Nova Moral: "Ame e faça o que você quiser!".

"E aparece a idéia de posse. Segurar o que se conquistou, possuir o que se cativou. Prisão. E quem é que gosta disso?" (Pe. Ivo Storniolo, artigo cit.).

Assim, nas questões relativas ao sexo, e, portanto, ao matrimônio, para o Pe. Storniolo o mal é a idéia de posse do ser amado. E de posse particular no estilo capitalista. Noutras palavras, o mal estaria no matrimônio-prisão. Bom é dar-se e receber. "Darmo-nos também. Aprender que as flores não precisam ser apanhadas no jardim. Elas já estão se dando!" (Pe. Ivo Storniolo, art. cit.).

"E compreenda quem puder", diz o padre. Ora, o que ele está dizendo de modo pouco velado, mas sem, por tática, declará-lo explicitamente, é que o matrimônio é uma prisão.

É possível ser mais escandaloso?

É claro que teses tão imorais, tão escandalosas, supõem uma concepção de Deus e da moral totalmente diversa daquela que a Igreja sempre ensinou. O Pe. Ivo Storniolo, cuja doutrina moral tanto se parece com a dos hereges gnósticos antinomistas, faz entrever o fundo de seu pensamento noutro artigo: "Sexo é mistério criador da vida. Quando compreendemos isso, só nos resta adorar o mistério e servir a vida ( ... ) A vida não volta atrás, para servir aos nossos caprichos. Ela sai de Deus e, uma vez desencadeado o seu processo, ela vai sempre para a frente, de novo à procura de Deus ( ... ) Somos um elo na corrente que liga a mão direita de Deus à sua esquerda" (Pe. Ivo Storniolo, art. "E a sexualidade", O DOMINGO, no 31, pág. 4, 25/ 7 / 89).

É isso que se ensina ao povo católico nas igreja hoje: que Deus abençoa o roubo praticado pelo pobre; que em matéria de sexo tudo vale a pena; que, no amor, o mal é querer possuir a pessoa amada, porque "as flores não precisam ser apanhadas no jardim. Elas já estão se dando". E compreenda quem puder. Compreenda que essa Nova Igreja não é a Igreja Católica. A Nova Igreja tornou-se um covil de adúlteros e ladrões. Pior; um covil de defensores do roubo e do amor livre.


    Para citar este texto:
"Covil de Adúlteros e Ladrões"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/covil/
Online, 26/05/2017 às 06:16:34h