Igreja

O testemunho de um Monsenhor. Seminários corrompidos: o berço do clero atual.
Monsenhor Jacques Masson

 
Nota da Montfort:
 
Recebemos esse artigo que conta a corrupção doutrinária do clero francês nos seminários, ainda durante o Vaticano II.
 
Depois piorou ainda mais. E será que isso aconteceu só na França?
 
No Brasil, não aconteceu o mesmo?
 
No Brasil, consta que há seminários em que pastores protestantes - e até pastoras – dão aulas aos futuros padres católicos. Que esperar desses seminários?
 
Que esperar dos padres formados nesses seminários?
 
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Hermas, quinta-feira, 16 de julho de 2009:
 
Memórias dos Tempos de Crise:  a Apostasia Atual Tem Raízes Profundas
 
“Sem querer levantar polêmicas, o que não é o objetivo «Hermas», julgo que é oportuno responder ao comentário muito justo de «Petitnou» (n°10), que escreve: «Para fazer um estudo completo, será preciso explicar também porque essa loucura coletiva dos anos 60-70 pode nascer. Isso não saiu do nada. Foi necessário que isso começasse antes». (Petitnou, Comentário n° 1).
 
É muito justo, e é importante compreender o que se passou, sem pretender que os «bons» estão de um lado e os «maus» do outro. Os homens são os homens, e sujeitos a erro, ao fanatismo. Mas nós estamos diante de um problema único, a meu ver, na Igreja, em razão de sua extensão mundial. Seria longo demais e complicado buscar todas as raízes dessa crise, e não me sinto capaz disso. Todavia, um testemunho pessoal, do que aconteceu, pode ajudar a compreender que estamos diante de um fenômeno que tem raízes profundas e longínquas.
 
A primeira coisa que é preciso lembrar é que Igreja tem um inimigo feroz, de que fala o Livro do Apocalípse, especialmente no capítulo doze: o Demônio, LUCIFER ! É preciso não ignorá-lo, nem substimá-lo. Ele ousou até mesmo tentar a Cristo, até mesmo na cruz. E, fundando a sua Igreja sobre Pedro, o próprio Jesus Cristo anuncia «Tu és Pedro e sobre essa pedra eu edificarei a minha Igreja. As portas do Inferno não prevalecerão contra Ela - portae Inferi não praevalebunt adversus Eam» (Mt XVI, 18).
 
O próprio São Paulo nos adverte nestes termos: «2 Tim., IV, 1. “” “Conjuro-te diante de Deus e diante de Cristo Jesus, que deve julgar os vivos e os mortos, em nome de sua vinda e de seu Reino: 2.  prega a palavra, insiste a tempo e a contra temo, refuta, ameaça, exorta, com uma paciência incansável e a preocupação  de ensinar. 3. Porque virá um tempo em que os homens não suportarão mais a sã doutrina, mas  multiplicarão para si mestres conforme a seus desejos, e pelo prurido de ouvir,  4.e afastarão seus ouvidos da verdade para se voltarem às fábulas”.
 
Na Conferência que citei de S. E. Mons. Bruguès, Secretário da Congregação para a Educação Católica, o prelado declarava a propósito dos jovens que se apresentavam atualmente no seminário:
 
«Os jovens que, se apresentam em nossas Casas de Formação, não conhecem mais nada ou quase nada, da doutrina católica, de história da Igreja e de seus costumes». E eu notava que essa observação tinha sido feita já por Mons. Marcel Lefebvre desde 1969. Por mim mesmo, tinha podido perceber no Pequeno-Seminário Santa-Maria de Meaux em 1966, onde eu era responsável pelos seminaristas das classes de 2a às Finais.
 
Cada geração de jovens foi instruida na religião por uma geração de padres, é evidente. Mas essa decadência contínua prossegue, com, por causa e em razão dessa sucessão de gerações.
 
Eu faço parte dessa geração de padres de 1960-1970, tendo sido ordenado em 1966. E eu bem a conheci no Seminário de São-Sulpício, pois que  eu aí era um seminarista como os outros, no meio dos outros. Nessa época já, numerosos seminaristas, que foram ordenados padres, e se tornaram párocos (se perseveraram em seu sacerdócio), ouso dizê-lo sem julgá-los, mas com toda objetividade, já não eram mais católicos. Darei abiaxo alguns exemplos. E- entretanto, foram eles que foram vigários, párocos, encarregados da pastoral e de ensinar a sã doutrina; a Igreja esteve e está ainda em suas mãos. Entre eles, alguns até ficaram Bispos. Eles assim formaram gerações de fiéis, futuros seminaristas, inculcando-lhes sua «própria doutrina» e não a doutrina da Igreja. Eles também eles «transmitem o que eles receberam», mas não à maneira de São Paulo, nem o que São Paulo recebeu.
 
A geração precedente os “formou” assim.
 
Se o principal Adversário da Igreja é Lúcifer, não é preciso esquecer que ele se serve na maior parte do tempo de homens para realizar sua obra. O Papa São Pio X tinha condenado em seu tempo o modernismo, e ele anunciara que ele voltaria de modo mais dissimulado desde o interior da Igreja. É preciso não esquecer também as perseguições que a Igreja conheceu e sofreu, na França principalmente: as vitimas da Revolução Françesa foram sobretudo  padres refratários, religiosos, religiosas, católicos que se dirigiam aos padres refratários. A Abadessa da Abadia de Bouxières (uma das 4 grandes Abadias de mulheres na Lorena) escrevia ao Papa, no mês de Janeiro de 1790, que a Revolução era inteiramente dirigida contra  a Igreja Católica, e que ela e suas religiosas permaneceriam fiéis à Igreja e ao Papa. Várias dentre elas foram mortas na guilhotina. É preciso não esquecer que, na França, existe uma corrente anticlerical, laica, laicista, cuja palavra de ordem era «Abaixo o clero». A lei de separação de 1905 expoliou a Igreja Católica de suas igrejas, expulsou os religiosos e as religiosas de seus couventos, etc.
 
Uma anedota, que cito com altivez e com certo orgulho: na pequena aldeia d'Arraye, perto de Nancy, minha avó paterna e suas irmãs, ajudadas por algumas outras mulheres da aldeia, defenderam a igreja, com forcados, para impedir que os soldados nela entrassem e dela se apossassem. Meu pai, então com sete anos, é que foi incumbido de avisá-las da chegada dos soldados, montando guarda no alto da colina.
 
E ademais, a França tem uma forte minoria protestante, com a qual os padres convocados na segunda guerra mundial tiveram contatos mais «íntimos». Diz-se ainda que há a Maçonaria.
 
Sem esquecer um fato pouco conhecido, mas bem real: as infiltrações de elementos anti católicos nos séminários. O Cardeal Primaz da Polonia fez um grande grande escândalo nos anos 1960-1965, revelando o caso «Pax», sobre as infiltrações comunistas nos séminários da Polonia, mas também de toda a Europa. Ele sabia do que falava, mesmo se numerosos Bispos «ocidentais» não acreditaram nele, e o criticaram violentamente.
 
Isso mostra muitas causas secundárias, muitas influências que se exerceram sobre os padres, sobre os futuros padres, que se inseriram na doutrina e na moral católicas.
 
Invenções? Suposições sem fundamento? Como explicar que  padres chegaram a nunca acreditar na Presença real de Cristo na Eucaristia? Que houve «quedas» na vida de castidade de certos padres, é inegável! Eles são homens, e quantos homens casados se «desviam» sem que isso cause a indignação geral? Mas ver nascer um movimento poderoso para «o casamento dos padres», para «a ordenação sacerdotal das mulheres» («Isso se faz muito entre os protestantes, ou entre os Anglicanos», ouve-se dizer frequentemente), não pode ser um fenômeno de «geração expontânea»: pode-se, e deve-se ver nisso a «pata» do Diabo, que se serve dos homens para orquestrar a destruição da Igreja, do sacerdócio inicialmente, do sacramento da Eucaristia, da consagração do padre a Deus para se por a serviço de todos!
 
UM EXEMPLO! Minha paróquia de origem recebeu como herança um padre que fora incicialmente vigário na catedral de Toul. O Arquiprestre da catedral, o Cônego Forfert, que conheci bem, disse-me então: «Eu lhes desejo muito prazer; eu o tive como vigário, e pedi que me livrassem dele: é uma mistura de comunista e  protestante ! Atenção! ELE É UM AGITADOR!».
 
De fato, ele destruiu uma paróquia qui era um modelo de prática religiosa (50%, dividida entre o alto e a parte baixa da aldeia). Mamãe escreveu ao Bispo de Nancy da época, Mons. Bernard, e ao Arcebispo de Besançon, Mons. Lallier, antigo Bispo de Nancy. Ela recebeu uma resposta agradecendo sua carta: «Que quer a senhora que façamos do Senhor Pároco. Se o colocarmos numa outra paróquia, ele a destruirá» ! É surpreendente: quando numa empresa alguém absolutamente não funciona, se o nomeia Presidente Diretor Geral ? Ele simplesemente é expulso.
 
Na Quinta Feira Santa de 1967, eu era padre há um ano, assisti à Missa «in Cena Domini», a Missa da Quinta Feira Santa, no curso da qual se recorda a Instituição do sacerdócio e da Eucaristia, e o Lava-pés.
 
No sermão, comentário da Carta de São Paulo aos Coríntios,  lembrando o que ele mesmo tinha recebido a propósito da Instituição da Eucaristia: o pároco, declarou, entre outras coisas (abrevio!): «Não depende do padre que disse "isso é meu corpo, isso é meu sangue" paar que haja a eucaristia: isso depende da fé ou da caridade do fiel. Se alguém não tem caridade, e vem comungar, ele não recebe o corpo de Cristo». E acrescentou, a propósito da santa Reserva, conservada  no Tabernáculo:«O tabernáculo contem apenas pão, o 'viático', um alimento espiritual para os que estão a ponto de fazer a grande viagem. E do mesmo modo que vocês não fazem genufexão diante de uma geladeira, porque é um guarda comida, assim vcês não devem fazer genuflexão diante do tabernáculo, porque ele é um guarda comida».
 
«Senhor Pároco, o senhor é um herege, o senhor não é mais católico!» Eu não pude me calar, e o interrompi. Depois da Missa, a discussão foi animada. Ele retomou o mesmo comentário durante a Hora Santa das 23 horas à Meia Noite (porque ele era prudente, e mantinha certas práticas para não chocar os fiéis... O «agitador” hábil do qual falava o Cônego Forfert). A discussão que se seguiu durou até às 2 horas 15, fora, sob um vento glacial. Eu o encurralei até suas últimas defesas, sobre questões precisas: ele não acreditava na Virgindade de Maria, na Infaillibilidade pontif[icia, na necessidade da castidade para o padre, no inferno, na necessidade do padre na Igreja etc.: «Felizmente o número dos padres diminui. A Igreja vai enfim reencontrar assim o 'sacerdócio comun dos fiéis': cada fiel é padre por seu Batismo. E você verá, me disse ele com for;a, e insistência: dentro de pouco tempo, cada padre celebrará a eucaristia em casa durante a refeição, como a fez Cristo (os protestantes dizem «Cristo, e não «o Cristo») E PARA  PREPARAR ESTA ETAPA IMPORTANTE, NÓS VAMOS INTRODUZIR A COMUNIHÃO NA MÃO».
 
« NÓS VAMOS»: NÓS: era uma confissão! Eu fiz ele dizer isso. E acrescentei, em conclusão «ENTÃO, SENHOR PÁROCO NÓS não teremos mais a mesma religião! NÓS NÃO A TEMOS MAIS JÁ!».
 
A distribuIção da comunhão na mão, que começara sem permissão, ilegalmente em Fontainebleau, será oficialmente permitida cerca de três anos mais tarde, como «direito» dos fiéis e não como «indulto», como devia lembrá-lo o Papa Bento XVI, bem mais tarde, por intermédio de Mons. Guido Marini, seu Mestre de Cerimônias.
 
UM OUTRO EXEMPLO? Estamos no mês de Março de 1969, na pequena aldeia de Velaines, perto de Ligny-en-Barrois. Minha família e eu fôramos lá para os funerais de um primo de meu pai, um «duro» da Guerra de 1914, ferido de guerra, e bom católico.
 
A Missa era celebrada pelo Pároco, na presença do Decano. Eu estava na primeira fileira, do lado dos homens, depois papai e meu irmão. Uma Missa curiosa, cheia de surpresas. Premeira leitura: ouço ler um longo texto, que pensava ser uma introdução; falava-se aí de “ataúde”! Curioso. Depois o final: «Palavra do Senhor». Era a Leitura! A Oração Eucarística (o Cânon Romano) tinha orações introduzidas que eu não conhecia. Eu começava a me agitar. Mas, as palavras da Consagração eram as prescritas pela Liturgia.
 
Depois da distribuição da santa Comnhão, o Padre voltou a subir ao altar, fechou o cibório que restava sobre o altar, pôs o véu sobre o cálice, sem fazer as abluções e se apressou em terminar a Missa. Eu passei à frente de meu irmão, diante de meu pai, e, de batina subi ao altar, e dise ao padre em voz alta: «O Senhor vai recolocar o cibório no tabernáculo, e vai purificar o Cálice». Sem dizer uma palavra, ele pegou um e outro e se dirigiu à sacristia!
 
Uma segunda hesitação de minha parte, e eu o segui: quando cheguei, ele estava abrindo uma gaveta cheia de hóstias não consagradas, e se apressava em derramar o cibório nessa gaveta. Uma santa cólera caiu sobre mim: eu o agarrei pelos ombros dizendo-lhe (que Deus me perdoe e o leitor me desculpe): «Se o Senhor não levar de volta esse cibório ao tabernáculo, eu lhe arrebento a garganta!» (E eu o teria feito). Eu o arrastei puxando-o pelo ombro  até o coro da igreja, diante de toda a assistência, e o obriguei a recolocar o cibório no tabernáculo. Eu tinha tomado, de passagem, o cálice, que eu purifiquei. Era verdadeiramente o caso de dizê-lo: cálice de uma sujeira repelente, cheio de verde e de cinzento ! Que horror !
 
Mas não era o fim: no cemitério, o Decano se aproximou de mim e dise “NÃO COMPREENDO SUA INTERVENÇÃO INADMISSÍVEL, PORQUE TODO MUNDO SABE BEM QUE, DEPOIS DA MISSA NÃO HÁ MAIS PRESENÇA REAL».
 
Meu irmão me segurou os braços, por prudência.
 
 
AINDA ALGUNS EXEMPLOS !
 
Nós nos espantamos que os padres nâo sabem quase mais nada. Saibam que em São-Sulpício, há tratados de Teologia que nós nunca estudamos: o que trata da Virgem Maria, a Mariologia (Em São-Sulpício! O Padre Ollier deve se revirar em seu túmulo; o tratado sobre os fins últimos (céu, purgatório e inferno).
 
Porque, aliás, fazer esse tratado: o Padre Congar não declarou diante de nós todos, jovens padres, que o inferno não existia, que o inferno era a vida nesta terra, e que saía-se do inferno ao morrer, e que então se entrava na casa do Pai? E acrescentou: «aliás, se o inferno existe, ele estaria vazio, Deus é tão bom!» (com um sorriso beato!). Palavra do P. Congar.
 
O Tratado de Moral limitou-se ao estudo das três virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade! O Tratado sobre o Casamento? O professor perguntou aos alunos: «Como querem que estudemos esse tratado: de modo teológico, ou pastoral? ». Passou-se à votação: 25 pelo modo pastoral e 24 pelo modo teológico. Durante quatro meses, ouvimos falar de todos os métodos de contracepção conhecidos então, com suas vantagens, e seus inconvenientes, tudo exposto por médicos e por casais.
 
Um dia, eu fui à casa de meu Diretor espiritual, fora de mim e lhe disse: «Padre, basta: eu posso lhe dizer tudo o que é preciso para ter uma criança, ou melhor para não ter uma, mais eu não sei lhe dizer o que é o matrimônio. Nem uma vez ouvi falar da doutrina da Igreja, nem do Concílio de Trento! ».
 
Durante meus três anos de Teologia em São-Sulpício ouvi tais coisas assustadoras, que tomei algumas notas! Eu garanto a verdade do que escrevi, porque eu as ouvi afirmar por seminaristas que se tornaram padres. Peço ao leitor que desculpe minha «fidelidade» em transmitir certas palavras. Eu tirei os nomes, certamente! Por delicadeza e por caridade: Veritas in Caritate ! A Verdade na caridade.
 
Quita Feira 11 de Março de 1965 (retiro de ordenação para  futuros Diáconos): «O que me amola mais no diaconato, é o batismo, porque isso vai contra minha teologia: por exemplo, os exorcismos. Eu os farei porque é obrigatório fazê-los, mas será um teatro, porque eu não creio no Demônio. Ele não existe; e mesmo se existisse, ele não habitaria numa criança não batisada».
 
12 de Março de 1965 (o mesmo sujeito, sobre os novos ritos da reforma da Missa, de 1965):«Por ora, não temos as mudanças para celebrar a Missa. Aprender a celebrar a Missa de diferentes modos!Vou aprender uma só, e depois, eu não celebrarei senão no domingo e de tempo a outro se pessoas me pedirem; mas jamais missas privadas.»
 
Em 15 de Março de 1965 : (diácono há alguns dias) : “Eu estava lendo um livro ortodoxo sobre o casamento e a castidade Lendo-o, compreendi que há vinte séculos a Igreja impunha a seus padres uma coisa contra a natureza, o celibato dos padres. Isso não se sustenta e não resolve nada. É preciso terminar com essa mentalidade que vê em todo ato carnal um pecado e um impecilho para rogar a Deus e o servir. Dizem, e é o Pontifical que o diz: é preciso estar puro para se aproximar do altar: Como se o casamento sujasse! Está na hora de a Igreja comprender seu erro. A Igreja fez das relaçóess carnais um pecado mortal, em certos casos !»
 
Um terceiro intervém: «Eu de todo modo, não creio no pecado mortal porque é preciso três condiçõess para que ele ocorra, entre as quais o uso da liberdade. Nós não somos  livres, e, portanto, não podemos cometer pecado mortal».
 
Eu: «Se se fala de pecado, é preciso pelo menos pensar no pecado de Satâ! »
 
«A rigor, se você acredita em Satã. Mas Satã existe? Quanto a mim, não creio nele!»
 
Eu: «Mas há também o pecado dos anjos decaídos!»
 
«Ora vá, deixe-me rir, a rigor, quanto a Satã, mas dizer que os Anjos existem, isso é folclore! »
 
Eu: “Há também o pecado de Adão, que ele, pelo menos não estava ainda inclinado para o mal !”.
 
«É verdade, mas o problema é saber se Adão existiu! Não, veja, não se pode pensar seriamente nisso, com as descobertas da ciência moderna, não se pode dizer que houve apenas um casal original. Isso não é sério! Você acredita no pecado mortal? Eu, eu não creio nisso; é um modo cômodo de explicar o mal no mundo, uma espécie de mito”.
 
«Note-se bem que dizendo isso eu estou consciente de ter contra mim 90% dos teólogos»
 
Eu:«Nesse caso, você colocou a questâo de saber quem se enganava?».
 
«Disso não há dúvida: sou eu que tenho razão, porque os dogmas evoluem conforme as descobertas e os novos modos de pensar. Estou convencido que, em alguns anos 90% terão evoluído e pensarão como eu. A prova disso é o caso Galileu! É por isso que penso que a Igreja, daqui há pouco, rejeitará a castidade como absurda, para voltar a uma sadia e objetiva Teologia do casamento. Vai-se para isso devagarinho; basta olhar o Concílio. Tomemos outro exemplo, a limitação dos nascimentos; a pílula contraceptiva agora é aconselhada cada vez por mais padres. De minha parte, não hesitarei aconselhá-la! »
 
9 de Março de 1965: «Eu, de todo modo, não creio na Virgem Maria. Olhem Fátima, por exemplo, isso não é de fé, nem Lourdes. »
 
Eu: «Sim, mas a Igreja as reconheceu como dignas de fé ».
 
« Ela depois voltou atrás. Quanto a Fátima, por exemplo, o Segredo devia ser aberto em 1969. E até agora nada! A causa é que o Papa o abriu, é certo, mas quando viu as tolices que nele eram contadas, ele preferiu guardar o segredo para si, para não ridiculisar a Igreja. »
 
2° domingo de Outubro de 1964
 
(No correr de uma conversa): «Eu só creio no que está na Escritura. A devoção ao Sagrado Coração? Você está brincando! Vocé acha no Novo Testamento que se deve adorar o coração de Jesus? Porque náo adorar os seus pés [seguiram-se algumas blasfêmias que  pouparei ao leitor] ? »
 
Eu protestava vivamente contra essas blasfêmias. 
      
Não há blasfêmia nisso: Maria e José eram casados. Quando se está casado, que é que se faz. Dorme-se junto. E depois, para que seu casamento fosse válido, era preciso que eles tivessem consumado a sua união. (,,,) [ Agora é a Montfort que censura as blasfêmias horríveis que esse seminaristas franceses da décda de 60 lançavam com a Virgindade de Nossa Senhora].
 
De todo modo, é preciso compreender a virgindade não em sentido físico, é uma virgindade de coração e eu não hesitarei um segundo a ensinar isso no Catecismo. E para nós, é a mesma coisa: nossa castidade é uma castidade de coração, é normal. Aliás, para dizer tudo, faz muito tempo que eu não sou mais pulguinha».
 
Na mesma conversa, a mesma pessoa negou o Inferno, o Purgatório, o pecado original, Satã, os Anjos etc.
 
Início de 1965: (à mesa): 
 
«A virgindade de Maria antes, durante e depois? Antes? A rigor, mas durante e depois, é impossível; aliás isso não é de fé» .
 
24 de Março de 1965: festa de São Gabriel: que Anjo apareceu a São José: «Para mim, os Anjos não existem; portanto São José deve ter bebido um pouco a mais e acreditou ter visto um anjo».
 
Maio de 1964: Saída anual a Fontainebleau: Dirigindo-se a mim: «Você não vai sair de batina. Em todo caso, nâo se terá raiva se você não for de roupa comum ! »
 
Novembro de 1963 (um seminarista de um ambiente muito burguês): «A batina é uma roupa burguesa que nos impede ir aos operarios. Quando o operário nos vê de batina, ele sabe quem somos, e isso lhe dá um complexo de inferioridade, porque ele sabe que nós somos mais inteligentes que ele. É como um muro que nos separa; enquanto com roupa comum, agente fica de seu meio, e o gelo é quebrado».
 
Outubro de 1964 (um jovem padre): «É preciso educar os cristãos. Eles vem nos amolar na confissão: eu jurei, eu comi carne na sexta feira, eu disse palavrões, eu trai minha mulher... Às favas com essas bobagens!»
 
Conclusão para o Cardeal Thiandoum (antigo Arcebispo de Dakar, successor de Mons. Marcel Lefebvre pelo qual ele tinha uma afeição profunda), e a quem eu tinha mostrado esses textos quando de uma passagens em Ecône:
 
«Lendo os extratos dessas conversas, tive sentimentos de espanto, de indignação, e também de medo: os que diziam tais monstruosidades tornaram-se padres?”
 
“Em todo caso, tudo se paga: «quem semeia ventos, colhe tempestades!» E isso vale também para a Igreja.
 
“Mas é bem mais grave quando se trata das almas.
 
Com a garantia de minha oração fiel e a alegria de vos ter encontrado”.
 
21-IX-1971  + Thiandoum, Arcebispo de Dakar.
 
CONCLUSÃO
 
Como disse acima «Veritas in Caritate»: a Verdade na Caridade.
 
Eu não escrevi isso tudo para suscitar escândalo ou indignação.
 
Mas antes para causar piedade: «Tenho piedade dessa multidão», dizia Jesus!
 
Guardemo-nos bem de uma reação violenta, de um julgamento sem apelo.
 
Quem nunca pecou  lance a primeira pedra.
 
O que foi contado aqui é para ajudar a compreender quanto o mal é profundo.
 
Quanto Lúcifer faz tudo para destruir o sacerdócio.
 
Para destruir a Igreja de Jesus-Cristo.
 
Nós temos uma certeza: as portas do Inferno não prevalecerão contra ela.
 
Então não julguemos.
 
Guardemo-nos bem de jugar.
 
Rezemos!
 
Rezemos pelos padres,
 
Por sua santificação.
 
Para sua fidelidade a Cristo e à sua Igreja.
 
Rezemos pelos padres que cairam ou que se perderam.
 
E que aquele que está de pé tome cuidado de não cair ele também,
 
Sigamos o convite do Santo-Padre, o Papa Bento XVI, neste ano  Sacerdotal colocado sob o patrocínio do Santo Cura de Ars.
 
Monsenhor Jacques Masson

    Para citar este texto:
"O testemunho de um Monsenhor. Seminários corrompidos: o berço do clero atual."
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/corrupcao-seminarios/
Online, 25/03/2017 às 08:41:28h