Igreja

As conversões doutrinárias Roma/FSSPX?
Vini Ganimara

 
Elas já começaram?
 
Um boato persiste cujos supostos protagonistas nem negaram nem confirmaram. Um ano antes da morte do Papa Wojtyla, o Cardeal Ratzinger teria incumbido um grupo de teólogos de iniciarem  discussões teológicas discretas com os lefevristas. Elas teriam se desenrolado na França ate 2008, com a participação de Bispos desse país, e sob o duplo patrocínio do GREC (Grupo de Encontro entre Católicos, animado pelo Padre branco francês Michel Lelong) e da revista Nova et vetera cujo redator da edição francesa é o dominicano suíço e teólogo tomista Charas Morerod. Ora, esse grupo de teólogos era de algum modo "presidido" pelo próprio Morerod, o qual acaba de ser nomeado, no dia 22 de Abril, pelo Papa secretário da Comissão teológica internacional (CTI)… O que dá consistência a esse boato, tanto mais que Morerod não temeu debater publicamente, em Paris, em Fevereiro de 2008, quando de uma sessão do GREC, com Grégoire Celier, Padre da FSSPX – que diz-se ser um dos designados por seus superiores para as discussões com Roma –, sobre o tema central da autoridade do Vaticano II. Cellier e Morerod, cada um deles, fez uma exposição para responder à questão da sessão: « O Vaticano II e os outros Concílios ecumênicos. Revisar e/ou interpretar certas passagens do Vaticano II ?».
 
Para Celier, o Vaticano II não sendo normativo para a fé dava portanto direito à discussão sobre pontos disputados há 40 anos (ecumenismo, liberdade religiosa…). Para Morerod, a recepção do Vaticano II não pode ser admitida sem uma grande atenção à perenidade do Magistério anterior. A sessão daquela noite parecia um pouco a um "balanço de etapa" das discussões anteriores a que me referi. Mas é pena que o Padre Claude Barthe, que é, como se diz agora em francês, "incontornável" em todos esses assuntos, e que "moderava" a discussão, não tenha oferecido aos presentes a ocasião de fazer perguntas… Enfim, é o que me contaram, porque eu não estava em Paris nessa noite.
 
O mais espantoso, nesse dossier de ditas "discussões", é que o Cardeal Ratzinger estava bem mais convencido que o Bispo Bernard Fellay, o superior da FSSPX, da necessidade de um diálogo teológico sobre essas questões disputadas, o Bispo, como se temia, não tendo senão tardiamenete se convencido disso … Em 2006, pela primeira vez, ele abordou a questão das "discussões", mas colocando dois obstáculos nesse caminho : liberação da Missa de São Pio V e levantamento das excomunhões que atingiram a ele e seus três confrades sagrados por Lefebvre em 1988. Esses obstáculos não existem mais, mas poderia ser que agora seja tarde demais para que Fellay tire o benefício que ele poderia ter tirado dessas discussões.
 
A explicação dessa por demais bela ocasião (perdida ?) para a FSSPX de minar, como ela deseja, o Vaticano II, é que seria possível que:
  1. Fellay tenha acabado por se deixar convencer da necessidade de um debate teológico por seus próprios conselheiros
  2. os quais poderiam ter sido convencidos bem antes por Morerod e os teólogos oficiais incumbidos pelo Cardeal Ratzinger
  3. o qual, por sua vez, desejaria uma colocação em discussão do Vaticano II pelos principais adversários desse Concílio, mas obrigando-os, ao mesmo tempo, a entrar no jogo de uma certa "recepção" do Vaticano II.
Se non è vero…
 
[Tradução: Montfort. Texto original em Relações com a FSPX

    Para citar este texto:
"As conversões doutrinárias Roma/FSSPX?"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/conversao-roma-fsspx/
Online, 25/06/2017 às 14:23:06h