Igreja

O colapso da Igreja no Ocidente 1960-2000
Pe. G.H. Duggan S.M.

Pe. G.H. Duggan S.M.
Filósofo – Teólogo – Escreve da Nova Zelândia
(Artigo extraído do site www.christianorder.com)

 

É um fato, agora evidente a todos, que a Igreja no Ocidente – isto é, os países da Europa Ocidental, os EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia – sofreu nas últimas décadas um grave retrocesso; grave o bastante para podermos chamá-lo de colapso.

Ninguém ainda inventou um agapômetro para medir o grau de fervor espiritual no coração dos fiéis a nossa única maneira de medir a extensão do colapso são as estatísticas, e as estatísticas mostram claramente que este colapso é real.

Em seu livro “The Battle for the American Church” (“A Batalha pela Igreja Americana”), o historiador Mons. George A. Kelly, mostra os gráficos para a Igreja nos EUA até 1979. Eles eram na ocasião terríveis e não tem havido nenhuma melhoria com o passar dos anos. E o quadro não é nada diferente nos outros países que, como os EUA, constituem o Ocidente.

Aqui estão algumas estatísticas de Kelly:

Em 1950, havia 60.000 padres, e 25.000 seminaristas em preparação para o sacerdócio; os religiosos comprometidos com o ensino somavam 150.000.

O comportamento dos Católicos era exemplar:

75% dos casais católicos assistiam à Missa no Domingo;
50% recebiam a comunhão pelo menos mensalmente;
85% faziam suas obrigações durante a Páscoa;
85% dos solteiros iam à Missa todo domingo, não importando a idade – 19, 29, 39, 49, etc.

Em 1979, o quadro era diferente. Talvez por volta de 10.000.000 Católicos pararam sua ida regular à Missa dominical – declínio de 30%. O sistema educacional católico que outrora fora de se orgulhar, teve uma queda em pelo menos 2.000.000 matrículas; o número de bebês batizados caiu de aproximadamente 500.000; deixaram de se converter por volta de 50.000 pessoas por ano.

Houve também uma grave mudança nas aparências. Uma pesquisa realizada em 1976 mostrou que 75% aprovavam relações sexuais antes do casamento; 80% aprovavam métodos contraceptivos, 70% aprovavam a legalização do aborto e 40% não consideravam o papa infalível.

A queda do número de Irmãs religiosas desde então é esmagador. Naquele ano (1965), elas somavam 185.000. Em 1995, não passavam de 80.000.

As estatísticas para os outros países do Ocidente não são muito diferentes. A presença à Missa aos domingos reduziu drasticamente. Da mesma forma caiu o número de vocações ao sacerdócio e à vida religiosa; também os seminários e noviciados abarrotados de outrora foram ou vendidos ou utilizados para outros fins.

As causas do colapso

Os franceses têm um provérbio, conta Maritain, que quando um peixe se estraga, a podridão começa pela cabeça. Então procurando entender o colapso, é necessário olhar antes para as causas de ordem intelectual, e estas não são difíceis de encontrar. Eles formam um grave conglomerado de graves erros teológicos, filosóficos e bíblicos que recebe apropriadamente o nome de Neo-modernismo.

Este, bem como seu predecessor, o Modernismo, o qual foi esmagado pelo papa São Pio X no começo do século XX, visou causar mudanças radicais nos ensinamentos da Igreja, sem no entanto deixar a Igreja, para trazer a Fé Católica em conformidade com a ideologia dominante do mundo moderno.

O Papa São Pio X identificou as raízes intelectuais do Modernismo no gnosticismo de Kant, no evolucionismo de Hegel, e no criticismo bíblico racionalista de Strauss e Renan.

As correntes de pensamento dominantes no Neo-Modernismo são o Existencialismo Kantiano de Karl Rahner, o Panteísmo Evolucionista de Teilhard de Chardin, que sem dúvida deve muito a Bergson, a Exegese Existencialista de Rudolf Bulttmann, que influenciou o trabalho bíblico “científico” de Raymond Brown, entre outras.

Os Neo-Modernistas têm obtido muito mais sucesso que seus predecessores Modernistas.

Teilhard

Teilhard afirmou seu objetivo numa carta a Leontine Zante em 1936:

“O que dominou enormemente meu interesse foi o esforço para estabelecer dentro de mim e difundir em volta uma nova religião (chamemos isto de Cristianismo melhorado, se lhe apraz) no qual o Deus pessoal não é mais o grande proprietário de terras neolítico de tempos de outrora, mas sim a Alma do mundo...”

Em 1947 ele ganhou muitos discípulos para a sua causa que ele chegou a escrever: “Eu tenho muitos amigos em ótimas posições estratégicas que eu me sinto relativamente seguro sobre o futuro”.

Em 1950, após o aparecimento da encíclica Humani generis a qual continha uma condenação explícita às teorias de Teilhard, ele recebeu uma carta de um Dominicano que havia deixado a Igreja, convidando-o a juntar-se a ele em sua campanha. Teilhard não aderiu ao convite. Ele permaneceria – escreveu ele – na Igreja, a qual tinha obviamente um papel central na condução do universo ao ponto Omega, onde o processo de unificação seria completado.

Negando a Presença Real e a Alma Imortal

Outros Neo-modernistas têm sido menos explícitos acerca de seus propósitos. Mas está claro que Rahner procurou trazer o ensinamento da Igreja em conformidade com o existencialismo kantiano de Martin Heidegger. De acordo com Edward Schillebeeckx, o objetivo do teólogo consiste em explicar a Fé utilizando-se de conceitos derivados da fenomenologia de Edmund Husserl. Para Raymond Brown, a tarefa do Ensino bíblico católico é a exposição do significado do texto da Escritura pelo uso do método crítico-histórico, de modo a fazer sua obra ser aceitável aos demais estudantes desta mesma área.

O Concílio de Trento definiu que “no precioso sacramento da Sagrada Eucaristia, depois da consagração do pão e do vinho, Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, está verdadeiramente, realmente e substancialmente contido sob as espécies dessas coisas sensíveis” e o Concílio acrescenta que “pela consagração do pão e do vinho a conversão é feita de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo Nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a qual conversão é adequada e apropriadamente denominada na Sagrada Igreja Católica por Transubstanciação.”

Tanto Rahner como Schillebeeckx rejeitaram a doutrina da Transubstanciação argumentando que o Concílio em sua definição usou-se de noções filosóficas medievais, que estão obsoletas. Cristo está presente, defende Rahner, por Transfinalização: pelo pão estar sendo usado para um propósito sobrenatural, e não mais para um fim natural. Schillebeeckx apresenta a Transignificação: é dado ao pão um significado simbólico que ele não tinha previamente.

Em 1965 o Papa Paulo VI emitiu sua encíclica Mysterium Fidei na qual ele rejeita essas teorias como falsas (na verdade elas são, heréticas), e refuta a idéia de que a filosofia de Sto. Tomás esteja obsoleta, como lixo. Ele não citou nomes nem ordenou qualquer retratação. As noções que o Concílio empregou na sua definição de Transubstanciação, escreveu o Papa, “são conceitos que não estão amarrados a nenhum sistema cultural em específico. Eles não são fixados a nenhum desenvolvimento científico em específico, nem a esta ou aquela escola filosófica. Eles representam a percepção que a consciência humana adquire de sua experiência essencial da realidade, e expressas pelo uso de certos termos apropriados emprestados da linguagem literária ou coloquial. Eles estão, portanto, dentro do alcance de todos, em todos os tempos e todos os lugares.” [par.24]

As falsas (na verdade heréticas) teorias de Rahner e Schillebeeckx acerca da Eucaristia foram largamente difundidas com resultados devastadores e não apenas entre fiéis mais simples.

O padre Marie-Elis Boismard, O.P., proeminente membro do corpo docente da Ecole Biblique, em Jerusalém, finalizou seu livro “Jésus, un homme de Nazareth”, publicado em 1996, com um excurso de 21 páginas sobre a Eucaristia (pp.189/210). Ele rejeita explicitamente a doutrina da Transubstanciação em várias passagens. Por exemplo, ele escreve “O pão não é mudado fisicamente no Corpo de Cristo, mas se mantém o que sempre foi: pão. Nós permanecemos, portanto, no nível do símbolo” (como suporte desta tese ele cita o argumento do seu confrade Schillebeeckx de que a linguagem usada pelo Concílio de Trento está obsoleta).

Em 1.513, a Igreja, no Primeiro Concílio de Latrão, definiu contra os Neo-averroístas (Pomponazzi – d. 1525 – e outros) que a alma humana é imortal, e nestes termos: “Embora a alma intelectiva ou racional do homem seja essencialmente (per se et essentialiter) a forma do corpo humano, ela é no entanto imortal.”

Rahner rejeitou esta definição argumentando de ela que empregou noções que foram desenvolvidas na Idade Média as quais hoje seriam obsoletas. Ele defende que a alma humana deva sempre estar unida a algum tipo de corpo – após da morte, talvez o universo – e que a noção de uma “alma separada” à qual Sto. Tomás dedica uma Questão inteira de sua Suma (I. q; 89) não é mais sustentável. Bem poderia ser esta teoria de Rahner que levou Xavier Leon-Dufour a apresentar sua extravagante interpretação da Ressurreição de Cristo: que o corpo mortal fora aniquilado e que o corpo glorioso fora criado no instante seguinte para tomar o seu lugar. No Domingo de Páscoa de 1971, a hierarquia francesa emitiu uma carta pastoral na qual declara que a identidade do corpo ressurrecto com o corpo mortal é um artigo de fé. Na edição seguinte do seu livro Leon-Dufour tentou, sem muito sucesso, harmonizar seu texto com a Fé.

Rahner pode ser também responsável por algumas fraquezas da nova liturgia pelas almas dos mortos, com sua ênfase na ressurreição do corpo.

A Revolução Catequética

Até a década de 1960, a Catequese era primordialmente doutrinal – um acervo preciso das verdades reveladas por Deus e confiadas à salvaguarda e precisa exposição pela Igreja Católica.

O termo para isso na Igreja primitiva era didache, que era a instrução dada aos convertidos à Fé antes de receberem o Sacramento do Batismo. Há algumas evidências de que isso era expresso por meio de um conjunto fixo de palavras que eram memorizadas, como era prática no Judaísmo Rabínico. Parece haver indícios disto na Primeira Epístola aos Coríntios, na qual S. Paulo lembra seus leitores acerca do que ele lhes havia ensinado com relação à Sagrada Eucaristia e à Ressurreição de Nosso Senhor (cap. 11 e 15). Pode ser o que ele quis significar por “contendas de palavras”, da qual o Apóstolo fala em sua Primeira Epístola a Timóteo (6:4). Mais tarde, o conteúdo da Fé foi resumido no Credo dos Apóstolos que o neófito recitava antes de receber o Sacramento do Batismo.

Posteriormente, a totalidade dos ensinamentos da Igreja fora dividida em 4 partes: Credo, Mandamentos, Sacramentos e Oração, tendo sido esta a divisão adotada no recente Catecismo da Igreja Católica, publicado em 1991.

No séc. XIX houve o Catecismo de Baltimore, usado nas escolas dos Estados Unidos e o chamado Catecismo Penny foi autorizado para uso nas escolas pelos bispos da Inglaterra e País de Gales. Dado a G. K. Chesterton pelo padre da paróquia quando G.K.C. abordou-o para entrar na Igreja Católica, o grande pensador descreveu o pequeno livro como “um maravilhoso compendio da Sabedoria Cristã.”

Esta catequese doutrinária e os livros que a incorporaram foram descartados na década de 1960 em favor de um novo método catequético chamado experimential. Este tinha como ponto de partida a experiência religiosa da criança, resultado da habitação do Espírito Santo, um dos efeitos do recebimento do Sacramento do Batismo.

Em 1983, em visita à França, o Cardeal Ratzinger descreveu o abandono do catecismo como um erro crasso. E com razão. Pois um dos resultados do uso do novo método catequético, várias gerações de católicos cresceram ignorantes acerca do conteúdo da Fé.

Os agentes responsáveis por essa mudança foram os especialistas em catequese, os quais foram muito respeitosamente relacionados por seus respectivos bispos. Muitos eram graduados de institutos catequéticos, como o Lumen Vitae em Brussels, dirigido por Fr. Van Caster, S.J., e o Instituto Pastoral da Ásia Oriental, em Manila, dirigido por Fr. Nebreda, S.J. Para determinar em que extensão estas e outras instituições similares adotaram a teologia existencialista de Karl Rahner, ter-se-ia que esmiuçar seus currículos. Isto eu não fui capaz de fazer, mas em contacto com alguns de seus graduados revelou que seus cursos devem muito à influência de Rahner.

Em seu livro supracitado, Mons. George A. Kelly tem um capítulo intitulado “A Batalha pela Criança Católica, ou Psicologia x Pais” (pp.237-252) no qual ele discute sobre esses controladores de educação religiosa, nos Estados Unidos. Estes em controle da educação, assim como os corpos docentes das faculdades de treinamento de professores, tiram suas deixas de pensadores como Gabriel Moran, Mario Von Galli S.J., Walter Imbiorski, Jean Piaget e Lawrence Kohlberg. Kely resume o resultado da nova abordagem catequética da seguinte maneira: “O resultado líquido é um sobrevalorizado senso de auto-apreciação e autonomia no aluno, sem necessariamente um conhecimento da doutrina católica ou sentimento de obrigação para com a Igreja e seus preceitos”.

O Colapso Moral

Há bastante evidência que houve uma aguda deterioração do comportamento dos católicos, especialmente em assuntos de sexo, durante os últimos 50 anos. A causa principal é o falso ensino, proposto por Neo-Modernistas tais como Fr. Karl Rahner, S. J., Fr. Bernard Haering, C. S. R., na Europa, Fr. Charles Curran que ensinou teologia moral durante 20 anos na Universidade Católica em Washington e Fr. Richard McCormick, S. J., que fez os “Comentários Morais” por muitos anos no jornal “Estudos Teológicos”. A visão deles foi ecoada em diários influentes tais como a tablóide de Londres, “América e Bem-estar”.

Todos eles rejeitaram a condenação da contracepção feita pelo Papa Paul VI na encíclica Humanae Vitae publicada em 1968. Muitos argumentaram que, uma vez que o Papa não invocou a prerrogativa de infalibilidade pessoal explicitamente, tal ensino era não-infalível, e então as pessoas poderiam, por razões sérias, decidir não a seguir. Rahner, de fato, rejeitou o argumento do Papa sobre a lei natural como sendo desprezível, porque ele tinha assumido que a natureza do ser humano não muda, quando, como toda entidade biológica, o homem está sujeito à evolução (como seu confrade Fr Teilhard Chardin mostrara).

Na verdade, o Papa não tinha a menor necessidade de invocar sua autoridade infalível porque, como John T. Noonan mostrou em seu trabalho “Contracepção”, a Igreja desde há muito tempo havia condenado a contracepção como pecado grave.

Dez hierarquias nacionais – oito na Europa Ocidental, Canadá e Indonésia, não levando o conselho do Papa, mas sim dos teólogos Neo-modernistas, declararam que casais católicos eram livres para utilizar métodos contraceptivos, se eles julgassem conscienciosamente que as circunstâncias garantiriam isto. Não surpreendentemente, a taxa de natalidade na Europa Ocidental intensificou sua queda e de algum tempo para cá esteve abaixo do nível exigido para manter a população estável.

O tema da moral sexual veio a tona de modo espetacular nos Estados Unidos em 1977, com a publicação do um livro intitulado “Sexualidade Humana”. Autorizado pela Sociedade Teológica Católica Americana, ele foi escrito por cinco membros da Sociedade e era, nas palavras de George UM. Kelly, "a mais franca contradição do código moral católico por teólogos católicos da recente história da Igreja Americana”. Com onze citações diretas do texto, ele justifica este julgamento acerbo amplamente. O livro permite, naturalmente, a contracepção, mas também a esterilização direta, adultério, relações sexuais antes do casamento, relações homossexuais, masturbação e bestialidade – em certas circunstâncias.

Os bispos americanos condenaram o livro, mas numa linguagem muito moderada e no seu documento oficial “Origins” eles assinalam que do livro é possível deduzir uma reação forte na Igreja daqueles que acreditam que isto contradiz o que a Igreja oficialmente ensina [os itálicos são de Kelly].

Kelly então continua a reportar em outros assuntos morais nos quais os bispos perderam a batalha, e ele conclui: "Assim foi completada a derrota dos bispos Americanos pelos seus jovens teólogos, uma derrota cujo impacto está sendo sentido na Igreja católica até os dias de hoje". Ele escreveu essas palavras em 1979. Vinte e quatro anos depois nós estamos testemunhando a realização daquela profecia horrenda.

A Revolução Litúrgica

A constituição do Concílio Vaticano II sobre a Liturgia Sagrada (Sacrosanctum Concilium) foi aprovada por uma esmagadora maioria de votos em 4 de dezembro de 1963. Esta decretou:

“Para que na sagrada Liturgia o povo Cristão obtenha com maior segurança graças abundantes, a Santa Mãe Igreja deseja realizar, com grande cuidado, uma restauração geral da própria liturgia. Pois que a liturgia que é composta de elementos imutáveis, divinamente instituídos, e de elementos sujeitos a mudança, que ao longo do tempo não apenas podem, mas devem ser mudados se, com o passar do tempo, eles sofreram pela uma invasão de algo fora de harmonia com a natureza interior da liturgia, ou se tornaram menos apropriados.” (n.21)

Após o Concílio, uma organização foi criada, o Consilium para a Implementação da Constituição na Liturgia. Esta foi conduzida pelo Monsenhor Annible Bugnini, C.M., um reconhecido perito em liturgia, e contava com outros peritos no Rito Romano e nos Ritos do Catolicismo Oriental. A estes foram incluídos seis “observadores” protestantes, um deles foi Max Thurian, que posteriormente se converteu Católico. Estes “observadores” não participaram de nenhuma das seções formais do Consilium, mas é absolutamente certo que eles exerceram informalmente alguma influência.

Monsenhor Bugnini, que se tornou mais tarde Arcebispo [e que, de acordo com uma forte evidência revelada ao Frade Paul Crane, foi certamente um Maçon – Ed.], foi o principal arquiteto do Novus Ordo da Missa o qual foi promulgado pelo Papa Paulo VI em 1969.

Esta foi uma mudança revolucionária, sem precedentes na história da liturgia. Esta é uma nova liturgia, e vai muito além do que a grande maioria dos Padres do Conselho visou quando eles votaram pela constituição do Sacrosanctum Concilium seis anos antes, assim como muitos deles atestaram.

Ao invés de um Cânon na Missa, existiam quatro. O Cânon Romano sobreviveu apenas porque o Papa interveio para proibir sua eliminação. Diversas das orações acessórias onde se fazia uma menção explícita da Missa como sacrifício foram eliminadas, como se elas fossem intrusões Carolinenses e tinham estado em uso por meros 1000 anos. O segundo Cânon, erroneamente atribuído ao mártir do século terceiro São Teófilo, é muito breve, e quando este foi utilizado junto a um grupo de bispos durante o Concílio, vários a rejeitaram como uma “mini-missa”.

O Papa Paulo e Bugnini estavam seguros que o Novo Ordinário da Missa seria um sucesso, atraindo mais o fiel à assistência do Santo Sacrifício e ajudando a trazer não-católicos à Igreja. Como é hoje evidente, as coisas aconteceram de forma diferente. Recentemente o Cardeal Ratzinger francamente admitiu isto, e afirmou certamente que a Nova Missa é um fator contribuinte para a atual crise na Igreja.

O Cardeal escreveu: “Eu estou convencido que a atual crise que nós estamos passando hoje na Igreja é devido à larga desorientação da liturgia – neste está o assunto da indiferença se Deus existe e se Ele fala ou não fala conosco ou se nos ouve. Mas quando a comunidade da fé, a unidade mundial da Igreja e a sua História e o mistério do Cristo vivo não estão mais visíveis na liturgia, onde mais então, a Igreja pode se tornar uma essência visível? Então a comunidade está se oferecendo a si mesma, uma atividade que é completamente inútil”.

O Novus Ordo imposto pela autoridade papal é naturalmente um rito válido e, celebrado reverentemente, pode ser edificante. Mas não pode existir mais dúvida que a magnitude da mudança incentivou um número de pessoas a imaginar que desenvolvimentos adicionais seriam legítimos. Assim chegamos às “Missas-rock”, “Missas Carismáticas”, “Missas-Circo” e assim por diante; jovens em letargia, realizando danças rituais, como na adoração Hindu, etc. etc. A permissão para o uso do vernáculo durante toda a Missa levou à imposição de traduções banais e imprecisas feitas pelo ICEL, e assim por diante.

Conclusão

O colapso da Igreja no Ocidente enfraqueceu gravemente toda a Santa Igreja em seu conflito interminável com o mundo. A estrada para recuperação será longa e árdua. Os principais meios, e os mais eficazes, à disposição do indivíduo Católico para apressar o alvorecer de um dia brilhante são, como sempre, a oração e o sacrifício.

Pe. Duggan é um destacado filósofo e teólogo. Ele escreve da Nova Zelândia.


    Para citar este texto:
"O colapso da Igreja no Ocidente 1960-2000"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/colapso_da_igreja/
Online, 21/10/2017 às 17:40:31h