Igreja

Há um Cardeal Excomungado. Seria ele um brasileiro?
Orlando Fedeli


Cardeal Brasileiro entrega a O GLOBO o seu diário particular do Conclave

     Contrariando a lei da Igreja que pune com excomunhão a revelação do que acontece no Conclave, um dos quatro cardeais brasileiros, que foram eleitores no último Conclave que elegeu o Cardeal Ratzinger como Papa Bento XVI, entregou ao jornal O GLOBO, o seu caderno de notas diárias, redigido durante o Conclave (artigo de O GLOBO: Cartas quase marcadas no Vaticano).
 
    As informações da notícia de O GLOBO, publicado na véspera de Natal, são bem pormenorizadas, indicando autenticidade da revelação.  Além disso, as informações e o tom em que são dadas visam claramente sabotar a autoridade do Papa Bento XVI, apresentando-o como um manipulador, inquinando sua eleição com a mancha da politicagem.
 
    No último Conclave, compareceram quatro Cardeais brasileiros: Dom Cláudio Hummes, Cardeal Arcebispo de São Paulo, que a imprensa brasileira apresentou então como “papabile”, o que era um palpite de um nacionalismo absurdo, mas no qual o Presidente Lula embarcou, imprudente e inconvenientemente, dando também o seu palpite-voto, nada diplomático (explica-se a gafe de Lula: ele nada entende de diplomacia, e é amigo pessoal do Cardeal de São Paulo, que outrora protegeu as greves petistas do ABC).
 
    O segundo eleitor foi o Cardeal do Rio de Janeiro, Dom Eusébio Scheidt, que demonstrou um certo melindre ao ser conhecido o voto de Lula pró Cardeal Hummes. O terceiro foi o Cardeal Dom Majella, Arcebispo  de Salvador, Primaz do Brasil e Presidente da CNBB. Finalmente, compareceu também ao Conclave o Cardeal Dom José Freire Falcão.
 
    Pela notícia, fica impossível identificar o responsável pelas revelações. Qualquer ilação conclusiva seria precipitada e teria pouca base. Por isso não fazemos ilações e nem tiramos conclusões ou suspeitas.
 
    Porém convém lembrar que Dom Falcão foi sempre mais conservador e parece mais ligado à corrente de Ratzinger, e Dom Scheidt, deve ter ficado muito contente que Dom Hummes não tenha sido votado. Dom Majella já trabalhou na Cúria Romana e consta que ele tem pretensões de voltar a trabalhar lá. Provavelmente ele votaria com a Cúria que estava com Ratzinger. Resta Dom Hummes, que o texto cita em terceira pessoa, e que foi ligado à Teologia da Libertação, portanto desgostosa com Ratzinger que a condenara.
 
    Desses quatro Cardeais, Dom Majella já se pronunciou, hoje, dia 26, dizendo-se “admirado” – teria sido melhor dizer-se escandalizado -- com a inconfidência de um de seus irmãos no cardinalato. Esperam-se as manifestações dos outros três.
 
    Entretanto, como dissemos, os dados da notícia não permitem identificar o responsável pelo extravasamento das informações secretas do Conclave, e qualquer ilação seria precipitada. Inclusive a fonte da revelação poderia deixar pistas indicando outro Cardeal que não o verdadeiro responsável, para proteger o real infrator.
 
    Ademais, dizer que foi um Cardeal brasileiro que entregou o diário, não exclui a possibilidade de que o autor do Diário seja um estrangeiro que, para se proteger, procura lançar a suspeita sobre um brasileiro inocente. Portanto, nada se pode concluir, por enquanto.       
 
    Uma questão importante é indagar qual a causa dessa violação gravíssima da lei da Igreja. Pessoas de pouca compreensão pensarão que o Cardeal inconfidente visou dinheiro: teria vendido o seu diário do Conclave.
 
    É claro que um cardeal normalmente não se move por dinheiro ao tomar uma atitude como essa.
 
    O comentário de que o conclave foi político, dizendo que não foi o Espírito Santo que guiou os Cardeais eleitores, parece caber mais ao jornalista que deu a notícia do que ao Cardeal agora excomungado, pois esse comentário revela e explora a ignorância popular sobre a atuação do Espírito Santo nas eleições papais .
 
    É evidente que um Cardeal, que freqüenta há décadas as reuniões eclesiásticas, como as da CNBB,  sabe perfeitamente como a política, -- e até a política petista --,  entra nas votações, mesmo do clero. A CNBB está recheada de Bispos petistas, isto é, marxistas.
 
    O Espírito Santo guia a eleição do Papa, não no sentido de que inspire diretamente os Cardeais, (o que é só possível), mas sim de que permite que seja eleito um bom candidato, como uma graça para Igreja e para o povo fiel. Mas também, por vezes, permite ser eleito um péssimo candidato, para castigo dos fiéis. O Espírito Santo se aproveita da bondade ou da malicia humana, para premiar ou castigar a humanidade, permitindo a eleição de um Papa santo ou sábio, ou a eleição de um cardeal péssimo.  
 
    Porque os há.
 
    Inclusive Cardeais que violam as leis da Igreja mais graves, que acarretam a excomunhão.    
 
    No Brasil, teríamos então, hoje, um Cardeal excomungado?...   
 
    Qual seria então a verdadeira razão dessa infração tão grave, cometida por um Príncipe da Igreja?   
 
    Esse Cardeal foi movido por um interesse muito mais elevado – ou baixo -- do que o dinheiro.  
 
    Como o Papa Bento XVI acaba de fazer um decreto contra os homossexuais nos seminários e no clero, e como também fez um Discurso à Cúria, condenando os que seguem o chamado "espírito do Concílio Vaticano II", acusando-os de quererem romper com a Igreja, quem sabe Cardeais dessa ala tenham movido um deles a fazer essa indiscrição gravíssima sobre o conclave, acusando o Cardeal Ratzinger de ter manobrado para conseguir sua eleição. O que, diga-se de passagem, muitos Papas fizeram nos Conclaves que os elegeram.
 
    Se essa violação do segredo do Conclave foi causada pela ala modernista avançada, defensora da Teologia da Libertação, esse será, talvez, só um primeiro passo de uma campanha orquestrada contra o Papa Bento XVI.
 
    Há lobos em Roma...  
 
    Tanto que até o símbolo de Roma sempre foi uma loba.
 
    Há sim lobos em Roma...
 
    Rezemos pelo Papa. Para que ele tenha a coragem de enfrentar os lobos, como ele mesmo o pediu, quando foi eleito
 

    Um santo Natal ao Papa Bento XVI e aos Cardeais eleitores dele.

 
 

São Paulo, 25 de Dezembro de 2005.    

Orlando Fedeli


    Para citar este texto:
"Há um Cardeal Excomungado. Seria ele um brasileiro?"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/cardeal_excomungado/
Online, 23/03/2017 às 03:11:10h