Igreja

Primeiro fruto da viagem de Bento XVI ao Brasil: Boff tira a máscara
Orlando Fedeli

Para surpresa de todos os nossos leitores, é com prazer imenso que publicamos, no fim deste nosso artigo, e na íntegra, um artigo do ex frade, herege e apóstata, Leonardo Boff, atualmente simplesmente Genésio.
Irritada com os vários pronunciamentos do Papa em sua visita ao Brasil, especialmente com aquilo que o Papa disse aos Bispos da CNBB, a Teologia da Libertação se vê perdida, e, por meio de seu principal heresiarca brasileiro, parte para uma guerra declarada contra o Papa e contra a Igreja Católica.
Isso é excelente! Nada como o câncer aparecer, para ser melhor extirpado.
Que os hereges declarem abertamente o que são, e que saiam, ou sejam expulsos da Igreja, na qual eles só permanecem para mais facilmente destruí-la.
Nesse artigo boffento, seu autor tira a máscara, mostrando que ele está em guerra com a Igreja e com o Papa Bento XVI, confessando professar uma doutrina absolutamente contrária à Igreja.
Vejamos os pontos principais desse artigo
Boff admite que, hoje, há uma guerra na Igreja entre os que defendem a doutrina católica de sempre e os hereges da Teologia da Libertação. Diz Boff:
 
AS GUERRAS não existem apenas no mundo. Dentro da igreja há também uma guerra de baixa intensidade” (Boff, Bento 16 e a guerra na igreja, artigo na Folha de São Paulo, 13 de Maio de 2007. Os destaques são nossos).
 
Para Boff, o chefe da Igreja nessa guerra é Bento XVI, que já quando era o Cardeal Ratzinger havia assumido claramente a posição católica acima citada, pois que “em seu documento de 2000, Dominus Jesus, o cardeal Ratzinger reafirma tal visão com a máxima clareza e laivos de fundamentalismo. Tudo é centralizado no Cristo”. (Boff, art. cit., Os destaques são nossos).
Para Boff, a guerra é entre os que defendem uma Igreja dogmática e os que defendem uma igreja dialogante, nascida do Concílio Vaticano II:
 
No atual momento se dá o forte embate entre essas duas opções. A Igreja latino-americana pende mais pela opção do diálogo. Esta é mais adequada à cultura brasileira que não é fundamentalista nem dogmática, mas profundamente relacional e dialogal com todas as correntes espirituais.
Somos naturalmente sincréticos na convicção de que em todos os caminhos espirituais há bondade para além dos desvios e que, definitivamente, tudo acaba em Deus.
Não parece ser esta a opção de Bento 16: seus discursos enfatizam a construção da Igreja em sua forte identidade para que seu testemunho seja vigoroso e possa levar valores perenes a um mundo carente deles, como se viu claramente em seu discurso aos bispos brasileiros na catedral de São Paulo”. (Boff, art. cit. Os destaques são nossos).
 
Boff diz ainda que apesar da oposição, os dois inimigos poderiam se entrelaçar. Pelo menos é o que ele pretende: “Dito de uma forma simplificadora, mas real: há na igreja duas opções claramente opostas, o que não impede que, na prática, possam se entrelaçar”. (Boff, art. cit., Os destaques são nossos).
 
Boff pretende que nessa guerra, há duas opções opostas — o que é pura verdade — mas que se podem entrelaçar — o que é pura mentira. Boff quer que elas se entrelacem para melhor estrangular e destruir a Igreja. Ele quer que a Teologia da Libertação se entrelace com a Igreja, como Caim queria se “entrelaçar” com Abel, para matá-lo.
Nessa guerra entre a Igreja e a anti-igreja, Boff reconhece, com toda razão, que a “Missão da igreja, segundo esse modelo do confronto, é testemunhar as verdades eternas, anunciar a Cristo como o único Redentor da humanidade e a Igreja sua única e exclusiva mediadora, fora da qual não há salvação” (Boff, art. cit., Os destaques são nossos).
 
Para Boff, a defesa da posição Católica em sua guerra contra o Mundo, foi abandonada por João XXIII que fez a Igreja, com o Concílio Vaticano II abrir-se e aderir ao Mundo:
 
Esta atitude belicosa predominou até os anos 60 do século passado quando foi eleito um papa ancião, quase desconhecido, mas cheio de coração e bom senso, João 23. Seu propósito era passar do anátema ao diálogo. Quis escancarar as portas e janelas da Igreja para arejá-la. Considerava blasfêmia contra o Espírito Santo imaginar que os modernos só pensam erros e praticam o mal”.
Há bondade no mundo, como há maldade na Igreja. Importa é dialogar, intercambiar e aprender um do outro. A Igreja que evangeliza deve ela mesma ser evangelizada por tudo aquilo que de bom, honesto, verdadeiro e sagrado puder ser identificado na história humana” (Boff, art. cit., Os destaques são nossos).
 
Para Boff, Igreja e mundo seriam duas entidades que deveriam se entrelaçar, dialogar entre si, pois que ambas teriam coisas boas e más, ambas teriam verdades e erros.
Ora, Cristo disse que o Príncipe desse Mundo é o diabo (Jo. XII, 31; Jo. XIV, 30; Jo.XVI, 11).
E São João nos disse que “O Mundo todo está posto no Maligno” (S. João, I, V 19).
E o Evangelho, Cristo nos disse que Se o mundo vos odeia, sabei que antes odiou a Mim(S. Jo., XV, 18).
Que vem agora Boff, dizer-nos, contra Cristo, que a Igreja tem que aprender verdades do Mundo?
Boff é servo do Príncipe deste mundo.
Boff afirma que o Concílio Vaticano II aceitou essa abertura ao mundo, pedida por João XXIII e condenada no Syllabus de Pio IX.
Veja-se que não somos nós que dizemos que o Concílio Vaticano II aceitou a abertura da Igreja para o protestantismo e para o mundo moderno, pois eis o que escreveu Boff:
 
“Fruto da opção pelo diálogo foi o Concílio Vaticano 2º (1962-1965), que representou um acerto de contas com a Reforma pelo ecumenismo e com a modernidade pelo mútuo reconhecimento e pela colaboração em vista de algo maior que a própria Igreja, uma humanidade mais dignificada e uma Terra mais cuidada” (Boff, art. cit.).
 
E Boff confessa que a famigerada e herética Teologia da Libertação foi fruto do Concílio Vaticano II:
 
“Este "aggiornamento" trouxe grande vitalidade em toda a Igreja, especialmente na América Latina, que criou espaço para aquilo que se chamou de Igreja da base ou da libertação e da Teologia da Libertação” (Boff, art. cit.).
 
 A guerra atual da Igreja Católica contra a Teologia modernista da Libertação marxista é dirigida, hoje, por aquele que foi o Cardeal Ratzinger, e que hoje é o Papa Bento XVI:
 
Aí se processou de forma sistemática, vinda de cima, uma verdadeira Contra-Reforma Católica. O próprio cardeal Ratzinger no seu conhecido "Rapporto sulla fede", de 1985, um verdadeiro balanço da fé, dizia claramente: "A restauração que propiciamos busca um novo equilíbrio depois dos exageros e de uma abertura indiscriminada ao mundo" (Boff, art. cit.).
 
Segundo Boff, Ratzinger já fizera opção pela distinção entre natural e sobrenatural, distinção sempre defendida pela Teologia católica, e agora repudiada pelo Concílio Vaticano II,que se inspirou na Nova Teologia modernista de Lubac que confundia natural e sobrenatural, em oposição à Teologia Católica:
 
“Ele [Ratzinger] elaborou teologicamente a opção pelo confronto a partir de sua formação de base, o agostinismo, sobre o qual fez duas teses minuciosamente trabalhadas. Notoriamente Santo Agostinho opera um dualismo na visão do mundo e da Igreja. Por um lado está a cidade de Deus e por outro a cidade dos homens, por uma parte a natureza decaída e por outra, a graça sobrenatural.
O Adão decaído não pode redimir-se por si mesmo, seja pelo trabalho religioso e ético (heresia do pelagianismo) seja por seu empenho social e cultural.
Precisa do Redentor. Ele se continua e se faz presente pela Igreja, sem a qual nada ganha altura sobrenatural e se salva.
Em razão desta chave de leitura, o papa Bento 16 se confronta com a modernidade, vendo nela a arrogância do homem buscando sua emancipação por próprias forças. Por mais valores que ela possa apresentar, não são suficientes, pois não alcançam o nível sobrenatural, único caráter realmente emancipador. Nela vê mais que tudo secularismo, materialismo e relativismo. Essa é também sua dificuldade com a Teologia da Libertação. A libertação social, econômica e política que pretendemos, segundo ele, não é verdadeira libertação, porque não passa pela mediação do sobrenatural”. " (Boff, art. cit.).
 
Quantas verdades confessadas por Boff nessas frases!
Esse é o núcleo da guerra atual na Igreja entre o Papa Bento XVI, defendendo a doutrina de sempre, contra a Teologia Modernista da Libertação. Essa guerra ficou bem patente nos discursos em que Bento XVI chamou a atenção dos Bispos, especialmente à CNBB, e muito particularmente aos Bispos da Teologia da Libertação, na Catedral de São Paulo.
Como ficaram mal os Cardeais e Bispos da CNBB que no passado e no presente sempre tomaram uma posição ideológica marxistóide como que disse o papa em visita ao Brasil!
Os Cardeais Arns, Lorscheider, Hummes; os Arcebispos e Bispos Tomás Balduíno, Mauro Morelli, os Casaldáliga, os Demétrio Valentim, foram atingidos em cheio pelas palavras de Bento XVI.
Na conclusão de seu artigo, Boff “profetiza” que a Igreja Católica, seguindo Bento XVI, ficará reduzida a poucos mas bons, coisa que Boff nega, atirando ele a famosa primeira pedra evangélica contra os padres violadores da castidade e do celibato:
 
Essa Igreja é necessariamente de poucos, coisa reafirmada pelo teólogo Ratzinger em muitas de suas obras. Mas esses poucos devem ser santos, zelosos e comprometido com a missão de orientar e conduzir os muitos, sem se deixar contaminar por eles e pelo mundo.
Ocorre que esses poucos nem sempre são bons. Haja vista os padres pedófilos. Por isso, a Igreja precisa renunciar a certa arrogância, ser mais humilde e confiar que o Espírito e o Cristo cósmico dirijam seus passos e os da humanidade por caminhos com sentido e vida” (Boff, art. cit. Destaque nosso).
 
Justo o Genésio Boff dizer isso!
Tenha dó!
E quem disse a ele que esses padres pedófilos não são seguidores da Teologia da Libertação?
Por fim, Boff se diz adorador de um Cristo cósmico que não é o Verbo feito carne em Jesus Cristo. O Cristo cósmico de Boff é o Cristo gnóstico de Mestre Eckhart e de Teilhard de Chardin.
Por que, agora, o gnóstico Cristo cósmico?
Porque a Teologia da Libertação decidiu negar a inspiração marxista que sempre a guiou.  Em artigo, também publicado ontem 13 de Maio em O Estado de São Paulo, Boff declara:
 
Devemos firmemente repetir: Marx nunca foi pai nem padrinho da Teologia da Libertação L; Boff, Um Doutor na sede de Pedro, artigo in O Estado de São Paulo, 13 de Maio de 2007, H15).
 
Ora, Boff escreveu antes:
 
O que propomos não é Teologia dentro do marxismo, mas marxismo (materialismo histórico) dentro da Teologia” (Leonardo Boff, artigo no Jornal do Brasil, 6 de Abril de 1980).
 
Seria preciso ser bem tolo para não perceber o marxismo na Teologia da Libertação, mesmo que Boff procure esconder o barbudo Marx atrás do gnóstico Cristo cósmico.
 
 
São Paulo 13 de Maio de 2007
Festa de Nossa Senhora de Fátima
Orlando Fedeli
 
 
Bento 16 e a guerra na igreja
Existem duas posições claramente opostas que, na prática, podem se entrelaçar
LEONARDO BOFF
 (ESPECIAL PARA A FOLHA de SÂO PAULO 13 de MAIO de 2007)
 
AS GUERRAS não existem apenas no mundo. Dentro da igreja há também uma guerra de baixa intensidade. Ela faz muitas vítimas, com os instrumentos adequados da guerra religiosa, escondidos sob palavras, não raro, piedosas e espirituais. Só para dar um exemplo pessoal: quando fui condenado pelo então cardeal Joseph Ratzinger em 1985 por causa do meu livro "Igreja: carisma e poder", foi-me imposto o que ele denominou de "silêncio obsequioso".
Esse eufemismo implicava muita violência: deposição de cátedra, remoção de editor religioso da Vozes, da redação da "Revista Eclesiástica Brasileira", proibição severa de falar, dar entrevistas, escrever e publicar sobre qualquer assunto.
Objetivamente "obsequioso" não possui nada de obsequioso.
O mesmo ocorreu com o teólogo da libertação Jon Sobrino, de El Salvador, condenado em fevereiro deste ano. Recebeu apenas uma "notificação". Esta inocente palavra, "notificatio", esconde violência porque ele não pode mais falar, nem dar aulas, conceder entrevistas e acompanhar qualquer trabalho pastoral. O vitimado por uma condenação é "moralmente" morto, pois vem colocado sob suspeita geral, tolhido, isolado e psicologicamente submetido a graves transtornos, o que levou a alguns a terem neuroses e a um deles, famoso, perseguido por idéias de suicídio.
Nós fomos, no mínimo, caçados e anulados, pois um teólogo possui apenas como instrumento de trabalho a palavra escrita e falada. E estas lhe foram seqüestradas, coisa que conhecemos das ditaduras militares.
O que foi escrito acima parece irrelevante, pois é algo pessoal, mas não deixa de ser ilustrativo da guerra religiosa vigente dentro da Igreja.Nela o então cardeal Ratzinger era general. Hoje como papa é o comandante em chefe. Qual é este embate? É importante referi-lo para entender palavras e advertências do papa e a partir de que modelo de teologia e de Igreja constrói o seu discurso.
Dito de uma forma simplificadora, mas real: há na igreja duas opções claramente opostas, o que não impede que, na prática, possam se entrelaçar. Face ao mundo, à cultura e à sociedade há a atitude de confronto ou de diálogo.
A partir da Reforma no século 16 predominou na Igreja Católica romana a atitude de confronto: primeiro com as Igrejas protestantes (evangélicas) e depois com a modernidade.
Face à Reforma houve excomunhões, e face à modernidade, anátemas e condenações de coisas que nos parecem até risíveis: contra a ciência, a democracia, os direitos humanos, a industrialização. A Igreja se havia transformado numa fortaleza contra as vagas de reformismo, secularismo, modernismo e relativismo. Missão da igreja, segundo esse modelo do confronto, é testemunhar as verdades eternas, anunciar a Cristo como o único Redentor da humanidade e a Igreja sua única e exclusiva mediadora, fora da qual não há salvação.
Em seu documento de 2000, Dominus Jesus, o cardeal Ratzinger reafirma tal visão com a máxima clareza e laivos de fundamentalismo. Tudo é centralizado no Cristo. Esta atitude belicosa predominou até os anos 60 do século passado quando foi eleito um papa ancião, quase desconhecido, mas cheio de coração e bom senso, João 23. Seu propósito era passar do anátema ao diálogo. Quis escancarar as portas e janelas da Igreja para arejá-la. Considerava blasfêmia contra o Espírito Santo imaginar que os modernos só pensam erros e praticam o mal.
Há bondade no mundo, como há maldade na Igreja. Importa é dialogar, intercambiar e aprender um do outro. A Igreja que evangeliza deve ela mesma ser evangelizada por tudo aquilo que de bom, honesto, verdadeiro e sagrado puder ser identificado na história humana.
Deus mesmo chega sempre antes do missionário, pois o Espírito Criador sopra onde quiser e está sempre presente nas buscas humanas suscitando bondade, justiça, compaixão e amor em todos. A figura do Espírito ganha centralidade.
Fruto da opção pelo diálogo foi o Concílio Vaticano 2º (1962-1965), que representou um acerto de contas com a Reforma pelo ecumenismo e com a modernidade pelo mútuo reconhecimento e pela colaboração em vista de algo maior que a própria Igreja, uma humanidade mais dignificada e uma Terra mais cuidada.
Este "aggiornamento" trouxe grande vitalidade em toda a Igreja, especialmente na América Latina, que criou espaço para aquilo que se chamou de Igreja da base ou da libertação e da Teologia da Libertação. Mas acirrou também as frentes.
Grupos conservadores, especialmente incrustados na burocracia do Vaticano, conseguiram se articular e organizaram um movimento de restauração, de volta à grande tradição.
Este grupo foi enormemente reforçado sob João Paulo 2º, que vinha da resistência polonesa ao marxismo. Chamou como braço direito e principal conselheiro, seu amigo, o teólogo Joseph Ratzinger, elevando-o diretamente ao cardinalato e fazendo-o presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, a ex-Inquisição.
Aí se processou de forma sistemática, vinda de cima, uma verdadeira Contra-Reforma Católica. O próprio cardeal Ratzinger no seu conhecido "Rapporto sulla fede", de 1985, um verdadeiro balanço da fé, dizia claramente: "A restauração que propiciamos busca um novo equilíbrio depois dos exageros e de uma abertura indiscriminada ao mundo".
Ele elaborou teologicamente a opção pelo confrontoa partir de sua formação de base, o agostinismo, sobre o qual fez duas teses minuciosamente trabalhadas. Notoriamente Santo Agostinho opera um dualismo na visão do mundo e da Igreja. Por um lado está a cidade de Deus e por outro a cidade dos homens, por uma parte a natureza decaída e por outra, a graça sobrenatural.
O Adão decaído não pode redimir-se por si mesmo, seja pelo trabalho religioso e ético (heresia do pelagianismo) seja por seu empenho social e cultural.
Precisa do Redentor. Ele se continua e se faz presente pela Igreja, sem a qual nada ganha altura sobrenatural e se salva.
Em razão desta chave de leitura, o papa Bento 16 se confronta com a modernidade, vendo nela a arrogância do homem buscando sua emancipação por próprias forças. Por mais valores que ela possa apresentar, não são suficientes, pois não alcançam o nível sobrenatural, único caráter realmente emancipador. Nela vê mais que tudo secularismo, materialismo e relativismo. Essa é também sua dificuldade com a Teologia da Libertação. A libertação social, econômica e política que pretendemos, segundo ele, não é verdadeira libertação, porque não passa pela mediação do sobrenatural.
Para concluir, se o atual papa tivesse assumido uma teologia do Espírito, coisa ausente em sua produção teológica, teria uma leitura menos pessimista da modernidade.
No atual momento se dá o forte embate entre essas duas opções. A Igreja latino-americana pende mais pela opção do diálogo. Esta é mais adequada à cultura brasileira que não é fundamentalista nem dogmática, mas profundamente relacional e dialogal com todas as correntes espirituais.
Somos naturalmente sincréticos na convicção de que em todos os caminhos espirituais há bondade para além dos desvios e que, definitivamente, tudo acaba em Deus.
Não parece ser esta a opção de Bento 16: seus discursos enfatizam a construção da Igreja em sua forte identidade para que seu testemunho seja vigoroso e possa levar valores perenes a um mundo carente deles, como se viu claramente em seu discurso aos bispos brasileiros na catedral de São Paulo.
Essa Igreja é necessariamente de poucos, coisa reafirmada pelo teólogo Ratzinger em muitas de suas obras. Mas esses poucos devem ser santos, zelosos e comprometido com a missão de orientar e conduzir os muitos, sem se deixar contaminar por eles e pelo mundo.
Ocorre que esses poucos nem sempre são bons. Haja vista os padres pedófilos. Por isso, a Igreja precisa renunciar a certa arrogância, ser mais humilde e confiar que o Espírito e o Cristo cósmico dirijam seus passos e os da humanidade por caminhos com sentido e vida.
 
LEONARDO BOFF é teólogo da libertação e escritor. Em 1985, foi condenado pelo então cardeal Joseph Ratzinger ao "silêncio obsequioso" 
(destaques nossos)

    Para citar este texto:
"Primeiro fruto da viagem de Bento XVI ao Brasil: Boff tira a máscara"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/boff_mascara/
Online, 26/05/2017 às 06:13:43h