Igreja

A serpente se esconde sob a erva. A colegialidade do Concílio Vaticano II condenada já por Pio VI
Orlando Fedeli

 
     Depois que Bento XVI absolveu os Bispos da FSSPX - que repelem o Concílio Vaticano II e a Missa nova – ficou muito difícil sustentar, o que na Europa ninguém jamais sustentou, que o Concílio Vaticano II é infalível. Tal bobagem foi defendida acirradamente no Brasil, chegando alguns raivosos a dizer que a Montfort estava excomungada por recusar as teses errôneas do Vaticano II.     
     Claro que nesse posicionamento entrava mais ódio do que teologia. E entrava muita ignorância e mesmo muita má fé.
     No ano passado, o livro do Padre Brunero Gherardini, Concílio Ecumenico Vaticano II , Un Discorso da Fare (Casa Mariana Editrice, Frigento, 2009), lançou a pá de cal na tese enragée da infalibilidade desse concílio pastoral.
     O livro de Monsenhor Gherardini é demolidor dessa tese e demolidor do próprio Concílio.
     Tratando da Lumen Gentium, Monsenhor Gherardini mostra seus pontos mais suspeitos de esconderem doutrinas erradas:
 
           i) a omissão de definir a Igreja como sociedade perfeita,
          ii) a insinuação errada de que a finalidade da Igreja seria a unidade do gênero humano,
         iii) a famosa questão do “subsistit”, que causou tanta polêmica, e
         iv) a gravíssima questão da Colegialidade e da esquiva e Nota Explicativa Prévia, que nada resolveu. 
       
     Neste artigo, seguindo o livro de Monsenhor Gherardini, trataremos apenas da questão da Colegialidade, um dos temas mais candentes do Vaticano II, e que mais enfrentou resistências no Concílio.
     Como todos os textos conciliares a Lumen gentium usa uma linguagem furta cor e furta sentido. O texto da Lumen gentium é muito ambíguo, escondendo sob expressões vagas erros gravissimos que dão a esse documento conciliar sabor de heresia e de erro. E isso é de tal modo certo que Monsenhor Gherardini não teme colocar com um sub título que a Lumen Gentium esconde a serpente sob a erva de suas frases: “Latet anuis in herba”  (A serpente se esconde sob a erva, Virgílio, Églogas III, 93).
     E Monsenhor Gherardini escreveu:
 
Não obstante a beleza do jardim eclesiológico chamado Lumen Gentium, entre as suas plantas se esconde a serpente” (Monsenhor Brunero Gherardini, Concílio Ecumenico Vaticano II , Un Discorso da Fare, Casa Mariana Editrice, Frigento, 2009, p.227).
 
     Não é a Montfort que acusa a serpente antiga escondida sob as palavras do Concílio Vaticano II. É Monsenhor Gherardini, teólogo famoso e insuspeito, pois goza de prestígio em Roma e junto ao Papa.
     Isto significa que ele acusa o Vaticano II de ocultar doutrinas péssimas sob as aparências de verdade, o que caracteriza exatamente
as teses de que a Igreja condena como tendo sabor de heresia, sabor de erro, suspeita de heresia e suspeita de erro.
 
     E isso é gravíssimo.
     
     Uma das serpentes piores que se esquiva entre as frases torcicolosas e camaleônicas da Lumen Gentium estão as que tratam da colegialidade.
     A colegialidade foi proposta no Concílio como tema da Constituição Dogmática Lumen Gentium, que tratou da Igreja. Nesse documento, houve grandes, e bem erradas, novidades eclesiológicas:
 
          i) a noção de Igreja como sacramento;
          ii) uma nova finalidade atribuída à Igreja, tese que nunca se achou nos Evangelhos: a busca da unidade do gênero humano;
          iii) a idéia ecumênica de que a Igreja de Cristo subsiste na Igreja católica; e
          iv) a estapafúrdia e herética colegialidade niveladora do Papa e Bispos na Igreja.
 
     Por colegialidade, entendia-se que a Igreja deveria perder sua característica monárquica – o Papa como soberano e suprema autoridade na Igreja - para se tornar mais democrática a fim de facilitar a união ecumênica com cismáticos orientais e com os protestantes.     
 
     O que era tese inaceitável para os católicos era a tese imposta pela maçonaria: ou a Igreja se democratizava ou sofreria a maior perseguição jamais vista na história.
     Os modernistas estavam de acordo com essa democratização e se mostravam inimigos declarados da monarquia pontifícia.
     A questão remontava ao Concílio Vaticano I, em 1870. Este Concílio proclamou a infalibilidade papal. Contra ela se manifestaram os liberais, liderados por Monsenhor Dupanloup, e os Bispos alemães ciosos de sua independência. Monsenhor Döllinger vai se rebelar contra o dogma da infalibilidade e fundar o cisma dos Velhos Católicos.
     Na década de 20 a 30, os modernistas ecumênicos promoveram uma grande aproximação com a Igreja cismática russa e com os anglicanos, e, para ter êxito nessa aproximação, procuraram aplainar as diferenças dogmáticas que, em face desses dois grupos heréticos, tinha como principal entrave a monarquia papal e a infalibilidade pontifícia. Dom Lambert Bauduin, um dos pais da Missa nova de Paulo VI, fundou então o mosteiro de Amay, visando a união com os cismáticos russos. Resultado: todos seus monges apostataram.
 
     Certos diplomatas do Vaticano, desde 1917, viram na Revolução leninista e na perseguição dos comunistas à Igreja russa uma oportunidade para a introdução do catolicismo nesse país. Logo depois da revolução sangrenta de Lenin, começaram as negociações secretas entre o Vaticano e a URSS num hotel de Berlim: a Ost Politik não começou com João XXIII, e sim sob Bento XV...
 
     Fracasso.
 
     Monsenhor D’Herbigny, a principal figura condutora da aproximação com os russos, sofreu um inesperado fiasco e... desapareceu do Vaticano e da história.
     A débâcle de Amay e de Monsenhor d’Herbigny levaram Pio XI, em 1929, a escrever a encíclica Mortalium Animos, condenando o ecumenismo.
     Conta Monsenhor Brunero que, em 1929 ainda, o ex maurrasiano Padre Congar, O.P., então modernista furioso, lançou no Ocidente a  palavra Colegialidade que iria triunfar no Vaticano II:
 
A questão da autonomia episcopal reapareceu transversalmente, nos anos 1929-1931, à margem da polêmica sobre a expressão russa “sobornost de onde sobornaja cerkov ou Igreja Católica, do verbo s’bor, que significa colher, colocar junto. Em 1951, Y. M. Congar (La fonction prophétique de L’église), in “Irénikón” 28/ 995/ 446) traduziu sobornost como colegialidade e pouco depois, em 1960, Dom B. Botte (La Colegialità nel Nuovo Testamento e Nei Padri Apostoloci, aí 37/ 1960/ 101), fazendo própria a tradução de Congar, precisou      que, no NT. ignora a expressão mas legitima um fato: isto é, que o colégio desejado por Cristo encontra a sua continuidade em seus legítimos sucessores” (Mons. Brunero Gherardini,  “Concílio Ecumenico Vaticano II , Un Discorso da Fare”, Casa Mariana Editrice, Frigento, 2009, PP. 235-236. Os destaques são do original).
     
     E Monsenhor Brunero aponta imediatamente uma pequena trapaça modernista:
 
Estas simpatias orientalizantes, no dar seu apoio à idéia colegial, escondiam uma grave incongruência: a colegialidade se refere apenas ao corpo dos Bispos, a sobornost é a inteira Igreja. O que estava em jogo então não era a colegialidade, e sim a comunhão(Mons. B.Gherardini, Concílio Ecumenico Vaticano II , Un Discorso da Fare”, Casa Mariana Editrice,Frigento, 2009, p. 236. Os destaques são do original).
 
     Mons Brunero mostra que também na Lumen Gentium (22/b) se comete o mesmo erro, não distinguindo colegialidade e comunhão. (Idem, op. Cit. P. 236). Pois a comunhão dos Bispos com o Papa é absolutamente exigida. Mas não a Colegialidade.
     Ora, a Colegialidade foi gravíssima heresia defendida Eybel, propagador das idéias de Febronius, em livro intitulado Que é o Papa?, audaciosamente dedicado ao papa de seu tempo, Pio VI. O livro de Eybel foi condenado pelo Papa Pio VI, no Breve SUPER SOLITATE PETRÆ, de 28 de Novembro de 1786, como se pode ver no documento que publicamos no final deste artigo.
     No Breve de Pio VI, é condenada como herética a tese de que Cristo deu o poder supremo na Igreja não só a Pedro mas a todo o Colégio dos Apóstolos. Ora, é exatamente esse erro que foi aprovado nas brumas fenomenológicas da Lumen Gentium, no Vaticano II.
     Um dos pontos que causou maior divisão nos debates do Vaticano II foi o da Colegialidade. Com razão de sobra, a minoria dos Bispos, fiéis à doutrina de sempre, se opôs à tese da Colegialidade tal como foi exposta na Lumen gentium, isto é, a de que o supremo poder na Igreja teria sido dado por Cristo ao Colégio Apostólico e não somente a Pedro.
     Paulo VI, no discurso de encerramento da terceira sessão do Vaticano II, em 21 de Novembro de 1964, afirmou que a Colegialidade, que no passado era discutida, teria alcançado no Vaticano II uma “segura fórmula doutrinal” (AAS. 56/1964/ 1110).
 
     E sobre isso comenta Mons Brunero:
 
“Com palavras tão peremptórias, o Papa dava a impressão de colocar-se bem além do limite não definitório que o Vaticano II se impusera” (Mons. B.Gherardini, Concílio Ecumenico Vaticano II , Un Discorso da Fare”, Casa Mariana Editrice,Frigento, 2009, p. 236.).
 
     A “segura fórmula doutrinal” pela qual Paulo VI se declarou entusiasmado, está na Lumen Gentium, 22.
     Ora, essa afirmação não encontra base em texto dos Evangelhos. Pelo contrário, nos evangelhos sempre se distingue Pedro dos demais Apóstolos. Por exemplo, Cristo contrapõe Pedro aos demais dando somente a Pedro as chaves do reino dos Céus (São Mat. XVI, 16-18).  Também, após a ressurreição, Cristo confirma Pedro em seu primado, contrapondo, de novo, muito explicitamente Pedro e os demais Apóstolos ao lhe perguntar três vezes: Pedro, tu me amas mais do que estes?“. E ao dar a São Pedro, por três vezes, o encargo de apascentar as ovelhas e cordeiros de Cristo (Cfr.Jo. XXI, 15-18), Jesus confirmou o poder único dado por Jesus só a Pedro e não aos Apóstolos.
     E o Anjo da Ressurreição manda as santas mulheres que tinham ido ao sepulcro que dissessem “aos discípulos e a Pedro” que Jesus ressuscitara (Cfr. Marcos XVI, 7), distinguindo de novo Pedro dos demais Apóstolos.
     Só sobre Pedro foi edificada a Igreja. Só a Pedro foram dadas as Chaves.
     O Concílio Vaticano II, na Lumen Gentium, afirma que o Supremo poder sobre toda a Igreja foi dado a Pedro. Depois diz que o supremo poder foi dado também ao Colégio dos Bispos:
 
Mas a ordem dos Bispos, que sucede ao Colégio Apostólico no magistério e no regime pastoral e na qual em verdade o Corpo Apostólico continuamente perdura, junto com o seu chefe o Romano Pontífice, e nunca sem ele, é também detentora do poder supremo e pleno sobre a Igreja inteira. Todavia este poder não pode ser exercido senão com o consentimento do Romano Pontífice” (Lumen Gentium, 22).
 
     E, logo em seguida, se lê:
 
“O supremo poder que este Colégio tem sobre toda a Igreja é exercido de modo solene no Concílio Ecumênico” (Lumen Gentium, 22).
 
     Já durante o Concílio esses textos ambíguos deram ocasião a protestos tão firmes que Paulo VI se viu forçado a mandar redigir uma Nota Explicativa Prévia que ficaria famosa. Ela tentava desfazer as ambigüidades, sem que fosse tocado o texto original ambíguo. Essa Nota Prévia é publicada normalmente após a Lumen Gentium. E ninguém dá importância a ela.
 
     Monsenhor Brunero Gherardini analisa, em detalhe e em profundidade, os textos da Lumen Gentium e da Nota Explicativa Prévia, e mostra as ambigüidades e contradições dos textos e o resultado revolucionário atingido.
     E mostra que, segundo Ulpiano, os membros de um Colégio têm, por definição, igualdade jurídica entre si. O que faria o papa e os Bispos terem igual autoridade na Igreja. Por isso, a Nota Prévia se apressou a dizer que Colégio na Lumen Gentium não deve ser entendido em sentido jurídico. O Papa então não seria membro do Colégio dos Bispos do mesmo modo que os demais Bispos...
     Mas a ambigüidade e a dificuldade permanecem, porque não fica claro como o supremo poder pertenceria ao Papa e também ao Colégio dos Bispos.
     Haveria dois sujeitos do Supremo poder, exercendo-o de modos diversos. Ora, sempre na Igreja se ensinou e era de fé que o Supremo poder na Igreja pertencia somente ao Papa, que podia exercer esse poder de dois modos:
          1) Sozinho;
          2) Junto com os Bispos em Concílio convocado pelo papa e aprovado por ele.
      E Monsenhor Gherardini conclui que, o texto da Lumen Gentium escandalizaria São Tomás: como podem existir dois sujeitos possuidores, ao mesmo tempo, de um mesmo supremo poder, como dois modos de exercê-lo? Isso esbarraria no contraditório.
     E Monsenhor Gherardini considera inexplicável como, no pós Concílio, tantos teólogos insistem em falar de dois sujeitos do supremo poder na Igreja, ignorando lógica, teologia e história (Cfr. op. Cit. P. 242).
     Na prática, hoje, os Bispos e especialmente as Conferências Episcopais se consideram — e, na prática, agem - como se não tivessem que obedecer às ordens do Papa. Na prática, ninguém se incomoda com o que Roma manda. Um Padre a quem dissemos que o papa determinara a colocação dos confessionários nas igrejas, nos respondeu: “O Papa não manda nada aqui. Quem manda na Igreja, no Brasil, é a CNBB, não o Papa”.
     E há mil casos que confirmam que, baseados nos textos do Vaticano II, a Igreja foi “democratizada”. Exatamente como queria a Maçonaria.
     Portanto, a ambigüidade do texto Conciliar que cheirava a heresia febroniana, na prática, cheira, tem sabor, tem jeito, e é puro febronianismo, doutrina condenada por Pio VI como herética, cismática e escandalosa.
     Vejam-se os seguintes textos do Breve de Pio VI contra Febronius, para conhecer como a colegialidade do Vaticano II cai nos mesmo erro.
     Em primeiro lugar, convém lembrar que o negar que Pedro tenha o supremo poder na Igreja é heresia que contraria o dogma católico:
 
1. Que sobre a solidez da pedra a Igreja tenha sido fundada por Cristo, e que Pedro, por singular dom de Cristo, tenha sido eleito de preferência a todos os outros para ser Príncipe do      Coro Apostólico com poder de fazer as suas vezes, e que em conseqüência tomasse a  missão e a autoridade suprema de apascentar todo o rebanho de confirmar os irmãos e de      desligar e ligar para todo o mundo, É UM DOGMA CATÓLICO que, recebido da boca de Cristo, ensinado e defendido com a contínua pregação dos Padres, foi conservado      santissimamente em todas as idades da Igreja universal, e freqüentemente confirmado contra os erros dos inovadores com os decretos dos Sumos Pontífices e dos Concílios” (Pio VI, Breve SuperSoliditate Petrae, número 1).
 
     Nesse Breve de Pio VI, foram condenadas as seguintes teses, que lembram enormemente os textos do Vaticano II, e que, na prática, são defendidos por muitas Conferências Episcopais, e por muitos Bispos individualmente:
 
Portanto é grandemente deplorável a precipitada e cega temeridade desse homem, o qual se empenhou em tornar a propor com o seu infausto libelo os erros condenados por tantos decretos, e que disse e insinuou aqui e acolá, através de muitas tortuosidades, que: qualquer Bispo chamado por Deus ao governo da Igreja não é inferior ao Papa e não é dotado de poder menor; Cristo, por si mesmo, teria dado a todos os Apóstolos o mesmo poder; alguns crêem que podem ser obtidas e concedidas somente pelo Pontífice tais coisas que no mesmo modo, seja em matéria de consagração, seja de jurisdição eclesiástica, podem ser obtidas de qualquer Bispo; Cristo teria querido que a Igreja fosse administrada como uma república e que a tal regime seria preciso um presidente para o bem da unidade, mas que esse não ousasse intervir nos assuntos dos outros Bispos que contemporaneamente governam; todavia tenha o direito de exortar os negligentes a cumprir os próprios deveres; a força do primado estivesse contida na única prerrogativa de suprir à negligência de outros e no prover à conservação da unidade com as exortações e com o exemplo; os Pontífices nada poderiam nas outras dioceses senão em algum caso extraordinário; o pontífice é um chefe que recebe a sua força e a firmeza da Igreja; os Pontífices se permitiram como lícito violar os direitos dos Bispos, reservando para si as absolvições, as dispensas, as decisões, os apelos, os concessões dos benefícios, numa palavra: todas as incumbências que uma a uma vai enumerando, apresentando-as como reservas indébitas e injuriosas para os Bispos” (Pio VI, Breve SuperSoliditate Petrae, número 4).
 
     Além desses, Pio VI, no Breve, condena os seguintes erros: 
 
"A disparidade de poder entre os Apóstolos é uma invenção humana, que não figura minimamente nos sagrados evangelhos e nas divinas Escrituras do novo testamento".
 
"Na Igreja, não se pode admitir um único chefe supremo e monarca fora de Cristo. Todos os Bispos juntos, solidariamente, e os Bispos individualmente governam a mesma Igreja com pleno poder. A Igreja Romana foi e é a principal por nobreza, estima, fama e autorizada dignidade, não por primado de governo e de jurisdição".
 
Todo Bispo por direito divino é universal. A forma monárquica não foi imediatamente instituída na Igreja da Cristo; é falso que a união da Igreja católica consiste na unidade de um  regedor visível" (Pio VI, Breve SuperSoliditate Petrae, número 19).
 
     Há quem discuta ainda se, um dia, o Vaticano II será condenado por um Papa.
     O Vaticano II já foi condenado.
     Quando, depois de meio século de lutas, o arianismo foi definitivamente derrotado, se percebeu, que, durante cinco décadas, o mundo havia vivido, sem saber, que era ariano. Hoje, grande parte do clero dorme sem se dar conta de que vive no Modernismo.
 
     Um dia, quando o mundo despertar, um Papa condenará solene e explicitamente os erros e as ambigüidades do Vaticano II cujos frutos maus estão já hoje à vista de todos. Mas quantos, hoje, têm olhos para ver?
 
São Paulo, 15 de Fevereiro de 2010
Orlando Fedeli
 

 
A COLEGIALIDADE COMBATE O PAPADO
 
     Um dos pontos que causou maior divisão nos debates do Vaticano II foi o da Colegialidade. Com razão de sobra a minoria dos Bispos, fiéis à doutrina de sempre, se opôs à tese da Colegialidade tal como foi exposta na Lumen gentium: o supremo poder na Igreja teria sido dado por Cristo ao Colégio Apostólico e não somente a Pedro.
     Esse gravíssimo erro contra a Fé fora exposto por Justinus Febronius (Johann Nikolaus von Hontheim) em livro dedicado a Clemente XIII. Seus erros foram condenados especialmente por Pio VI, no Breve “SUPER SOLITATE PETRÆ”, de  28 de Novembro de 1786.
     A Colegialidade foi aprovada no Vaticano II, porque a minoria fiel se deixou embair por uma Nota Prévia, posta incrivelmente no final do documento, NOTA à qual jamais se deu importância e nem jamais se levou em conta.
Pudera ! Uma NOTA PRÉVIA acrescentada no final de um documento...
     O resultado é que a Colegialidade foi posta em prática na Igreja, nivelando os Bispos ao Papa; nas dioceses, nivelando o Bispo aos Padres; e enfim, nas paróquias, nivelando Padres e leigos. Desse modo, o Vaticano II atendeu à exigencia da Maçonaria – dos Homens de Boa Vontade — de democratizar a Igreja.
     Hoje, a Colegialidade é o meio a que recorrem os Bispos para não obedecerem ao que ordena o Papa Bento XVI.
 
     Bento XVI mandou colocar confessionários na igrejas. Praticamente ninguém o obedeceu.
 
     O Papa mandou trocar, na Consagração do vinho, o “por todos” pela tradução correta por “por muitos”, exatamente como Jesus disse na fórmula da consagração do vinho. Ninguém atendeu à ordem de Bento XVI.
     Bento XVI, por meio do Motu Proprio Summorum Pontificum, mandou liberar a celebração da Missa de sempre, qualquer padre podendo rezá-la sem precisar pedir permissão aos Bispos.
E os Bispos se opõem teimosamente a obedecer a essa ordem do Papa, exigindo condições que o Papa não colocou, como o conhecimento do latim por parte dos fiéis que pedem a Missa de Sempre. É o que insistem em dizer, no Brasil, entre outros, o Arcebispo de Ribeirão Preto, Dom Joviano, que preside a Comissão de Liturgia da CNBB;  Dom Bruno Gamberini, Arcebispo de Campinas;  e Dom Vilson Dias de Oliveira, Bispo de Limeira, que até Missa afro celebrou. (Será que ele conhece o Yoruba? ). E Dom Vilson alegou que age assim, porque o Núncio Apostólico no Brasil o aconselhou a fazer isso...
     Será verdade?...
     Isso comprometeria gravemente o próprio Núncio Apostólico.
     Bento XVI criou o Instituto do Bom Pastor com o direito de celebrar exclusivamente a Missa  de sempre. Os Bispos, especialmente os da França, oposuseram-se duramente ao IBP.
     Agora, Bento XVI levantou a excomunhão que pesava sobre os quatro Bispos da Fraternidade São Pio X.
     Uma furiosa tempestade foi montada, aproveitando as desastrosas e absurdas declarações de Dom Williamson, para sabotar o perdão concedido aos Bispos de Dom Lefebvre. E quanto mais um Bispo se mostra ecumênico para com os piores hereges, mais radicalmente ele se oporá à FSSPX e ao Papa que dela se aproximou.
     Mais recentemente, Bento XVI “ousou” nomear um sacerdote anti modernista como Bispo auxiliar de Linz, na Áustria. Nova tempestade foi desencadeada pelos Bispos da Áustria liderados pelo Cardeal de Viena. A oposição foi tal, que o padre colocou sua nomeação episcopal nas mãos do Papa. E essa nomeação infelizmente foi revogada. Só pode ser nomeado Bispo quem as Conferênias Episcopais e sua claque aprovarem. Quem agora nomeia, então, os Bispos é o Papa... desde que sua escolha agrade os modernistas.
      Neste ano, a Maçonaria comemora internacionalmente o centenário do evolucionista Darwin, cujas terorias foram já completamente desbaratadas - ou desmacacadas - pela ciência. Por incrível que pareça, Cardeais da Cúria organizaram um Congresso Internacional no Vaticano para discutir  a teoria darwinista e tentar provar que ela é “harmônica” com a doutrina da Igreja, tal como a expõem os gnósticos modernistas, seguidores do herege Teilhard de Chardin, o falsificador do fóssil de Piltdown e do Sinantropus Pekinensis.
     Pasmem! Esse Congresso, realizado no Vaticano, teve o apoio inclusive financeiro da Fundação Templeton, bem conhecida como maçônica.
     E, nesse Congresso, dirigido pelo Cardeal Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, quando um cientista quis defender o criacionismo, teve arrancado o fio de seu microfone, para que não fosse ouvido.
     Quem manda então no Vaticano?  A que voz obedece o Cardeal Levada?
     A La voce del padrone...
 ... Não à do Papa Bento XVI.
      Neste dias, Dom José Cardoso Sobrinho, o valente e digno Arcebispo de Olinda e Recife, declarou excomungados os que patrocinaram e fizeram diretamente um aborto de duas crianças. Dom José Cardoso apenas afirmou a doutrina católica contra o aborto, e aplicou o que está decretado no Código de Direito Canônico.
      De novo a mídia "teológica", os hereges modernistas de todos o graus e condições, levantaram uma absurda onda de condenação do Arcebispo que agiu catolicamente.
      Quatro Bispos franceses se manifestaram contra o Arcebispo de Olinda e Recife por ter sido ele fiel à doutrina e à Moral católicas, assim como ao que tem dito reiteradamente o Papa Bento XVI, determinando que o aborto é crime punido com excomunhão latae setentiae, istro é automática, no próprio ato do crime cometido.
      E ai veio o pior:
 
“Numa tribuna publicada domingo, 15 de Março, pelo "L'Osservatore romano", o quotidiano do Vaticano, o presidente da Pontifícia Academia pela Vida critica a decisão de excomungar as pessoas envolvidas no caso da menininha que abortou no Brasil, e lhe assegura a proximidade e a misericórdia da Igreja”
 
     Monsenhor Fisichella – Rino para os íntimos – escreveu um artigo em que se derrama sentimentalmente com relação à “bambina” que abortou dois gêmeos, e critica o Arcebispo de Olinda e Recife pela declaração de excomunhão que ele lançou contra os médicos abortistas e contra a mãe da menina que consentiu nesse duplo assassinato por aborto.
     Graças a Deus, a Cúria de Olinda e Recife lançou um documento desmontando o que demagogicamente escrevera esse Monsenhor Fisichella, que melhor ficaria como Presidente da Anti Pontifícia e Herodiana  Academia pela Morte dos Inocentes.
     Mas que um Bispo da Cúria Romana se atreva a escrever um artigo no Osservatore Romano, jornal oficioso do Papa, criticando um Arcebispo fiel ao Papa, à doutrina e à moral católicas é um escândalo inaudito.
     Quem manda no Vaticano? Quem tem o poder das chaves? Será o Colégio dos Bispos modernistas?
     Esse é o fruto da Colegialidade do Vaticano II: a revolta descarada contra o que o Papa manda e ensina.
     A Colegialidade está em duelo aberto e público contra o Papado. Febronius entrou na Cúria.
     Ou o Papa demite esses modernistas dos postos em que estão entrincheirados na Cúria, ou Bento XVI fica prisioneiro inerme desses hereges. É o papado que está em jogo. É a Igreja que está sendo humilhada em Bento XVI.
     Da árvore má do Vaticano II nasceu a Colegialidade como fruto antipapal.
     E esse fruto está produzindo os escandalosos miasmas atuais. Os Bispos modernistas estão matando juridicamente o Papa Bento XVI. Estão lhe tirando as chaves de São Pedro das mãos. O que é pior que matar fisicamente o papa.
     E quem fica então com as chaves do papado?
     Certamente não são só fisichelas, nem só os kaspers e os res. Quem parece decidir é... la voce del Padrone dos hereges modernistas “grandes defensores do Vaticano II” e de sua Colegialidade.
     Contra “il Padrone” dos fisichelas, levadas e res, bradamos: Viva o Papa Bento XVI!.
     Nossa Senhora, Medianera de todas as graças lhe dará a vitória.
     Por que a Igreja é imperecível.
 
São Paulo, 18 de Março de 2009.
Orlando Fedeli
  
 

 
 
BREVE “SUPER SOLIDITATE PETRÆ
 
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Papa Pio VI
 
Ad futuram rei memoriam
 
Condenação e proibição do livro, editado em alemão, cujo título é “Was ist der Pabst?”, em grego “Τί ἐστίν ὀ Παπας;”, em latim “Quid est Papa?”, e em italiano “Que cos’é o papa”
 
1. Que sobre a solidez da pedra a Igreja tenha sido fundada por Cristo, e que Pedro, por singular dom de Cristo, tenha sido eleito de preferência a todos os outros para ser Príncipe do Coro Apostólico com poder de fazer as suas vezes, e que em conseqüência tomasse a  missão e a autoridade suprema de apascentar todo o rebanho de confirmar os irmãos e de desligar e ligar para todo o mundo, É UM DOGMA CATÓLICO que, recebido da boca de Cristo, ensinado e defendido com a contínua pregação dos Padres, foi conservado santissimamente em todas as idades da Igreja universal, e freqüentemente confirmado contra os erros dos inovadores com os decretos dos Sumos Pontífices e dos Concílios.
Nesse Principado da Cátedra Apostólica, Cristo quis que se mantivesse firme e estreito o vínculo da unidade, de modo que a Igreja, que devia se propagar por todo o mundo, resultasse unida por  componentes, por quanto fossem distantes entre si, com uma mútua consórcio de todos em uma única cabeça, e em seguida ocorresse que a força desta potesdade valesse não só pela amplitude da primeira Sé, mas sobretudo pela integridade e a salvação de todo o corpo. Por isso não é de se maravilhar se aqueles que em todos os séculos passados, quando o antigo inimigo do gênero humano derramou o seu ódio contra a Igreja,  desencadearam antes de tudo contra esta Sé, na qual se contem a solidez da unidade, a fim de que, desintegrado – se  fosse possível – o fundamento, e destruída a ligação das igrejas com a Cabeça, sobre a qual sobretudo elas se sustentam, se revigoram e florescem, despojassem a própria Igreja, miseravelmente afligida e lacerada pelas forças infrante, daquela liberdade com que Cristo as dotou, e  as sujeitassem a uma indigna escravidão.
 
2. Poucos anos atrás, um homem de vivo engenho, já por demais conhecido por opúsculos condenados há tempos, Eybel [Febronius], deu um novo testemunho de seu ânimo agressivo contra Nós e contra esta Sé Apostólica: tendo tido notícia da viagem empreendida por Nós por motivos religiosos, apressou-se a difundir entre os seus compatriotas um libelo com este impudente título: Que cos’é o papa? Com isso pretendia reduzir aquele empenho rico de piedade que Nossa chegada havia criado, e tornar o decoro da dignidade pontifícia odioso à ordem sacerdotal, e desprezível à camada popular. Mas Deus misericordioso não consentiu que ele realizasse o seu desprezível desejo, pois que fomos acolhidos com tanta solenidade e participação pelos seus compatriotas, que ele tinha tentado afastar de Nós, e com tanta consideração e com tantos aplausos por todas as categorias, que se tornou manifesto – embora sem nenhum mérito Nosso, que fomos exaltados pela vontade da divina Providência à Cátedra de Pedro – todavia por divina decisão do mesmo Senhor fora previsto a que a indignidade do sucessor não prejudicasse a honra que é devida a Pedro.
 
3. Por isso, porém, consideramos oportuno abstermo-nos de censurar aquele libelo com a merecida condenação, antes de tudo para não parecer aos mais desconfiados, que não deixam jamais, de ter antes contribuir para Nossa dor que satisfeito o dever; em segundo lugar porque se poderia pensar que tal opúsculo teria logo caído no esquecimento em quanto, por si mesmo, era de nenhum valor e nada acrescentava além de uma certa, mais que desaforada, licença ao voltar a tecer as antigas calúnias. Porém, recentemente soubemos que tais inimigos – sempre prontos a semear abundante cizânia – empenhavam-se a que a obra, de modesta consistência, fosse reimpressa repetidamente não só na língua original, mas traduzida em diversas outras línguas, e até no grego vulgar, e difundida largamente. Esses estavam animados do propósito e da esperança que a licença da ridícula obra atraísse não poucos a lê-lo, e que a audácia do escritor nas próprias afirmações pudesse enganar os incautos, que não são poucos. Percebemos que de Nossa parte não se deveria interpor nenhuma protelação a fim de contrastar, pelo quanto está em Nós, ao mal que vai crescendo dia a dia; devíamos nos esforçar com todo empenho e com todos os meios a fim de que fossem chamados de novo a mais sãos propósitos aqueles que procuram (queira Deus que não sejam inimigos domésticos) golpear a paz e a unidade da Igreja, de modo que os bons fiéis, enredados pelas falsidades desses, não sejam miseravelmente afastados da segurança da Fé ortodoxa para as profanas novidades dos erros que se desenvolviam.
 
4. Certamente, como ensina Agostinho, enquanto Deus colocou a doutrina da verdade na Cátedra da unidade, ao contrario este infeliz escritor nada desleixa para atormentar e opor-se de todos os modos esta Sé de Pedro, na qual os Padres, com unânime consenso, honraram aquela Cátedra "na qual, única se deve conservar a unidade da parte de todos; da qual derivam em todas as outras os direitos da veneranda comunhão; à qual toda igreja e todos os fiéis, onde quer se encontrem, devem unir-se". Aquele infeliz não temeu  chamar de fanática a multidão que, como previa, à vista do Pontífice explodiria nestas expressões: Ele é homem que recebeu de Deus as chaves do Reino dos céus, com o poder de ligar e de desligar; nenhum outro Bispo pode se igualar a ele; os próprios Bispos recebem dele a sua autoridade, no mesmo modo em 2
Em que ele recebeu de Deus a própria, suprema autoridade, de ser o vigário de Cristo, o chefe da Igreja visível, o juiz supremo dos fiéis.
Portanto, horrível de dizer-se, teria sido fanática a própria voz de Cristo que promete a Pedro as chaves do Reino dos céus com o poder de ligar e de desligar: aquelas chaves para transmitir a outros e que, depois Tertulliano, Ottato de Milevi não hesitou afirmar que tinham sido recebidas somente por Pedro?
Fanáticos deveriam qualificar-se tantos solenes decretos, tantas vezes repetidos, pelos Pontífices e pelos Concílios, pelos quais foram condenados aqueles que negavam que o sucessor do beato Pedro, Príncipe dos Apóstolos, fora constituído por Deus o Romano Pontífice, cabeça visível da Igreja e vigário de Jesus Cristo; que a ele fora  confiada o pleno poder de governar a Igreja e que a ele é devida a verdadeira obediência por aqueles que se têm como cristãos; e que tal é o valor do primado do qual ele dispõe por direito divino, que ele supera os outros Bispos não só por grau honorífico mas também pela amplitude de seu supremo poder?
Portanto é grandemente deplorável a precipitada e cega temeridade desse homem, o qual se empenhou em tornar a propor com o seu infausto libelo os erros condenados por tantos decretos, e que disse e insinuou aqui e acolá, através de muitas tortuosidades, que: qualquer Bispo chamado por Deus ao governo da Igreja não é inferior ao Papa e não é dotado de poder menor; Cristo, por si mesmo, teria dado a todos os Apóstolos o mesmo poder; alguns crêem que podem ser obtidas e concedidas somente pelo Pontífice tais coisas que no mesmo modo, seja em matéria de consagração, seja de jurisdição eclesiástica, podem ser obtidas de qualquer Bispo; Cristo teria querido que a Igreja fosse administrada como uma república e que a tal regime seria preciso um presidente para o bem da unidade, mas que esse não ousasse intervir nos assuntos dos outros Bispos que contemporaneamente governam; todavia tenha o direito de exortar os negligentes a cumprir os próprios deveres; a força do primado estivesse contida na única prerrogativa de suprir à negligência de outros e no prover à conservação da unidade com as exortações e com o exemplo; os Pontífices nada poderiam nas outras dioceses senão em algum caso extraordinário; o pontífice é um chefe que recebe a sua força e a firmeza da Igreja; os Pontífices se permitiram como lícito violar os direitos dos Bispos, reservando para si as absolvições, as dispensas, as decisões, os apelos, os concessões dos benefícios, numa palavra: todas as incumbências que uma a uma vai enumerando, apresentando-as como reservas indébitas e injuriosas para os Bispos.
 
5. Com o fim não tanto de garantir credibilidade às próprias afirmações, mas antes de subtraí-las de alguma modo, ele apresenta em uma longa série os nomes de santíssimos Padres, dos quais, com notável engano, usa arbitrariamente as sentenças colhidas mal aqui e acolá; entre as citações, colhe duas que soam como valorizando da dignidade episcopal, e passa sob silêncio outras com as quais os Padres exaltaram a pertinente superioridade do poder pontifício.
Se os Padres estivessem presentes, rejeitariam a impudente calúnia deste homem com aquelas palavras com as quais não só pregaram o primado da Sé Apostólica e o seu obséquio em seu confronto, mas deixaram testemunho com escritos imortais para futura memória. O próprio Cipriano, do qual são estas palavras: "Deus é um só, Cristo um só, a Igreja uma só, e a Cátedra uma só fundada sobre Pedro com a palavra do Senhor", declara abertamente que a Cátedra de Pedro é a Igreja principal, da qual se originou a unidade sacerdotal, na qual a perfídia não pode ter acesso.
 
6. Crisostomo abertamente declara que Pedro pelo próprio direito pode eleger o sucessor em lugar do traidor. De tal direito, derivado do primado, o mesmo Pedro e os primeiros sucessores de Pedro se serviram quando fundaram Igrejas por todo o ocidente, e a estas, antes de de qualquer sínodo, colocaram em sua chefia, Bispos, aos quais assinalaram a grei que deviam cuidar; a precisas regiões designaram uma só Sé, o Bispo da qual presidisse também a outras com autoridade apostólica. Da instituição de tais Igrejas Inocêncio  fornece um amplíssimo testemunho, do qual cada um pode se valer para compreender que a autoridade pontifícia não apareceu em seguida da disciplina estabelecida anteriormente pelos sínodi, mas brilhou antes da disciplina fixada pelos decretos sinodais. É também conhecido que o próprio Pontífice ordenou com decretos próprios a Igreja Antioquena, cabeça das dioceses orientais.
 
7. Epifanio atesta que Ursácio e Valente, induzidos a penitência, levaram ao Papa Júlio Romano os opúsculos com os quais suplicavam perdão par o próprio erro e pediam ser admitidos à comunhão e à penitência.
 
8. Jerônimo, para quem era profano quem quer que não estivesse em comunhão com a Cátedra de Pedro – pedra sobre a qual ele bem sabia que fora edificada a Igreja – por ocasião de disputas muito importantes pedia apenas a Dâmaso que lhes fosse concedida  a autoridade de falar e de comungar.
 
9. Agostinho atesta ter aprendido das santas escrituras que o primado dos Apóstolos se funda em Pedro por uma graça extraordinária; aquele principado do apostolado deve ser anteposto a qualquer episcopado; a Igreja Romana, Sé de Pedro, é ela mesma pedra que as soberbas portas dos infernos não podem vencer. Com isso é refutada uma outra calúnia do escritor, segundo a qual com o nome de pedra sobre a qual Cristo edificou a sua Igreja não se deve entender a pessoa, mas antes a fé ou a confissão de Pedro, como se aqueles Padres – utilizando a admirável fecundidade da Escritura – tivessem atribuído o vocábulo pedra a isso; tivessem abandonado o sentido literal com o qual se nos refere diretamente a Pedro e não o tivessem explicitamente mantido.
 
Assim também Ambrósio, mestre de Agostinho: "É a Pedro que Ele disse: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja"; portanto onde está Pedro, aí está a Igreja". Esta é a voz unânime dos Padres, esta é a consolidada tradição dos doutores; Bernardo a recolheu dos maiores e a resumiu com as seguintes poucas 3
palavras, falando a Eugênio: "Tu és aquele ao qual foram consignadas as chaves, aquele ao qual foram confiadas as ovelhas... A outros foram confiados rebanhos, um rebanho a cada um: a ti foram confiados todos; um único rebanho e um só. Tu não és apenas o pastor das ovelhas, mas também o único pastor de todos os pastores". Com o leite desta doutrina foram nutridos todos quantos creram na Igreja de Cristo; se quiserem recordar-se disso, disso foram embebidos desde a adolescência aqueles que agora se deixam transportar para qualquer direção por todo vento doutrinário. Sempre do Evangelho foi tornado conhecido que a Pedro foram confiadas por Cristo as ovelhas a apascentar, e não às ovelhas foi confiado Pedro para ser apascentado.
 
10. Em verdade, jamais aconteceu que os sínodos ecumênicos se tenham separado da tradição dos Padres. Os Padres Calcedonenses dispuseram a ouvir Pedro que falava pela boca de Leão; nem julgaram que a solidez das suas ações pudesse derivar, com a implorada confirmação, de qualquer Bispo, mas só de Leão em quanto chefe da Igreja.
 
11. O oitavo sínodo geral como primeira ação aprovou um memorial examinado atentamente, ou seja uma norma com a qual, depois de muitas coisas dignas de consideração relativas  à autoridade do Romano Pontífice, vinha prescrito que "fossem separados  da comunhão da Igreja Católica os que não submissos à Sé apostólica e que os seus nomes não deveriam ser lidos durante os sagrados Mistérios". Ademais, restando decidir sobre algumas dispensas que  o interesse da Igreja grandemente pedia, os Padres não ousaram atribuir-se a faculdade de conceder tal licença: em verdade julgavam que essa deveria ser implorada à Sé apostólica através do patriarca Inácio; reconheceram de tal modo que nem mesmo os próprios patriarcas têm o poder de dispensar dos cânones.
 
12. O grande Sínodo Lateranense quarto, cap. 5, ensina que a Igreja Romana, por disposição do Senhor, tem o principado do poder ordinário sobre todas as outras, como mãe e mestra de todos os Cristãos.
 
13. No segundo Sínodo de Lyon [ano 1274] foi publicada a profissão de fé dos Gregos, com a qual esses atestam reconhecer que a Igreja Romana tem o sumo e pleno primado e principado sobre tuda a Igreja católica; essa os recebeu com plenitude de poder conferido pelo próprio Senhor ao beato Pedro, Príncipe dos Apóstolos e supremo vértice, do qual o Pontífice Romano é sucessor. O Sínodo Florentino [ano 1489], seguindo precedentes Sínodos, sancionou depois com um célebre decreto o dogma católico do primado.
 
14. Inspirados pelo mesmo Espírito Divino, os Padres do Concílio Tridentino declararam que "os Pontífices máximos, por força da suprema poder conferido a eles sobre a Igreja universal, puderam reservar ao próprio juízo particular algumas mais graves causas criminais" (Conc. Trid., sessão XIV, cap. 7). Conseqüentemente, tal poder, que se difunde sobre todas as Igrejas e por outros ofícios similares – e que o autor do libelo se esforça em vão de repelir– pertence do mesmo modo aos Pontífices, não adquirido de outro modo, nem conferido pelos seus inferiores, mas conexos ao primado por direito ordinário: a isso deve remeter-se aquele que não duvida que a celeste sabedoria dos Sínodos precisa ser anteposta e com grande diferença às disputas da humana ignorância.
 
15. Eybel [Febronius] se reclama do Concilio de Constança [ano 1414]. Mas era preciso que ele se recordasse que nesse Concílio foram condenados quer os erros de Wicleff, que afirmava não ser necessário para a salvação crer que a Igreja Romana é a mais alta entre as outras Igrejas, e que o Papa é o próximo e imediato vigário de Cristo, quer os erros de João Huss segundo o qual Pedro não é nem foi o chefe da santa Igreja Católica. Opondo a tais erros uma série de palavras sensatas, Martino V prescreveu que se interrogassem aqueles que eram suspeitos: se acreditavam que o beato Pedro é o vigário de Cristo e é dotado do poder de ligar e de desligar sobre a terra. Do mesmo modo, que o Papa canonicamente eleito é o sucessor do beato Pedro e tem a suprema autoridade na Igreja de Deus. Igualmente, que o Papa pode conceder indulgência a todos os Cristãos e outrossim individualmente os  Bispos aos próprios súditos segundo os limites dos sagrados cânones. Com isso é claramente refutado o erro deste autor que, dissertando desconsideradamente sobre as indulgências, ousou escrever que qualquer Bispo, do mesmo modo que o Papa, pode conceder as indulgências. Quem quer que desejar considerar com maior atenção, com ânimo equilibrado e sereno, os documentos dos Padres e dos Sínodos, verá certamente que esses prevêem uma autoridade de  longe mais eminente daquela contida nos limites de um mero diretório – como dizem – dotado do dever de exortar, admoestar, reparar.
 
16. Antes, os próprios padres de Basiléia na resposta sinodal ao Bispo de Tarento declaram abertamente que eles confessam e crêem que o Romano Pontífice é chefe e primaz da Igreja, vigário de Cristo e escolhido por Cristo, não pelos homens ou por outros Sínodos, como pastor dos Cristãos: a ele foram dadas as chaves do Senhor; a ele tão só foi dito "Tu és Pedro"; somente ele foi chamado à plenitude do poder; outros foram chamados a participar do dever. Portanto, ele [Eybel- (Febronius)] deveria envergonhar-se da própria audácia impotente, com a qual se prepara para golpear aquela plenitude de poder que os Basileenses expoem entre os fundamentos da doutrina, tanto conhecidos e divulgados que não seria necessário enumerá-los.
 
Verdadeiramente, quanto acima referido foi dito por Santo Agostinho: na Sé Romana sempre esteve em pleno vigor o primado da Cátedra apostólica, e este primado do apostolado deve ser anteposto a qualquer episcopado, como se vê – com muitos outros – do extraordinário sinal por força do qual o sucessor de Pedro, pelo fato que sucede ao posto de Pedro, encontra assinalado para si mesmo, por direito divino, o rebanho universal de Cristo, e contemporaneamente ao episcopado, recebe o poder do governo universal. Em seguida, é necessário que aos demais Bispos seja assinalada a própria parte peculiar do rebanho, não por direito divino, mas por direito eclesiástico, não pela boca de Cristo, mas através da ordenação hierárquica, de modo que através desta cada um possa explicar o poder ordinário de governo. Quem quer que quererá tirar do Romano Pontífice a suprema autoridade de tal 4
assinalação, necessariamente ferirá em todo o mundo a legítima sucessão dos Bispos, os quais governam as Igrejas fundadas integralmente pela autoridade apostólica: esses receberam do Romano Pontífice a missão de governá-las, sejam estas separadas de outras ou sejam reciprocamente unidas. Portanto, não se pode atentar a este admirável consórcio de poder atribuído à Cátedra de Pedro por divina designação, sem causar grave perturbação à Igreja e sem perigo do próprio governo episcopal, assim como foi dito por Leão Magno, isto é que Pedro governa exatamente aqueles que também Cristo fundamentalmente governa. E se Cristo quis que alguma coisa de comum houvesse entre Pedro e os demais Príncipes, jamais deu algo aos outros se não por meio dele.
 
17. [Eybel –(Febronius] louva os prelados e os doutores Galicanos, de modo totalmente inútil. Pensa pois que deles  podem advir sustentadores dele? Talvez os mais antigos, ou aqueles que na Idade Média ou em tempos mais recentes brilharam naquela ilustre Igreja com louvores de piedade ou de doutrina? Mas entre aqueles antigos, para recordar alguns entre muitos, não desagrada ouvir um Cesário Arelatense, um Avito Vienese, o primeiro dos quais se dirige ao Papa Símaco com um suplicante escrito: "Como o episcopado teve início da pessoa do beato Pedro, assim é necessário que a Vossa Santidade exponha com clareza às Igrejas singulares o que devem observar".
 
Avito depois a Ormisda: "Peço que me ensineis como devo responder aos vossos filhos e meus irmãos, isto é, aos gauleses, se me consultam, porque eu, já seguro, não dica apenas por devoção dos Vieneses, mas de toda a Gália, e possa prometer que todos aceterão a vossa sentença sobre o estado da fé".
Os Padres Aureliani repetem que as modalidades canônicas a observar para a eleição dos metropolitanos são fixatas pelos decretos da Sé apostólica.
 
18. Ouça da Idade Média Incmaro de Reims quando atesta que ele  sempre foi  fiel e sujeito em todas as coisas à Sé apostólica, mãe e mestra de todas as Igrejas, e a seus regedores: com isso mesmo quis que se visse quanto se deve à Sé apostólica e declara abertamente quanto ele sentia que isso é devido.
 
Ouça ainda Ivone Carnotense que severamente condena a ousadia daqueles que levantam a cabeça contra a Sé apostólica: "Opor-se a seus julgamentos e às suas constituições significa claramente incorrer numa manifestação de perversidade herética; a essa principal e fundamentalmente compete confirmar ou reprovar a consagração tanto dos metropolitanos quanto dos outros Bispos, corrigir as constituições e os julgamentos de outros, manter firmes as próprias decisões e não permitir que nenhum inferior as remaneje ou corrija". Isto ele prova também com a autoridade de Gelásio.
 
19. Se desde aquela antiguidade procedermos para tempos mais próximos, não lhe deveriam ser desconhecidas as gravíssimas censuras contra o famoso apóstata Spalatese emitidas pela insigne faculdade teológica de Paris: nessas teria podido facilmente reconhecer a condenação antecipada de seu libelo.
 
Estes foram os erros do Spalatese aos quais a faculdade não duvidou ter de se imprimir a marca da pravidade herética e cismática."A disparidade de poder entre os Apóstolos é uma invenção humana, que não figura minimamente nos sagrados evangelhos e nas divinas Escrituras do novo testamento". (Declara tal afirmação herética e cismática segundo a jurisdição apostólica ordinária que subsistia em São Pedro apenas). "Na Igreja não se pode admitir um único chefe supremo e monarca fora de Cristo. Todos os Bispos juntos, solidariamente, e os Bispos individualmente governam a mesma Igreja com pleno poder. A Igreja Romana foi e é a principal por nobreza, estima, fama e autorizada dignidade, não por primado de governo e de jurisdição". (Declara herética e cismática tal afirmação, enquanto insinua abertamente que a Igreja Romana não tem poder sobre as outras Igrejas por direito divino). "Todo Bispo por direito divino é universal. A forma monárquica não foi imediatamente instituída na Igreja da Cristo; é falso que a união da Igreja católica consiste na unidade de um regedor visível". Pois que o Spalatese tinha acrescentado que a doutrina dos Parisienses, corretamente entendida em nada diferia da sua, esses [doutores parisienses] logo repeliram a chocante calúnia "como uma clara impostura contra a faculdade de Paris".
 
20. Um egrégio testemunho, na mesma linha com a sopracitada sentença dos doutores Parisienses e com a constante tradição dos próprios maiores a propósito do primado do Romano Pontífice, prestaram os Prelados Galicanos nas assembléias de 1681. Esses dizem: "Ele é o chefe da Igreja, o centro da unidade; ele tem sobre  Nós o primado da autoridade e da jurisdição, a ele conferido por Jesus Cristo na pessoa de São Pedro; quem dissentisse desta verdade, seria cismático,antes até mesmo herege".
 
21. Certamente, ao autor do livro não foram de modo algum ignorados os luminosos documentos sobre o Romano Pontífice recolhidos de toda memória da antiguidade. Portanto, manifesta-se mais ainda obstinado o seu encarniçamento contra a Sé Romana: não podendo obscurecer e destruir os esplêndidos testemunhos dos Padres, com suma impudência não se hesitou de desdenhá-las como alegorias mal entendidas; conseqüentemente, em parte aconteceu que por uma longa série de séculos se acreditou que o Papa era o que ele não é, como se os santíssimos Padres, que Deus deu à sua Igreja quais pastores e doutores em uma matéria de gravíssima importância que por consenso comum pertence à constituição da Igreja, ou teriam eles mesmos errado, ou teriam dado aos fiéis motivo de errar. É mais fácil convencer-se que o nefando erro é daquele que estabelece que sobre o Romano Pontífice se deve crer diversamente de como se acreditou durante uma continua sucessão de séculos.
 
22. Seguindo em iguais causas os exemplos de Nossos predecessores, consideramos oportuno expor estas coisas um pouco mais difusamente, como pede a razão de Nosso dever, buscando não  Nossas vantagens, mas as 5
das almas, mantendo-nos empenhados a conservar a unidade no vínculo da paz, atentos a fazer de tal modo que – desmascaradas as fraudes daqueles que abusam do nome dos Padres para deturpar as suas sentenças – todos entendam que aos mesmos antigos Padres nada esteve mais seu coração que da parte de todos se conservasse a unidade com aquela Cátedra que foi constituída por Cristo mãe e mestra de todas as demais.
 
23. Por certo, a Igreja de Cristo é um só redil, do qual o único supremo pastor é o próprio Cristo que reina nos céus; Ele deixou sobre a terra um só supremo vigário, pastor visível, em cuja voz as ovelhas ouvissem a voz de Cristo, a fim de que, seduzidas por vozes estranhas não se dispersassem em pastos envenenados e mortíferos.
 
Portanto, a fim de que os fiéis confiados à Nosso cuidado possam com maior cautela evitar as coisas profanas e os falas vãs que servem a impiedade, e possam permanecer constantemente ligados a esta Cátedra da unidade, na qual Pedro ainda agora vive como numa própria Sé, e preside e assegura a verdade da fé para aqueles que a buscam, e a fim de que não consintam ser atraídos por essa fraude, pensando que tenha sido extorquido por ambição, confiado por ignorância ou por adulação, ou procurado com artes más aquilo que foi estabelecido por ordem de Cristo. Nós dispusemos que o citado opúsculo, traduzido da língua alemã na latina, fosse submetido ao exame de muitos mestres em sacra teologia; na posse de suas consultas, ouvidos os votos dos Veneráveis Nossos Irmãos, os Cardeais de Santa Romana Igreja inquisidores gerais em toda a república cristã contra a pravidade herética expressos à Nossa presença, motu próprio e por certa ciência, com a plenitude do poder apostólico reprovamos e condenamos o predito libelo cujo título latino é "Quid est papa? Com dispensa da Cesárea comissão régia das censuras da aposição do nome do autor. Viena, junto Joseph Edlen de Kurzbeck, 1782", e em Grego com um título equivalente, enquanto contem proposições respectivamente falsas, escandalosas, temerárias, injuriosas, induzidoras ao cisma, errôneas, induzidoras à heresia, heréticas e outras já condenadas pela Igreja; queremos e decretamos que tal libelo seja reprovado e condenado para sempre.
 
24. Concedemos ademais que nenhum fiel de Cristo, de qualquer grau e dignidade, ainda que digno de especialíssima menção, ouse ou presuma ler ou guardar o citado livro já impresso ou em manuscrito, seja no seu texto original, seja em qualquer outra versão, ou então ouse reimprimi-lo ou fazê-lo imprimir, sob pena de suspensão a Divinis se se trata de pessoas eclesiásticas, e sob pena de excomunhão maior se se trata de pessoas seculares: penas nas que se incorrem ipso facto sem outra declaração. Reservamos a Nós e aos Pontífices Romanos Nossos sucessores a absolvição e a remissão de tais penas, excetuando apenas– quanto à excomunhão predita – que qualquer confessor possa absolver de tal censura em articulo mortis.
 
25. Ordenamos além disso aos livreiros, aos tipógrafos, a todos e aos indivíduos de qualquer grau, condição e dignidade, às pessoas eclesiásticas e aos seculares, mesmo que tenham necessidade de especial e pessoal menção, que se uma vez o predito libelo, impresso na língua original ou em qualquer língua, o mesmo em manuscrito, caísse em suas mãos, imediatamente o levem aos Ordinários locais, sob as mesmas penas respectivamente cominadas de suspensão a Divinis e de excomunhão.
 
26. Afim de que depois a presente carta venha mais facilmente ao conhecimento de todos, nem alguém possa adurre a pretexto que não a conhece, queremos e ordenamos que, como de costume, por meio de algum Nosso cursor seja publicada às portas da basílica do Príncipe dos Apóstolos, da chancelaria apostólica, da cúria geral em Montecitório e na praça do Campo de Flora de Roma, e que as cópias aí permaneçam afixadas. Assim publicada, entende-se que obriga a todos e a cada indivíduo interessado, como se tivesse sido  pessoalmente notificada e intimada. Aos transunti da presente carta, cisto é às cópias, mesmo impressas, subescritas a mão por qualquer tabelião público e munidas do sigilo de pessoa constituída em dignidade eclesiástica se preste a mesma fé – tanto em juízo quanto em outro local, em qualquer lugar que seja – que se presterebbe à presente se fosse exibida e mostrada.
 
Dado em Roma, junto a São Pedro, sob o anel do Pescador, em 28 de Novembro de 1786, décimo segundo ano do Nosso Pontificado.

    Para citar este texto:
"A serpente se esconde sob a erva. A colegialidade do Concílio Vaticano II condenada já por Pio VI"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/anguis-herba/
Online, 30/03/2017 às 07:52:51h