Igreja

Motu Proprio sobre os Lefebvrianos
Giacomo Galeazzi

      
La Stampa.it  16/6/2009.
 
          É iminente o anúncio segundo o qual será a Congregação para a Doutrina da Fé, que supervisionará doravante os colóquios com os lefrevianos. É o que declara Mons. Bernard Fellay, Superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, à agência de imprensa "Zenit". E, com efeito, deveria ser já  questão de dias, talvez ainda neste fim de semana,  a publicação do «motu proprio» do Papa no qual será anunciada a nova colocação da Pontificia Comissão Ecclesia Dei – o organismo vaticano encarregado de “costurar” o cisma dos lefrevianos - sob a Congregação para a Doutrina da Fé.  Com esta nova colocação deveria também ser substituído o homem que a guiou nestes anos, o  Cardeal Dario Castrillon Hoyos.
          Por outro lado, outro problema aparece: no próximo dia 27 de Junho, de fato, o Bispo «lefebvriano» Alfonso de Galaretta deveria proceder a ordenação de trê sacerdotes e de três diáconos no seminário da Fraternidade em Zaitzkofen, na Baviera, na Alemanha.
           O Bispo de Ratisbona, Mons. Gerard Muller advertiu a Fraternidade que, até que não for resolvida a questão do status canônico da Fraterniddae São Pio X, as ordenações careceriam  da devida autorização, e, portanto, fariam incorrer em medidas disciplinares;  substancialmente, é ventilado o risco de uma nova excomunhão. Em suma, a guerra de posições em vista do confronto sobre temas doutrinários e sobre o Concilio Vaticano II entre a Fraternidade de São Pio X prossegue.
        Por outro lado, com a carta endereçada aos Bispos de todo o mundo exatamente sobre o caso da revogação da excomunhão dos quatro prelados lefrevianos e da grave crise que se lhe seguiu, o Papa anunciava que a Comissão Ecclesia Dei seria colocada sob o controle da Congregação para a Doutrina da Fé.       
         Além disso, o Pontífice explicava como o caminho de  reconciliação com o grupo cismático ultra conservador havia apenas começado; também uma nota da Secetaria de Estado do Vaticano recordava como permanecia essencial uma passagem: o pleno reconhecimento do Concílio Vaticano II.
          Outra questão que estava em suspenso, mas questão decisiva para o futuro da Fraternidade de São Pio X guiada por Mons. Bernard Fellay, era a de sua incardinação canônica dentro da Igreja, tema esse que resta a definir. Todavia, parece se entender pelos últimos acontecimentos que a discussão sobre a parte doutrinária terá a sua importância. No dia 10 de Junho passado, de fato, realizou-se a portas fechadas no Vaticano a reunião dos Cardeais membros da Congregação para a Doutrina da Fé para discutir o dossier relativo ao caso dos lefrevianos. O nó a desatar era e continua a ser a abertura do diálogo doutrinário com a Fraternidade de São Pio X.
          Os representantes do Vaticano e da Fraternidade encarregados desse delicado confronto, porém, ainda não foram nomeados. No passado 5 de Junho, em todo caso Mons. Fellay foi recebido no Vaticano. Em todo caso, se bem que não exista ainda um elenco dos incumbidos do diálogo, por parte do Vaticano deveria ser chamado o teólogo dominicano Charles Morerod, recentemente nomeado secretário geral da Comissão Teológica internacional, como também consultor do Dicastério da Doutrina da Fé. Por parte dos ultra tradicionalistas deveria fazer parte do grupo de contato com o  Vaticano o Abbé Gregoire Celier. Enquanto isso, os  lefrevianos criticam com aspereza a Conferência Episcopal Alemã, que, por sua vez, tinha estigmatizado o ramo alemão da Fraternidade Sacerdotal São Pio X pela decisão de ordenar novos padres, ainda este mês ( dia 29 próximo), e a abertura de uma nova capela em Fulda para a Missa em latim. «Segundo eles- se lê numa nota oficial da Secretaria de Imprensa ds lefrevianos - aos fiéis ligados à Tradição deve ser impedido de desenvolver-se, asfixiando-osi pouco a pouco...».
            Para os lefrevianos, em vez, são os Bispos que ignoram que a «crise doutrinária e moral, litúrgica e disciplinar» que, «há mais de quarenta anos», isto é, desde o Concilio Vaticano II, caracteriza a vida da Igreja Católica. «Como se estivéssemso no mundo de Alice no país das maravilhas. Definitivamente, é tempo de retornar para o lado de cá do espelho, e abrir os olhos para a realidade da Igreja!          
        Verão então que a linha divisória não está entre Ecône (quartel general dos lefrevianos, ndr.) e Roma, mas entre a Igreja que tem dois mil anos e a que não tem nem cinquenta anos, e que o Cardeal Benelli, Substituto da Secretaria de Estato, definia, em 1976, como a ’Igreja Conciliar».
          Para os lefrevianos, quando essa «fratura» não existir mais, «os Bispos saberão quanto eram necessárias as ordenações de padres e as bênçãos das capelas: para que a Igreja viva!». O Papa revogou a excomunhão dos lefrevianos em Fevereiro [Foi em Janeiro], suscitando perplexidades e resistências em alguns episcopados. Bento XVI, então, mandou uma carta aos Bispos de todo o mundo para explicar o motivo de sua decisão, antecipando também modificações na Cúria no Vaticano em vista dos colóquios entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X.

    Para citar este texto:
"Motu Proprio sobre os Lefebvrianos"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/Novo-Motu-Proprio/
Online, 24/03/2017 às 21:05:24h