Igreja

Terceiro Segredo de Fátima: Teria Nossa Senhora condenado o Concílio Vaticano II e a Missa Nova
Orlando Fedeli
     Na Itália, flameja a polêmica de Antonio Socci contra o cardeal Bertone, Secretário de Estado do Vaticano.
     Socci, em seu livro, O Quarto Segredo de Fátima, comprovou que existe um texto do Terceiro Segredo de Fátima que a Santa Sé não publicou.
     O Cardeal Bertone respondeu a Antonio Socci com um panfleto ofensivo e sem argumentos, negando que exista tal documento.
     Quinta feira passada, a TV RAI UNO montou uma espécie de mesa redonda com o Cardeal Bertone e jornalistas importantes, mas sem incluir Antonio Socci no progarama.
     Pela TV, ela primeira vez, foi apresentado aos telespectadores os envelopes e um dos documentos de Irmã Lúcia.
     No artigo abaixo traduzido, Antonio Socci desbarata, desmonta a argumentação do cardeal Bertone, deixando comprovadíssimo que existe um documento que o Vaticano ainda não publicou, documento no qual se falaria de uma apostasia que ocorreia no alto clero no século XX. Apostasia, aliás, que todos têm sob os olhos.
     Antonio Socci não deixa dúvidas; Nossa Senhora, no Terceiro Segredo, revelou que se daria uma imensa apostasia e uma grande traição à Fé no século XX.
     Curioso que Socci, em outro documento, mostra que o Cardeal Ratzinger e o Papa João Paulo II quiseram publicar esse Terceiro Segredo em 2000, mas os elementos modernistas da Cúria, liderados pelo Cardeal Sodano, se opuseram a isso, e fizeram publicar apenas a visão que Nossa Senhora concedeu aos três pastorezinhos de Fátima e da qual trata o Terceiro Segredo.
  

Antonio Socci comenta entrevista do Cardeal Bertone
:
 
 Bertone no "Vespeiro" das polêmicas
 
[O programa] “PORTA A PORTA” [ da RAI UNO] LHE TINHA PREPARADO UM GOL SEM GOLEIRO, E ELE [BERTONE] FEZ UM GOL CONTRA …
 
Antonio Socci - http://www.antoniosocci.it/Socci/index.cfm  02.06.2007
 
O verdadeiro golpe de malho no Vaticano, quinta feira à noite, não foi dado por Michele Santoro (com a partida, afinal de contas, “empatada” sobre os padres pedófilos), mas foi dado por Bruno Vespa, que colocou no ar o Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Bertone, o qual fez o mais clamoroso gol contra: ele demonstrou(involuntariamente)com efeito, que a parte explosiva do “Terceiro Segredo de Fátima” existe, ainda que bem escondida.Isto sim que é bem embaraçoso para o Transtevere [para o Vaticano].
Por tal serviço prestado à verdade (ainda que indiretamente feito) é preciso agradecer ao Cardeal Bertone. E encorajá-lo agora a dizer tudo, porque – come diz o Evangelho – “a verdade vos fará livres”.
(De tudo quanto foi antecipado pela Irmã Lúcia, por exemplo, ao Padre Fuentes, se deduzque o “Quarto Segredo” contém exatamente a advertência profética feita por Nossa Senhora sobre a apostasia na Igreja, incluindo nela a terrível crise do clero que se seguiu ao Concílioeportanto também os escândalos dos quais hoje se fala como o dos “padres pedófilos”
Resumimos os fatos antecedentes.
Em Novembro passado, saiu o meu livro “O quarto segredo di Fátima”, no qual demonstro que há uma parte do famoso “Terceiro Segredo que o Vaticano não publicou.
 Em Maio, o Secretário de Estado do Vaticano [Cardeal Bertone] publicou um panfleto contra mim, contendo alguns insultos,masnenhuma resposta,e, ademais, acrescentando novas contradições (que coloquei em evidência nestas colunas em 12 de Maio último).
 Quinta Feira à noite, foi ao ar [na TV RAI UNO] uma mesa redonda de “Porta a porta” intitulada: “Não existe o quarto segredo de Fátima”.
O titulo visaa explicitamente meu livro.
Como se pode conceber uma mesa redondaequilibrada” [imparcial]e de modo algumcomo tese [comprovada]”. [ O locutor] Vespa quis talvez dar a Santoro uma lição de objetividade e de imparcialidade. Enquanto no programa de Santoro estavam presentes os dois lados, Vespa chamou a seu programa apenas o Cardeal Bertone e não o abaixo assinado que era o “alvo” visado, mas que não foi convidado a participar do programa. Com relação a mim, apresentaram cenas de filme ilustrando algumas das teses de meu livro. Desse modo, foi oferecida, em bandeja de prata,ao Cardeal Bertone, apossibilidade de me atacar sem nenhum contraditório. Mas o Cardeal evitou os tons que usara em seu livro (pelo que agradeço a ele) e, sobretudo, evitou responder a qualquer contestação minha: não deu sequer uma resposta a meus argumentos.
Pelo contrário, fez mais: ofereceu a prova de que  tenho razão.
De fato, a um certo ponto de sua exposição, o Prelado mostrou os envelopes que foram abertos no ano 2000, quando foi revelada a parte do Terceiro Segredo com a visão do “Bispo vestido d branco”.
Pois bem, sobre esses envelopes faltava uma coisa que devia absolutamente existir lá: uma frase do Papa João [XXIII].  De fato, Monsenhor Capovilla, secretário die João XXIII, em duas entrevistas, a Orazio la Rocca (Repubblica, 26.6.2000) e a Marco Tosatti (no livro “O segredo Não Revelado”) contou que, – em 1959 – quando o Papa Roncalli leu o Terceiro Segredo e decidiu mantê-lo secreto, disse ao mesmo Capovilla que “fechasse o envelope” escrevendo sobre ele “não faço nenhum julgamento” porquea mensagempode ser uma manifestação do divino e pode não ser.”

Pois bem, onde está a frase que João XXIII mandou escrever?Portanto está noutro envelope.Nos envelopes exibidos pelo Cardeal ela não está.
Evidentemente pode estar apenas sobre o envelope que contém o “Quarto Segredo”, cuja existência foi clamorosamente confirmada(pela primeira vez)justamente por Monsenhor Capovilla a Solideo Paolini como relato em meu livro. Bertone não deu nenhuma explicação sobre a ausência daquela frase, e não respondeu à revelação de Monsenhor Capovilla.
 
Ademais, a dúvida de Roncalli sobre a origem sobrenatural daquela mensagem não podia referir-se ao texto da visão revelada no ano 2000, já que essa visão nada contém de “delicado”.Mas somente a aquele “quarto segredoquecomo revelaram os Cardeais Ottaviani e Ciappi – falavada apostasia e da traição dei altas hierarquias eclesiásticas.
Aquele “quarto segredo” do qual João Paulo II, disse, em 1982, que “não se o publicava porque podia ser mal interpretado”. Aquele“quarto segredo” do qual Ratzinger, em 1996, disse que, naquele momento, certos “detalhes”podiam prejudicar a fé. Aquele “quarto segredo” do qualo secretário do Papa Wojtyla disse a Marco Politi (que o relatou no programa de Vespa): “é preciso ter prudência para compreender o que diz Irmã Lúcia e o que diz Nossa Senhora”.
 
Mas o Cardeal Bertone em “Porta a porta” involuntariamente forneceu uma outra prova, ainda mais clamorosa, que o “quarto segredo” existe realmente.
De fato, ele deu as medidas do envelope que contém o texto da visão: “9 centímetros por 14. O Prelado evidentemente ignorava que desde 1982 é conservado no Arquivo do Santuário de Fátima é conservado um documento de Monsenhor Venâncio que levou materialmente o envelope com o “quarto segredo” à Nunciatura para enviá-lo a Roma. Monsenhor Venâncio transcreveu as medidas exatas do envelope de Irmã Lúcia e que era de 12 centímetros por 18. Portanto, pelos dados oficiais resulta que aquele era um outro envelope.
 Ali estava contido o papel do “quarto segredo” que eraconstituído poruma só páginacom “25 linhas escritas”, como testemunhou o Cardeal Ottaviani,enão por 4 páginas com 62 linhas, como é o texto da visão mostrado pelo Cardeal Bertone, oqual,embaraçado, não sabe o que responder a Vespa, que lhe recorda as palavras deOttaviani.
Mas, outra coisa ainda soa como clamoroso desmentido à reconstrução feita pelo Cardeal Bertone. Foi mostrado por Vespa o autógrafo de Irmã Lúcia (repetido sobre dois envelopes) que recita: “Por ordem expressa de Nossa Senhora este envelope pode ser aberto em 1960 pelo Patriarca di Lisboa ou pelo Bispo de Leiria.
Em várias outras ocasiões, Irmã Lúcia havia dito que aquela data fora indicada pela Virgem. Mas aqui descobrimos que o tinha dito até mesmo por escrito preto sobre o branco. E é o oposto de quanto assevera o Cardeal Bertone atribuindo à própria Lúcia a escolha daquela data. Se foi a própria Nossa Senhora que marcou a data, porque exatamente a marcou em 1960? Que acontecia naquele ano na Igreja?
Papa Roncalli havia apenas convocado o Concílio Vaticano II.Por isso é totalmente natural considerar – como fazem os especialistas de Fátima– que o Segredo contivesse a profecia a respeito de uma terrível apostasia subseqüente ao Concilio (que de fato aconteceu e que está em curso). É este o motivo pelo qual Roncalli, apavorado, tornou tudo secreto.
 
De resto, a frase da Virgem que sempre foi considerada o ”incipit”, o início. do Terceiro Segredo (“Em Portugal conservar-se-à sempre o dogma da fé, etc.Nel dossier vaticano però Bertone fa un’osservazione rivelatrice. ”) vai nessa direção. O Cardeal Bertone sempre evitou perguntar à Irmã Lúcia, em horas e horas de conversa, se alguma vez ela escreveu a seqüência daquela frase [o que era o etc.]. Ese guardou bem de explicar o sentido do etc.(visto que um discurso de Nossa Senhora não pode evidentemente interromper-se com um etcoetera. Posto depois de poucas palavras).
Acenando àquela frase o Cardeal Bertone a qualificacomo “alguma anotação” de Lúcia. Portanto, se dá a entender que aquelas palavras de Nossa Senhora sejam, na verdade, uma fantasia de Lúcia, como já insinuava Roncalli?
 Se assim é,  seria bom dizê-lo e fazê-lo publicar livremente, como todas  mensagens deste tipo(desde 1966, Paulo VI liberou essa “literatura”).
 Por que continuar a negar a existência do segredo, sustentando uma versão que faz água por todos os lados, expondo a Igreja a graves ricatti?
OCardinal Bertone se vê obrigado a desenvolver uma tarefa dura e ingrataA cada dia vêem à luz pedacinhos d everdade que desmontam a sua versão (Em “Porta a porta”,para citar outros dos detalhes, a história da reunião plenária do Santo Ofício em 1960, e aquela data sobre o envelope da tradução, em 6 de Março de 1967, que não risulta na versão oficial). .
 
No fundo, o Papa, na carta publicada por Bertone, abre o caminho para a verdade, quando diz que no ano 2000 foram publicadasas palavras autenticas da terceira parte do segredo”. Subentende claramente que existem palavras do segredo tidas como“não autenticas”.
Então, coragem, publicai tudo.A verdade vos fará livres”.

Resposta a alguns leitores:


            Houve quem – mesmo entre leitores e a admiradores – que se escandalizou por minha investigação sobre o Terceiro Segredo de Fátima e pelos artigos respondendo ao Cardeal Bertone. Ninguém contesta os fatos e os dados, mas me objetam que, dizendo as verdades que descobri, prejudicarei a Igreja.
Respondi que me limito a fazer o meu trabalho de jornalista, segundo os deveres indicados até mesmo pelo Compêndio da doutrina social do Pontifício Conselho da Justiça e da paz: “Para quantos atuam por vários títulos no campo das comunicações sociais ressoa forte e clara a advertência de São Paulo: ‘Por isso, banida a mentira, cada um de vós diga a verdade ao  próprio próximo’ .

            Escrevo aquilo que em parece-me ser verdade, se escrevesse o contrário, agiria contra a consciência ecomo ensina Inocêncio III, citado no Catecismo Universal(n.1790)“agir contra a consciência conduz à danação”.
          De outro lado,com explicou o Papa em Ratisbona, apesquisa racional da verdade não é jamais contra Deus(Veja a Fides et Ratio).Tanto mais se se trata da pesquisa das autenticas palavras da Santa Virgem em Fátima. Enfim, quantos considerassem dever esconder a verdade com o fim de fazer o bem estariam completamente fora da ortodoxia. Não o digo eu, mas – ainda uma outra vez volta - o Catecismo Universal da Igreja Católica querido por João Paulo II e pelo Cardeal Ratzinger: “Não é permitido jamais fazer omal a fim de obter dele um bem” 1789). Em suma, o mandamento “não prestar falso testemunho” vale também para os Cardeais e não podem ser alegados motivos superiores para mentir

        
Penso, de resto, que a verdade é sempre conveniente. O Evangelho fala muito claro. Jesus diz: “A verdade vos farà livres”.Não diz: atenção: porque por vezes la verdade pode criar vos problemas. Diz:a verdade vos fará livres(isto é também o sentido dos “mea culpa do Papa Wojtyla). Aquela passagem evangélica indica a belíssima liberdade dos filhos de Deus.A Igreja não é uma espécie de seita o “bando” [cosca] que nos exige a lei do silêncio [a omertà]. Mas ela é a casados filhos de Deus, a casa da liberdade e da verdade.Deus não precisa de nossa mentira, mas sim de nossa humilde escuta e do reconhecimento de nossas misérias(mesmo por parte dos eclesiásticos).
Aconselho a todos aquele memorável discurso do Cardeal Ratzinger sobre a consciência e a liberdade dos cristãos que se intitula “O brinde do Cardeal”. Não por acaso o Catecismo Universal (n. 1778) cita a belíssima frase do Cardeal Newman que diz: “A consciência é a primeira dos vigários de Cristo”.
(Tradução e destaques de Orlando Fedeli)

    Para citar este texto:
"Terceiro Segredo de Fátima: Teria Nossa Senhora condenado o Concílio Vaticano II e a Missa Nova"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/3segredo_concilio/
Online, 21/07/2017 às 19:42:32h