História

Um pró stalinista no Vaticano de Pio XII?
Orlando Fedeli

Como???
Como ???
Que loucura é essa?
Seria isso possível?
Não será isso um delírio?
 
Não. Não é loucura. Não é um delírio.
É um fato histórico.
 
Em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, um Monsenhor que exercia um alto cargo no Vaticano, entrou em contato com o tirano bolchevista Stalin e fez com ele um acordo secreto.
Um acordo com Stalin!
Um Monsenhor da Cúria que fez um acordo com Stalin!
Com o assassino. Com o tirano! Com o monstruoso Stalin, que até Kruschev condenou. Com o êmulo, em matéria de crimes, do genocida Führer nazista.
Quem foi esse Monsenhor, cujo espírito aberto ao mundo, permitiu-lhe não só dialogar, mas até a assinar um acordo com Stalin?
 
Esse Monsenhor foi Giovanni Batista Montini, o futuro Paulo VI.
 
Monsenhor Montini era bem conhecido por suas tendências favoráveis ao marxismo, que sempre o fizeram olhar o Partido Comunista com olhos mais do que brandos, mas até simpáticos.
Filho de um Senador do Partido Popular, e de formação modernista, Montini sempre apoiou a ala esquerdista da Democracia Cristã, que desejava a “abertura para a esquerda”,, socialista e comunista. Foi Montini quem dirigiu a FUCI (Federação Universitária Católica Italiana), desde que chegou a Roma e ao Vaticano. Foi ele quem deu direcionamento marxistóide aos estudantes universitários católicos da FUCI, como Amintore Fanfani, Aldo Moro, Giulio Andreotti, e tantos outros que, no pós-guerra, tomaram a direção da Democracia Cristã e do governo e abriram uma larga porta para os marxistas no governo italiano.
Exercendo o prestigioso cargo de “Sostituto” da Secretaria de Estado, na secção de Assuntos Exteriores, Montini, sempre procurou fazer política independente de Pio XII. Independente e até secreta. Durante anos, liderou a ala modernista e esquerdista no Vaticano e na Igreja, chegando a exercer profunda influência nos acontecimentos internacionais e italianos.
Foi em 1942, quando se deu a reviravolta na Segunda Guerra mundial com as vitórias aliadas em Midway, El Alamein e o início do cerco de Stalingrado, que Montini conseguiu fazer um acordo com o bolchevista Stalin.
Quem contou isso foi Monsenhor Georges Roche, secretário do Cardeal Tisserant, em carta ao jornalista Jean Madiran (ver no final deste artigo a carta de Monsenhor Georges Roche). Madiran acusara o Cardeal Tisserant de ter assinado o acordo do Vaticano com a URSS, em 1962, em Metz.
 
Ia se iniciar o Concílio Vaticano II.
João XXIII, ansioso por fazer um grande acordo ecumênico e internacional, que permitisse solucionar os problemas do mundo, e não tanto visando diretamente o bem da Igreja-- como ele declarou no documento convocatório do Concílio, a Humanae Salutis, desejou que também os Bispos russos estivessem presentes. Para isso, foi feito o acordo de Metz: a União Soviética permitiria a vinda de representantes da igreja cismática russa, caso a Igreja Católica se comprometesse a não condenar nem a URSS, nem o Comunismo, nem o marxismo, no Concílio. A esse preço inacreditável os bolchevistas permitiriam que uma delegação de bispos cismáticos - comprometidos com o partido Comunista - fossem, como assistentes, ao Concílio Vaticano II.
O acordo foi assinado em nome da Igreja pelo Cardeal Tisserant. Em nome dos Comunistas por Monsenhor Nikodin, Arcebispo cismático de Leningrado e, secretamente, Coronel da Polícia Secreta Bolchevista, a KGB.
 
Foi um escândalo!
Foi uma vergonha!
 
 
No Concílio, o Cardeal Tisserant, desde a Mesa dirigente, zelosamente velava para que fosse cumprido o acordo traidor, e que nenhum Bispo ousasse condenar o comunismo. Caso alguém fizesse isso, o Cardeal Tisserant cortava a palavra ao Bispo atrevido, emudecendo o seu microfone. Apertando um botão. Um botão no Concílio Vaticano II, sob as ordens de Moscou. 
 
“Pastoralmente” o Vaticano II se recusou a condenar a maior heresia da história.
Omitiu-se.
Silenciou.
 
Foi um escândalo!
Foi uma vergonha!
 
Ao ser publicado o artigo de Jean Madiran, Monsenhor Georges Roche, fiel à memória do falecido Cardeal Tisserant, do qual fora secretário, apressou-se a esclarecer, em 14 de maio de 1984:
 
1-       Que o Cardeal não agira senão sob as ordens expressas de João XXIII. Portanto, o “bom Papa João”, era o verdadeiro responsável pelo escandaloso acôrdo assinado em Metz:
 
a decisão de convidar os observadores Ortodoxos Russos para o Concílio Vaticano II foi tomada pessoalmente por Sua Santidade o Papa Joao XXIII(2), com o óbvio encorajamento do Cardeal Montini. (destaques nossos).
 
2-       Que João XXIII, de fato, não decidia o que fazer no Concílio e na Igreja, mas que ele era tele dirigido pelo então Cardeal Montini, Arcebispo de Milão, que já o governava, quando Roncalli era Patriarca de Veneza:
 
“... do Cardeal Montini, que tinha sido consultor no Patriarcado de Veneza, [quando Mons. Roncalli era Cardeal...]  ao tempo em que era arcebispo de Milão”.(destaques nossos).
 
(Muito possivelmente, Montini governava Roncalli desde há muito tempo, pois Roncalli sempre fora ligado aos modernistas, dos quais Montini era o supremo líder).
 
3-       Que quem, de fato, dirigia a política vaticana não era o Papa João XXIII, mas sim o Cardeal Montini:
 
foi também o Cardeal Montini quem secretamente direcionou a política do Secretário de Estado, durante a primeira sessão do Concílio, dando as coordenadas do lugar secreto que o Papa havia preparado para ele, na famosa Torre de São João, dentro mesmo dos muros da Cidade do Vaticano(destaques nossos).
      
4-       Que Monsenhor Montini fizera um acordo, ainda mais grave que o de Metz, com os Comunistas, em 1942. Eis o que escreveu Monsenhor Roche:
 
Todavia, pareceestar desavisado sobre um acordo anterior, acontecido durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942, para ser mais exato, cujos protagonistas foram Mons. Montini e o próprio Stalin. EsteAcordo de 1942, em minha opinião, é de considerável importância”. (destaques nossos).
  
Em que consistia esse acordo?
Monsenhor Roche não o diz...
Só diz que era de considerável importância...
 
Todas essas declarações de Monsenhor Georges Roche são perfeitamente coerentes com os demais dados históricos conhecidos da atuação de Monsenhor Montini e de Angelo Giuseppe Roncalli, o Papa João XXIII. Essas informações esclarecem muito a história do Concílio Vaticano II, assim como a Ost Politik vaticana, com relação à Rússia comunista.
 
O que não fica esclarecido é como Monsenhor Montini, o Papa Paulo VI, pode ter ganhado processo de beatificação.
 
Paulo VI beato?
Mistério...
 
São Paulo, 7 de Maio de 2008
Orlando Fedeli
 
 


A Verdade: E QUE O VATICANO FOI SILENCIADO POR MOSCOU
 
Jean Madiran 
 
http://www.fatima.org/weop/port/p8cp4.asp
 
O artigo que publicamos seguir, foi escrito por Jean Madiran, e foi originalmente publicado em julho-agosto de 1984, no exemplar da revista Itinéraires. Aexistëncia de um acordo entre o Vaticano e Moscou é confirmadaporMons. Georges Roche, um amigo intimo do Cardeal Tisserant, o qualnegociou o Acordo Vaticano-Moscou como Arcebispo ortodoxo de Leningrado, e, ao mesmo tempo, Coronel da KGB,  Nikodim. Mons. Roche está agorapreparando a biografia do Cardeal Tisserant.
 
Tisserant (1884-1972) foi Pró-Prefeito da Biblioteca do Vaticano, Arquivista (1930-1936), feito cardeal em 1936, instrutor do Sacro Colégio de Cardeais (1951), e Secretário da Congregação da Igreja do Leste (1936-1954). 
 


A Confirmação do Acordo Roma-Moscou por Mons. Roche
Jean Madiran


A despeito dos insultos que ela contém, aqui e ali, estou publicando a carta de Mons. Roche; eu a estou publicando na íntegra, para que pessoas de mentalidade suspeita não suponham que, omitindo passagens ofensivas, eu tenha também cancelado algum ponto importante. 
 
Mons. Georges Roche foi, durante longo tempo, amigo intimo do Cardeal Tisserant. O propósito desta carta inteira é defender a memória do Cardeal e desculpá-lo no que concerne ao vergonhoso Acordo de 1962, ao qual dedicamos nosso editorial "O Acordo Vaticano-Moscou" (este artigo foi publicado, na integra, no exemplar do Cruzado de Fátima numero 16*, mas umas poucas notas de rodapé foram omitidas). 
 
 

* Vejam a pagina 240 deste livro

        O ponto essencial é que Mons. Roche confirma a existência e as cláusulas do Acordo, a respeito das quais a opinião publica nada sabe.  
        
Em sua carta, Mons. Rocherepetidamente usa formulas tais como 'todo mundo sabe', 'ninguém pode estar desavisado', 'por razões óbvias'. Quando, de fato, nada era óbvio, ninguém sabia de nada e todos estavam alheios á questão. Entre os autores que tem criticado o escandaloso silencio do Concilio Vaticano II no que diz respeito ao Comunismo, segundo estou informando, ninguém questionou o Acordo Tisserant - Nikodim, concluidoem Metz em 1962.(1) O Acordo foi exposto e comentado no exemplar de abril de 1963, da Itinéraires. Mas quando fiz alusão direta a ele, num artigo publicado na Presente, em dezembro de 1983, pude ver muito claramente com que pasmo ou incredulidade os leitores receberam as informações. Eis porque levantei toda a questão, uma vez mais, em fevereiro de 1984, num exemplar da Itinéraires. Ea este editorial foi que Mons. Georges Roche resolveu replicar. 
 
As notas de rodapé que acompanham a carta de Mons. Roche são todas minhas. Elas se referem a algumas anomalias menores contidas nesta missiva. 
 
 
 
Carta de Mons. Georges Roche
 
14 de maio de 1984
 
Prezado Editor: 
 
É com o maior interesse que li seu artigo publicado no exemplar de numero 280 (fevereiro de 1984) da revista Itinéraires e cujo titulo e: 'O Acôrdo Vaticano-Moscou'.
O senhor comenta, não sem razão, sobre este Acordo, oqual o senhor diz datar de 1962.Todavia, pareceestar desavisado sobre um acordo anterior, acontecido durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942, para ser mais exato, cujos protagonistas foram Mons. Montini e o próprio Stalin. EsteAcordo de 1942, em minha opinião, é de considerável importância. 
      
No momento, no entanto, desejotratarexclusivamente de seu comentário a respeito do Acordo de 1962.
Todo mundo sabe que esteAcordo tinha sido negociado entre o Kremlin e o Vaticano, em nível mais alto. Dom Nikodim e o Cardeal Tisseranteram meramente porta-vozes. Oprimeiro representando o chefe do Kremlin e o último representando o Soberano Pontífice[João XXIII ] que, na época, reinava. 
Se Dom Nikodim desejou encontrar-se com o Cardeal Tisserant, como autêntico representante (da Santa Sé) foi por razões óbvias, que todo mundo conhece. Em primeiro lugar, o Cardeal Tisserant sabe falar Russo. Além disso, de 1936 até 1954, ele tinha sido Secretário da Sagrada Congregação da Igreja do Leste. Finalmente, osdois homens conheciam um ao outro, e tinham se encontrado para tratar de problemas concernentes a Biblioteca do Vaticano [???], da qual o Cardeal havia sido Pró-Prefeito, de 1930 ate 1936. 
Entretanto, posso assegurar ao senhor, Sr. Editor, a decisão de convidar os observadores Ortodoxos Russos para o Concílio Vaticano II foi tomada pessoalmente por Sua Santidade o Papa Joao XXIII(2), com o óbvio encorajamento do Cardeal Montini, que tinha sido consultor no Patriarcado de Veneza, [quando Mons. Roncalli era Cardeal...]  ao tempo em que era arcebispo de Milão. E mais, foi também o Cardeal Montini quem secretamente direcionou a política do Secretário de Estado, durante a primeira sessão do Concílio, dando as coordenadas do lugar secreto que o Papa havia preparado para ele, na famosa Torre de São João, dentro mesmo dos muros da Cidade do Vaticano
OCardeal Tisserant tinha recebido instruções formais não apenas para negociar o Acordo, mas também para supervisionar se ele estava se desenvolvendo precisamente durante o Concílio. Assim em qualquer ocasião em que um Bispo desejasse abordar a questão do Comunismo, o Cardeal intervinha, na qualidade de consultor do Presidente, para lembrar a ordem de silêncio (relativa a essa questão), de acordo com a vontade do Papa.(3)
      Fiqueiverdadeiramenteescandalizado, Sr. Editor, ao ler na Nota Textual 4 de seu Apêndice (página 13), as nove linhas, as quais, em minha opinião, são indignas de um historiador sério. O senhor realmente escreve ali: 'O Cardeal Tisserant gostava de ser um Gaulista, dos quatro costados, por princípio.' Esta afirmação é ridícula. Ninguém podia realmente ignorar que o Cardeal Tisserant era um Gaulista e dos bons(4). Primeiramente, em sendo um nativo de Lorenaetambém por razões que ele havia explicado inúmeras vezes.
 
Além do mais, durante a guerra, ele foi nomeado Capelão da Resistência e, sem intenção alguma em Roma, havia criado um autêntico grupo da Resistência, o qual incluía a pessoa de Sua Exa. Mons. Andre Julliem, então instrutor do Tribunal da Rota Romana e representante extra-oficial do General de Gaulle.(5), Mons. Fontenelle, correspondente do jornal A Cruz e Mons. Martin, pertencente ao Secretário de Estado e agora Prefeito do Palácio Apostólico, inclusive muitos outros nomes. A fim de evitar a prestação de honras militares formais ao Exercito Alemão, o Cardeal Tisserant recusou a oferta de Pio XII, não recebendo a Arquidiocese de Rheims, para onde acabou indo o Cardeal Suhard, que havia sido transferido para Paris.(6)
Esta primeira sentença de sua Nota Textual, numero 3, Senhor Editor, continua deste modo: 'nenhum descomprometimento anti-comunista (o que é muito menos certo).
Tendo colaborado com o Cardeal por 25 anos, em Roma, penso que conheço seu pensamento. Elefoi um anti-Comunistapor convicção,de ordem religiosa, filosófica e social. Eventualmente,denunciou as perseguições, quecampeavam e campeiam por trás da Cortina de Ferro. Se o senhor quiser, posso enviar a carta pastoral que ele publicou sobre esta questão. Entretanto, estou enviando ao senhor duas pequenas brochuras, em francês, sobre esse tema(7).
      Sua segunda afirmação é muito mais curta, mas eu a considero francamente abominável. O senhor ousa escrever coisas assim sobre o Cardeal Tisserant: 'Tenho sempre tido a impressão de que ele era um traiçoeiro patife'. Eu, George Roche, lendo isto de sua pena, tenho a impressão de que o senhor nunca conheceu o Cardeal. Se ele tinha defeitos, e os tinha, eu enfatizaria antes suaincapacidade para ser um impostor. Em outras palavras, nada tinha da unção eclesiástica que freqüentemente é associada à figura de um prelado da Santa Igreja Romana. Ele era um homem direto, franco, chegando ao ponto de ser brusco. Para ele, a melhor forma de diplomacia era a verdade, o avanço direto e a lealdade. Era um soldado. Como eu disse, obedecia a seus superiores. Mesmo quando as ordens emitidas escassamente correspondiam ao seu ponto de vista, mesmo quando achava estas ordens positivamente desagradáveis. Sinto-me envergonhado pelo senhor, Dr. Madiran, ao ler esta afirmação caluniadora de sua pena: 'Muito ainda podia ser dito sobre ele (Cardeal Tisserant). Em todo caso, sua presença nas negociações não garantiu inocência nem pureza de intenções'. Não, isto não é apenas uma maliciosa fofoca, é calúnia e o senhor sabe que a calúnia é uma injustiça e que toda injustiça exige uma reparação. Não, não, não. Dom Nikodim não foi enganado pelo cardeal Tisserant e o Cardeal Tisserant não foi enganado por Dom Nikodim. O senhor é quem se enganou, e muito, ao pensar que 'tudo que ele fez (O Cardeal) foi com o fito de negociar, não importando a que preço'
Nem por um instante fez o que o senhor chamou de 'desejo de negociar, não importando a que preço'; nem por um instante isto passou pela cabeça deste descomprometido filho de Lorena, que, falando do Comunismo, em 1949, assim declarou sem ambigüidade: 'Os acontecimentos na Polônia e na Hungria, seguidos pela assinatura de acordos entre bispos e respectivos governos demonstram quão fútil é acreditar na palavra de governos, que, inspirados pela filosofia Marxista, unicamente, não se lembram de manter essa mesma palavra, e consideram como legítima qualquer coisa que permita a eles o alcance de seus objetivos.'
Por outro lado, dentro do seu parênteses é que está a verdade. Obviamente, quando o senhor escreve: 'considerando tudo, penso que ele alimentou o desejo (ou recebeu ordem para isso) para negociar, não importando a que preço', nos parênteses sim, o senhor não corre nenhum risco de ter cometido um engano. Uma ou outra vez a alternativa é necessariamente verdadeira, e a outra é falsa. (8) O Cardeal tinha recebido diretrizes firmes, irrevogáveis, do próprio Papa, e o Cardeal sempre foi um homem de Fé. Ele acreditava na autoridade, obedecia a autoridade, mesmo num erro diplomático ou político. (9) Suas respeitosas e filiais observações eram feitas de maneira absolutamente direta e inteiramente as claras, para os cardeais seus colegas, bem como para os pontífices a quem lealmente servia e, em particular, a São Pio X, Bento XV, Pio XI, Pio XII, João XXIII e Paulo VI. 
Senhor editor, deixo ao senhor esta carta sem que tenha qualquer dúvida sobre o seu ponto de vista, mas ela me parece demasiadamente breve (pois muito mais ainda podia ser dito sobre o Cardeal Tisserant) mas não em tom de preconceito, num espírito caluniador como é o seu. Isso éo que espero ser capaz de dizer e escrever na biografia que estou preparando, com dificuldade, por causa do acúmulo de documentação com que venho trabalhando a mais de 10 anos

Pedido para ficar,  
Senhor, Tristemente Seu
 
Georges Roche
 

As Observações do Editorial de Jean Madiran
 

     A análise final desta carta de Mons. Roche confirma tudo e nada contradiz. Pois mesmo na versão de Mons. Roche, ainda encaramos a mesma importância; a impotência da qual o Cardeal Tisserant foi cúmplice ativo.
     
Aqui seu pronunciamento para a abertura do Vaticano II, em outubro de 1962 – que foi planejado pelo Cardeal Montini, aceito e docilmente proferido pelo Papa. João XXIII insistiu no fato de que, considerando que os Concílios anteriores tinham sofrido pressão exercida pelos poderes temporais, o Concílio que ora se iniciava, gozava de um clima de perfeita liberdade.
     
Falando desta maneira, o Papa afirmou aquilo que ele sabia ser inteiramente falso. Ele próprio aceitava uma abominável restrição da liberdade no Concílio. Havia sido pressionado por um poder temporal e tinha cedido a esta pressão de livre e espontânea vontade. Este Concílio, que se gabava de confrontar e descer às raízes dos'problemas deste tempo', estava condenado a permanecer em silêncio, com relação ao mais sério, ao mais dramático destes problemas: a continua expansão do Comunismo Soviético e sua dominação escravagista. Sem dúvida alguma, os Concílio anteriores tinham sofrido a influência ou pressão de autoridades políticas, mas esta havia sido uma pressão de Príncipes Cristãos. Emcontraste, o Vaticano II aconteceu sob a pressão.As condições, e os limites ditados pela lei do Kremlin: foiproibido reiterar os apelos da Igreja para uma mobilização geral contra o Comunismo.  
     Tal foi o exorbitante preço pago para obter a presença inútil, no Concílio, de certos 'observadores' Ortodoxos Russos, os quais estavam sob o controle da K.G.B.  
     
Mons. Roche alega que, neste assunto, o Cardeal Tisserant simplesmente cumpriu as ordens, docilmente. Mas onde a decepção e a traição estão envolvidas, a docilidade não atua como desculpa
     
Eis que, dizendo-nos que o Cardeal estava simplesmente obedecendo aos seus chefes, aos seus superiores, e que ele acreditava na autoridade, de forma alguma serve para desculpá-lo. Ele não seria desculpado, mesmo se isso fosse verdade. Além disso, nada do que foi dito é verdadeiro, e a prova quem nos dá é o próprio Mons. Roche. Ele lembra que, bem no princípio - como por exemplo, a partir de 1940 - o Cardeal Tisserant tinha fomentado a ação Gaulista dentro do Vaticano, o que foi, na realidade, uma categórica desobediência às ordens de Pio XII. 
     O Cardeal foi, todavia, capaz de desobedecer. Não soube, porém, fazer o mesmo quando devia, na hora certa.  
     
Pensando bem, ele nem tinha necessidade de desobedecer; seria suficiente simplesmente declinar da empresa, dizer a João XXIII que ele se recusava a ser o negociador em Metz, assim como soube dizer Pio XII que se negava a ser o arcebispo de Rheims.
     
Se Mons. Roche quer desculpar o seu Cardeal arvorando-se como defensor de sua probidade, isto exigira que ele mostrasse mais imaginação e de um certo modo menos incoerência.
     
Entretanto, se o Cardeal Tisserant negociou em Metz, por vontade própria ou não, isto é de importância secundária.Oque é importante é a traição em si mesma; o que é importante é o desarmamento moral da Igreja, em seu confronto com o Comunismo. Diante do Tribunal da História, isto constituíra a desonra daqueles que, de maneira autoritária, impuseram este desarmamento moral na Igreja e quem sabem, eles próprios, serem tão desonestos e desonrados, a ponto de esconder seu crime. Se, aos olhos deles, sua ação era salutar e gloriosa, deviam orgulhar-se dela e engrandecê-la. No presente momento, julho de 1984, 22 anos Após a conclusão do Acordo Vaticano-Moscou,estão ainda esperando por uma declaração do Vaticano, justificando, oficialmente, esse Acordo. Nãohá nenhuma desculpa admissível. Se houvesse, eles não teriam hesitado em lançar mão dessa justificativa em benefício de sua causa.  
     O acordo infame está ainda em vigor. O Vaticano ainda se considera prisioneiro desse Acôrdo. E a verdade acerca do Comunismo é Solzhenitsyn. Desde 1952, esta autoridade não mais pertence ao Soberano Pontífice. 
 

Jean Madiran
 

Notas

1 - Dom Nikodim nasceu em 1929. Morreu nos braços do Papa Joao Paulo I, no curso de uma audiência. 

2 - Ninguém jamais supôs que essa decisão pudesse ter sido tomada por outra pessoa que não o Papa João XXIII. 

3 - Nunca se soube ter havido nenhuma referência aberta, durante o Concilio, à 'ordem de silêncio conforme acordância com os desejos do Papa'. Esta ordem foi, de fato, imposta, através de meios oblíquos e de métodos enganadores. 
 
4 - Entretanto, a frase continha um parênteses que Mons. Roche omite. Aqui segue a sentença supressa: O Cardeal Tisserant gostava de ser considerado um Gaulista dos quatro costados (o que sem duvida alguma era) e um descomprometido anti-Comunista (o que e muito menos plausível). 

5 - Não posso acreditar que Pio XII possa ter aceitado Mons. Julien como um representante nao oficial do Gal. De Gaulle junto à Santa Se. Não estou surpreso por encontrar Mons. Fontenelle e Mons. Martin nesta célula secreta e especial do Vaticano, a qual tinha sido estabelecida em direta oposição aos desejos de Pio XII. 
 
6 - Até agora, nunca houve menção alguma de que o Arcebispo de Rheims tenha sido obrigado a dar honras militares formais a quem quer que seja. 

7 - Uma delas é datada de 1949, a outra de 1951. 
 
8 - Podiam ser ambas verdadeiras, ao mesmo tempo. Mas a afirmação não procurou adotar alternativas. Algo completamente diferente foi dito: que se havia sido possível negociar desta maneira com Moscou, foi porque verdadeiramente houve preparação para negociar não importando a que preço. É nisso que consiste o escandalo, a vergonha da traição. Isto parece nao ter sido notado por Mons. Roche.
 
9 - O Acordo Vaticano-Moscou não foi um erro diplomático ou mesmo um erro de natureza política. Foi alguma coisa inteiramente diferente. Constituiu-se em traição religiosa. Certamente, teve conseqüências políticas. Certamente, derivou de um erro de julgamento. Mas, repito: ESSENCIALMENTE ELE SE CONSTITUIU EM TRAIÇÃO RELIGIOSA e, diante do tribunal da HistÓria, ele será lembrado como a desgraça do século XX e da Santa Sé.
 

    Para citar este texto:
"Um pró stalinista no Vaticano de Pio XII?"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/historia/montini_stalinista/
Online, 26/03/2017 às 06:18:16h