Crônicas

Uma causa oculta da violência
Victor Peregrino


Um dos mitos modernos é o de que, para "crescer e realizar-se como pessoa", a mulher precisa "libertar-se" do lar e buscar uma atividade profissional externa, competindo com o homem no mercado de trabalho "de igual para igual". Embora se trate de uma falácia que não resiste à análise, o fato é que a mentalidade e o comportamento sociais já sofreram um desvio irreversível nessa direção. Hoje em dia, em vez de o trabalho do homem bastar para o sustento da família, a necessidade impõe, para maioria, também o concurso da mulher.

Os resultados são evidentes nas estatísticas referentes à saúde feminina. A mulher compete "de igual para igual" com o homem nos fatores de óbito: a doença coronariana e o câncer, estatisticamente irrelevantes há uma ou duas gerações, já são as mais importantes causas de mortalidade entre as mulheres, que, não por acaso, também se tornaram grandes consumidoras de álcool, fumo e psicofármacos.

Outra conseqüência menos evidente da ausência feminina do lar é a crescente violência social, de cujos motivos dão-se a toda hora as mais disparatadas justificativas. É claro que a escalada da violência é um fenômeno complexo, cuja explicação não pode esgotar-se numa causa única, mas é curioso que uma concausa tão básica não seja sequer mencionada.

Uma pesquisa noticiada recentemente concluiu que, estatisticamente, as crianças criadas em creches têm maior predisposição à violência que as que crescem em contato permanente com a mãe, numa proporção de cinco para um. E isto independentemente da classe social das crianças envolvidas ou da qualidade da creche investigada, o que, por outro lado, desnuda uma outra falácia moderna - a de que são a pobreza e a falta de escola que causam a violência.

As crianças deixadas desde cedo em creches, para que as mães possam trabalhar, são privadas em tenra idade de "nutrientes" essenciais: o conforto da presença e a segurança do amor materno, jamais providos a contento por substitutas muitas vezes mercenárias.

Submetidas precocemente a uma socialização forçada, que as obriga a competir por atenção e cuidados com inúmeros outros indivíduos, o resultado, ainda segundo a mesma pesquisa, é que se tornam ansiosas, inseguras, ávidas da satisfação imediata de seus desejos, e agressivas para com os demais.

Outra conseqüência, esta ausente das conclusões da investigação, é que, no ambiente massificado da creche, a criança deixa de receber o influxo de valores morais que só podem ser transmitidos no seio da família.

Isto leva a refletir se seria possível encontrar para a mulher, no mundo das profissões, papel mais digno e gratificante do que o de formar seres humanos psicologicamente normais e moralmente sãos.

SP, 21/04/2001


    Para citar este texto:
"Uma causa oculta da violência"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/cronicas/violencia/
Online, 24/10/2017 às 01:57:31h