Crônicas

Uma pérola encontrada em Roma
Orlando Fedeli

 
Lê-se, no Evangelho, que o Reino dos Céus é semelhante a um homem que encontrou uma pérola de alto valor, e que, para adquiri-la, vendeu tudo o que tinha, e trocou tudo o que possuia, para adquirir aquela pérola. Pois toda a riqueza do mundo deve ser abandonada para se ter o Reino dos Céus.
 
Tal me veio à mente, quando, em Roma encontrei no mar de Livros de uma livraria,--na Via della “Capitulazione”--, uma pérola de altissimo valor sapiencial, ao preço de 100 euros. Comparados ao valor da “pérola”, os 100 euros eram nada. Comparados ao que tinha comigo, eram uma fortuna.
Comprei a “pérola”.
 
Essa pérola se me apresentou sob a forma de uma obra em dois volumes: os Sermões de São Gregório Magno, Papa, Santo e Doutor da Igreja. Um dos maiores mestres da exegese católica.(Grégoire, le Grand, Homélies sur l’Évangile, Editions du Cerf, Paris, 2005).
 
E que tesouros há nessa “pérola”.
Hoje, quero dar aos leitores do site Montfort a alegria de poder receber o que esse santo e “instruído escriba” da Santa Igreja, São Gregório Magno, as coisas velhas e novas que ele tira do seu tesouro.
Coisas velhas sempre novas. Coisas novas que jamais envelhecem. As verdades do Novo Testamento e do Velho.
 
Comecemos, hoje, então, explicando o que me ensinou São Gregório, em seus sermões, sobre o Evamgelho que fala dos talentos distribuidos por um senhor a seus servos.
Trata-se de um trecho do Evangelho de São Mateus (MT. XXV,14-30), particularmente destestado pelos teólogos da Libertação. São Gregório expôs esse evangelho em 31 de Dezembro de 590, por ocasião da Festa de São Silvestre, Papa, na Basílica desse santo Papa romano.
E por que a parábola de Cristo exposta nesse evangelho é particualrmente odiada por liberais e por “Teólogos da  Escravidão”, que se dizem da Libertação?
Simplesmente porque, nela, Cristo mostra que Deus não trata igualmente a todos os homens, mas, dando a todos a graça suficiente, dá a alguns mais do que a outros. E depois, para piorar o molho para os Teólogos da Escravidão marxista, ainda  cobra juros do que lhes confiou.
Juros !!!.
Pois isto diz a Sabedoria Encaranda, Jesus Cristo:      
“In illo tempore, disse Jesus a seus discípulos esta parábola:
Um homem, partindo para o estrangeiro, chamou seus servidores lhes entregou seus bens. A um deles ele deu cinco talentos, a outro dois,  a um terceiro um, conforma a capacidade de cada um, e logo ele partiu.
O que tinha recebeuido cinco talentos, foi os fez render ganhando outros cinco talentos. Do mesmo modo, o que tinha recebido dois talentos ganhou outros dois. Mas o que tinha recebido um só talento foi cavar um buraco na terra e ai scondeu o dinheiro de seu senhor.
Muito tempo depois, o senhor desses servos chegou e fez suas contas com eles.
O que tinha recebido cinco talentos se aproximou e apresentou os cinco talentos que recebera e mais outros cinco talentos, dizendo: “Mestre, tu me tinhas dado cinco talentos, eis que com eles ganhei mais outros cinco”. Seu mestre lhe disse: “Está bem servo bom e fiel, pois que foste fiel no pouco, eu te estabelecerei sobre muito; entra na alegria de teu senhor”.
O que tinha recebido dois talentos se aproximou e disse: “Mestre, tu me tinhas entregue dois talentos, eis que ganhei dois outros mais”. Seu senhor lhe disse: “Está bem, bom e fiel servidor, pois que foste fiel no pouco, eu te estabelecerei sobre muito; entra na alegria de teu senhor”.
Mas aquele que tinha recebido um só talento, aproximou-se e disse: “Mestre, eu sei que tu és um homem duro, tu colhes onde não semeaste. Tomado de medo, fui esconder teu talento na terra. Eis, tu tens aqui o que te pertence”. O senhor lhe respondeu: “Servo mau e preguiçoso, tu sabias que eu recolho o que não semeei; ser-te-ia $preciso confiar meu dinheiro aos banqueiros; quando de minha volta eu teria recuperado meu bem com juros. Tirai-lhe pois seu talento e dai-o àquele que tem dez. Porque àquele que tem será dado em abundância; a quem não tem, ser-lhe-á tirado até mesmo o que ele parece ter. E esse servo inutil, lançai-o nas trevas exteriores; lá haverá pranto e ranger de dentes” (Mt. XXV, 14 -30).
 
                                        ***
Claro que, para a Teologia da Libertação, que prega a igualdade revolucionaria diante de Deus, essa parábola é dura de roer. Pois nela fica patente que Deus dá talentos—graças sobrenaturais e valores naturais-- desigualmente aos homens. Portanto, por essa parábola fica condenado o primeiro artigo da Declaração dos Direitos do Homem  e do Cidadão, redigido nas lojas maçônicas de Paris, e que afirma que todos os homens nascem iguais.
Falso.
Nascemos com desigualdade de talentos e de graças, das quais Deus nos pedirá contas, um dia.
Mais ainda, Deus aceita e quer juros dos talentos que nos deu, isto é, Ele quer que façamos frutificar os bens naturais e as graças sobrenaturais que Ele nos dá.  Obtemos “juros” dos talentos que Deus nos concedeu de duas maneiras: a primeira é fazendo frutificar em nós mesmos os valores naturais, quando bem aplicamos esses valores à prática das virtudes sobrenaturais. E uma segunda maneira é comunicando o bem que temos sobre a verdade natural e sobre a verdades da Fé, quando ensinamos o que sabemos de ciência e de doutrina católica a outros que podem produzir bons frutos sobrenaturais. Assim, os nossos “banqueiros”, que nos rendem “juros” espirituais, são as pessoas de boa vontade que bem aproveitam nossos ensinamentos, produzindo, com a graça de Deus, frutos espirituais de vida eterna. Essa é a explicação dada por São Gregório o Grande sobre os “banqueiros” e os “juros” que eles nos pagam.
 
E o servo mau parece bem ser da Teologia da Libertação, pois que ele acusa Deus de duas coisas:
1a de ser duro;
2a  de colher onde não semeou.
 
Isto é, de ser como um homem que cobra juros sobre o que confiou.
 
Vejamos, agora, mais a fundo e com mais pormenores, como São Gregório, o Grande, comentou essa parábola.
 
Ele começa nos explicando que significam os talentos dados aos servos. E diz que os cinco talentos representam o conhecimento da lei natural dado aos pagãos. Os dois talentos representam o Antigo e o novo Testamento, dado aos que creram em sua doutrina, enquanto o talento único significa o Antigo Testamento, dado aos judeus.
 
Os pagãos, que foram fiéis ao conhecimento da reta razão, obtido através dos cinco sentidos exteriores, depois, em recompensa pela sua fidelidade à verdade natural que compreenderam, foi-lhes dado muito mais conhecimento: receberam a Fé e a Lei, pois acabaram recebendo os dez talentos—os dez mandamentos-- por meio da pregação apostólica, especialmente de São Paulo.
Os judeus, que enterraram o seu talento, isto é, tiveram um entendimento somente literal, humano, terreno da verdade revelada, a eles, foi-lhes tirado o que haviam recebido, pois quiseram um reino na terra, já que haviam enterrado o seu talento.  Eles que eram tão ciosos da lei, nós o sabemos hoje, acabaram defendendo apenas uma prática material da lei, e, no final, pela Cabala, terminaram por defender a santidade do pecado.
Os pagãos acabaram por receber o talento que fora dado aos judeus, que perderam  até o que pensavam ter. Porque, “quem quiser salvar a sua vida, perde-la-á” (Marcos, VIII, 35).
 
Enquanto os cristãos são figurados na parábola pelos que receberam dois talentos: o Antigo e o Novo Testamento, a verdade revelada por Deus, e a sua Lei. A Fé para a inteligência, a moral para a vontade. E fizeram frutificar estes dois talentos, em frutos de boas obras, e em apostolado, convertendo a muitos.
 
São Gregório explica então que os cinco talentos dados ao primeiro servo, representam os cinco sentidos exteriores que nos permitem aceder ao conhecimento da realidade, e portanto, ao conhecimento da verdade natural. De fato, os pagãos, especialmente os gregos e romanos, aproveitaram bem o conhecimento alcançável naturalmente, e deram ao mundo a Filosofia, a Arte e o Direito.
 
Convém, aqui, fazer uma rápida digressão entre os cinco talentos e os cinco sentidos do corpo humano.
 
Os pensadores medievais, entre eles os chamados victorinos, mostram que os sentidos exteriores (vista, ouvido, olfato, paladar e tato) destinam-se à manutenção da vida natural. Ora,  a vida natural pode ter três graus ou significados.
A vida natural mais elevada que podemos ter é a vida racional inteletiva. Depois, é a vida física. E finalmente temos a vida da espécie humana. Essas três vidas precisamos conservar e fazer frutificar.
 
Para a manutenção da vida inteletiva, Deus nos deu especialmente dois sentidos, que nos transmitem o conhecimento da realidade exterior a nós: a visão e a audição. E por que a vida inteletiva é a mais elevada - segundo o ponto de vista natural--, vista e ouvido foram postos por Deus no mais alto da cabeça humana. Vista e ouvido nos permitem melhor aceder ao conhecimento da realidade. Por isso, depois da loucura, o pior defeito físico é a cegueira. E só depois vem a surdez.
A visão nos dá o conhecimento direto da realidade natural. A audição nos permite conhecer o testemunho de outrem, que nos informa e nos ensina. Ora, como a Fé é uma forma de conhecimento superior, à qual temos acesso por ouvir o testemunho – a revelação—testemunhada por Deus, a audição tem papel mais importante no conhecimento sobrenatural do que a vista. Por isso, Jesus disse a Tomé: “Tu creste, Tomé porque viste. Bem aventurados aqueles que não viram e creram”(Jo. XX, 29)
Daí, que Deus, no Antigo Testamento, não pediu ao povo de Israel que visse, mas que escutasse, pois lhe disse: “Escuta, Israel”--  “Shema Israel”.
E no Novo Testamento, Jesus mandou que os Apóstolos ensinassem, e não que imprimissem Bíblias para serem lidas com os olhos, pois que a letra mata. Disse Jesus: “Ide e ensinai” (Mt XXVII, 19) e não “Ide e imprimi”. Com também não disse de modo algum, “Ide e dialogai”, como pretendeu o Vaticano II.
Porque o ouvido é a “boca” da alma. “Boca” pela qual a alma se alimenta da Fé, já que “nem só de pão vive o homem”. E isto prova como erram os protestantes querendo obter a fé pela letra, lida pelos olhos.
 
Os dois sentidos que vem logo depois da visão e da audição são o olfato e o paladar, destinados à manutenção da vida física. Esta é inferior à vida intelectiva. E, por isso, nariz e boca são postos, na cabeça humana, abaixo da vista e do ouvido.
O olfato é um sentido que está posto num orgão—o nariz—colocado imediatamente acima da boca, para que possa vigiar se os alimentos estão deteriorados, ou não, a fim de que a alimentação nos sustente a vida, e não nos traga doença e morte.
Pelo olfato, nosso apetite de comer é aguçado. Daí que o olfato simboliza o apetite pelas coisas inteletuais e saudáveis que alimentem nossa Fé e nossa ciência.
O paladar está colocado na boca. Esta nos serve para receber alimentos que nos conservam a vida física, e—superiormente – para falar, comunicando a verdade que conhecemos,a ssim como informações e ciência natural aos outros. Por que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt. IV, 4).
O tato é o sentido mais material, que nos dá um conheciemnto muito limitado dos acidentes das coisas existentes. Ele está espalhado por todo o corpo, e serve especialmente para a reprodução, visando a perpetuação da espécie humana. É o sentido mais carnal e menos inteletivo, e assim, é o que ficou mais prejudicado pelo pecado original.
 
Esses cinco sentidos exteriores servem aos sentidos interiores ( senso comum, imaginação, memória e cogitativa). Os quais servem diretamente o inteleto, conhecedor da verdade.
O pior dos males naturais é a perda da inteligência por uma doença nervosa ou mental qualquer. Depois da loucura – cegueira da mente—o pior defeito é a cegueira física. A seguir, vem a surdez. a mudez, a paralisia, a lepra (que não permite sentir) e a morte física.
Essas doenças e defeitos são também símbolos de vícios morais. Assim, a cegueira é símbolo dos que recusam ver a verdade, ou a ignoram. E há então uma ceguira voluntária – que pode chegar a ser pecado contra o Espírito Santo --  e uma cegueira involuntária, ou natural, que representa a ignorância.
 
Cegos voluntários foram, por exemplo, os fariseus, que vendo a Cristo, Verdade encarnada, recusavam aceitar as verdades que Ele ensinava. Por isso, Nosso Senhor os chamou de “cegos e guias de cegos” (Mat XV, 14).
“Malditos sejais vós, condutores cegos”(Mt.XXIII. 16).
E o Deuteronômio já condenara aqueles que ocultavam a verdade aos ignorantes, ou lhes ensinavam a mentira, dizendo: “Maldito o que faz um cego errar no caminho” (Deut XXVII , 18).
 No Antigo Testamento, fora dito que os cegos e os coxos, não podiam aceder ao ministério sacerdotal, porque, a cegueira simbolizava o deconheciemnto da verdade, e o coxear, e a paralisia, representavam aquele que era incapaz de se mover no caminho do bem, ou que nele caminhava mal. Simbolizava aquele que não ensinava e não dava exemplo de caminhar na via da virtude, fazendo boas obras, que são os dois deveres fundamentais do padre no Novo Testamento: ensinar a verdade e dar dar exemplod e virtude. E os coxos representavam aqueles que claudicavam na virtude.  Por isso, Santo Elias increpamdo os judeus que haviam aceitado o culto de Baal, lhes gritou: “Até quando claudicareis vós para dois lados [na presença de Deus]? Se o Senhor é Deus, segui o Senhor. Se Baal é deus, segui a Baal.”(I Livro dos Reis, XVIII, 21).
Portanto, o vício capital simbolizado pelos paralíticos é a preguiça, enquanto os coxos representam os que são instaveis no culto a Deus.
Por isso foi ensinado no Antigo Testamento:
O cego e o coxo não acederão aos ministérios no Templo (Lev. XXI, 18).  “E foi dito num provérbio: o cego e o aleijado não entrarão no templo”. Isto é, o que desconhece a verdade, ou o herege que nega a verdade ou recusa vê-la – os cegos espiritualmente—, assim como os aleijados, os que claudicam na virtude, não entrarão no Templo, não serão sacerdotes, e não entrarão no céu.
Mas, no Novo Testamento, está dito: “Os cegos e os aleijados subiram ao Templo e Jesus os curou” (Mt., XXI, 14). Porque Jesus Redentor veio curar os cegos – os que não viam a verdade, e os coxos, -- os que a praticavam mal a virtude, ou não a praticavam senão temporariamente.
E os fariseus se zangaram com Jesus, porque Ele curava os cegos e os coxos.
 
A surdez física é símbolo da surdez espiritual, pecado daquele que não quer ouvir. A mudez é símbolo daquele que recusa ensinar a verdade, que recusa confessar e defender o bem e a virtude. Por isso, Jesus curou um homem que lhe foi trazido posseso de um demônio que o fazia cego e mudo, e Jesus expulsou esse demõnio fazendo o cego ver e o mudo falar. ( Mt. XII, 22). Porque aquele que conhece a verdade é obrigado a ensina-la e a não se calar. E no Evangelho de São Marcos se nos diz que Jesus expulsou um demônio de uma criança surda e muda dizendo: “Espírito surdo e mudo, Eu te ordeno, sai dele, e não entres mais nele” (Marc. IX, 24). Porque há surdez e mudez diabólicas.
Dissemos que o olfato é um sentido que nos favorece o apetite e o paladar. Essa apetência de comida que o olfato causa, simboliza o interesse pelo conhecimento da verdade, visto que “não só de pão vive o homem , mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt., IV, 4).
Exemplo de pessoa que não mostrou apetência por um conhecimento maior da verdade foi o moço rico, que recusou negar-se a si mesmo, dar tudo o que tinha, tomar a sua cruz e seguir a Nosso Senhor.
 
O corrupção do tato é efeito da lepra, e simboliza corrupção da carne, a luxúria.
 
Ora, quando  São João mandou seus discípulos oerguntarem se Jesus era o Messias,-- e São João já o tinha apontado como o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo – Nosso Senhor disse a esses discípulos incr
edulos de São João “Ide dizer a João o que ouvistes e que vistes: os cegos vêem. Os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados” (Mt., XI,4).
 A parábola dos talentos, pois, como a explana São Gregório, serviu para Nosso Senhor mostrar aos judeus que, se eles não O aceitassem como Redentor, o talento que eles tinham recebido de Deus lhes seria tirado e dado aos gentios, que seguindo a lei Natural conhecida através dos sentidos e da razão natural, foram capazes de aceder ao nivel espiritual, acabando por receber a Boa Nova do Evangelho, completando os cinco taelntos com mais cinco , isto é, recebendo os dez talentos, a perfeição da lei resumida nos dez mandamentos. Enquanto isso, os judeus, por terem enterrado o único talento que haviam recebido, por fazerem uma interpretação terrena do Reino de Deus, nada produziram espiritualmente. E porque foram voluntariamnete cegos à luz de Cristo – Verdade divina—ficaram sem a comprennsão do valor do talento que  haviam recebido, passando a interpretar o Antigo Testamento de modo somente terreno, material. Foram mortos pela letra, e se tonaram cegos ao meio dia, como foi escrito nas maldições lançadas por Moisés contra os judeus, caso fossem infiéis, como de fato o foram: “Fira-te o Senhor Deus de loucura e por cegueira e com furor de mente e tateies ao meio dia como costuma tatear o cego nas trevas, e não sejas capaz de dirigir os teus passos” (Deut. , XXVIII, 28).
Vae, coecis mentis.
 
Malditos, pois, os que, por culpa própria, são cegos de mente, por recusarem a luz da Verdade.
 
São Paulo, 18 de Maio de 2009.
Orlando Fedeli.

    Para citar este texto:
"Uma pérola encontrada em Roma"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/cronicas/parabola-encontrada-roma/
Online, 23/09/2017 às 13:33:33h