Crônicas

Bom Natal
Orlando Fedeli

É costume cumprimentar a todos, nestes dias de fim de Dezembro, desejando votos de santo Natal. É o que a Montfort quer desejar a todos os seus leitores, a todos os seus amigos e até aos que se mostram a ela bem avessos.
Bom Natal.
Um santo Natal.
Que todos, indo espiritualmente à gruta de Belém, levem o que têm de melhor ao Menino Jesus: suas almas e seus corações.
Assim como os pastores e os Reis foram a Belém ver o “Esperado das Nações”, cada um levando o que de melhor tinha, assim façamos nós o mesmo.
 
***
 
Uma velha canção inglesa conta um belo fato imaginário.
Um menino pobre de Belém, vendo os pastores irem à gruta, cada um levando presentes a Jesus, também quis ir até lá, adorar o Redentor do Mundo, o Rei dos céus nascido num cocho. Ver o Deus onipotente feito Menino. Ver o Verbo de Deus, sabendo apenas vagir, enquanto fazia os anjos cantarem. Contemplar aquele que move as estrelas, por amor de nós, tornado incapaz de caminhar. Jesus, nascido de mulher, filho de Maria, para provar que era de fato um homem. Nascido de uma Virgem, para provar que era Deus. Deus conosco.
O menino pobre da canção nada tinha para oferecer ao Menino Jesus. Ele tinha só um tamborzinho e seu coração inocente.
Decidiu então ir também à gruta, embora sem nada para dar.
Foi.
Levava o seu tamborzinho, e cogitando, prometia a si mesmo: “I play my best for Him. Pan – pan-pan paran-pan-pan-pan”... (Tocarei o melhor que posso para Ele). Para alegrá-lo. Para Lhe mostrar como pulsa e vibra meu coração.
I will play my best for Him”.
Foi.
E tocou o seu pobre e simples tamborzinho.
Do melhor modo que podia.
Então, -- prêmio inefável — ele viu o Menino Jesus volver os olhos para ele e sorrir. Sorrir para ele e interessado, sorrir também para o seu tamborzinho.
Como Deus, Jesus sorria para o menino que lhe levava o seu coração. Como Menino, interessado, sorriu para o tamborzinho. Como se quisesse, também Ele, brincar e tocar, por um momento, o pobre tamborzinho...
Pan! Paranpanpan!...
                                        
***

Nesta festa de Natal, a Montfort também quer ir a Belém ver e adorar o Deus Menino.
Temos tão pouco a Lhe oferecer...
Quase nada.
Levamos ao Menino Jesus, nossas misérias. Nossos corações, nosso amor e gratidão, nossas cartas, nossos artigos. Nossos combates pela Igreja. Nosso apostolado. Nossas dores. Essas, sim, muitas. E profundas. Nossa miséria, essa, sim, imensa.
Levamos conosco os Amigos, que querem ir conosco, adorar o menino Jesus nos braços de Maria. Ver a Verdade entre os braços da Virgem Maria, nossa mãe e nossa rainha.
Ir até Belém ver o Menino Jesus, no presépio.
Nada temos a oferecer. A Jesus levamos nossa vontade desejosa de defender a Verdade. Levamos para Ele nosso espírito de combate, nossa espada velha e marcada por tantos sofridos golpes. Levamos a Montfort.
Como o menino da canção inglesa levamos o pouco que temos. Quase nada... A Montfort, nosso tamborzinho. Pan! Paran-pan-pam...
Sim, nosso tamborzinho...
 
Pois a Montfort é um pequeno, bem pequeno e pobre, tambor, que quer, quanto mais duros golpes levar, mais claro e forte fazer ressoar seu clamor.
 
Nosso tamborzinho com seu rufar alegre e combativo, esperando e almejando a vitória.
Ao Menino Jesus, nascido no desprezo e na miséria de uma cocheira, na pobreza do presépio, na solidão e frio do Dezembro palestino, levamos o nosso coração e nosso tamborzinho.
Pan, param, pan pan pam, bate nosso coração.
Pan, param, pan pan pam bate nosso tamborzinho de guerra, festivamente.
Para agradar o Menino em seu cocho, em sua solidão e pobreza.
Para alegrá-Lo, em sua dor, no desprezo, e na humilhação inigualável do Rei dos Céus, nascido num cocho. Entre dois animais.
Levamos ao Deus Menino a nossa humilhação, e o desprezo que nos vota todo o mundo moderno.
No presépio, encontramos Nossa Senhora em seu grande júbilo, contemplando — Visível -- o Verbo de Deus invisível, seu Filho. O Filho de Deus feito Homem.
Contemplamos Maria Santíssima com uma espada de dor em seu Coração Imaculado, vendo o abandono e o desprezo do Esperado das Nações, o Redentor do Mundo, esse Deus Menino, envolto em pobres panos, nascido no desprezo. E, sabendo Ela que Ele, um dia, caminharia para a Cruz, no Calvário, em meio a ultrajes e escarros, ofensas e golpes. E antecipadamente tinha Ela já a espada da dor atravessando seu Coração Imaculado.
Em meio à ingratidão infinita dos homens, lá estava o Redentor do mundo. Nu. O Esperado das Nações, a glória de Israel, abandonado. Com estaria futuramente nu, no Calvário. Abandonado. Desprezado. A vergonha dos judeus e a abjeção do mundo.
Como hoje...
 
***
 
Hoje, é a Igreja Católica que está sendo crucificada. É o Papa que, quando defende a doutrina de sempre, é crucificado e abandonado, ficando praticamente só em Roma. É o doce Cristo na terra, que querem crucificar como fizeram com Cristo.
 
Hoje, a Montfort, no desprezo e na alegria, na dor e na expectação da vitória, leva ao Menino Jesus em Belém, sua própria humilhação, seu abandono e suas alegrias, seu canto e suas polêmicas, o que somos e o que temos.
Somos quase nada.  
Somos poucos.
E temos pouco.
Temos um coração católico, capaz de pulsar de amor e de entusiasmo combativo. Pan, pan pan, param pan pam...
Levamos ao Menino Jesus o nosso pouco, o nosso tamborzinho de guerra, a Montfort, que vibra e pulsa como nosso coração.
E prometemos que tocaremos nosso pobre e já velho tambor do melhor modo que soubermos: Pan, pan-pan, param-pam-pam.
I play my best for Him Pan, pan-pan, param-pam-pam
My best for Him... paranpampanpam.
Com a esperança de que um dia, que não está longe, Ele olhe para nós com um sorriso divino. Um sorriso para a Montfort. E um sorriso de Menino também para o nosso tamborzinho.
Que Ele olhe para todos nós em sua misericórdia
Que Ele sorria, como Menino, em sua bondade, para o tamborzinho que tocamos.
Smiling for me and my drum
And my drum.
I will play may best for Him !
My best for Him: a Montfort
Pan, pan-pan, param-pam-pam.
A Montfort. Um tambor. Tocando só para o Menino.
Para o Menino Jesus sorrir.
 
***
 
Um santo Natal a todos.
In Corde Jesu semper,
Orlando Fedeli

    Para citar este texto:
"Bom Natal"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/cronicas/natal_2007/
Online, 21/08/2017 às 20:55:05h