Crônicas

Saudação de Natal 2003
Orlando Fedeli


Natal!

Quando os anjos convocam todos a se dirigirem à gruta de Belém, também nós, do site Montfort, vamos até lá, esperando encontrar misericórdia e apoio.

Todos levam presentes. Todos levam o que têm de melhor para o Menino Deus nascido num estábulo, e para a sua Mãe Santíssima, a Sempre Virgem Maria.

Os pastores levaram suas ovelhas. Os Reis levaram ouro, incenso e mirra.

Nós da Montfort, que poderemos levar ao Deus Menino?

Nós não temos nada a apresentar. Não temos ovelhas. Não temos incenso nem mirra. E não temos ouro.

Para Deus, que poderemos levar senão as milhares de cartas que recebemos e que respondemos neste ano de 2.003?

Certamente, o Menino Jesus não as poderá ler.

Mas, como Deus tudo conhece, como Sabedoria infinita encarnada nesse Menino que sorri na manjedoura, ele saberá lê-las no âmago dos corações daqueles que as escreveram. Sim, como Deus infinito, Ele poderá ler essas cartas.

Aí estão, pois, ó Deus Menino, essas cartas que Vos entregamos pelas mãos de Maria Santíssima. Nelas se expressam as almas tão abandonadas na estrada de Jericó de nossos tempos pós-conciliares.

Desgraçadamente, sacerdotes e levitas, entusiastas do Vaticano II e de sua Nova Teologia Modernista, descem apressados para Jericó, falando de Direitos do Homem, de Liberdade e de Ecumenismo, de promoção do Homem, deixando o homem — o próximo que está junto deles – caído na estrada da História, sem doutrina, sem consolo sobrenatural, com fome e sede da verdade.

Porque para esses levitas e sacerdotes, para esses novos teólogos, escribas dos novos tempos modernistas, só importa o Homem!

E lá descem eles para Jericó, para buscar nas águas do Mar Morto, as fábulas com que pretendem dessedentar e dar vida ao Homem.

Dar vida com as águas do Mar da Morte.

Aí estão, ó Deus Menino, envolto em pobres panos, as cartas que recebemos e que respondemos, visando a vossa glória. Porque o amor nos moveu e nos fez falar.

Muitas dessas pobres cartas estão cheias de dúvidas. Algumas cheias de ódio.

As dúvidas, esclarecei. O ódio, perdoai.

A grande maioria foi escrita em busca da Fé, em busca do fogo que Vós trouxestes à Terra, e que quereis que arda.

Às que não têm fé, dai a luz da vossa verdade.

Às que pedem ajuda, concedei apoio.

Às desesperadas dai esperança.

Para todos os que as redigiram, fazei brilhar a luz de Roma, a fim de que aqueles que habitam nas trevas da morte modernista, para eles, refulja uma grande luz.

Para todos nós, da Montfort, dai-nos constância e fortaleza.

E para aquele que vos traz essas cartas, Senhor, concedei a vossa misericórdia. E se possível, que vejamos essa Vossa misericórdia, na conversão de muitas almas.

Da mihi animas et coetaera tolle.

Dai-me almas, e tirai-me tudo o mais.

Inclusive tirai-me a vida, se esse for o preço para ver ressurgir no rosto de Maria, Vossa Mãe Santíssima, o sorriso primeiro que Ela Vos dirigiu ao Vos adorar nascido na manjedoura de Belém.

Ah! Pudesse eu, com minhas cartas, ver nascer de novo, em teu rosto, ó Maria, o teu sorriso!

As almas que me permitistes recolher, caídas na estrada de Jericó, são essas almas que Vos trago, hoje, nestas cartas, ó meu Deus, e por causa delas tende piedade de mim, pecador, que contrito vos adoro na gruta de Belém.

Natal de 2003
Orlando Fedeli


    Para citar este texto:
"Saudação de Natal 2003"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/cronicas/natal2003/
Online, 21/08/2017 às 20:54:04h