Crônicas

Hodie Christus natus est - mensagem de Natal 2010
Eder Silva

25 de dezembro de 2010 Estimados amigos,
Salve Maria!

     É chegado mais um santo Natal.
     Natal do Menino Jesus. Do Pão vivo que desceu do Céu.
   

 

Venite adoremus. Hodie Christus natus est.

     Nasceu na terra Aquele que os anjos adoram no Céu. 
     O Verbo se fez carne. Et Verbum caro factum est.
     Desceu de seu trono celeste para deitar-se sobre uma manjedoura. Para o Rei dos Céus, não havia lugar na estalagem.
     Veio ao que era seu, mas os seus, os judeus, não O receberam (S. João I, 11).
     Cegos ao meio dia, o povo eleito não reconheceu seu Messias. E num brado infame – crucifica-o! – condenaram-No à morte. Morte de Cruz...   

     Hoje não é diferente. 

     Quantos ingratos renunciam ao Menino Deus que se imola no monte calvário da Missa por nossos pecados, para saciar-se com os prazeres do mundo?
     Quantos mantêm cerrada a estalagem de suas almas para a Luz de Deus, preferindo o domínio das trevas do pecado?
     Infelizmente, não poucos se comportam como filhos da sinagoga que não amou Nosso Senhor. Sinagoga que não adorou o Verbo de Deus.
     Embora por muitos desprezado, nós, filhos da verdadeira Igreja de Cristo que adora o Verbo encarnado na Hóstia consagrada, podemos amá-Lo e adorá-Lo verdadeiramente em cada Missa.
     E graças ao Bom Deus, nosso humilde apostolado se mantém firme – cum Petrus et sub Petrus – na defesa da Fé.
     É verdade que o demônio não cessa de tentar destruir todo bom apostolado. Conosco não foi diferente. A serpente astuta, auxiliada por sua descendência, perscruta noite e dia; lança seu veneno, a fim de confundir as almas com seu bote traiçoeiro.
     O Diabo é o pai da escuridão.
     E quantas vezes somos tentados em nossas certezas para abraçarmos a incerteza e a contradição? Quantas vezes o vento da dúvida, soprado pelo Diabo, bate na brisa de nossa alma? Quantas vezes cogitamos abandonar nossas espadas e dar as costas para Deus? Ora, se o Filho Unigênito de Deus foi tentado, por que nós não seríamos?
     À espreita, o leão está sempre pronto a nos devorar.
     Se as tentações insistem em nos derrubar, o leão a nos devorar, lembremo-nos que pertencemos a uma descendência santa. Somos filhos da Mulher que esmagou a cabeça da serpente. Da Virgem Santíssima que nos deu e continua a nos dar o Menino Jesus, Redentor dos homens.

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     Embora indignos, muitas foram as graças recebidas nestes seis anos de apostolado.
     Tivemos perdas, algumas amargas, mas tivemos também grandes vitórias.
     Lembro-me de nossos primeiros combates. Éramos poucos e sem grandes argumentos. Porém, o número não nos intimidou. A sede de defender a Deus e sua Igreja sempre nos inflamou.
     Veio o primeiro combate: o aborto. O monstro do paganismo em pleno século das “luzes”. Com tanto “progresso”, o mundo se inclina para a barbárie do assassinato de crianças.
     Unidos a outros grupos, mormente à Montfort, nos armamos para nossa primeira guerra. Nossa primeira batalha como filhos da Mulher, contra a descendência da serpente. 
     Com a graça de Deus e auxílio de Nossa Senhora – Auxilium cristianorum – combatemos esse monstro cátaro e perverso.
     Sabíamos que a pertinácia do demônio é insaciável e que, portanto, novos combates viriam. 
     Nesse ínterim, novas graças recebemos. 
     Deus, que recompensa o bem e reprova o mal, nos premiou com novas almas abrasadas pelo fogo da verdadeira fé.
     Nossa pequena barquinha recebia novos marinheiros, prontos a remarem conosco nesse mar impetuoso que vez ou outra tenta nos engolir.
     Se outrora perdemos amigos, desta vez Deus nos concedia preciosos tesouros. Amigos que estão unidos não só pela estima, mas, sobretudo, pelo tesouro da Fé.
     Como filhos de Nossa Senhora, continuamos remando em nossa pequena barquinha.
     O inimigo quis nos afundar, porém mesmo sob forte tempestade e, ainda que alguns, por medo ou covardia, abandonassem nossa pequena barquinha, continuamos firmes a remar e lutar. 

     Nossa Senhora é nossa guia.

     O que seria de nossa barquinha nesse mar violento, sem a Stella matutina chamada Virgem Maria? Uma barquinha, num mar que estremece até mesmo a Grande Barca de Pedro, seria engolida como um pequeno grãozinho de areia. Sozinhos, já teríamos naufragado.

     Mas Nossa Senhora é nossa guia.

     Findado o tempo de paz, eis que estoura nova guerra.
     Um pretenso “Picasso” blasfemador surge em pleno Mato Grosso do Sul. Nas mãos perversas desse pseudo-artista, artes sacras foram transformadas em objetos de “protesto”, desfigurando de modo sacrílego os ícones sagrados do catolicismo.
     Os Sacratíssimos Corações de Jesus e de Nossa Senhora foram substituídos por latinhas de um refrigerante. Uma blasfêmia terrível!
     Preparamos nossa defesa católica. Não poderíamos ficar inertes perante grave ofensa a Nosso Senhor e sua mãe Santíssima. Combatemos!
     Colhemos assinaturas para ao menos impedir essa exposição diabólica. De nada adiantou. A deusa liberdade imperou e o culto ao pecado triunfou.
     Embora derrotados, lutamos bravamente defendendo a honra de Deus e da Virgem Maria.
     Derrota com honra! 
     Passada essa amarga derrota, nem esperávamos a grande vitória que estaria por vir. Uma vitória para consolo de nossas almas, que Deus concedeu não só a nós, mas a toda a Igreja. Em julho de 2007 foi anunciada a liberação da Missa de Sempre.

     Festa! Alegria! Uma vitória da Igreja contra o modernismo! 
     Um Papa que, outrora no Concílio VAticano II, perito de Cardeal progressista, proclama valentemente o retorno da Missa Tridentina!
     Deus seja louvado! Aquela que diziam estar morta renasceu!

     Viva o Papa! Mil vezes, Viva o Papa!

     Nossa pequena barquinha se encheu de alegria! Vibramos por essa imensurável vitória. Munidos com o Motu Proprio Summorum Pontificum, tratamos de divulgar esse feito de incomparável coragem.
     É claro que nem todos festejaram a liberação da Missa que antes estava sufocada pelo ódio modernista de certos padres e bispos.
     Até mesmo alguns ditos “tradicionalistas” não receberam com bons olhos essa liberação.
     O importante é que a vitória nos foi dada. Deus concedeu uma nova chance para que o câncer do modernismo fosse extirpado do seio da Igreja. Que os padres e os bispos aproveitem esta graça de Deus e ajudem nosso valente Papa neste ardoroso combate.
     Remando em nossa pequena barquinha, iniciamos uma nova batalha.
     A Missa precisava ser divulgada. Precisávamos ajudar a desenterrar esse Tesouro há quarenta anos escondido.
     Armamo-nos com nossos estandartes. Estandartes que traziam um forte brado: “Viva o Papa! Viva o retorno da Missa de Sempre”.
     Alguns rejubilaram conosco. Outros expulsaram-nos como se fôssemos excomungados ou um grupo de cismáticos. Em nome do ecumenismo e do diálogo, fomos escorraçados.
     Mas todo sofrimento é bem vindo. Sofrer por Cristo é sempre suave. 
     Se por um padre fomos caluniados por outro fomos bem recebidos. Se um nos tratou como hereges – por divulgar a Missa de Sempre – outro nos recebeu como filhos amados.
     Um padre nos acolheu como filhos seus, nos dando o verdadeiro alimento da alma.
     Nossa barquinha, mesmo indigna, teve a graça de receber um sacerdote.
     Quão misericordioso foi Nosso Senhor com essa pequena barquinha que navegava sob a violência de um imenso oceano.
     Deus seja louvado por essa imensa bondade.
     Remando conosco temos agora um bom sacerdote. Recebemos um padre do Céu. Gloria in excelsis Deo.
     Com um pai espiritual, prosseguimos em nossa luta. Perseveramos na oração.
     Em toda guerra, como sempre, há valentes e covardes, fiéis e traidores. Por isso todo exército está sujeito a diminuir ou a aumentar. Mas a quantidade não é fundamental. É preferível poucos combatentes fiéis do que muitos relapsos.
     Se somos fiéis no pouco que temos Deus nunca nos abandonará. Enquanto a chama da verdadeira fé queimar em nossas almas, nossa barca continuará nessa guerra. E basta uma só alma católica para incendiar muitas outras.  
     Hoje, somos poucos. Amanhã, talvez, muitos. Poucos ou muitos, somos católicos. E para nós, basta o hoje, pois o amanhã a Deus pertence.
     Levantemos agora o estandarte de nossa Fé. Na guerra ou na paz, católicos até morrer! Exaudi nos Dominus.
     Já faz tempo que Cristo nasceu na manjedoura de nossos corações. Convertidos pela graça, abrimos nossas almas para que Deus nela pudesse habitar.
     Fomos despertados.

     Deo Gratias!

     Enquanto Deus desperta as almas com uma chuva de graças, o Diabo quer adormecê-las no pecado.
     Vagarosamente...
     Hoje temos a graça de hospedar o Menino Jesus em nossa pobre estalagem.
     Quanto a isto, devemos muito a um valente ancião.
     Esse bravo cruzado, cuja alma partiu para os braços da Virgem que ele tanto amou, foi uma tocha de luz em nossas vidas miseráveis.
     A pena de Deus escreve em nossas almas. Na história, Ele escolhe certos homens e os toma para assinalar outros com a tinta da verdade.
     Também somos penas nas mãos do Criador.
     E foi por uma pena, já desgastada pelo tempo, que Deus nos preencheu com sua graça. Usando de um velho professor, cansado pelos inúmeros combates, nos revelou a religião verdadeira. Ensinou-nos o verdadeiro amor. Preparou-nos para o bom combate do qual hoje participamos com muita alegria.
     Oxalá tivéssemos como pagar a esse professor pelo bem que nos fez. Só Deus poderá recompensá-lo justamente. Não temos nada nesta vida, senão nossas pobres vidas que dedicamos à conversão das almas. 

     Difundimos aquilo que aprendemos. Queremos fazer mais cristãos. Mais “penas” capazes de preencher almas vazias do amor de Deus. 
     Não temos mais a pena desgastada que nos ensinou a praticar a religião. Deus a recolheu para Si. A tinta da pena que preencheu muitas páginas desta vida se desgastou, por amor a Deus, por amor à Igreja de Nosso Senhor.
     Deus a levou.
     Que o Menino Jesus tenha compaixão desse filho combatente e fiel.
     Um nobre soldado se foi... un soldato amico e fedele...
     Mas a guerra continua. Muitas estalagens ainda estão vazias. Cristo quer nelas nascer. 
     Rezemos para que neste ano muitas almas abram suas portas para o Menino Jesus. Que os homens recebam alegremente a Sagrada Família, que já não encontra lugar na estalagem deste mundo.
     Mais um Natal é chegado.
     Um novo ano se aproxima.
     Nossa barquinha continuará a remar.
     Que Deus assim nos preserve.
     E que a Virgem Maria nos ajude a viver e a remar, a lutar e a morrer como bons católicos.
     Um santo Natal a todos.

In Corde Jesu, semper
Eder Silva

(Campo Grande - MS)

 
 
 

    Para citar este texto:
"Hodie Christus natus est - mensagem de Natal 2010"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/cronicas/mensagem_natal_2010_MS/
Online, 19/09/2017 às 13:57:17h