Crônicas

Sobre a caridade, a que alguns tanto apelam e cuja carência me recriminam
La Cigueña de la Torre

 
La Cigueña de la Torre:
 
Um queridíssimo amigo me envia um texto que reproduzo e que agradeço.
 
É do Cardeal Danielou.
 
"Há certas reações de detestação que supõem outras tantas respostas salutares... Costumo falar com freqüência sobre a cólera, citando as palavras de Péguy sobre Joana d’ Arc, pois garantem que ela também tinha "grandes acessos de ira inocente ante os quais os ingleses se sentiam como aterrados". Também Cristo teve cóleras. Quando tratava aos fariseus de "sepulcros caiados", alguns contemporâneos nossos diriam que Ele incorria em falta de caridade, que Cristo não deveria ter falado de "sepulcros caiados". E quando afirma, a propósito dos que escandalizam as crianças, que lhes valeria mais que se lhes atassem uma pedra de moínho ao pescoço e que se os lançasse ao profundo do mar...! Cristo sabia ser violento. A cólera, no sentido mais profundamente válido do termo, é a reação de uma sensibilidade sadia diante determinadas coisas feias, vís e desprezíveis. Nesse sentido, penso que é preciso ser capaz de encolerizar-se, como Bernanos e Péguy. Se bem seja certo que a cólera é uma criatura difícil de manejar e também que se pode introduzir nela uma adversão pessoal, se se foi ofendido, e que, em conseqüência, há que se desconfiar dela, apesar disso é certo que pode haver uma cólera perfeitamente compatível com a caridade... Não tenhamos medo de empregar certo vigor na expressão. Isso  é a tradução da firmeza de pensamento".
 
(Cardeal Daniélou, Memórias, Bilbao, 1975, pp. 19-20).

    Para citar este texto:
"Sobre a caridade, a que alguns tanto apelam e cuja carência me recriminam"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/cronicas/falta-de-caridade/
Online, 24/04/2017 às 23:50:48h