Ciência e Fé

Clonagem humana: um castelo de mentiras repleto de erros e buracos fatais
Rogerio Pazetti

Mais uma parte do castelo de falsificações científicas, sobre clonagem humana, construído pelo prestigiado cientista sul-coreano Woo-Suk Hwang, veio abaixo nos últimos dias. Desta vez, a revelação da fraude foi feita por Sung-Il Roh, um dos colaboradores de Hwang e co-autor de um artigo publicado na revista Science, em junho deste ano. Ele informou que Hwang teria “fabricado” parte dos resultados apresentados, sendo que das 11 linhagens de células-tronco embrionárias supostamente estabelecidas, NOVE seriam falsas (sic!).
  
Só nove?! Isso significa que duas são verdadeiras. Será mesmo?! Quem pode garantir que o “herói” sul-coreano, como é considerado por muitos de seus compatriotas, não adulterou também essas duas? Se a Sagrada Escritura já nos adverte de que os que não são fiéis no pouco, não o serão também no muito, como acreditar que quem não foi fiel no muito (nove linhagens), poderia sê-lo no pouco (duas)?! Além do mais, o número não importa; mesmo que tivesse sido adulterada apenas uma linhagem, todo o experimento já estaria comprometido. E não só esse experimento, mas também todos os outros trabalhos de autoria do mesmo cientista; principalmente aquele, que o tornou famoso há um ano, em que diz ter conseguido, pela primeira vez, clonar 30 embriões a partir de 242 óvulos doados por 16 voluntárias.
 
O mesmo Sung-Il Roh revelou também que Hwang teria usado mais de 900 óvulos, ao invés dos 185 declarados no mesmo artigo da Science. (Leia a notícia: Cientista coreano usou mais de 900 óvulos em experiências com clonagem humana)
 
Cesteiro que faz um cesto, faz um cento.
 
Cientista que faz uma fraude é capaz de fazer muitas...
 
Essa notícia chega menos de um mês depois de Hwang – após negar veementemente as informações - ter sido obrigado a admitir - obviamente que não por sua consciência, que agira contra a ética científica, ao usar, nos seus estudos, óvulos doados por mulheres que faziam parte de sua equipe de pesquisadores, além de outras que receberam dinheiro em troca da doação (sic!). Ora, então os óvulos foram vendidos, e não doados! Onde estão os poderosos Comitês de Ética, tidos como sérios e perfeitos, que deixaram que isso ocorresse? Este é o comércio de células humanas, que os defensores da Lei de Biossegurança, infelizmente aprovada no Brasil, diziam que não ocorreria porque os ditos comitês saberiam como controlar e punir esse crime.
 
Enfim, mesmo alegando não ter conhecimento sobre a procedência dos óvulos - será?! – Hwang pedira demissão de todos os cargos públicos que ocupava.
 
Ora, o que poderia se esperar, eticamente, de uma pessoa que, para alcançar prestígio e fama, e colocar seu país na vanguarda das pesquisas nesse campo violara o direito fundamental que todo ser humano possui desde a sua concepção: o direito à vida?
 
Como dito anteriormente, quem não foi fiel no muito...
 
Por que espantar-se com “pequenas trapaças” científicas, que são apenas paredes do castelo de mentiras – quando a grande e principal farsa serviu de alicerce para a construção do mesmo, ou seja, a falsa distinção que se faz entre clonagem terapêutica e reprodutiva?
 
Na prática, ambas as técnicas são exatamente iguais, pois um embrião é formado a partir da introdução do núcleo de uma célula somática (qualquer uma do nosso corpo, com exceção das células reprodutivas) num óvulo previamente enucleado. A grande diferença está no destino que será dado ao embrião gerado. Na clonagem reprodutiva, ele será implantado em um útero e poderá se desenvolver e nascer, enquanto que na terapêutica ele será destruído e morto na fase de blastocisto, para que suas células sejam retiradas e cultivadas numa placa de vidro. E é por isso que o Vaticano, ao pronunciar-se sobre essas formas de manipulação e violação da vida humana, condenou a ambas, enfatizando, entretanto, que a clonagem terapêutica é ainda pior, pois mata o ser humano que foi gerado.
 
Dessa forma, o que realmente importa em se denunciar é a principal mentira que está por trás dessas pesquisas, isto é, que o resultado da técnica de clonagem não seria um ser humano na fase inicial de desenvolvimento, mas apenas um “amontoado de células” – como alguns pesquisadores brasileiros insistem em afirmar, contra toda evidência científica. E isso ninguém diz que é ANTIÉTICO!
 
Gostaríamos que o Dr. Hwang desse ouvidos a um famoso cientista do seu próprio país, que afirmou:
 
"Clonar um ser humano é tolice. Resumidamente, não é ético, não é seguro de forma nenhuma, e é tecnicamente impossível."
 
Querem saber quem fez essa afirmação tão clara e precisa? Pois bem, o próprio Dr. Hwang, há apenas alguns meses. Não é incrível?! E não venham objetar dizendo que ele estava se referindo à clonagem reprodutiva e não à terapêutica, pois como ficou demonstrado anteriormente – e ele sabe muito bem disso! – as técnicas são exatamente as mesmas.
 
Para construir esse castelo de mentira(s), Hwang recebeu do governo sul-coreano, só este ano, a vultuosa quantia de US$ 24,4 milhões!!! Pensando bem, até que não é muito em se tratando da construção de um castelo. Mas um castelo de verdade, como aqueles que se pode ver pela Europa, que resistiram a tantas e tão duras batalhas, e que permanecem firmes e belos ao longo dos séculos. Entretanto, bastaram algumas palavras – pequenos morteiros, bombinhas de festa junina – para que o castelo coreano começasse a ruir. E, covardemente, o cientista-falsificador – ou falsificador-cientista - dono do castelo, resolveu fugir e internar-se em um hospital alegando estar sofrendo de estresse devido às sucessivas denúncias. Diagnóstico: mentir faz mal à saúde!
 
Mas após uma semana de tratamento – terapia, talvez – Hwang resolveu quebrar o silêncio, e, numa entrevista coletiva convocada pela Universidade Nacional de Seul, admitiu que seu castelo, ou melhor, seu estudo tem “ERROS E BURACOS FATAIS” (sic!) e que vai pedir à revista Science que anule o artigo publicado. Segundo o editor da Science, Donald Kennedy, o próprio Hwang considera que seus dados NÃO SÃO CONFIÁVEIS!  (Leia a notícia: Cientista coreano forjou dados de estudo de células-tronco embrionárias humanas)
 
Arre! Não é que o tratamento surtiu efeito?! Não seria má idéia se alguns políticos brasileiros passassem alguns dias “descansando” nesse hospital coreano...
 
Que tal, Zé?
 
Enfim, para o castelo ruir de vez, só falta agora aparecer uma cadelinha coreana reivindicando a maternidade do Snuppy, o primeiro cachorro supostamente clonado também pelo herói sul-coreano, em agosto desse ano.
 
Posso até imaginar a cena, digna de um filme de Hollywood: o famoso cientista, na cerimônia de apresentação do tão esperado clone canino, dando suas falsas explicações em rede mundial, quando de repente aparece uma cadelinha e começa a morder a barra de suas calças. Ele tenta livrar-se dela, a princípio, mas é surpreendido por uma mordida do filhote, o qual, ao reconhecer a mãe, tenta livrar-se dos braços do coreano para ir junto dela. No mesmo instante, chega uma velhinha – de chapéu e guarda-chuva, é claro – gritando que o cachorro é dela, e que aquele homem – o próprio! - foi quem roubou.
 
Que trapaça!
 
Seria cômico se não fosse trágico para a história da ciência...
 
Só nos resta esperar que os comitês de ética do Brasil sejam melhores e mais eficientes que os da Coréia do Sul, e possam supervisionar e controlar os experimentos dos cientistas brasileiros que farão uso dos embriões congelados nas suas pesquisas, para evitar possíveis “erros e buracos fatais”!
 
É esperar para conferir.

    Para citar este texto:
"Clonagem humana: um castelo de mentiras repleto de erros e buracos fatais"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/ciencia/clonagem_humana/
Online, 18/01/2017 às 08:03:06h