Ciência e Fé

Budas em cacos
Orlando Fedeli


Este decepcionado fim de século XX assiste ao desmoronamento de ídolos erguidos pelo racionalismo.

Todas as gerações de nosso tempo tiveram que prostrar-se diante de três ídolos intocáveis, novos Budas inventados pela "ciência" racionalista : Marx, Darwin e Freud.

Curiosamente, o êxito e o prestígio desses três pseudo-cientistas vinha do fato de terem trabalhado para a destruição tanto da Religião como também do culto do homem iniciado pelo Humanismo renascentista. Ao abandonar a Fé na Igreja e em Cristo, o chamado Mundo Moderno - com o qual a Igreja quis se reconciliar no Vaticano II - instaurou o culto do Homem. O Homem - único deus adorado pela "Civilização" Moderna - desde muito cedo teve, entretanto, seu culto abalado. A Arte Moderna pintou-o como palhaço (Roualt), ou como um monstro (Picasso, Bacon). Marx fez dele um ser movido apenas pelo interesse econômico. Darwin no-lo apresentou como um chimpanzé transformado. Freud o disse um poço sem fundo de ignomínias. Os três negaram que ele fosse uma criatura feita por Deus à Sua imagem e semelhança. Dir-nos-ão que tanto a Arte Moderna quanto estes três Budas da Ciência nos apresentaram a imagem do Homem tal qual ele se encontra em nosso tempos. Há de se convir então que, se a apresentação é verdadeira, o homem fruto da "Civilização Moderna" é a maior prova do horror e da falsidade desta pseudo civilização.

Marx - este Buda barbudo filho do casamento do Materialismo com a Economia - morreu soterrado sob os escombros do Muro da Vergonha em 1989. Darwin agoniza, mortalmente ferido pelos avanços das descobertas da Química Biológica e das pesquisas paleontológicas, enquanto suas viúvas choram, acariciando seus venerados saguis. Freud - Buda até há pouco intocável, balança em seu pedestal graças às críticas de que tem sido alvo.

O que Marx e Darwin foram em certas sacristias, universidades e na mídia - santuários do culto materialista - Freud foi em círculos pretensamente intelectuais e nas rodas do café society: o papa de uma nova religião do permissivismo, que demolira o decálogo que Deus deu a Moisés.

Agora começam a aparecer obras que desmascaram a Psicanálise e seus falsos dogmas. Ainda há pouco, a revista Der Spiegel publicou artigo (republicado em tradução no Caderno de Cultura de O Estado de São Paulo, de 11 de julho de 1998) no qual Freud é inteiramente desmascarado.

Nesse artigo lemos que o psicólogo suíço Klaus Grawe considera totalmente ultrapassado o modelo tripartido (id, ego e super ego) do aparelho psíquico elaborado por Freud. Conforme Grawe, os conceitos freudianos "não frutificaram na teoria e na prática terapêutica". Isso quer dizer que, na opinião de Grawe, a Psicanálise é errada teoricamente e na prática não curou ninguém.

E agora ? Que dirão as madames do Café society e nossos cursos de psicologia de subúrbio, para quem ser ultrapassado é o maior desdouro ? Pois o Freudismo está ultrapassado, garante-nos Grawe.

No mesmo artigo verificamos que "o historiador britânico Richard Webster diz que ele (Freud) não passou do criador de uma complexa pseudociência, que deveria ser considerada uma das grandes loucuras da civilização ocidental".

E agora ? Como ficam os teólogos que têm como princípio fundamental estar de acordo com a Civilização Moderna ?

Para Webster, o Freudismo é "uma loucura da Civilização Ocidental "!

E que vergonha o fato ocorrido no Concílio Vaticano II, onde Dom Mendes Arceo, o famigerado Bispo de Cuernavaca, defendeu que todos os religiosos e sacerdotes deveriam ser psicanalisados, tese que esse Bispo logo aplicou em sua infeliz diocese!

A "loucura da Civilização Ocidental" foi defendida no Vaticano II, que deveria ter sido cátedra de sabedoria. Esse foi um dos frutos do "aggiornamento"- isto é - da modernização da Igreja preconizada pelo Papa João XXIII. Que se leve em conta isto em seu processo de canonização!

O artigo do Der Spiegel nos diz que há vinte anos já começaram as críticas a Freud e à sua Psicanálise, e que "os veredictos dos críticos contra Freud, até agora, permaneceram sem efeito".

Espanta-nos que o imenso poder da mídia, garantido pela liberdade de imprensa e pelo fim de toda censura, tenha conseguido manter desconhecidas da opinião pública essas críticas demolidoras do freudismo. Será que a liberdade de imprensa e o fim de toda censura estabeleceram uma censura oculta que só permite sejam conhecidos os ataques à Religião verdadeira, e jamais as críticas aos Budas da Civilização Moderna ?

Pois o Der Spiegel, com vinte anos de atraso - vinte anos! - nos informa que o médico vencedor do prêmio Nobel, Peter Medawar, declarou que a Psicanálise era "o mais terrível conto do vigário do século".

Quem jamais soube que esse Prêmio Nobel de Medicina fez tão demolidora acusação à Psicanálise ? Afinal, não é algo sensacional, próprio de grandes manchetes jornalísticas, um Prêmio Nobel de Medicina afirmar que "a psicanálise é o mais terrível conto do vigário do século"?

Como a imprensa, que tudo informa, deixou de colocar essa frase em grossa manchete de primeira página?

Por que os devotos de Freud não levantaram um grande alarido de protesto contra uma afirmação tão contundente e, segundo eles, tão sacrílega ?

Por que o público desconhece tenha a Ciência Psicológica Moderna elaborado teses refutando Peter Medawar?

E será que os governos tomarão medidas concretas contra a aplicação deste "conto-do-vigário" ?

No artigo de Der Spiegel lê-se ainda que Richard Webster, em seu livro Why Freud is wrong , afirma que "os relatórios terapêuticos do chamado livro fundamental da psicanálise são conto de fadas". Webster comprovou que nenhuma das cinco pacientes de Freud foi definitivamente curada.

Eis aí. Freud elaborou uma ciência que hoje é tachada de "conto de fadas" .

O mesmo artigo narra ainda que Freud, ao tratar de uma paciente que sofria de uma doença já bem diagnosticada em seu tempo, e que certamente era bem conhecida pelo fundador da psicanálise, teimou em considerar seu mal como psicanalítico. Webster, por isso, diz que "os fundadores da psicanálise operavam no limite da charlatanice".

Vem-se a saber também que Karl Kraus considerava o esforço de convencimento sugestivo de Freud "um refinado engodo" .

Outra informação importante pela fama e consideração de que goza seu autor: o famoso filósofo Wittgenstein "se espantou pelo fato do pai da Psicanálise suspeitar da existência de motivos sexuais em quase todas as imagens de sonho, sem, no entanto, jamais descrever sonhos eróticos, mesmo que estes sejam tão freqüentes como chuva".

Aliás, neste mesmo sentido, é curioso observar ainda que os padres e teólogos modernos e "aggiornatti", que aprovam a psicanálise e que, portanto, devem aceitar as teorias de Freud, vendo motivos sexuais em qualquer gesto, mesmo os mais inocentes ou indiferentes, neguem que haja qualquer motivo sexual nas danças modernas, no carnaval ou nos mais ousados trajes de praia, que esses padres consideram inteiramente inocentes e positivos segundo a sua nova moral "aggiornatta".

No artigo do Der Spiegel lemos ainda que para o historiador John Farrell "a incansável disposição [de Freud] para pressupor a existência de um significado mais profundo e secreto em todas as manifestações, de sonhos a equívocos cotidianos, revela traços patológicos". "Farrell vê a desconfiança contra tudo e contra todos como uma marca da obra e da vida do psicanalista, atestando-lhe paranóia, com os sintomas característicos: megalomania, mania de perseguição, hostilidade, egocentrismo e a tendência a responsabilizar os outros pelos próprios erros e fraquezas".

Embora não tão bombástica quanto as outras críticas que citamos, porém mais profunda, é a relação estabelecida por Richard Webster entre Freudismo e religião milenarista.

Diz o artigo de Der Spiegel : "Tal como outros iconoclastas, Freud passou de rebelde a criador de uma nova "ortodoxia", uma doutrina de salvação terrena, que ostenta claros aspectos das "tradições judaico-cristãs" . Webster "tenta explicar como o neurologista vienense - racionalista e agnóstico convicto - tornou-se o fundador de uma religião e guru de um movimento espiritual universal. Sua resposta: ambição desmedida e messianismo, foram as forças-motrizes daquele que, no fim da vida, gostava de comparar-se a Moisés".

Neste ponto está a verdadeira compreensão do Freudismo; ele é uma nova moral de uma religião messiânica que pretendia abolir a Lei estabelecendo o anomismo.

David Bakan em seu livro Freud e a mística Judaica demonstra como a doutrina de Freud é uma transposição das doutrinas gnósticas da cabala ao campo da Psicologia. Daí a irracionalidade e o anomismo do freudismo.

Em todo caso, é alvissareiro ler um artigo em que - afinal! - se afirma que o rei está nu. Que o freudismo e sua psicanálise são "conto de fadas", "o mais terrível conto-do-vigário do século", e "uma das grandes loucuras da civilização ocidental", que "atuava nos limites da charlatanice".

As citações acima mencionadas tornam mais fácil compreender por que, ao embarcar com Freud para os EUA em 1909, Jung disse a Freud, referindo-se aos americanos: "Coitados, eles não sabem que estamos lhes levando a peste" (artigo de Luiz Zanin Oricchio, Uma curiosa ciência que nasceu polêmica, publicado em O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 11.07.98).

Assim começa a ser apedrejado e demolido o último dos Budas do século XX.

Antes tarde do que nunca!


    Para citar este texto:
"Budas em cacos"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/ciencia/budas/
Online, 20/01/2017 às 05:45:04h