Ciência e Fé

Os Bois-Apis do século XX
Orlando Fedeli


Nas escolas do século XX, os estudantes ouvem - cada vez menos - seus professores de História contarem que os egípcios adoravam ao Boi-Apis, a quem prestavam um culto com cerimônias ridículas num templo imenso. Espantam-se os alunos de que na Índia, até hoje, se adorem as vacas.

Entretanto, eles mesmos adoram John Lennon, Mike Jagger ou Gilberto Gil, enquanto seus mestres adoram Marx e Freud, ao mesmo tempo em que se dizem darwinistas, seguem buda e crêem na astrologia.

Nas pobres cabeças "intelectualizadas" pela cultura da TV, correm amontoados materialismo e superstição, computadores e astrologia, zen-budismo e marxismo, cristianismo (à la frei Boff) e guevarismo, etc.

Veja-se um dos Bois-Apis do século XX contra o qual fazer qualquer crítica é blasfêmia: Freud.

Para Freud, a mente humana é escrava das pulsões do subconsciente, não tendo livre-arbítrio. Todos os atos são produto de movimentos do id. "A teoria da mente de Freud, em conseqüência é estrita e francamente determinista" (Peter Gay, Freud, uma vida de tempo, ed. Buenos Aires - Barcelona - México 1989, p. 150).

E o século XX, adorador dessa bacante moderna chamada liberdade (a liberdade liberal da Revolução, condenada pela Igreja Católica e defendida pelo Vaticano II) contraditoriamente segue o credo freudiano que nega toda e qualquer liberdade do homem.

Para Freud, todos os problemas psíquicos advém da repressão dos desejos e impulsos do inconsciente. Só a liberação desses desejos pela violação de todos os tabus e proibições morais e sociais é que daria sanidade mental ao homem. Desse artigo do credo freudiano é que nasceu o permissivismo de século XX, que condena qualquer repressão, qualquer disciplina, qualquer proibição religiosa ou moral.

Para os estudantes revoltados de 1968 da Sorbonne era proibido proibir. A revolta estudantil de 1968 foi vencida, mas seu lema triunfou. Hoje é proibido proibir. Tudo é permitido.

Segundo o freudismo, o número de psicoses e de recalques e problemas psíquicos deveria diminuir ou desaparecer através dessa liberação. Ora, o que se constata é que as clínicas estão cada vez mais cheias de pessoas educadas e "formadas" no permissivismo freudiano.

Para Freud, todos os desejos deveriam ser satisfeitos e não reprimidos. O Budismo prega exatamente o oposto: viver é sofrer; a causa do sofrer é o desejo; é preciso pois matar todos os desejos. O freudismo quer a satisfação dos desejos. O budismo quer a aniquilação de qualquer desejo.

O "intelectual" do século XX é, contraditoriamente, freudiano e budista ao mesmo tempo. Não é à toa que ele acaba tendo problemas psíquicos.

O freudismo vê todas as ações humanas como efeito de desejos sexuais. O marxismo vê tudo (ou via?) como efeito de problemas econômicos. Sexo para Freud, riqueza para Marx, tais são os motores da atividade dos interesses humanos.

Os pobres mestres do século XX conseguem juntar em seu confuso intelecto Marx e Freud, dizendo que tudo é movido por interesses sexuais ao mesmo tempo que tudo só ocorre por interesses econômicos.

"À maneira da Ilustração, (Freud) considerou que o filosofar dos metafísicos só conduzia a abstrações inúteis. Sentia-se igualmente hostil aos filósofos para os quais a s era só consciência. Sua filosofia era empirismo científico encarnado numa teoria científica da mente" (Peter Gay, op. cit. p. 149)

Portanto a psicanálise freudiana pretende ser puramente científica, racional e materialista.

Entretanto, todo o sistema de Freud tem raízes na doutrina cabalista, uma doutrina mística, defensora do irracionalismo (cfr. David Bakan, Freud e la Tradizione mistica hebraica, edizioni di Comunitá, Milano, 1977, título original "Sigmund Freud and the jewish mystical tradition", Nortrand, 1988).

Assim, no panteão das cabeças atéias de nossa época, convivem os ídolos mais contraditórios.

Tantas contradições só se explicam porque no fundo, o que se adora hoje é o Homem. Esse é o ídolo real que está por trás de todos os ídolos personificadores dos vícios humanos.

O que explica tanta contradição é o amor do Homem e do Mundo. Isto é, o ódio a Deus.


    Para citar este texto:
"Os Bois-Apis do século XX"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/ciencia/bois-apis/
Online, 24/05/2017 às 16:34:33h