Ciência e Fé

Aquecimento Global: Uma análise não climática de uma ideologia nublada
André Roncolato
 Aproveitando o tema da Campanha da Fraternidade promovida pela CNBB neste ano, “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, acredito ser oportuno tratar de um assunto que seja de tanto interesse do episcopado brasileiro.

Falar em aquecimento global deixa sempre muita gente de cabeça quente. Não que seja uma preocupação que realmente corresponda à realidade. Mesmo porque – no mais das vezes – quem gosta de opinar a respeito do tal aquecimento global, conhece pouco ou quase nada sobre o assunto. E basta mostrar um gráfico bem ilustrado e multicolorido, ao estilo Al Gore talk show, para impressionar e espantar essas pobres mentes embotadas de nobres desejos ambientais. Assim, o julgamento de um espectador que consiga estabelecer uma análise coerente sobre a questão - digamos - é mais raro que semáforo funcionando em São Paulo em dia de chuva.

Isso se agrava, ainda, porque grande parte da opinião sobre o assunto é insuflada pela televisão. E a televisão é copiosa em informação inútil ou enganosa. Ou ambas simultaneamente.  A televisão é uma poluidora escandalosa e gera um problema ambiental crônico e muito sério: são toneladas e mais toneladas de lixo intelectual e moral, circulando e se acumulando em cérebros ainda incultos, causando danos severos e às vezes irreversíveis nestes frágeis ecossistemas intelectivos. É de dar pena!  Sem falar na poluição da alma, que é bem pior.

Em falando nisso, para não perder a piada, ainda outro dia recebia de um amigo uma tirinha muito verdadeira que tentarei descrever:

Um menininho de pijama se punha reverentemente com uma tijelinha de tapioca em frente a um aparelho de TV sobre um móvel comum. Dedicando solenidade irônica ao eletrônico começa a dizer:

— Oh, poderoso da mídia de massa, obrigado por elevar a emoção, reduzir o pensamento e aniquilar a imaginação!

E continuava em tom orante:

— Obrigado pela artificialidade das soluções rápidas e pela manipulação traiçoeira dos desejos humanos para fins comerciais.

E finalizava com genuflexão e reverência profunda, diante do aparelho ignaro:

— Esta tigela de tapioca morna representa meu cérebro. Eu ofereço em humilde sacrifício. Mantenha sua luz oscilante para sempre.

O pequeno texto ilustra bem o mal que causa esse pequeno Baal eletrônico, venerado e enaltecido em praticamente todos os ambientes: nas casas, transporte, restaurantes etc. Quase não há mais lugar que não tenha um altar para este demônio moderno blasfemar dia e noite.

Mas voltemos ao aquecimento global. Tentaremos esquematizar e delinear com clareza algumas das características do ambientalismo militante mostrando que, na verdade, o aquecimento global é um embuste para justificar intenções diabólicas muito maiores e ações práticas imediatas contra a família e a Igreja.

Assim, se impõe um clima escatológico que pressiona o sistema produtivo, acadêmico e econômico até que estes se paralisem diante dessas pretensões.

Para julgar bem este tema é necessário conceituar, precisar e distinguir a terminologia envolvida na questão do aquecimento global.

 

Com base no esquema simplificado a seguir, resumo os pontos importantes que devem ser entendidos inicialmente para estudar este tema.

I. Variabilidade e Mudança

Em clima, segundo o próprio Painel Internacional de Mudanças Climáticas (IPCC), existe uma diferencia muito importante em variação e mudança:

Variabilidade refere-se a flutuações no estado médio de elementos climáticos durante uma escala temporal.

Mudança refere-se a uma variação estatisticamente significativa e duradoura em uma escala temporal.

Por exemplo, se a temperatura variar para mais ou menos, mas mantendo estatisticamente a mesma média, dentro de determinado período de tempo, se diz que o clima variou. Do contrário, se a variação assumir valores que alterarem a média e persistam para mais ou menos, pode-se dizer que houve mudança climática.

Concordo que a tal distinção fica debaixo de uma densa neblina conceitual. Alterações no clima que, em uma escala de 100 anos seriam consideradas como mudança climática, numa escala de 1000 anos são apenas uma variação.

Imaginem, leitores, que em um famoso manual de climatologia, altamente especializado, os seus dois proeminentes autores alertem os alunos sobre a definição do IPCC em tom jocoso:

“O estudante estará desculpado se a distinção parecer-lhe nebulosa.” (Barry e Chorley, p.429. Barry, R.G; Chorley, R.J. 2013. Atmosfera, tempo e clima. Porto Alegre: Editora Bookman)

Depois, as escalas podem ser consideradas de forma arbitrária. Ou seja, não há limites ao exercício de imaginação de pesquisadores pró aquecimento global para interpretar dados cuja autenticidade também é questionável.

 

 

II. Alta complexidade do sistema climático

A única ênfase em reportagens sobre o clima é sobre a ação humana. É incrível a estupidez com que geralmente são redigidos estes artigos pela imposição de seus editores. E as notícias da catástrofe iminente são requentadas e repetidas com insistência de harpias. Por exemplo, a revista Veja, abre o ano de 2017 aterrorizando seus leitores com dados do NOAA – agência atmosférica americana que todos conhecem como comprometida profundamente com a causa do aquecimento global: “O ano de 2016 foi o mais quente já registrado” (18 jan 2017, 16h40 - Atualizado em 18 jan 2017, 18h40).  Em uma procura rápida, enquanto escrevia este artigo, uma manchete da Tribuna do Norte de 03/07/2016 era categórica: “Aquecimento global chega mais cedo que o previsto”; a rádio EBC, do dia 17/06/2016 dizia em tom funéreo: “Eventos climáticos extremos estão ligados ao aquecimento global”;  O Globo de 29/06/2016 era apocalíptico: “Acordo de Paris não vai salvar mundo de catástrofe climática”. Pelo editor de O Globo a humanidade já pode ir costurando suas mortalhas. Mas, por favor, de tecido sintético de fibra de garrafa pet reciclada.

O que estes jornais - mas antes de mais ninguém os bispos - deveriam divulgar é que a morte pode nos vir individualmente daqui a um ano, amanhã ou até mesmo hoje. E é por isso que antes de se preocupar com o aquecimento global antropogênico, que é uma farsa, melhor é nos preocuparmos com o aquecimento global eterno, melhor conhecido como inferno. Assim, viver uma vida de piedade é ainda a melhor maneira de garantir um paraíso duradouro e fresco em vez de se preocupar em diminuir a emissão de CO2.

Para se ter uma ideia, a ação humana, apesar de ter alguma influência sobre o clima, é um dentre inúmeros processos que causam variabilidade ou mudança climática. Cito alguns: a) Mudanças no influxo solar; b) mudanças na atmosfera: composição, circulação; c) mudanças no ciclo hidrológico; d) Interação gelo atmosfera; e) troca de calor água-atmosfera; f) cisalhamento eólico; g) precipitação, evaporação; h) aerosóis: N2, O2, Ar2, H2O, O3, CO2, CH4, N2O etc.; i) radiação terrestre; j) acoplamento oceano-gelo; l) hidrosfera; m) mudanças no Oceano: circulação, nível, biogeoquímica; n) atividade vulcânica; n) nuvens; o) biosfera; p) interação solo-biosfera; q) interação biosfera-atmosfera; r) mudanças na criosfera: neve, solo congelado, gelo marinho, mantos de gelo, geleiras; s) interação terra-atmosfera; t) mudanças de superfície: orografia, uso da terra, vegetação, ecossistemas; u) manto de gelo;  etc.  Ufa! Quase não cabe no alfabeto.

E a quantidade de variáveis que cada um destes processos tem é quase incontável. Aquecidos mesmo ficam os Supercomputadores trabalhando em modelos climáticos simplificados. Imaginem se fosse possível trabalharem com todas as variáveis! Acho que por conta disso aí sim poderia haver um aquecimento global antropogênico real.

 

 

III. Forçantes Climáticas

Enfim chegamos no aspecto climático onde os ambientalistas gostam de fazer tempestade em copo d’água. E aqui deve-se ressaltar a capacidade de síntese deles: tudo fica resumido em apenas uma forçante, que é a ação antropogênica. Ou seja, todo problema de nosso querido e azul planetinha é por conta e culpa do homem. Os ambientalistas, diabolicamente, criam uma imagem de que cada homem não é uma alma com a finalidade de povoar o céu, mas é apenas um parasita que deve ser controlado para atenuar sua ação de fruição em relação à Gaya-Terra. Na verdade, essa gente considera cada ser humano e, em consequência, a humanidade inteira, como carrapatos que sugam os recursos naturais e que por isso devem ser controlados ou eliminados.

É de uma ousadia de pensamento enorme! Só em nossa época mesmo dá espaço para manifestar tais considerações à sociedade e ainda ser aplaudido por essa mesma sociedade que é insultada. Você diz à sociedade que ela é um carrapato e amplos setores dela mesma consideram tal ofensa contra si um refinamento intelectual.

A bem da razão, hoje não há nenhuma maneira de afirmar que estamos nos conduzindo para um aquecimento global de origem humana. Nem mesmo podemos afirmar que estamos a caminhar a qualquer aquecimento global visto a contradição de modelos, métodos, cálculos e mesmo de variáveis que são discrepantes entre os institutos.

Alguns estudos, por exemplo com relação à atividade solar, alertam para o risco de glaciação do planeta, o que seria muito — mas muito! — mais danoso. Essas recentes abordagens até falam sobre uma “mini era do gelo”, como se já não estivéssemos em uma: o Holoceno, época atual e interglacial do Quaternário.

 

IV. Solução do problema segundo os ambientalistas: aniquilar o Cristianismo, perverter a Lei de Deus e subjugar a Igreja

Evidentemente, para os “ambientalistas”, a forma de salvar a Terra não tem nada de ambiental: varrer de uma vez a Lei de Deus ensinada pela Igreja e controlar ditatorialmente cada indivíduo na sociedade através de políticas e leis de coerção. Usar a Igreja como meio de contradição a si mesma.

Desta maneira fica claro que a questão ambiental nada tem a ver propriamente com finalidades nobres, mas ela é na verdade um compromisso de cunho doutrinal.

Vejamos rapidamente uma disposição mais sistematizada.

As ideias ambientalistas, de uma forma geral, como é comum de sistemas religiosos falsos, tem seu discurso baseado exclusivamente em acontecimentos escatológicos iminentes, à moda milenarista-esotérica, em que a bolinha azul, terceira esfera a partir do sol, sempre está prestes ao cataclismo produzido pela malignidade da empresa humana. Desse mito cientificóide pode-se tirar, adaptando estatísticas nada confiáveis, cenários apocalípticos para todos gostos.

Dessa escatologia surge a necessidade urgente de instaurar uma religião ecológica e individual, cujo rito é transmitido por políticas e legislações favoráveis à radicalização ambiental e inibidores da influência da Religião Católica. O maior pecado, neste sistema, é o pecado contra a natureza, entendida como o meio ambiente, os seres vivos, o espaço, enfim, contra o universo material, pois essa “Natureza” é a Divindade. Uma estrutura panteísta. Nesta ordem, o homem é apenas uma unidade com a natureza, dela nunca podendo se diferenciar. Normalmente a ONU é o sumo sacerdote dessa religião sempre exigindo sacrifícios de todos e os presbíteros são os Estados.

Delineio as principais características do método ecológico-ambientalista, divididas em 4 categorias, para salvar a Terra:

1)      Estabelecimento de uma espiritualidade ecológica

a.       Descrição de um mito escatológico profetizado pela “ciência”: o iminente colapso ecológico e ambiental causado pela população humana;

b.      Busca de um estado primevo e paradisíaco: volta a um estado adâmico;

c.       O fim do homem é aproveitar ao máximo a vida: Longevidade e Saúde;

d.      Naturalismo;

e.      Orientalismos como yoga e meditação na natureza;

f.        Ascese indígena;

g.       Estímulo para o modo de vida silvícola;

h.      Pressão para mudanças de hábito;

i.         Vegetarianismo: o ideal seria o restrito.

 

2)      Regulagem e monitoramento do sistema mundial

a.       Esgotamento dos recursos naturais: eles estão sempre para acabar em alguns anos: água potável, petróleo, comida, biomas etc;

b.      Desequilíbrio irreparável entre recursos e população;

c.       Socialismo e Nazismo verdes (völkisch);

d.      “Direito” dos animais;

e.      Farto financiamento para iniciativas ambientalistas sejam em pesquisas ou projetos: só é “ciência verdadeira” aquela que se coaduna com o modelo do aquecimento global.

 

3)        Reversão do desenvolvimento

a.       Atrito dentro da ordem mundial: ambientalismo em contraposição com o humanismo;

b.      Progresso industrial, energético e agrícola vistos negativamente.

 

4)      Controle populacional

a.       Divórcio

b.      Teoria de gênero;

c.       Aborto;

d.      Eutanásia;

e.      Planejamento familiar;

f.        Feminismo;

g.       Contracepção.

 

Em artigo posterior, pretendemos tratar de forma mais detalhada cada item e como ele é justificado dentro desse sistema falso da ideologia do aquecimento global.

 

V. Conclusão

O aquecimento global é uma ideologia que serve apenas como pretexto para atacar a doutrina católica. Por isso mesmo, os católicos não devem apoiar de nenhuma maneira suas inciativas. Pelo contrário, devemos reafirmar a posição católica ainda com mais firmeza.

Como Deus disse ao homem: Multiplicai-vos, enchei a terra e subjugai-a.

“Crescite, et multiplicamini et replete terram, et subjicite eam...” (Gen, I, 28)

Agora alguém poderia se perguntar o que podemos fazer ou devemos fazer para proteger o meio ambiente da hipotética catástrofe que se aproxima?

Nada.

Absolutamente

NADA!

Ela não existe.

Devemos, ao contrário, ser diligentes com nossa vida espiritual e intelectual.

Dos ambientalistas,

Libera nos Domine.

Salve Maria!

 

André Roncolato.

 

 

 

 

 

 


    Para citar este texto:
"Aquecimento Global: Uma análise não climática de uma ideologia nublada"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/ciencia/aquecimento_global/
Online, 22/10/2017 às 02:47:19h