Arte

O Criador e a Criação
Orlando Fedeli
Invisibilia enim ipsius, a creatura mundi, per ea quae facta sunt, intellecta, conspiciuntur: sempiterna quoque eius virtus, et divinitas: ita ut sint inexcusabiles”

“Porque as coisas invisíveis dEle, depois da criação do mundo, compreendendo-se pelas coisas feitas, tornaram-se visíveis; e assim o seu poder eterno e a sua divindade; de modo que  eles são inescusáveis” (Rom. I, 20).

Sobre a verdade expressa nesse texto, baseou-se toda a estética simbólica medieval, como também várias correntes filosóficas e espirituais. Tendo Deus feito todas as coisas à sua imagem e semelhança, através das criaturas, é possível conhecer algo do Criador. Porque em todas as coisas Ele espelhou as suas perfeições. As obras de Deus são como pensamentos dEle, pois que dizendo Ele uma palavra as coisas eram feitas: “Dixitque Deus: Fiat lux. Et facta est lux. Et vidit Deus lucem quod esse bona: et divisit lucem a tenebris” (Gen. I, 3-4).

Cada coisa é, pois, um pensamento de Deus, e, por isso, afirma S. Boaventura, o universo é como que um grande livro, cujas páginas são as coisas criadas.

“Quoniam autem Deus non tantun loquitur per verba, verum etiam per facta, quia ipsius dicere facere est, it ipsius facere dicere” (S. Boaventura, Brevilóquium. Prol., §4,4).

["Porque Deus não fala apenas por palavras, mas também pelas coisas que faz, porque o seu dizer é fazer, e o seu fazer é dizer"]

Que Deus escreveu dois livros, a Sagrada Escritura e o Universo, São Boaventura o diz, por exemplo, no Brevilóquio, II, V, 2.

O fim do homem é conhecer, amar e servir a Deus neste mundo para gozá-lo para sempre, no outro, ensina o Catecismo.

E não pode o homem servir a Deus se não O amar. E não poderá amá-Lo se não O conhecer. Não pode, entretanto, conhecê-Lo a não ser através das imagens e vestígios que dEle existem nas criaturas. As criaturas são como um véu, pois velam e revelam o Criador.

Contudo, só os “limpos de coração verão a Deus”. “Beati mundo corde:quoniam ipsi Deum videbunt”(S. Mat, V, 8). Para ver Deus, invisível, através do véu das coisas criadas, é preciso ter o coração desapegado dos afetos impuros e possuir a sabedoria.

É preciso contemplar as criaturas

“con occhio  chiaro e con affetto puro”[ com olhar claro e com afeto puro]

(Dante, Div. Com., Par. VI, 87).

Esta idéia é confirmada pelo seguinte texto de Hugo de S. Victor:

“Beati mundo corde, quoniam ipsi Deum videbunt”. Mundo corde sunt illi, que nec pulvere inutilis cogitationis, nec luto fœdantur pravæ delectationis. Mundo corde sunt, quos non tetigit nebula terrenæ ignorantiæ, nec corruptit fervor fœdæ concupiscentia. Mundemos igitur corda nostra ab omni ignorantia, per inquisitionem veritatis, et ab omni perversa concupiscentia, per amorem virtutis ut mereamur Deum videre in gloria regni cœlestis.”(H. S. Victor, Allegoriae in. Evangelia, Lib II, cap. I).

[“Bem aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”. Limpos de coração são aqueles que não são sujos nem pelo pó da cogitação inútil, nem pela lama da deleitação torpe. Limpos de coração são aqueles que não são tocados pela névoa da ignorância terrena, nem tem corrompido o fervor pela concupiscência imunda. Limpemos, portanto, nossos corações de toda ignorância pela inquisição da verdade, e de toda concupiscência perversa pelo amor da virtude, a fim de que mereçamos ver a Deus na glória do reino celeste.”]

Quando se tem desapego e sabedoria, coração reto e inteligência clara, então é possível ler o livro da criação com facilidade.

“Si ton cœur était droit, toutes les créatures te seraient des miroirs et des livres ouverts, où tu verrais sans cesse, em mille lieux divers des modèles de vie et des doctrines pures;Toutes comme à l’envie te montrent leur Auteur”... diz Corneille.

[ Se teu coração fosse reto, todas as criaturas  seriam, para ti, espelhos e livros abertos, nos quais tu verias, sem cessar, em mil lugares diversos, modelos de vida e doutrinas puras. Todas pressurosas te mostram o seu autor"...Corneille.]

Não só as coisas criadas refletem as perfeições de Deus, como O revelam de modo cada vez mais claro e completo, quanto maior é a perfeição do ser. Desse modo, a hierarquia dos seres é na verdade uma “Escada de Jacó”, que a inteligência humana tem que subir durante a vida, para chegar a ver Deus face a face, na eternidade:  “ipsa rerum universitas sit scala ad ascendendum in Deum” (S. Boaventura, Itinerarium Mentis in Deum, I, 2).[ a própria totalidade das coisas criadas é como uma escada  que sobe até Deus]

Foi por estas razões, entre outras, que Deus criou todas as coisas segundo a lei da analogia, isto é, de modo que todas as criaturas são, de algum modo, semelhantes a Ele, e, ao mesmo tempo, sendo criaturas, necessariamente são diferentes dEle, em grau infinito.

O ser contingente, pois, é semelhante ao Ser Absoluto, e a semelhança exige que haja algo diferente, e algo em relação de proporção.

Por isto em cada criatura há um apelo e uma insatisfação; uma satisfação e uma frustração, uma causa de felicidade e uma tentação.

Há um apelo, porque as qualidades dos seres contingentes nos convidam a desejar essas qualidades em grau cada vez maior, até desejarmos o Absoluto. Elas nos deixam insatisfeitos, porque buscamos o infinito, e nelas só encontramos a finitude.

Por outro lado, quando o homem se apega à criatura, é porque confunde a imagem contingente com o próprio Absoluto. É nisto que consiste a idolatria. E os ídolos são frustrantes.

De modo que, tanto quem não conhece a Deus através das claras páginas do livro do Universo, como quem, frustrado com a idolatria, se revolta contra a limitação do bem das criaturas, ou com seu mal relativo, negando-lhes qualquer valor, é inescusável. (Cfr. Rom. I, 20).

A atitude correta diante do universo deve ser, pois, de sábio encantamento diante das maravilhosas obras de Deus, mas sem esquecer que elas são meras imagens e vestígios do Ser Absoluto.

Deve-se evitar a idolatria panteísta – que transforma o contingente em Absoluto – e a frustração gnóstica, que nega qualquer valor à criação.

“Quia delectasti me, Domine, in factura tua;
et in operibus manuum tuarum exsultabo.
Quam magnificata sunt opera tua, Domine!

(Ps., XCI, 5-6)

“Quam multa sunt opera tua, Domine!
Omnis cum sapientia fecisti:
Plena est terra creaturis tuis”

(Ps., CIII, 24)

“A magnitudine enim speciei et creaturæ
cognoscibiliter poterit creator homum videri”

(Sab., XIII, 5)

“Vir insipiciens non cognoscet
Et stultus non intelliget hæc.”

(Ps. XCI, 7)

["Porque me alegrastes Senhor, com as tuas obras,
e eu exulto com as obras das tuas mãos.
Quão magníficas são, Senhor, as tuas obras!"( Sl. XCI, 5-6)

"Quão numerosas são as tuas obras, Senhor!
Fizestes com sabedoria todas as coisas:
A terra está cheia das tuas criaturas".(Sl.CIII, 24).

"Porque pela grandeza e formosura da criatura
Se pode visivelmente chegar ao conhecimento do seu Criador" (Sab. XIII, 5).

"O homem insensato não conhece,
E o néscio não compreende estas coisas".(Sl. XCI, 7)]

E entretanto...

“Vanitas vanitatum, et omnia vanitas” (...) “Vidi cuncta quæ fiunt sub sole et ecce universa vanitas et aflictio spiritus” (Eclest. I, 2 e 14). [Vaidade das vaidades, tudo é vaidade (...) Vi todas as  coisas que se fazem sob o sol, e achei que tudo era vaidade e aflição de espírito.]

Porque todas as criaturas nada são se comparadas com Deus.

Por isto os sábios louvam a Deus em suas criaturas, mas não se apegam a elas.

São Francisco nos dá exemplo claro desse equilíbrio católico diante das criaturas, louvando a beleza infinita de Deus na beleza reflexa das coisas criadas e, ao mesmo tempo, desposando a Dama Pobreza, e louvando a Deus até por “sora nostra morte corporale” [ pela nossa irmã morte corporal]

“Altissime, omnipotente, bon Signore,
tue sò le laude, la gloria e l’honore
et omne benedictione:
Ad te solo, Altissimo se konfano

Et nullu homo esse dignu te mentovare 
Laudato sie, mi’Signore, cum tucte le tue creature,
Spetialmente messor lo frate sole,
Lo quale iorno et allumini noi per loi,
Et ellu è bellu e radiante
Cum grande splendore:
De te Altissimu, porta significatione

Laudato si’, mi’Signore, per sora luna et le stelle,
In celu l’ài formate clarite
Et pretiose et belle.

Laudato si’, mi’Signore per frate vento
Et per aere et nubilo et sereno et omne tempo,
Per lo quale a le tue creature dai sustentamento

Laudato si’, mi’Signore, per sora aqua,
La quale à multo útile et humile,
Et pretiosa et casta.

Laudato si’, mi’Signore, per frate focu
Per lo quale annallumini la nocte;
Et ello è bello et iocundo et robustoso et forte.

Laudato si’, mi’Signore, per sora nostra matre terra,
La quale ne sustenta et governa
Et produce diversi fructi con coloriti fiori et herba.

Laudato si’, mi’Signore,
Per quelli ke perdonano per lo tuo amore,
Et sostengo’infrimitate et tribulatione;

Beati quelli kei sosterranoin pace,
Ka da te Altissimo
Sirano incoronati.

Laudato si’, mi’Signore
Per sora nostra morte corporale
Da la quale nullu homo vivente po skapare:

Guai acquelli ke morrano ne le peccata mortali;
Beati quelli ke troverà ne le tue sanctissime voluntati.
Ka la secunda morte nol farrà male.

Laudate et benedicite mi’Signore et rengraziate
Et serviatele cum grande humilitate.”

[             Cântico das Criaturas

Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
teus são os louvores, a glória e a honra, e toda bênção:
A ti somente Altíssimo se coadunam
e nenhum homem é digno de te mencionar.

Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
especialmente o senhor o irmão sol,
o qual de dia nos iluminas a nós por ele,
e ele é belo, e radiante
com grande esplendor:
de ti, Altíssimo traz significação.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã lua e pelas estrelas,
que no céu as formastes claramente
e preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento,
e pelo ar, e nuvens e orvalho, e por todo tipo de tempo,
pelo  qual  sustentas todas as tuas criaturas.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água,
a qual é muito útil e humilde,
e preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo
pelo qual nos iluminas a noite;
e ele é belo e jucundo e robusto e forte.

Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, mãe terra,
a qual nos sustenta e governa
e produz diversos frutos com coloridas flores e  ervas.

Louvado sejas, meu Senhor,
por aqueles que perdoam por teu amor,
e suportam enfermidades e tribulações,

Bem aventurados os que suportarem em paz,
porque por Ti, Altíssimo,
serão coroados.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela nossa irmã morte corporal
da qual nenhum homem vivente pode escapar.

Malditos aqueles que morrerem em seus pecados mortais;
Bem aventurados os que a morte encontrar em tuas santíssimas vontades.
Porque a segunda morte não lhes fará mal.
Louvai e bendizei meu Senhor e agradecei-O
e servi a le com grande humildade"

São Francisco de Assis ]

 

Nesse magnífico Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis, deve-se notar que há:

1°) reconhecimento da transcendência e bondade de Deus Criador;

2°) que, comparado a Ele, nada é bom;

3°) que, entretanto, as obras de Deus são maravilhosas e cheias de sabedoria;

4°) que até mesmo os males que sofremos, como por exemplo a morte, tem bondade relativa e razão de ser superior, na ordem universal.

5°) que, portanto, o homem não se deve revoltar com os males que sofre, mas louvar a Deus que, por meio desses males relativos, nos prepara bens maiores.

Alguns costumam dizer, bem injusta e muito erradamente, que este Cântico das Criaturas de São Francisco seria de fundo panteísta. Essa interpretação é absurda, pois que o Poverello de Assis insiste que quem deve ser louvado é o Criador pela excelência das criaturas que fez do nada. Por isso ele repete continuamente: "Lodato sia mi' Signore" [Louvado sejas, meu Senhor], e afirma que só a Deus se devem louvor, glória e honra, assim como toda bênção:

"Altissime, omnipotente, bon Signore,
tue sò le laude, la gloria e l’honore
et omne benedictione".

O Cantico delle Creature é anti panteísta.

Por outro lado, São Francisco combate a Gnose ao afirmar que as criaturas são materialmente boas, e como, nelas também, podem ser encontrados símbolos de Deus, que permitem conhecer analogicamente a bondade infinita de Deus através do bem e da beleza da criação. Assim, em toda criatura há bem material,  e,  enquanto símbolo, toda criatura possui analogicamente símbolos de bens espirituais. Por isso, São Francisco louvará em cada criatura  o que ela tem materialmente de bom, assim como os símbolos dos bens espirituais que existem nelas.

Desse modo, ele louva o sol pelo bem material que nos faz -- lo quale iorno et allumini noi per loi -- como também pelos símbolos de Deus que existem no sol: "de Te Altissimu porta significatione, porque 'è bellu e radiante cum grande esplendore".

E ele louva nossa irmã água por ter quatro qualidades: duas materiais e duas simbólicas. A água, materialmente, é útil e preciosa, enquanto espiritualmente ela simboliza as virtudes da humildade e da castidade. Da humildade, porque a água procura sempre o lugar mais baixo, exatamente como o faz quem é humilde. E como quem se humilha será exaltado, a água, que busca sempre o lugar mais baixo, será exaltada ao encontrar a grandeza do Oceano, e a se tornar una com ele, assumindo a sua grandeza.

E a água é dita simbolicamente casta, por São Francisco, já que, como ser irracional, ela não pode ter propriamente virtudes, mas pode simbolizá-las. A água que tudo limpa -- e até a água suja pode lavar, até certo ponto, as  mãos  do homem -- é símbolo de castidade e de pureza.

A estrofe é tão bela, que convém repeti-la:

"Laudato si’, mi’Signore, per sora aqua,
La quale à multo útile et humile,
Et pretiosa et casta"

Como convém muito lembrar, a este mundo moderno, panteísta e gnóstico, que foge da cruz, que até a morte corporal tem um bem relativo, e que, por isso, ela também pode ser chamada de "nossa irmã":

"Laudato si’, mi’Signore
Per sora nostra morte corporale
Da la quale nullu homo vivente po skapare"

E o manso e suave São Francisco não titubeia em amaldiçoar aqueles que aceitarem a morte espiritual do pecado até o momento da morte corporal, porque só a morte do pecado é péssima: "Guai a quelli" que a morte física encontrar mortos espiritualmente pelo pecado.

Esta é, então,  a atitude correta diante da criação: nem identificando as criaturas com Deus, como o faz o panteísmo, nem negando a excelência da criação, como faz a Gnose, pois tudo o que Deus fez é bom: “Viditque Deus cuncta quæ fecerat, et erant valde bona” (Gen., I, 31). [Viu Deus tudo o que fizera, e que o todo era muito bom]

Por outro lado, o homem é um exilado do paraíso terrestre, e sua vida é uma provação. Na grande ordem que existe no universo, só em si mesmo o homem nota a desordem. Só ele, ser livre e racional, entre as criaturas visíveis, é capaz de livremente introduzir a desordem no cosmos. É isto que lhe causa tristeza e angústia. Tristeza, pelo seu estado. Angústia, por estar em prova. Daí o apelo ansioso e triste que se evola das palavras e das notas do Salve Regina:

“Ad te clamamus,
exsules filii Evæ.
Ad te suspiramus,
Gementes et flentes,
In hac lacrimarum valle”.

[ A ti clamamos, exilados filhos de Eva. A ti suspiranmos, gemendo e chorando, neste vale de lágrimas]

“Lacrimarum valle”, tal é o mundo, hoje, para o homem. Vale de exílio, de lágrimas e de provas. Mas passageiro. Compreendendo que tudo é passageiro, e que não há razão para se iludir com os bens terrenos, nem para se revoltar com as misérias da vida, o homem não perderá o seu equilíbrio.

Compreendendo que “populus qui ambulabat in tenebris vidit lucem magnam: habitantibus in regione umbræ mortis, lux orta est eis” [Este povo que andava nas trevas, viu uma grande luz; aos que habitavam na região da sombra da morte nasceu-lhes a luz”], porque:

Parvulus enim natus est nobis,
Et filius datus est nobis;
Et factus est principatus super humerum eius;
Et vocabitur nomem eius:
Admirabilis, Consiliaris, Deus Fortis,
Pater futuri sæculi, Princeps pacis”

(Isaias, IX, 2 e 6)

[Porquanto um Menino nasceu para nós,
e um filho nos foi dado
e foi posto o principado sobre o seu ombro;
e será chamado:
Admirável, Conselheiro, Deus Forte,
Pai do século futuro, Príncipe da paz.]

Então ressurge para o homem a esperança e ele sabe que nada deve perturbá-lo:

“Nada te turbe,
nada te espante.
Todo se pasa.
Dios no se muda.
La paciencia
todo lo alcanza.
Quien a Dios tiene,
nada se falta.
Solo Dios basta”,
nos diz Santa Teresa de Ávila.

E pois que, no vale de lagrimas do exílio, Deus deixou ao homem coisas excelentes, para que ele se lembre do paraíso perdido e da glória de sua majestade, é preciso que o homem ouça o grande apelo que todas as criaturas lançam, para que ele conheça e ame a Grandeza, a Sabedoria, a Beleza e a Bondade de Deus, através das perfeições que dEle se vêem no universo.

“Chiamavi’l cielo e’ntorno vi si gira,
mostrandovi le sue bellezze etterne,
e l’occhio vostro pur a terra mira;
ondi vi batte chi tutto discerne”.

(Dante Alighieri – Divina Comédia, XIV, 148-151)

[ Chama-vos o céu que em torno de vós gira,
mostrando-vos as suas belezas eternas.
e vosso olhar ainda contempla o chão
é por isso vos pune Quem tudo discerne"]

Deus nos ilumina e aquece todo dia por meio do sol que bem simboliza o Criador de toadas as coisas, pois que assim como a luz do sol permite que vejamos as coisas a luz da verdade -- que é  Verbo de Deus -- nos permite conhecer a realidade. E assim como o sol nos danado calor, nos permite ter o bem da vida física, assim o amor de Deus nos procura e aquece continuamente, para que tenhamos a vida da graça.

Sol, luz e calor.  Deus, Verdade e Amor. Deus Pai, sol que eternamente gera a Luz do Filho, Lumen de Lumine, Deus Filho. Sol e Luz dos quais procede o Ardor. o Amor, Deus Espiríto Santo  Qui ex Patre Filioque procedit.

É impossível separar o fogo da luz,  nem separar a luz do calor, nem separar o calor do fogo. Fogo, luz e calor são inseparáveis realmente. Por isso não se pode Separar a Onipotência da verdade e do Amor. E Lúcifer, porque conheceu a Verdade divina , mas não a amou, separou a Luz da Verdade, do Amor. Por isso, no inferno, ele é eternamente punido com o calor do fogo e com as trevas.

Deus faz, mesmo à noite o céu estrelado girar ante nossos olhos deslumbrados, chamando-nos a contemplar as belezas eternas, e lembrando-nos que toda beleza terrena é passageira , e que só que não muda é verdadeiramente amável.

E apesar desse constante e altíssimo apelo, nossos olhos tendem a somente mirar e admirar a terra.

E o apóstata mundo moderno só olha para o chão.

Por isso o punirá Aquele que tudo discerne.


    Para citar este texto:
"O Criador e a Criação"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/arte/criador/
Online, 24/09/2017 às 11:06:42h