Arte

O alarme: Canto Gregoriano? Agora é uma raridade.
Anna Maria Girelli Consolaro

(Tradução nossa do original italiano, publicado no site www.unavoce-ve.it/01-04-4.htm)
 
"Corriere del Veneto", 17 janeiro 2004
 
O Maestro Lanfranco Menga, titular da cadeira de Prepolifonia do Conservatório Benedetto Marcello de Veneza, é um dos maiores peritos do canto gregoriano. Notável é também sua afeição à antiga liturgia latina, que o levou a ser amigo da UNA VOCE e freqüentador da igreja de S. Simon Piccolo, e hoje da igreja dos Jesuítas de Veneza, onde se celebra a velha missa com cantos gregorianos.
 
Publicado o último trabalho da Escola Gregoriana, dirigida pelo Maestro Menga
Anna Maria Girelli Consolaro
 
"O canto gregoriano hoje? Na igreja tornou-se uma raridade. Fora dela é escutado, sim; mas como concerto. E esta música, como concerto, não tem nada a ver”.
A advertência vem de Lanfranco Menga, uma das vozes mais respeitadas no tema. Do insigne musicólogo e músico surgiu recentemente o último trabalho. Trata-se de um CD, Resonet intonet, que mostra a Schola Gregoriana di Venezia, por ele mesmo dirigida, empenhada nos cantos gregorianos típicos da liturgia de Pádua (a gravadora é a Tactus). “Com este CD completamos o ciclo do Advento e do Natal” – explica Menga. “Na próxima semana, junto com o Conjunto Oktoechos, iniciaremos o ciclo pascal”.
 
Dessa forma, completaremos todo o ciclo de Pádua, hoje unanimemente considerado um tesouro de valor inestimável. A música litúrgica cantada na Catedral medieval de Pádua apresenta, de fato, peculiaridades locais que a tornam única. O CD é divido em quatro partes: Responsório Matutino dos Domingos do Advento, Ofício dos Pastores, uma seleção da Missa Maior de Natal e uma da Epifania. “Hoje, no entanto, a inserção do canto gregoriano na liturgia, se apresenta claramente forçada - diz Menga – porque a concepção básica é diferente. Enquanto na velha liturgia concedia-se amplo espaço a momentos de silêncio e de meditação do sacerdote, a regra da nova Missa (o Novus Ordo Missae, promulgado em 1969 por Paulo VI, ndr) privilegia a intervenção em massa dos fiéis. Desta forma – prossegue – falta tempo material para cantar longos trechos; além disso, alguns trechos estão em clara contradição com a nova concepção”.
 
Quanto aos modernos cantos inseridos na Missa, Menga diz tratar-se de “um desastre, quer do ponto de vista religioso, quer musical. Caímos numa excessiva vulgarização da música, que não manteve consideração alguma às exigências da liturgia. São cantos insípidos, que não contribuem para a elevação espiritual nem acompanham adequadamente os diversos momentos da Missa. Um verdadeiro pecado – conclui – porque nos jovens, o interesse pelo gregoriano, é fortíssimo. As novas gerações, pelos mais diversos motivos, se sentem atraídas por este gênero que nem conhecem direito. E que, infelizmente, não podem ouvir no local próprio, na igreja”.

    Para citar este texto:
"O alarme: Canto Gregoriano? Agora é uma raridade."
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/arte/alarme/
Online, 18/08/2017 às 11:44:21h